Receitas turísticas crescem 8,8 por cento no primeiro semestre - Economia - PUBLICO.PT
Receitas turísticas crescem 8,8 por cento no primeiro semestre - Economia - PUBLICO.PT
Eis mais um exemplo da contradição da Politica de Turismo de Portugal.
Por um lado, está toda concebida para lidar apenas com os hóspedes do Alojamento Turístico Classificado, o que é uma visão redutora, inadequada e de consequências perversas para a Economia do Turismo do País.
Por outro lado, embandeira em arco com as receitas de Viajar (Travel) da Balança de Pagamentos. Acontece que estas contabilizam todas as despesas de todos os não residentes que visitam Portugal, independentemente da modalidade de alojamento.
A grande maioria aloja no Alojamento Turístico Privado (casa própria de uso sazonal ou casa arrendada) ou em casa de familiares e amigos.
A opção cultural e política que explica esta dualidade de critério é uma barreira à competitividade da nossa oferta real de Turismo.
Em 2011, com os problemas que o País enfrenta, esta dualidade é inaceitável.
Eis mais um exemplo da contradição da Politica de Turismo de Portugal.
Por um lado, está toda concebida para lidar apenas com os hóspedes do Alojamento Turístico Classificado, o que é uma visão redutora, inadequada e de consequências perversas para a Economia do Turismo do País.
Por outro lado, embandeira em arco com as receitas de Viajar (Travel) da Balança de Pagamentos. Acontece que estas contabilizam todas as despesas de todos os não residentes que visitam Portugal, independentemente da modalidade de alojamento.
A grande maioria aloja no Alojamento Turístico Privado (casa própria de uso sazonal ou casa arrendada) ou em casa de familiares e amigos.
A opção cultural e política que explica esta dualidade de critério é uma barreira à competitividade da nossa oferta real de Turismo.
Em 2011, com os problemas que o País enfrenta, esta dualidade é inaceitável.
Brejeira, seis hectares para campismo gourmet
Brejeira, seis hectares para campismo gourmet
Só conheço o que li e vi. Não me posso pronunciar sobre a experiência. Posso afirmar que parece ser um excelente exemplo de
. O Território a Quem o Valoriza,
. Haver uma nova procura para uma nova oferta, que só pode ser criada por gente inovadora,
. Iniciativa que se devia multiplicar,
. Pelas fotos, ficarmos com a impressão que faltam árvores e de ainda estarmos no solo da alfarrobeira,
. Só faltar um burocrata a pedir o número de Alvará.
Felicidades.
SPB
O Álvaro e a Florida, no Portugal da Europa
O Programa do Álvaro e as suas Implicações
Sérgio Palma Brito
O então Prof. Álvaro Santos Pereira apresentou uma ideia para transferir recursos do exterior e melhorar a Balança de Pagamentos: atrair a Portugal reformados não residentes, como acontece na Florida. O Álvaro, Ministro da Economia, já informou o Parlamento sobre um Programa para implementar a ideia do Professor, transformando Portugal em País competitivo para atrair reformados não residentes (portugueses e estrangeiros), que dispõem de vasta escolha.
O Ponto de Não Retorno!
O Programa atingiu o Ponto de Não Retorno: agora, ou levanta voo, ou se estampa no chão da política. A partir daqui, o Álvaro tem de
O Programa atingiu o Ponto de Não Retorno: agora, ou levanta voo, ou se estampa no chão da política. A partir daqui, o Álvaro tem de
- saber como, na Europa, os reformados imigram e as implicações do seu estilo e ciclo de vida,
- alterar o modelo cultural da Política de Turismo, mais algumas disposições legais, reconhecidamente obsoletas ou inadequadas,
- obter novas orientações da Política de Ordenamento do Território, para que este Modelo seja implantado no espaço e integrado no território,
- conseguir que as Políticas da Transversalidade do Turismo contribuam para tornar a imigração dos reformados fácil e a sua vida agradável,
A Secretária de Estado do Turismo pode situar-se acima da visão de Turismo, que capturou a Secretaria de Estado e os Serviços de Turismo, desde há dezenas de anos. Pode ser uma excelente “ajudante de Ministro”, na inesquecível expressão do então Primeiro-Ministro Aníbal Cavaco Silva.
A esfera de decisão do Primeiro-Ministro
Assegurada a coesão política no Ministério (nem sempre aconteceu!), o Álvaro não pode esquecer a regra de ouro da Política do Turismo:
Assegurada a coesão política no Ministério (nem sempre aconteceu!), o Álvaro não pode esquecer a regra de ouro da Política do Turismo:
- desde Salazar a Sócrates, passando por Cavaco Silva, as decisões estratégicas da Política de Turismo, são da esfera de decisão do Primeiro-Ministro, porque só ele pode assegurar a transversalidade que exigem.
