Política de Turismo e Objectivos Para 2015 – Fazer a Diferença?


Este é o sexto post de uma série de sete (Primeiro, Segundo, Terceiro, Quarto, Quinto, Sexto, Sétimo) sobre

Turismo em Portugal – Números de 2013 e Objectivos Para 2015

Esta Série de posts é uma contribuição para avaliar os Resultados do Turismo em 2013 e situar os Objectivos que o Governo deve atingir ainda nesta Legislatura.

 
O maior contributo que, até ao fim da presente Legislatura, o Governo pode dar à Economia do Turismo é o de se empenhar em acordar e implementar, Objectivos que são Orientações Estratégicas no verdadeiro sentido da palavra (1).

Construir e implementar estas Orientações só produz resultados a prazo, é compatível com medidas de efeito imediato, mas deve ser a prioridade de Ministro e Secretário de Estado.

As medidas propostas pecam por um atraso de dezenas de anos. Muitos dos Pontos Fracos da nossa Oferta resultam deste atraso. O Governo pode não as tomar, mas fará a diferença e prestará um serviço ao País se as prestar.

A Politica de Turismo e parte da Iniciativa Privada ainda não tiraram as consequências da Crise de 2008/2009:

-no Período Após Crise, a Oferta de Turismo responde a exigências de competitividade ainda mais intensas do que as do Período que vai do Após Guerra a 2008,

-em 2014 e no contexto do Período Após Crise, é inaceitável que a Politica de Turismo não tome decisões que já deviam ter sido tomadas há mais de vinte anos.

Para António Pires de Lima e Adolfo Mesquita Nunes, a questão é simples: são ou não capazes de fazer a diferença e deixar obra para o Futuro?

 

*Turismo, Alojamento Turístico e Turismo Residencial
A Politica de Turismo  

-decide adoptar os conceitos de Turismo, Alojamento Turístico e Turismo Residencial, definidos pelas Instituições Internacionais competentes, de modo a poder facilitar e fomentar a criação de valor pela diversidade da Procura dos Modelos de Negócio na origem da Economia do Turismo,

-deixa de definir por Decreto-Lei um único Modelo de Negócio e de ilegalizar todos os outros, que acaba por tolerar em aplicação informal da lei.

Segundo os novos conceitos, a Procura dirige-se a três Modelos de Negócio

-Estadias Temporárias em Hospedagem Onerosa, em Estabelecimentos Hoteleiros e outros, com destaque para o Holiday Rental (2),

-Turismo Residencial em Estabelecimentos específicos e Oferta Dispersa, com Residências Secundárias Utilizadas Pelo Próprio ou Arrendadas a Turistas,

-Alojamento Gratuito Por Familiares e Amigos do Turismo Receptor (de Estrangeiros, Emigrantes e outra Diáspora) e Interno (Urbanização da População e Êxodo Rural). 

*Prioridade à Receita de Turismo na Balança de Pagamentos
No Portugal real em que vamos viver muitos e duros anos, a Receita do Turismo na Balança de Pagamentos

-é o driver de todo o processo da Contribuição do Turismo Para a Economia, porque só esta Receita implica Investimento e gera Procura Interna que contribuem, de maneira sustentada, para o PIB e Emprego,

-deve ser primeira prioridade da Politica de Turismo e citério condicionante de decisões a tomar.

A Receita do Turismo na Balança de Pagamentos integra a já mediática Receita da rubrica de Viagens e Turismo e três parcelas adicionais:

- Investimento por Não Residentes em Residências Secundárias de Utilização Turística,

-Serviços de Transporte Internacional de Passageiros, com destaque para a TAP,

-Transferências para Reformados, ex Não Residentes e agora Imigrantes formais.

*Quantificar a Contribuição do Turismo Para a Economia
A Quantificação da Contribuição do Turismo para a Balança de Pagamentos, PIB e Emprego deve ser realizada de maneira objectiva e independente,

-com base em Inquéritos e outros Indicadores do INE,

-estruturada por um Painel de Indicadores, ligados ou não a uma Conta Satélite, e divulgados segundo calendário público,

-apoiada por Instituição Universitária de primeira linha.

