David Neelelan - foi esta capacidade de antecipação e inovação que Portugal e a TAP perderam

 

É publico e notório que ‘sigo’ David Neeleman desde há anos e anos e tenho por ele respeito pessoal e grande admiração profissional.

A news letter Flighglobal, dedica hoje uma análise aprofundada ao Airbus 220, um avião em que inicialmente não acreditou e hoje é simplesmente isto:

-«Five years an Airbus: How the ‘little’ A220 transitioned to the big league».

The big league e a, muito possivelmente, substituir o consagrado A319.

Recuemos a 2018, quando a grande notícia é

-«US to have a new LCC and it just bought 60 A220s at Farnborough».

A nova companhia low cost é a Moxy, hoje Breeze, e o empreendedor que acredita no A220 é David Neeleman.

Cito-o:

-“After years of U.S. airline consolidation, the conditions are improving for a new generation of U.S. airlines to emerge, focused on passenger service and satisfaction,”

“The A220 will enable us to serve thinner routes in comfort without compromising cost, especially on longer-range missions. With deliveries starting in 2021, we will have ample time to assemble a world-class management team and another winning business model,”

Basicamente,

Em 2018.07.18, «The U.S. start-up airline, known as Moxy Airways, is going to offer point-to-point services from secondary airports in the U.S.».

Neeleman tinha arrastado financiadores que nele confiam para este projeto.

A Pandemia perturba tudo, mas a Breeze Voa e espera completer a frota de A220, modelo em que muitos não acreditavam, até na Airbus.

Foi esta capacidade de antecipação e inovação que Portugal e a TAP perderam.



Vamos acabar com inutilidade da Entidade Regional de Turismo do Algarve?

 

1.João Fernandes, ex-presidente da ERTA, dá entrevista de fim de mandato ao Publituris.

A autossatisfação é evidente, mas não tem base real e confirma a vacuidade da coisa.

No turismo do Algarve há nichos de excelência que são o nosso orgulho.

A envolvente a estes nichos é de mediocridade patológica e, a prazo, acaba por os desvalorizar.

Este processo está em curso desde pelo menos os anos noventa e só se agrava.

Esta envolvente, reconhecida e aceite pelo grupo social dominante, é a nossa vergonha.

Não, João Fernandes,

-o Algarve não está na Champions, nem na taça UEFA e nem na Conference League.

-está em zona de despromoção da Liga Bwin.


2.O Algarve não é destino obrigado a encafuar turistas em hotéis e resorts pela insegurança envolvente.

No Algarve há uma Oferta Pública de Turismo que completa a oferta privada.

Em grande parte, esta oferta é também espaço da vivência dos residentes no Algarve.

A imagem de marca (reputação) do destino Algarve forma-se na mente, coração e espírito de quem nos visita e depois comunica.

Depois da água, a imagem de marca é o que de mais importante há no turismo do Algarve.

Não é por acaso que

-ninguém se preocupa em seguir a medição da pluviosidade na Região e ainda menos avaliar a sua reputação nos segmentos mais importantes da procura,

-ninguém se preocupa com a qualificação da oferta publica de turismo, salvo exceções que confirmam a regra e o incansável José Trigo no Facebook.

Ninguém se preocupa porque o grupo social dominante não quer perturbar o equilibro da convergência de interesses em que assenta.

A candidatura de André Gomes a presidente da ERTA tem o apoio quase unânime de tudo o que mexe no Algarve. As eleições para a ERTA são fruto da convergência de interesses dominante.

3.Há no Algarve o que designo se nenhuma animosidade por elite regional ou grupo social dominante.

Há e deve ser forte e intervir no que é a fraqueza que, como um cancro, rói a sua competitividade desde há anos e, qual Duracell, dura, dura, dura.

O que critico neste grupo social é a sua incapacidade em romper com o adormecimento e indiferença perante a degradação da oferta publica de turismo.

Não têm vergonha da N125 e de tantos outros espaços degradados?

André Gomes é jovem da terceira geração da elite regional.

Nada tenho contra isso, mas estou preocupado.