Em conclusão, se esta Proposta falhar,
- ou é porque o Álvaro falha, ao não saber convencer o Primeiro-Ministro,
- ou é porque o Primeiro-Ministro ou não a aprova, ou não a faz implementar.
- a ideia é boa e a sua implementação interessa ao País,
- quem fica a perder é o País.
Sérgio Palma Brito
Este post é apoiado pelo segundo documento de trabalho sobre “Portugal, País Competitivo para a Imigração de Reformados não Residentes”
Sobre a racionalidade, utilidade e modalidade da privatização da
ANA – Aeroportos e Navegação Aérea SA
Aeroportos e apoio à Oferta de Turismo do País
A situação geográfica do País e a importância do turismo receptor na transferência de recursos do exterior exigem uma acessibilidade aérea fácil, segura e barata aos não residentes, estrangeiros ou portugueses, que vêm a Portugal em lazer ou negócios. Esta é a primeira missão da rede de aeroportos, de que a ANA é concessionária.
Esta prioridade é compatível com outros utilizadores do transporte aéreo (ligação às ilhas, carga e turismo emissor), mas enfrenta tensões resultantes do hub da TAP e de uma privatização da ANA ligada ao financiamento do agora chamado “novo aeroporto da Área Metropolitana de Lisboa”. Nestes casos e no limite de um teste de stress, Portugal pode viver sem a TAP – “companhia de bandeira” e com o Aeroporto da Portela, mas não dispensa uma rede aeroportuária eficiente e competitiva.
Esta proposta não é aceite pelo Sistema Politico/Administrativo do Transporte Aéreo, que “faz” a Política de Transportes Aéreos do País.
Aeroporto/Oferta de Turismo e low cost: o novo jogo win win
Aeroportos/oferta de Turismo e companhias aéreas jogam um jogo win win, que exige a rentabilidade da gestão aeroportuária, da oferta de turismo e das rotas aéreas. Nenhuma companhia aérea suportará prejuízos, para servir os aeroportos e a oferta de turismo do País e nenhum aeroporto, nem a oferta de turismo sobrevivem sem uma acessibilidade aérea rentável.
A liberalização dos Direitos de Tráfego no espaço aéreo da União Europeia e a consequente formação de um novo modelo de operação do transporte aéreo (conhecido como low cost) criam duas realidades interligadas: (i) um novo tipo de negociação entre o aeroporto e a oferta de turismo com as companhias aéreas, (ii) o reforço da ligação entre o aeroporto e a oferta de turismo com a Política/Administração do Turismo – cada vez mais, a acessibilidade aérea é elemento importante do Produto Turístico, instrumento da sua Promoção e Distribuição e factor da componente geográfica da Segmentação do seu mercado.
A privatização da ANA está inserida neste duplo contexto e, em função dele, deve ultrapassar o Sistema Politico/Administrativo do Transporte Aéreo.
Sistema Político/Administrativo do Transporte Aéreo
Em 2009, o Governo “Define o modelo de regulação económica e de qualidade de serviço do sector aeroportuário nacional”. É reforçada a capacidade reguladora do INAC – Instituto Nacional da Aviação Civil, mas não é publicada a indispensável nova Lei Orgânica, que aumente a sua independência, em relação ao Governo. Sem novo regime legal e nova independência, temos um mero Instituto Público, com 26 atribuições, no seio das quais, a Regulação é a 20ª.
No caso dos aeroportos da Região Autónoma da Madeira, a legislação de 2009 não explicita o regime de excepção vigente, em matéria de fluxos financeiros e de regulação pelo INAC. Não é pouca coisa.
A ANA EP é criada em 1979, transformada em ANA SA, em 1998 e concessionária da exploração dos aeroportos de Lisboa, Porto, Faro, Porto Santo, Santa Maria, Ponta Delgada, Horta e Flores. Desde 1979, a relação entre o Estado e a ANA EP não é formalizada e, desde 1998, a concessão à ANA SA não é objecto de contrato. Ficam de lado a transparência de tudo o que tem a ver com a autonomia, responsabilização e avaliação da ANA. Privatizar a ANA significa privatizar esta rede
Em 2009 o Governo acrescenta o aeroporto de Beja a esta rede. A decisão deve ser invertida, porque este não é um aeroporto de tráfego de passageiros, nem a ANA privatizada é a instituição indicada para o valorizar.