A Quantificação da Contribuição do Turismo para a Economia visa

-tornar as decisões da Politica de Turismo e Iniciativa Privada mais objectivas e eficientes,

-posicionar a Economia do Turismo de maneira objectiva e profissional,

-minimizar o ruído da excessiva especulação sobre Turismo, que perturba a tomada de decisões objectivas e eficientes pela Politica de Turismo.

Para operacionalizar esta Quantificação, o Governo, em concertação com a Iniciativa Privada, deve

-promover um Protocolo entre INE, Turismo de Portugal e Banco de Portugal, na linha do estabelecido em 2004,

-concentrar neste protocolo todos os meios actualmente dispersos por entidades públicas e privadas,

-apoiar-se em conselho de Instituição Universitária de primeira linha.

*Relação Inovadora Com Actividades do Alojamento Turístico
A nova relação entre Politica de Turismo Industria da Hotelaria deve assentar em adequada Análise Estratégia e integrar

-diminuição drástica dos Requisitos do Modelo ‘Exploração Turística e Serviço Hoteleiro’, que representem custos e não sejam reconhecidos pelo Mercado,

-definição transparente de Descriminação Positiva dos Estabelecimentos Hoteleiros, dadas as exigências do seu Financiamento e contributo para o Posicionamento do Destino,

-facilitação da Consolidação e Sustentabilidade dos Empreendimentos Turísticos Existentes, minimizando a excessiva dispersão existente.

A nova relação entre Política de Turismo e Industrias do Turismo Residencial deve assentar na sua Identificação e Reconhecimento da sua Especificidade, de modo a

-integrar plenamente as Industrias do Turismo Residencial no âmbito da Politica de Turismo, para promover ganhos de competitividade,

-que os Estabelecimentos Existentes beneficiem de uma ‘amnistia’ de requisitos que os permita integrar no âmbito da Politica de Turismo.

*Regime Jurídico do Alojamento Turístico em Base Zero
O País e a sua Economia do Turismo precisam de um Regime Jurídico do Alojamento Turístico, a elaborar em Base Zero e consequência

-de adoptar os conceitos abrangentes de Turismo, Alojamento Turístico e Turismo Residencial,

-de construir uma Relação Inovadora com todas as Actividades do Alojamento Turístico.

Num País ideal, este Regime Jurídico seria

-um quadro legal simples e realista, aplicável e aplicado de maneira sistemática, transparente e monitorizada,

-elaborado com Abertura nas consultas e Transparência de propostas públicas e com base em acordo sobre pontos essenciais.

No Portugal real, esta Orientação é um padrão de excelência cívica e política da qual devemos minimizar a distância.

*Relação Inovadora Com Agências de Viagens
A relação entre a Politica de Turismo e as Agências de Viagens deve ser reforçada de modo a

-integrar medidas inovadoras de apoios a todas as Agências e outras empresas (DMCs, PCOs, etc.) activas no Turismo Receptor, com destaque para a Meet Industry do Turismo de Negócios.

 
A Bem da Nação

Albufeira 8 de Março de 2014

Sérgio Palma Brito

 
Notas

(1)Consideramos apenas os Objectivos que têm a ver com a presente Série de Posts, o que explica não haver referência à Promoção Turística.   

(2)Holiday Rental ou Vacation Rental designa a Procura por Residências Secundárias Arrendadas a Turistas, que são parte da Oferta de Turismo Residencial em Estabelecimentos específicos e Oferta Dispersa.

 

Turismo 2013 e Desafios de 2015 – Agências de Viagens e Turismo

Este é o quinto post de uma série de sete (Primeiro, Segundo, Terceiro, Quarto, Quinto, Sexto, Sétimo) sobre

Turismo em Portugal – Números de 2013 e Objectivos Para 2015

Esta Série de posts é uma contribuição para avaliar os ´Resultados do Turismo em 2013’ e situar os Objectivos que o Governo deve atingir ainda nesta Legislatura.