4.A entrevista de André Gomes ao Barlavento é a mais extraordinária expressão da continuidade.

Não admira, sendo ela apoiada pela quase unanimidade da elite que domina.

Não podemos pedir aos perus para organizar a ceia de Natal, mesmo com a garantia que a ementa é bacalhau.

Acontece que o País, a Região e o Turismo exigem rutura e não continuidade.

Na elite, há ou não gente que compreende a urgência em romper com a desgraçada continuidade?



5.Romper como?

A ERTA da continuidade, avaliada em base zero, seria para extinguir.

Pura e simplesmente.

A continuar assim é uma ofensa aos contribuintes.

A ERTA justifica-se plenamente se passar a liderar a qualificação da oferta publica de turismo.

Liderar pela mobilização de pessoas, instituições e empresas.

Liderar no incentivo a campanha profissional de poupança de água de uso urbano e agrícola.

Liderar na qualificação de paisagismo publico sustentável, sem relva e com autenticidade.

Liderar no impor padrões de limpeza.

6.O discurso vazio sobre sustentabilidade deve dar lugar a iniciativa de cuidadosa preparação profissional que sustente mensagem direita à mente, coração e espírito dos turistas:

-venham ao Algarve, onde tudo estamos a fazer para minimizar a pegada ecológica e maximizar a economia circular.

Chega de palavras e discursos ruminantes.

É preciso agir na consciência de sermos avaliados.

7.André Gomes enfrenta uma escolha

-faz o que diz na entrevista e falha perante o que País, Algarve e Turismo exigem e, com jeitinho, chega a secretário de Estado,

-pensa muito bem, escuta as forças que exigem mudança e avança.

Carpe diem, André Gomes.

És novo e tens uma extraordinária possibilidade de ser útil a todos nós.

foto

8.A Agência Regional de Turismo do Algarve fica para 1 de julho.

Se contarmos com os proveitos da cadeia de valor da imobiliária turística, o Algarve é, de longe, o destino regional mais importante do País.

Comparemos a atual Agência do Algarve com o que se faz em Lisboa e Porto.

É inacreditável e inaceitável.


Lisboa 15 de junho de 2023

 

Sérgio Palma Brito

Não há falta de água no Algarve, apenas falta coragem e determinação

 

*seca e falta de água são conceitos diferentes a não confundir

No Algarve não há falta de água.

Há períodos de chuvas abundantes a gerar inundações e a alternar com períodos de chuvas insuficientes a originar secas.

Nos anos de chuva, chove mais na Serra do que no Litoral e mais nos semestres húmidos do que nos secos.

Em termos médios a precipitação varia

-entre a Serra e o Baixo Algarve (1 277 e 406mm), com 653mm de “valor médio ponderado para todo o Algarve”, 

-entre os semestres húmido e seco (80% e 20%).

[CCDRA – Anexo J, 2003, Revisão do PROTAL]

*Geomorfologia agrava desequilíbrios naturais e justificam gestão

O declive do trecho montanhoso das Ribeiras do Algarve é, em geral, acentuado e formado por um substrato rochoso pouco permeável, pelo que a maior parte dos cursos de água “possui um regime torrencial com caudais nulos ou muito reduzidos durante uma parte do ano”.

Em consequência desta realidade, nas palavras do saudoso Manuel Gomes Guerreiro,

-“O problema de armazenamento de água na serra algarvia e a sua distribuição pelo litoral semiárido, embora constitua um empreendimento de êxito económico e social indiscutível, vem sendo adiado desde o tempo dos árabes”.

[Diário de Notícias de 1984.09.23]

*Conhecer a pluviosidade da Região

A água depende da pluviosidade pelo que esta deve ser medida e conhecida, e também

-evolução do indicador mais importante da Vida na Região é ignorada,

-as alterações climáticas são invocadas a propósito e despropósito.

Qual a instituição regional que acompanha a evolução da pluviosidade?

Que espera esta instituição

-para a divulgar?

-para recuperar dados históricos (século XX) que devem estar algures?

Sem estes dados, os de anos recentes não são suficientes para avaliar o efeito das alterações climáticas.