Falta de transparência e de acesso à informação são as características de: gestão de aeroportos em rede, subsídios intra aeroportos, fixação de taxas aeroportuárias, integração de receitas aeronáuticas e comerciais, projecto de privatização da rede de aeroportos. Pouco ou nada sabemos sobre estas realidades, mas o Relatório e Contas da ANA lista os “Gastos de utilização de telefones”, por cada um dos membros do Conselho de Administração.
Há duas observações imediatas:
- “transparência” tem a ver com informação das partes interessadas e responsabilização/avaliação de quem exerce poder politico, administrativo ou empresarial público – não tem a ver com corrupção;
- a responsabilidade desta situação é da Assembleia da República e do Governo, e não da empresa ANA, que se limita a funcionar no seio do sistema.
Designamos por Sistema Politico/Administrativo este sistema em que o Estado define a política, é proprietário de instalações, seu utilizador, administração pública, regulamentador e fiscalizador, accionista, fiscal e gestor de empresas, concorrente de si próprio (na Grounforce e Portway), regulador e regulado.
Porquê privatizar a ANA?
A privatização da ANA justifica-se por duas razões:
- maior capacidade futura de intervenção no jogo win win, com a oferta de turismo e com os novos modelos de operação de transporte aéreo,
- menos “gordura” do Estado, na economia e sociedade do País, e valorização da sua função reguladora – é parte do nosso “mudar de vida”.
O sucesso da privatização da ANA começa por depender das condições financeiras e das garantias a exigir ao concessionário. Na verdade, depende muito mais do Estado se concentrar na regulação económica e de qualidade de serviço dos aeroportos do País e ultrapassar décadas do mencionado Sistema Politico/Administrativo. O prejuízo de um menor encaixe é ínfimo, se comparado com o da falha do Estado na Regulação Económica do futuro.
A Privatização da ANA e o Programa do Governo
O Programa do Governo estipula que os modelos de privatização da ANA e da TAP “serão definidos de forma articulada”. Fixa parâmetros para a privatização da TAP e não para a da ANA, criando a ideia que procura o maior encaixe financeiro. Se é assim, é erro de graves consequências.
Para além do «preço certo», está em causa garantir a qualidade da futura relação entre a ANA e oferta de turismo do País com as companhias de transporte aéreo. Deixar esta relação no mercado é uma proposta liberal, no mau sentido da palavra, talvez do domínio da ideologia, mas não do interesse do País.
Por outro lado, o lucro da ANA não deve apoiar a privatização da TAP, nem financiar o “novo aeroporto da Área Metropolitana de Lisboa”, que desloque os voos low cost para o mini Alcochete, e proteja o hub da TAP, na Portela.
O Programa do Governo menciona a “transferência dos aeroportos da Madeira e dos Açores para a respectiva tutela”, mas não explicita: (1) os fluxos económicos e financeiros com os aeroportos do Continente; (2) a ANA como instrumento de transferência de recursos entre a República e as Regiões Autónomas; (3) o lugar dos dois aeroportos da RA da Madeira na Rede Aeroportuária Nacional e no poder de regulação do INAC.
Sobre “Confiança, Responsabilidade, Abertura”, o Programa propõe o reforço do poder e independência da Regulação. O Governo ou faz do INAC uma forte e independente Entidade Reguladora, de âmbito nacional, ou falha, e teremos a gestão da Rede Aeroportuária Nacional entregue a um monopólio privado, sem a adequada regulação.
Recomendações da International Civil Aviation Organization
O ICAO elabora um conjunto de recomendações sobre boas práticas, em matéria de gestão aeroportuária e de fixação de taxas. As recomendações não são respeitadas pela maioria dos países, mas a maneira como Portugal as ignora é esclarecedora sobre a transformação que está em causa.
A título de mero exemplo, no caso da rede aeroportuária, definida em 2009, o Estado não negociou com os utilizadores, há “cross-subsidization”, mas não há “full transparency”, quando o ICAO recomenda:
- “in cases where cross-subsidization within a national network is applied, than full transparency is necessary”.
O ICAO insiste em recomendação geral:
- “transparent accounts, published on regular basis, should enable costs, revenues and subsidies and cross-subsidies to be clearly identified”,
A exigência de transparência é reforçada a propósito de:
- “Means of Measuring Performance and Productivity”
- “Determining the Cost Basis for Charging Purposes
- “Charges on Air Traffic and their Collection”
- “Development and Management of Non-Aeronautical Activities”.