 

O presente Post sofre de duas limitações:

-o ponto sobre o Turismo Emissor assenta em informação indirecta e parcelar (1),

-sobre Turismo Receptor, desconhecermos quantificação da actividade ou simples lista das empresas envolvidas.

Apesar destas limitações, a série de posts sobre ‘Turismo 2013 e Desafios de 2015‘ não podia ignorar a Industria das Agências de Viagem e Turismo.

 

 

1.Agências de Viagens de Viagens e Turismo no Turismo Emissor

*Facturação das Agências de Viagens e dos Grossistas de Viagens
O Gráfico 1 ilustra a evolução da Facturação das Agências de Viagens e Grossistas de Viagens entre 2011/2013. Em boa teoria, a Facturação das Agências de Viagens deve consolidar a dos Operadores.

Gráfico 1 – Agências e Grossistas de Viagens: Facturação 2011/2013
(€ milhões)
Fonte: Elaboração própria com base em Blog Informa D&B de 24 de Outubro de 2013

Comentários:

-entre 2011/2013, a Facturação das Agências desce 16.2% e a dos Grossistas 29.6%,

-a descida parece resultar de menos Rendimento Disponível e da tendência para a Desintermediação, mas desconhecemos a influência de cada um destes dois factores.

*BSP – Billing Settlement Plan
O Gráfico 2 ilustra a Evolução das Vendas Totais no BSP – Billing Settlement Plan (2), entre 2006/2013.

Gráfico 2 – Vendas Totais no Billing Settlement Plan (BSP)
(€ milhões)

Fonte: Elaboração própria com base em Presstur e outros (Aqui)

Comentários:

-a evolução segue o padrão de crescimento até 2008, queda em 2009 e estabilização, com início de recuperação em 2013, mas ainda abaixo do valor de 2008,

-temos de considerar que o BSP não inclui vendas de Companhias Low Cost ou de Vendas Directas das Companhias IATA (desintermediação com tendência a crescer).

*Consolidação das Agências de Viagens e dos Operadores Turísticos
Contrariamente ao que acontece com a Industria da Hotelaria, a das Agências de Viagens e Operadores Turísticos conhece um grau elevado de concentração. Segundo o já referido Blog Informa D&B,

-“O mercado grossista regista uma importante concentração da oferta, representando os cinco principais operadores cerca de 60% do volume de negócios total em 2012. Esta participação aumenta até aos 85% se forem considerados os dez principais.

A oferta no mercado retalhista, por seu lado, encontra-se algo mais atomizada, situando-se “a quota de mercado agregada das cinco principais empresas, cerca dos 49%, no mesmo exercício.”.

Dito isto, o mercado português é periférico e não atinge a massa crítica que torne apetecível a aquisição de Grossista/Rede de Agências pelos dois grandes polos de consolidação europeus: TUI Travel e Thomas Cook (3).


2.Agências de Viagens na Intermediação do Turismo Receptor

*Introdução
Não dispomos de informação quantitativa sobre o papel das Agências de Viagens na Intermediação do Turismo Receptor. O que sabemos, com base na experiência profissional, muitos contactos e alguma informação não permite uma análise consistente desta actividade.

A análise tem de separar Turismo de Lazer e de Negócio. No Turismo de Negócio, a Wikipedia ainda não define a Meet Industry e … envia-nos para Meat Industry – em MICE dá informação útil para o leigo (Aqui).

O Turismo de Lazer (em Viagem de Estadia ou no Tour Urbano e Cultural) é suficientemente conhecido, mas a informação continua a faltar.

*Agências de Viagens na Intermediação da Meet Industry

As cadeias e grupos hoteleiros e até hotéis dispersos têm capacidade própria para captar Procura da Meet Industry.

No ‘mundo do Turismo’ cheio de protagonismos frequentemente excessivos e ocos, os agentes MICE/Meet Industry são

-de descrição a elogiar, mas que dificulta/impede o trabalho do observador,

-os que mais interessa que a Politica de Turismo identifique, facilite e apoie.