E as alterações climáticas são utilizadas a torto e a direito para justificr o quer que seja.

*Opinar é facílimo, conhecer exige um mínimo de esforço

A opinião é legitima e livre.

Falar sobre a água na Região exige conhecimento, fruto de algum trabalho.

Sugiro que o aprendiz opinador opinante comece pela magnifica síntese que o eng.º Pedro Cunha Serra liderou sobre SOLUÇÕES PARA O REFORÇO DA OFERTA DE ÁGUA NA REGIÃO ALGARVIA, para a Universidade do Algarve, em 2020.09.16.

aqui

Esta síntese devia ser tema obrigatório no ensino secundário.

*Procura de água para variados fins e duas ações necessárias

Ao todo terão sido utilizados cerca de 237 hm3 de água na região assim distribuídos (gráfico 1).




Há três observações:

-o golf representa cerca de 6,4% do total e não justifica que a sanha justiceira nele concentre a atenção,

-a agricultura com 56,7% é o maior consumo, repartido por inúmeras explorações,

-o consumo urbano representa 33,9%.

Para além de economia em todas as atividades, golfe incluído, há duas grandes ações de ampla mobilização geral a desenvolver:

-as explorações agrícolas são em grande número e a maioria de reduzidas dimensão, o que dificulta ou impossibilita recurso a técnicas sofisticadas de poupança de água que verão ser obrigatórias para as de grande dimensão,

-as pessoas, instituições e empresas devem ser mobilizadas em permanência e recusar o péssimo hábito de só ligar ao assunto quando de secas e esquecer mal chove.

*Soluções que irão ser desenvolvidas

Das soluções analisadas pelo eng.º Cunha Serra, destacamos três.

1.Captação no Guadiana a montante de Pomarão e adução até à albufeira de Odeleite

-não aumenta a capacidade de armazenamento,

-implica negociação com os vizinhos espanhóis, que vão querer mais água,

-fica dependente dos desenvolvimentos no Alqueva, em expansão acelerada.

A esquecer.

2.Barragem da Foupana (afluente da ribeira de Odeleite), já prevista pela Direção Geral dos Serviços Hidráulicos em 1970 (1970, não é erro).

Poderiam ser explorados algo assim como 40 hm3/ano com aumento da capacidade de armazenamento.

Qualquer barragem apanha com tiro de barragem pelo ambientalismo radical de facha científica, que assusta qualquer decisor político sem coragem.

Não há que ter medo. São um tigre de papel.

Esta barragem deve ter prioridade total.

Só não é incluída no PRR por cobardia política e, é certo, por uma questão de prazo, por não ser de execução imediata.

3.Dessalinização é a solução querida, adorada diria, pelo pensamento dominante e pelos que têm a responsabilidade de ‘executar’ os recursos do PRR.

É fácil de encomendar e garante para aí €50 ou €60 milhões do PRR ‘executados’.

Tem o inconveniente de ser contra o interesse da Região - os mais de €40 milhões podem ser utilizados na requalificação da oferta publica de turismo.

Os contribuintes da Região devem estar muito atentos ao impacte ambiental, ao preço da água e à amortização do que agora é oferecido pelo PRR.

Apesar de ser uma guerra quase perdida, é guerra a levar para a frente.

*Balanço Procura/Oferta de água na atualidade e em 2050

Duas observações sobre o Balanço Procura/Oferta de água (gráfico 2):

-na atualidade o é positivo em 30,5hm3,

-em 2050, já considerando um cenário de alterações climáticas, será negativo em -58hm3.

Os 40 Hm3 da albufeira da Foupana quase resolvem o problema.




*Conclusão – em 2050 só há deficit hídrico se os algarvios deixarem

Por outras palavras,

-com duas campanhas serias de poupança de água mais a albufeira da Foupana, o Algarve não terá falta de água nem de dessalinização,

-só falta fazer, à atenção de CCDRA, Associação de Municípios do Algarve, ERTA e Universidade do Algarve.