Estes exemplos confirmam a necessidade de desmantelar o Sistema Politico Administrativo do Transporte Aéreo em Portugal, clarificando a relação entre Estado, a regulação por um INAC independente, as privatizadas TAP e ANA, mais a integração europeia da Navegação Aérea.
Uma check list
Podemos elaborar uma check list para ajudar o leitor a avaliar o processo de privatização da ANA:
Uma check list
Podemos elaborar uma check list para ajudar o leitor a avaliar o processo de privatização da ANA:
- Alterações ao modelo de regulação económica e de qualidade de serviço do sector aeroportuário nacional,
- Alterações às bases da concessão do serviço público aeroportuário,
- Estatuto das Novas Entidades Reguladoras e integração do INAC entre estas Entidades,
- Auditoria prévia do Tribunal de Contas sobre a Regulação Económica do Sector Aeroportuário do País,
- A capacidade de liderança do Presidente, da escolha e composição da sua equipa.
Albufeira 2 de Agosto de 2011
Sérgio Palma Brito
Este post é apoiado pelo documento de trabalho “Privatização da ANA e Competitividade da Oferta de Turismo do País”
Transporte Aéreo e Acessibilidade Internacional
à
Oferta de Turismo do Algarve
A proposta dos agentes da economia do turismo
O Diário Económico [2011.07.15] informa que “Os maiores grupos hoteleiros do País” propõem ao Governo apoio financeiro para “levar as companhias aéreas de bandeira, de volta a Faro, como Tap, Ibéria, British Airways, Air France e Lufthansa”. Na prática, trata-se de ligar o Aeroporto de Faro aos hubs europeus destas companhias, para atrair residentes na Europa e em outros Continentes.
A “proposta tem de ser maturada” e ainda não há a “noção de quanto se terá de investir para levar as grandes companhias a Faro”.
O destaque da notícia e o editorial do DE remetem-nos para duas realidades pouco gloriosas. Por um lado, o velho principio de “com governo novo, deixa abanar a ver se cai”. Por outro, em plena silly season, é fácil a imprensa destacar uma “proposta [que] tem de ser maturada e perceber quais os recursos que a ela se têm de alocar”.
Com Manuel Pinho e euros nos cofres, esta informalidade era possível, teríamos festa e até uma cena tipo prós e prós, na “mina de sal de Loulé”.
A formalização da proposta, no quadro da Concertação Estratégica entre Governo e Confederação do Turismo Português
Por mais pragmáticos que queiramos ser, este é um teste à nossa capacidade de formalizar uma genuína Concertação Estratégica entre o Governo e a Confederação do Turismo Português. No seu âmbito e a nível regional, terá lugar a colaboração entre a representação formal dos agentes privados e o Governo/Administração.
Importa insistir em algo de esquecido: a Informalidade é a primeira Barreira à Produtividade e as boas práticas obrigam-nos a que a minimizemos. Seria desastroso que o número de telemóvel do Álvaro substituísse o de Manuel Pinho, para ultrapassar estrangulamentos ou organizar acções concretas e justificadas pelo pragmatismo.
Neste caso, a natureza dos parceiros estrangeiros implica um alto grau de formalização e de rigor no plano de negócios. Os poucos e emprestados euros que estão nos cofres do País não permitem derramar euros sobre problemas, como em 2008/2009. O apoio público tem de ser justificado e avaliado, em rigor e moldes diferentes do dos anos recentes.
A proposta no contexto da acessibilidade aérea à oferta do turismo do Algarve
O transporte aéreo para uma Área Turística, como o Algarve (formada, do zero, em torno do aeroporto de chegada), começa por assentar nas cadeias de voos fretados dos operadores de holiday package e nunca nas Full Service Carriers – em 1983, a percentagem do Táfego Não Regular, no Aeroporto de Faro, é de 83%.
A partir da segunda metade da década de 1990, com a desregulamentação dos direitos de tráfego no espaço aéreo da União Europeia, o transporte aéreo para uma Área Turística passa a assentar em Companhias Inovadoras, – em 2010, estas Companhias representam 75% do Tráfego Comercial do Aeroporto de Faro, as Companhias Charter representam 15% e as Full Sevice Carriers, 10%.
À Falta de melhor designamos por Companhias Inovadoras, de que as low cost são as mais conhecidas, todas as que se adaptam às alterações do mercado turístico e criam uma nova procura.
Em qualquer dos casos, as Full Service Carriers (no modelo inicial de ponto a ponto ou no mais recente de hub and spoke) têm custos incompatíveis com o tráfego leisure, do modelo de negócio de áreas turísticas, como o Algarve. Actualmente, as ligações e frequências que mantêm são poucas e não se vislumbra que esta situação se altere profundamente.