*Agências de Viagens na Intermediação Mercado do Lazer
O mercado da viagem de lazer parece ser o mais sujeito à desintermediação da Procura. No caso da intermediação, há diferença entre

-as Áreas Turísticas do Algarve e Madeira, onde temos os ‘dois grandes’ da Integração Vertical e Consolidação Horizontal (TUI Travel e Thomas Cook), operadores tradicionais (casos do Monarch Group e Dart Group) e os novos actores do online,

-o Turismo de Tour Urbano e Cultural, onde a fragmentação das agências estrangeiras emissoras parece ainda ser pertinente.

*Publituris Portugal Trade Awards’14
Os Publituris Portugal Trade Awards’14 são o mais importante instrumento de reconhecimento das melhores empresas e boas práticas no Turismo em Portugal (Aqui). Estão 13 categorias a concurso, mas apenas uma (Melhor PCO – Professional Organizer Congress) tem algo de directamente a ver com a captação de Turismo Receptor.

Sabemos que há outros Awards, mas talvez a ausência da categoria DMC/Incoming seja mais um sinal da falta de reconhecimento devido ao papel das Agências de Viagens no Turismo Receptor.

 

3.Desafios 2015 – Contribuição das Agências de Viagens Para a Economia

*Diagnóstico (muito) Rudimentar
Ao nível da Macroeconomia, as Agências de Viagens, Operadores e Guias são uma das Actividades Características do Turismo. Segundo a Conta Satélite do Turismo de Dezembro de 2010, esta Actividade representa

-em 2010, 2.5% do Valor Acrescentado Gerado pelo Turismo,

-em 2005, 2.4% dos Equivalente Tempo Completo Remunerados do Turismo.

Por muito que haja erro e imprecisão nesta estimativa, não é por esta via que as Agências de Viagens são directamente relevantes.

No Contributo Para a Balança de Pagamentos, as Agências de Viagens podem representar

-pelo menos mais de um terço da Despesa de Viagens e Turismo da Balança de Pagamentos,

-um valor desconhecido da Receita.

A nível de uma Análise Estratégica da Industria, ‘adivinhamos’ que na Intermediação do Turismo Receptor, há Agências de Viagem que são cruciais para o sucesso da Meet Industry e relevantes no Turismo de Lazer.

É o suficiente para abrir debate sobre os Desafios de 2015.

*Desafios de 2015
A relação entre Política de Turismo e Agências de Viagens deve passar a

-dar prioridade nova e muito importante à actividade das Agências de Viagens e todas as Empresas e Actividades que contribuem para o sucesso do Turismo Receptor – ‘do Incoming’, na linguagem corrente.

Esta nova prioridade

-exige que a Politica de Turismo promova a quantificação adequada do Turismo Receptor intermediado por esses parceiros, de modo a não cairmos no domínio da especulação,

-implica que a Concertação Estratégica entre Politica de Turismo e associações (nomeadamente a APAVT, mas não só) abranja a muito grande maioria de Agências, DMCs, PCOs e outras Actividades envolvidas no Turismo Receptor.

 
A Bem da Nação

Albufeira 24 de Fevereiro de 2014

Sérgio Palma Brito

 

Notas

(1)Ver Blog Informa D&B de 24 de Outubro de 2013 (Aqui) e vários posts de Presstur (www.presstur.com).

(2)De entre mil definições, citamos a da Presstur: “sistema gerido pela IATA, através do qual as agências de viagens pagam às companhias aéreas os bilhetes de voos regulares reservados em GDS”. Para mais informação, sugerimos dois sites:



(3)Entre outros, ver as Marcas de diferentes países que, ao longo de anos, são integradas no processo de consolidação horizontal que, em 2007, culmina com a TUI Travel e Thomas Cook Group. Ver o post Operadores Turísticos e Oferta de Turismo do Algarve – I Parte (Aqui).