 




Lisboa 31 de maio de 2023

Sérgio Palma Brito

Algarve – recordações para o futuro

 

Do que aqui escrevo nada vai resultar, nem eu espero que resulte

Por isso são recordações para o futuro, que um dia alguém recordará

Cada uma será sobre um ponto preciso numa paleta variada, já que ‘variety is the spice of life’

Todos os dias 1 e 15 de cada mês, enquanto mantiver a capacidade cognitiva exigida.

Sobre o autor

1.Quem sou eu?

Sou português e a Bélgica é o meu segundo País

Sou alentejano de Aljustrel

Sou lisboeta de passagem em várias fases a vida

Sou de Bruxelas onde cheguei jovem para de lá sair homem

Sou algarvio de Albufeira onde vivi trinta anos

Vivo a última das fases de lisboeta na minha vida

2.Que raio me deu para voltar a escrever sobre o Algarve?

Ainda cheguei a ter alguma influência no Algarve, mas recusei pertencer ao grupo social dominante… se é que alguma vez este me aceitaria

Fiz o melhor que pude em múltiplas atividades não remuneradas

Deixei em Albufeira um escritório que é murro no estômago dos que garantem diversificar a economia regional desde os anos oitenta

Fui traído numa das melhores iniciativas que animei… para que nada de melhor acontecesse depois, aliás nada aconteceu

Fui esquecido por muitos dos que me conheceram e não guardo rancor

Não sou lembrado pelos mais jovens, que se interrogarão quem é ele para falar assim?

Apesar disto tudo, resolvi voltar a intervir

Penso ainda ter amigos e conservar o interesse de alguns que conheci no passado

3.Porquê agora?

Os amigos para a vida adivinharão facilmente o porquê

Eventuais leitores atinarão facilmente com a resposta

Vão adivinhar a razões objetivas, lendo o que vou escrever

As subjetivas? por a isso a minha consciência me obrigar

4.Por último, mas não menos importante

Ainda sou mais independente do que sempre fui

Não tenho agenda escondida

Ou talvez tenha, a de levar alguns espíritos do muito que há de bom no Algarve a reconhecer “afinal vale a pena pensar no que este gajo conta e agir”




 

Lisboa 30 de maio de 2023

Sérgio Palma Brito

Estudo ANAC de 2016 confirma previsão ANA de Portela+Montijo suportar 50 milhões de passageiros - perguntas e respostas

 

Para memória futura, guardo no blogue textos de combate publicados no Facebook.

Quarto post sobre “O novo aeroporto de Lisboa ainda não existe, mas já está envolto em espesso nevoeiro”.

1.Em post anterior vimos como

-a projeção de tráfego aéreo para o aeroporto de Lisboa é o mais importante fator a ter em conta na sua localização,

-a proposta Portela+Montijo acordada entre Governo e ANA em janeiro de 2019, assenta em projeção de 50 milhões de passageiros, contar 31 milhões em 2019 e tem o mérito de ser elaborada pela empresa que financia o Modelo Dual Portela+Montijo sem encargo para os contribuintes,

-projeções requerem importante base analítica conhecida dos profissionais, devidamente temperada por fatores intuitivos e casos especiais, os mais difíceis de quantificar,

-a posição da ANA, concessionária até 2062, é a de estudar um novo aeroporto quando seja razoável prever tráfego aéreo bem superior a 50 milhões de passageiros, compensada com alargamento do prazo da concessão e eventual comparticipação publica no custo da aerogare, para além das infraestruturas publicas.

2.Análise possível da projeção de 50 milhões de passageiros e 72 movimentos por hora (aterragens + descolagens)

Em dezembro de 2016, a Roland Berger apresenta ao Regulador (ANAC-Agência Nacional da Aviação Civil) o “Relatório final – síntese executiva” da “Validação de cenários em termos de procura e capacidade da infraestrutura aeroportuária para Lisboa”.

É um documento técnico com muito bom suporte analítico e que, entre outros, conclui:

-“Portela + Montijo deverá permitir acomodar o crescimento de tráfego previsto pelo menos até 2050 (50 M Pax), desde que assegurado o alargamento e optimização da gestão do espaço aéreo1, assim como uma abordagem eficaz à transferência das LCC para o Montijo” com “Limite de capacidade do lado ar de 72 movimentos/ hora”.