Seria um erro criar ilusões sobre os resultados da proposta dos “maiores grupos hoteleiros do País” e não intensificar os esforços para assegurar a competitividade do modelo de transporte aéreo que temos. Dependemos dele e ele não depende de nós, o que nunca é agradável. Vejamos os méritos, antes de situar os perigos.
O mérito da proposta
As actuais rotas e frequências das Companhias Inovadoras não respondem às exigência de clientes que ainda recusam voar em low cost e não estão ligadas a voos intercontinentais.
Em volume que desconhecemos, as ligações por Full Service Carriers podem alargar a procura a quem recusa viajar em companhias low cost e similares e se dispõe a pagar preço mais elevado. Pode, ainda, contribuir para o posicionamento do golfe do Algarve em países como os EUA.
A ligação a voos intercontinentais alarga a procura de eventos da Meet Industry, a realizar no Algarve – encontros, conferências e incentivos, em geral, na época baixa.
A proposta dos “grandes grupos” não é nova. O que pode ser novo é fazer algo de concreto. A oferta existente é apenas Lisboa. A ligação mais evidente é a de Madrid, de que se fala há anos. Depois, é o sonho: Heathrow, Charles de Gaule, Frankfurt e Munique.
A proposta a elaborar é nova e diferente do modelo que tem vindo a ser utilizado, no caso das Companhias Inovadoras, com contrato com ANA – TdP – ATA. Este é problema que visão larga e bom apoio técnico resolverão. Quanto ao sucesso da iniciativa, quem viver, verá.
O perigo da proposta
Tal como anunciada pelo Diário Económico, a proposta pode levar os agentes da Economia do Turismo e da Intervenção Pública a desviar a sua preciosa atenção do que é essencial e alimentar uma ilusão sobre a procura para a oferta de turismo do Algarve.
Em nossa opinião, entre o que é essencial, temos:
- a acessibilidade internacional ao Algarve começa por depender do posicionamento da marca e da oferta da área turística nos mecanismo de informação / sedução / distribuição on line – estamos muito longe disso e, cada dia, aumentamos o atraso;
- estamos a insistir num erro comprovado (o velho conceito de Promoção Turística), a iniciar outro (o Estado a intervir na Distribuição);
- o mínimo exigível não está a ser feito – basta medir o atraso dos timmings das acções de Promoção Turística nas catchment areas dos aeroportos de partida das rotas apoiadas, em relação aos dos voos;
- a recuperação do mercado de língua alemã e a renovação de gerações da procura no mercado do Reino Unido (apenas dois exemplos) exigem programas trienais de Marketing Estratégico e Operacional e não o repetir da esgotada Promoção Turística;
- não há notícias de Governo e Confederação do Turismo Português, minimizarem a informalidade das relações entre “os grandes grupos” e o Estado, pela urgente recuperação da agora desacreditada Contratualização, a nível central, entre o Governo e a CTP;
- assim sendo, não pode haver boas notícias da operacionalização, a nível dos destinos regionais (de que o Algarve é exemplo atípico), extinguindo os Pólos, reconvertendo dramaticamente as Entidades Regionais, a fundir com as Agências Regionais de Promoção Turística, de modo a reforçar marcas já presentes no mercado.
O sucesso a obter e o perigo a evitar
Só circunstâncias excepcionais porão Full Servive Carriers a voar para Faro, tal como descrito pelo DE. Poderão voar e vir a ter importância qualitativa.
Seria mau que esta cena reforçasse a informalidade na relação Privados/Estado e, pior, distraísse as atenções dos agentes da Economia do Turismo e da Intervenção Pública do que é verdadeiramente importante para o Algarve e País.
Albufeira 22 de Julho de 2011
Sérgio Palma Brito
Este post é apoiado pelo documento de trabalho “Acessibilidade Aérea à Oferta de Turismo do Algarve – dependência, concorrência e acção”
Sobre as viagens em Portugal por quem cá reside
Um País com 4,3 Milhões de Turistas
Em 2009, de entre os 10.639 milhares de Residentes em Portugal, 4.269 milhares (40,1%) fazem “pelo menos uma deslocação em que tenham dormido pelo menos uma noite fora da sua localidade de residência”. O INE designa este grupo de Residentes por “Turistas”.
Em 2009, há 59.9 % da População Residente (6.370 milhares), que não viaja para fora da sua residência habitual. Para isso alegam razões Económicas (54,1%) e boa parte dos 21,3% que alegam “Outras Razões” pode ocultar de razões económicas.