Turismo 2013 e Desafio de 2015 – Proveitos do Alojamento Classificado e Receita de Viagens e Turismo


Este é o quarto post de uma série de sete (Primeiro, Segundo, Terceiro, Quarto, Quinto, Sexto, Sétimo) sobre

Turismo em Portugal – Números de 2013 e Objectivos Para 2015

Esta Série de posts é uma contribuição para avaliar os ´Resultados do Turismo em 2013’ e situar os Objectivos que o Governo deve atingir ainda nesta Legislatura.

 

O presente post pretende pôr em evidência que, entre a Receita de Viagens e Turismo da Balança de Pagamentos e os Proveitos do Alojamento Turístico Classificado,

-há uma diferença em Valor e Ritmo de Crescimento, que

-resulta das actividades económicas abrangidas por Receita e Proveitos.

Esta diferença questiona a Adequação da Politica de Turismo à Economia e é reforçada quando consideramos a Receita de Turismo na Balança de Pagamentos.

 

1.Diferença em Valor e Ritmo de Crescimento

1.Durante o período 1996/2013, Receita e Proveitos são diferentes em

-Valor: os Proveitos são sempre inferiores a 25% da Receita e em 2013 a diferença entre Proveitos (€1.96 bi) e Receita (€ 9.25 bi) é de €7.29 bi,

-Ritmo de Crescimento: a Receita cresce 150.1% e os Proveitos 108.3%, com a evolução 2010/2013 a ser mais significativa.

Esta é a primeira divergência entre Receita de Viagens e Turismo e Proveitos da Hotelaria.

2.Durante o período 2008/2003, a análise do Ritmo de Crescimento permite conhecer o impacte da Crise de 2008/2009:

-entre 2008/2013, a Receita cresce 24.3% e os Proveitos 0%, o que mostra a Receita a recuperar da Crise e os Proveitos a estagnar,

-entre 2009/2013, Receita cresce 33.9% e Proveitos 11.4%, com maiores diferenças no valor e ritmo de crescimento.

O crescimento da Receita entre 2009/2013 (€2.34 bi) é superior ao total dos Proveitos em 2013 (€1.96 bi).

Esta é a segunda grande divergência entre Receita de Viagens e Turismo e Proveitos da Hotelaria e a que exige análise mais profunda.

2.Actividades Económicas Abrangidas Por Receita e Proveitos

1.A diferença em Valor e Ritmo de Crescimento dos dois Indicadores é consequência

-da Receita de Viagens e Turismo resultar da Despesa de todos os Turistas, alojados seja Alojamento Turístico, Classificado ou Não,

-dos Proveitos da Hotelaria resultarem apenas da despesa dos Turistas no seio dos Empreendimentos do Alojamento Turístico Classificado (1).

Sugerimos consulta da versão inicial do futuro Post ‘Turismo, Alojamento Turístico e Turismo Residencial – Conceitos Formais e Terminologia’.

Por falta de informação estatística, a Análise das Actividades Económicas Abrangidas Por Receita e Proveitos é reduzida ao Alojamento Turístico Não Classificado.

2.Dois indicadores dão-nos uma ideia do contributo dos Hóspedes do Alojamento Turístico Não Classificado para a Receita de Viagens e Turismo.

Entre 2004/2007, o número de Hóspedes no Alojamento Não Classificado é de ‘cerca de 5 milhões’, o que compara com 7.1 milhões no Alojamento Classificado – a despesa de ‘cerca de 5 milhões’ de Turistas é um contributo significativo para a Receita de Viagens e Turismo.

O rácio entre Receita de Viagens e Turismo e Número de Dormidas no Alojamento Classificado (2) permite identificar o contributo dos Mercados Emissores de

-França, com mais Turistas Não Residentes (Emigrantes e Estrangeiros) a utilizar Alojamento Não Classificado e a contribuir para a Receita de Viagens e Turismo,

-Espanha, com compras de Excursionistas e parte importante da Receita Média com origem na utilização de Alojamento Não Classificado,

-outros países, com mix variável de Turistas Não Residentes (Emigrantes e Estrangeiros a utilizar dois Tipos de Alojamento Turístico: Residência Secundária e Alojamento Gratuito por Familiares e Amigos.