3.Validação rudimentar da projeção de tráfego ANAC de dezembro de 2016

Entre 2016 e 2050 o tráfego de Lisboa passaria de 22,5 para 50 milhões de passageiros, um aumento de 27,5 milhões.

Barcelona cresce cerca de 27,5milhões de passageiros entre 2005/19, 14 anos e Lisboa entre 2001/18, 18 anos.

Primeira ideia: a estimativa da ANA estará errada?

Segunda ideia a temperar a anterior:

-Barcelona tem crescimento atípico em 2011, a exigir análise aprofundada,

-2016 e 2017 são anos que culminam crescimento excecional, mas que diminui sustentadamente a partir de 2017, o que reforça a ideia de ser fácil ao tráfego aéreo europeu atingir o nível de 2019, mas não o ritmo de crescimento em que 2019 assenta,

-Barcelona, a sua aglomeração urbana e a Catalunha têm potencial de economia e turismo superiores aos de Lisboa e os números não são diretamente comparáveis.

Terceira ideia:

-cada turista de hub TAP representa quatro passageiros ANA (2 desembarques e 2 embarques) e há incerteza sobre o futuro deste tráfego na TAP privatizada,

-este é o fator conhecido que mais impacte tem sobre a previsão de tráfego de Lisboa.

4.Os defensores do aeroporto em Alcochete têm argumento de ‘visionários’ que criticam as vistas curtas dos pacóvios que defendem Portela+Montijo.

Perguntamos se admitem sem mais negociar com a ANA o aeroporto novo em Alcochete com base em

-haver um grande hub alargado à China e a outras hipóteses que desconhecemos (tipo americana United),

-ser um aeroporto inicialmente sub utilizado, mas cuja existência tornará possível um ‘salto de rã’ (leap frog jump), como aconteceu no Porto.

Aqui surge o argumento de um aeroporto faseado e com possibilidade de expansão.

Preparar o País para o sucesso deste cenário é aliciante, entusiasmante, mas inclui considerar

-o cenário do insucesso, com custoso elefante branco no espaço rural de Canha.

5.Outro argumento dos ‘visionários’ é Lisboa vir a ser sede de empresas e filiais com negócio intercontinental, o que geraria significativo tráfego de negócios.

A ideia foi lançada em 2008 pela Confederação do Turismo de Portugal, na indiferença geral.

Desde então, há instalação de empresas portuguesas na Holanda e outras localizações mais amigas do negócio.

6.Acrescentamos a macro informação estatística sobre a comparação do tráfego aéreo de Lisboa e de Barcelona.





7.Lisboa 6 de outubro de 2022


Alcochete implica deslocação de milhares de trabalhadores e familias para Canha a 40km da vila de Alcochete

 

Para memória futura, guardo no blogue textos de combate publicados no Facebook.

Terceiro post sobre “O novo aeroporto de Lisboa ainda não existe, mas já está envolto em espesso nevoeiro”

É muito longo, mas fácil de ler e vale a pena ler. Juro!!!!

No NAL há um elefante na sala que o poder não quer ver nem quer que nós vejamos. É isto:

-“Alcochete implica criar, de raiz, aglomerado urbano que receba milhares de trabalhadores e suas famílias, serviços de apoio (rent a car, catering, segurança, etc.) e expansão por escritórios de empresas que ganham em estar perto do aeroporto.”.

1.O impacte humano desta deslocação massiva de pessoas toca na sagrada vidinha de cada um ir trabalhar em Canha, acabemos como eufemismo de Alcochete. Entre outros:

-muitos trabalhadores ganham o salário mínimo ou mesmo mais e têm alojamento desenrascado em Lisboa e subúrbios, onde alojam?

-muitas famílias têm um cônjuge a trabalhar no aeroporto e outra na cidade, com filhos em escola ou universidade, que fazer?

-outras estão a pagar casa e a sua mobilidade geográfica é uma miragem.

Temos curiosidade em saber como a Avaliação Ambiental Estratégica avalia a Sustentabilidade Social de Alcochete.