Antes da Crise de 2008/2009, estes quase 6,4 milhões de Residentes representariam um potencial de crescimento para a economia do turismo e um vasto grupo social que reclamaria o “direito a férias fora da sua residência”.
Em 2011, o potencial de crescimento para a economia do Turismo e a justiça social adquirem uma diferença singular em relação ao período da Europa da Abundância, de depois da II Guerra Mundial.
Destes 4.269 milhares de Turistas, 3,348 viajam em Portugal e 920 mil viajam para o Estrangeiro (336 mil viajam para Portugal e estrangeiro). A nossa análise assenta em Viagens e Dormidas e não em Turistas.
Um total de 16.158 milhares de Viagens em Portugal
O total de 16.158 milhares de Viagens em Portugal, resulta de três motivos dominantes
Se tivermos em conta as Viagens cuja duração é de 4 ou mais noites, a situação é diferente.
O número total é de 4.519 milhares, uma diminuição de 72,0%, em relação ao total de 15.158 milhares. Esta diminuição é mais acentuada em VFA (82,2%) e Negócios / Profissionais (79,5%) do que em Lazer, Recreio e Férias (62,7%).
Se compararmos o número de Viagens com duração de 1 noite e de 4 ou mais noites, por NUTS II de destino, temos situações diferentes:
Um total de 64.218 milhares de Dormidas em Portugal
O total de 64.218 milhares de Dormidas em Portugal, resulta de três motivos dominantes
Se compararmos o número de Dormidas das Viagens cuja duração é de 1 noite e de 4 ou mais noites, a situação volta a ser diferente.
Em relação às percentagens das Viagens, há um claro aumento do motivo Lazer, Recreio e Férias (de 50,4% para 62,1%) e uma diminuição de Visita a Familiares e Amigos (de 40,2% a 28,3%) – parece que os visitantes não abusam da hospitalidade de familiares e amigos.
Se considerarmos o Destino das Viagens, há uma clarificação da posição do Destino Algarve
O Inquérito do INE considera o Alojamento Turístico, definido para Fins Estatísticos e que é bem mais vasto do que o Alojamento Turístico da Política de Turismo – tentamos sintetizar estas diferenças no documento de trabalho sobre “Definições Formais de Alojamento Turístico”.
Se considerarmos o total dos 64.218 milhares de Dormidas de Viagens de, pelo menos, 1 noite, há 51.126 milhares em Alojamento Privado (79,6%), 9.329 milhares em Estabelecimentos Hoteleiros (14,5%), e 3.763 milhares em Outros Estabelecimentos (5,9%).
Se considerarmos o total dos 44.796 milhares de Dormidas das Viagens de 4 ou mais noites, esta repartição não se altera: a parte do Alojamento Privado passa a 79,2%, a dos Estabelecimentos Hoteleiros a 14,3% e a dos Outros Estabelecimentos a 6,5%.
Podemos detalhar os 51.126 milhares de Dormidas em Alojamento Privado, das Viagens com 1 ou mais noites de duração. O já referido “Alojamento fornecido gratuitamente por familiares ou amigos” representa 53,9% (27.536 milhares de Dormidas), a Segunda Residência 30,3 % (15.486 milhares), o Alojamento Arrendado 13,3 % (6.807 e os Quartos e Outros apenas 2,5 % (1.298 milhares).
Dormidas – Coerência dos Números com os do Alojamento Turístico Classificado
A nível nacional, há quase coincidência entre o Total de Dormidas em Estabelecimentos Hoteleiros e Outros Estabelecimentos (13.091 milhares) do Inquérito às Deslocações dos Residentes e o Total de Dormidas de Residentes no que o INE designa, inadequadamente, por Estabelecimentos Hoteleiros (13.243 milhares). A nível nacional, o Alojamento Turístico Privado marca a diferença considerável que existe entre as duas definições de Alojamento Turístico.
A repartição por NUTS II da comparação entre o número de Dormidas do Inquérito e do Alojamento classificado exige análise caso a caso. Em 2009, no Algarve, o número de Dormidas do Inquérito é de 15,5 milhões e o do Alojamento Classificado é de 3,7% – esta diferença ilustra a realidade da economia do turismo regional que é ignorada pela Política de Turismo.
Nota Final
A partir do ano de referência de 2009, o INE realiza o Inquérito às Deslocações dos Residentes, que substitui o anterior Inquérito à Procura Turística dos Residentes.
A leitura do Inquérito implica conhecer a definição de Alojamento Turístico para Fins Estatísticos, que apresentaremos em próximo documento.
Neste Inquérito, o INE termais meios para afectar à recolha de informação, seu tratamento e divulgação dos resultados. Há muito “Observatório” a eliminar, de modo a poupar e a afectar recursos humanos e materiais onde tal é útil e necessário.
Este post é apoiado por este documento de trabalho
Albufeira 12 de Julho de 2007
Em 2009, de entre os 10.639 milhares de Residentes em Portugal, 4.269 milhares (40,1%) fazem “pelo menos uma deslocação em que tenham dormido pelo menos uma noite fora da sua localidade de residência”. O INE designa este grupo de Residentes por “Turistas”.
Em 2009, há 59.9 % da População Residente (6.370 milhares), que não viaja para fora da sua residência habitual. Para isso alegam razões Económicas (54,1%) e boa parte dos 21,3% que alegam “Outras Razões” pode ocultar de razões económicas.
Antes da Crise de 2008/2009, estes quase 6,4 milhões de Residentes representariam um potencial de crescimento para a economia do turismo e um vasto grupo social que reclamaria o “direito a férias fora da sua residência”.
Em 2011, o potencial de crescimento para a economia do Turismo e a justiça social adquirem uma diferença singular em relação ao período da Europa da Abundância, de depois da II Guerra Mundial.
Destes 4.269 milhares de Turistas, 3,348 viajam em Portugal e 920 mil viajam para o Estrangeiro (336 mil viajam para Portugal e estrangeiro). A nossa análise assenta em Viagens e Dormidas e não em Turistas.
Um total de 16.158 milhares de Viagens em Portugal
O total de 16.158 milhares de Viagens em Portugal, resulta de três motivos dominantes
- Lazer, Recreio e Férias – 8.143 milhares e 50,4 %
- Visita a Familiares e Amigos – 6.493 milhares e 40,2%
- Negócios / Profissionais – 1.108 milhares e 7,0%
Se tivermos em conta as Viagens cuja duração é de 4 ou mais noites, a situação é diferente.
O número total é de 4.519 milhares, uma diminuição de 72,0%, em relação ao total de 15.158 milhares. Esta diminuição é mais acentuada em VFA (82,2%) e Negócios / Profissionais (79,5%) do que em Lazer, Recreio e Férias (62,7%).
Se compararmos o número de Viagens com duração de 1 noite e de 4 ou mais noites, por NUTS II de destino, temos situações diferentes:
- o Centro passa de 4.964 milhares a 1.221 milhares, menos 75,4%,
- o Algarve passa de 2426 milhares a 1.382 milhares, menos 43,0%.
Um total de 64.218 milhares de Dormidas em Portugal
O total de 64.218 milhares de Dormidas em Portugal, resulta de três motivos dominantes
- Lazer, Recreio e Férias – 39.885 milhares (62,1%),
- Visita a Familiares e Amigos – 18.188 milhares (28,3%),
- Negócios / Profissionais – 3.379 milhares (5,3%).
Se compararmos o número de Dormidas das Viagens cuja duração é de 1 noite e de 4 ou mais noites, a situação volta a ser diferente.
Em relação às percentagens das Viagens, há um claro aumento do motivo Lazer, Recreio e Férias (de 50,4% para 62,1%) e uma diminuição de Visita a Familiares e Amigos (de 40,2% a 28,3%) – parece que os visitantes não abusam da hospitalidade de familiares e amigos.
Se considerarmos o Destino das Viagens, há uma clarificação da posição do Destino Algarve
- o Centro passa de 17.779 milhares a 11.404 milhares, menos 35,9%,
- o Algarve passa de 15.464 milhares a 13.522 milhares, menos 12,6%.
O Inquérito do INE considera o Alojamento Turístico, definido para Fins Estatísticos e que é bem mais vasto do que o Alojamento Turístico da Política de Turismo – tentamos sintetizar estas diferenças no documento de trabalho sobre “Definições Formais de Alojamento Turístico”.
Se considerarmos o total dos 64.218 milhares de Dormidas de Viagens de, pelo menos, 1 noite, há 51.126 milhares em Alojamento Privado (79,6%), 9.329 milhares em Estabelecimentos Hoteleiros (14,5%), e 3.763 milhares em Outros Estabelecimentos (5,9%).
Se considerarmos o total dos 44.796 milhares de Dormidas das Viagens de 4 ou mais noites, esta repartição não se altera: a parte do Alojamento Privado passa a 79,2%, a dos Estabelecimentos Hoteleiros a 14,3% e a dos Outros Estabelecimentos a 6,5%.