2.A competitividade de Portugal como País joga-se na faixa urbana litoral que vai para aí de Vigo a Setúbal.

O NAL e seu núcleo urbano em Canha não reforçam esta competitividade por, como muito bem disse João Cravinho (cito de memória) só se inserem no eixo Poceirão Caia, onde não há nada, ou Canha-Comporta que não o justifica.

Ver a entrevista em https://www.publico.pt/2022/08/26/politica/entrevista/joao-cravinho-aeroporto-margem-sul-escolha-saloia-passar-cabeca-2018499

Que dirá a AAE sobre Alcochete no critério Ordenamento do Território?

3.Construir de raiz um novo núcleo urbano implica considerável investimento público em infraestruturas e privado e em habitação e serviços.

Isto é, alocar novos recursos nacionais a investimento imobiliário, o que, no mínimo, faz a demissão de Costa e Silva.

Que dirá a AAE sobre Alcochete em Análise Financeira e Custo Benefício?

4.Por fim, o essencial

-receamos o pior da incapacidade provada do Estado Português em Planeamento Urbano e em mobilizar as enormes mais valias imobiliárias para financiar infraestruturas publicas de todo o conjunto,

-proprietários oportunistas de terrenos vão relançar o projeto da Cidade Aeroportuária de 2008 com referências irrealistas a Schipol ou Newark – não esqueci, fui orador na sessão que teve lugar nas instalações do ISEG em 2008 (ver exemplo em fotografia).

Não alinhamos na teoria da conspiração segundo a qual governo e PSD já acordaram isto e tudo farão para a AAE validar Alcochete.

Não alinhamos, mas ainda não encontrámos outra explicação para as influências que já nos vendem Alcochete.

Governo e PSD devem informar os portugueses sobre o que está em causa.

A política dos políticos não é transparente. Ainda menos o é a política dos que mandam nos políticos. E que não são os portugueses.

5.O Estado dispõe de um instrumento para termos bom Planeamento Urbano e mais valias imobiliárias a financiar as infraestruturas publicas, desde redes a escolas e posto médico:

-retira do Domínio Público para aí 400 hectares do Campo de Tiro de Alcochete durante 70 anos,

-promove um plano de urbanização (master plan) e organiza leilão de lotes, desde os de alojamentos a baixos custos aos do mercado.

6.Quem viver verá!

 

 

 

A campanha em curso para a escolha de Alcochete que será ratificada pela Avaliação Ambiental Estratégica

 

Para memória futura, guardo no blogue textos de combate publicados no Facebook.

Segundo post sobre “O novo aeroporto de Lisboa ainda não existe, mas já está envolto em espesso nevoeiro”

Na ressaca do intenso debate Ota/Alcochete, Fátima Campos Ferreira organizou um debate só entre engenheiros.

Nesse Prós e Contras vi muitos colegas do meu tempo e alguns amigos a discutir a obra de engenharia pela quase todos se apaixonaram.

O valor dos participantes era inquestionável e a argumentação brilhante.

Problema,

-nenhuma destas mentes brilhantes se interrogou sobre “quanto custa?” e “para que serve?”, tal como hoje acontece.

Desde há tempos, o debate sobre o atual Novo Aeroporto de Lisboa está dominado por engenheiros, bastonários ou não, e todos eles são ou ferozmente críticos de Montijo ou apoiantes mais ou menos discretos de Alcochete ou os dois.

E isto sem contraditório.

A cereja no topo do bolo é o presidente da importante Comissão de Acompanhamento “ter sido voz ativa na defesa da solução Alcochete”.

Não duvido da honestidade e isenção de Mineiros Aires, mas há claro conflito de posições, o Presidente desta comissão devendo ser acima do debate em curso.

Recuso teorias da conspiração, mas começo a considerar que governo e PSD estão de acordo sobre Alcochete.

Declaração – Fui expulso do IST no meu 3º ano de que ainda fiz duas cadeiras para ter adiamento do Serviço Militar, mas no ano seguinte a PIDE incorporou-me em Penamacor. Do IST só guardo boas recordações, uma ‘base’ que me é útil e nenhum ressentimento.