Podemos detalhar os 51.126 milhares de Dormidas em Alojamento Privado, das Viagens com 1 ou mais noites de duração. O já referido “Alojamento fornecido gratuitamente por familiares ou amigos” representa 53,9% (27.536 milhares de Dormidas), a Segunda Residência 30,3 % (15.486 milhares), o Alojamento Arrendado 13,3 % (6.807 e os Quartos e Outros apenas 2,5 % (1.298 milhares).
Dormidas – Coerência dos Números com os do Alojamento Turístico Classificado
A nível nacional, há quase coincidência entre o Total de Dormidas em Estabelecimentos Hoteleiros e Outros Estabelecimentos (13.091 milhares) do Inquérito às Deslocações dos Residentes e o Total de Dormidas de Residentes no que o INE designa, inadequadamente, por Estabelecimentos Hoteleiros (13.243 milhares). A nível nacional, o Alojamento Turístico Privado marca a diferença considerável que existe entre as duas definições de Alojamento Turístico.
A repartição por NUTS II da comparação entre o número de Dormidas do Inquérito e do Alojamento classificado exige análise caso a caso. Em 2009, no Algarve, o número de Dormidas do Inquérito é de 15,5 milhões e o do Alojamento Classificado é de 3,7% – esta diferença ilustra a realidade da economia do turismo regional que é ignorada pela Política de Turismo.
Nota Final
A partir do ano de referência de 2009, o INE realiza o Inquérito às Deslocações dos Residentes, que substitui o anterior Inquérito à Procura Turística dos Residentes.
A leitura do Inquérito implica conhecer a definição de Alojamento Turístico para Fins Estatísticos, que apresentaremos em próximo documento.
Neste Inquérito, o INE termais meios para afectar à recolha de informação, seu tratamento e divulgação dos resultados. Há muito “Observatório” a eliminar, de modo a poupar e a afectar recursos humanos e materiais onde tal é útil e necessário.
Este post é apoiado por este documento de trabalho
Albufeira 12 de Julho de 2007
O Algarve na Florida da Europa
Os Resultados Preliminares dos Censos da População e Habitação dão uma primeira ideia sobre a realidade do Algarve na Florida da Europa.
A partir de 1970, o desenvolvimento da oferta de turismo permite
- inverter duas décadas de diminuição da População Residente – 60k habitantes entre 1950 e 1970,
- evitar que esta tendência se traduza numa redução suplementar de 90.000 habitantes até ao ano 2000 – em vez de 178 k habitantes, o Algarve tem 395k,
- um crescimento sustentado da População Residente
- 183k entre 1970 e 2011,
- 56k e 14% entre 2001 e 2011.
A última década de crescimento do Alojamento Familiar Clássico
- reforça o crescimento sustentado, dos 105 k fogos de 1970 aos 378 k de 2011,
- resulta de um ciclo de crescimento, iniciado em meados da década de 1990 e que acaba com a Crise de 2008/2009: 102k de aumento entre 2001 e 2011 (37%).
Este crescimento incorpora três componentes, que nós estimamos terem, em 2011, os seguintes valores:
- Residência Habitual – 197k
- Uso Sazonal – 145k
- Vago – 35k
A importante realidade económica, social e cultural do Uso Sazonal não tem sido objecto do estudo e atenção que o interesse do País exige. Mas, há pior.
Ignoramos quantos “reformados do tempo livre, inicialmente não residentes”
- ocupam os fogos de Residência Habitual, já no “modelo da Florida”,
- utilizam os fogos de Uso Sazonal em uma de duas maneiras
- estadias curtas, ainda na vida activa, sendo o primeiro mercado alvo para passarem a ser residentes permanentes, se os soubermos fixar no referido “modelo da Florida”,
- estadias prolongadas, já na reforma, mantendo laços com o país de trabalho e sendo “imigrantes informais do tempo livre”, podendo vir a formalizar a imigração, se os soubermos fixar.
Os Censos não permitem identificar
- os efeitos negativos da Crise de 2008/2009 sobre uma eventual redução da População Residente, entre 2007 e 2011,
- as consequências sobre a capacidade de atracção de compradores de Fogos de Uso Sazonal e de “reformados do tempo livre, inicialmente não residentes”, fruto de
- efeitos da Crise de 2008/2009, nos países de origem,
- incapacidade política nacional em prevenir e controlar as manifestações mais violentas ou repetitivas da insegurança de pessoas e bens.
Ver justificação no documento de trabalho (link)
Albufeira, 1 de Julho de 2011
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