3.Não dispomos de informação quantificada sobre os Tipos de Alojamento Turístico do Alojamento Não Classificado utilizados pelo Turismo Receptor. Com base na parca informação disponível e o exemplo do Turismo Interno, podemos ‘fazer uma ideia’ sobre a importância de cada um destes Tipos de Alojamento por Turistas Não Residentes (Estrangeiros e Emigrantes Portugueses): Alojamento Gratuito Por Familiares e Amigos e Residência Secundária Utilizada Pelo Próprio ou Arrendada.

Este exercício é quase tão patético quanto foi o descontinuar os dois Inquéritos (Inquérito aos Movimentos de Pessoas nas Fronteiras e Inquérito aos Gastos Turísticos Internacionais) que nos dariam a Informação Estatística de que carecemos.

 

3.Adequação da Politica de Turismo à Economia

*Receita de Turismo na Balança de Pagamentos
O presente Post apenas analisa a Receita da rubrica de Viagens e Turismo, por ser a mais importante, mais conhecida e dispormos de quantificação considerada fiável.

Contudo, ao analisarmos a Adequação da Politica de Turismo à Economia, temos de considerar as outras parcelas da Receita de Viagens e Turismo [ver Ponto 2 do Post Receita].

*Politica de Turismo Inadequada às Exigências do Mercado e País
A Receita da rubrica de Viagens e Turismo ilustra a inadequação da Politica de Turismo às exigências do Mercado e do País. Com efeito, a Politica de Turismo

-não utiliza os conceitos das Instituições Internacionais sobre Turismo, Alojamento Turístico e Turismo Residencial (3),

-concentra toda a atenção apenas na Industria da Hotelaria, elemento muito importante, mas não exclusivo, do Alojamento Turístico,

-ignora/hostiliza/ilegaliza o Alojamento Turístico Não Classificado.

Ao adoptar estas orientações, a Politica de Turismo comete um duplo erro:

-não intervém para apoiar o aumento do contributo dos Hóspedes do Alojamento Não Classificado para a Receita de Viagens e Turismo,

-ao não reconhecer e valorizar o Alojamento Turístico Não Classificado, intervém para contrariar este contributo.

Daqui resulta que

-a Politica de Turismo perde muita da sua capacidade de aumentar a Receita do Turismo na Balança de Pagamentos, reconhecida como a prioridade da Economia do Turismo.

*Adequação da Politica de Turismo às Exigências do Mercado e País
A Politica de Turismo só pode contribuir para aumentar esta Receita de Turismo na Balança de Pagamentos, se intervir na despesa gerada pelos Turistas que escolhem alojar no Alojamento Não Classificado, a qual representa

-importante parte da Receita da rubrica de Viagens e Turismo,

-totalidade do Investimento de Não Residentes em Residências Secundárias e das Transferências para Reformados, ex Não Residentes,

-parte dos Serviços de Transporte Internacional de Passageiros, com destaque para a TAP.

 

3.Base Analítica da Diferença em Valor e Ritmo de Crescimento e da Origem Desta Diferença

3.1.Base Analítica da Diferença em Valor e Ritmo de Crescimento

*Evolução 1996/2013 a Preços Correntes
O Gráfico 1 ilustra a evolução 1996/2013 da Receita de Viagens e Turismo na Balança de Pagamentos e dos Proveitos Totais, de Não Residentes e de Residentes, do Alojamento Turístico Classificado. Quatro comentários:

-Proveitos são sempre inferiores a cerca de 25% da Receita,


-a Receita apresenta um crescimento de 150.1% e os Proveitos de 108.3%, com a evolução entre 2010/2013 a ser mais significativa.

Gráfico 1 - Receitas de Viagens e Turismo e Proveitos do Alojamento Turístico Classificado (1996/2013)
(euros)

Fonte: Elaboração própria com base em Banco de Portugal – Boletim Estatístico

*Evolução 2008/2013 – Reacções Diferentes à Crise de 2008/2009
O Gráfico 2 ilustra a comparação, entre 2008/2013, da Receita de Viagens e Turismo e Proveitos do Alojamento Turístico Classificado e permite conhecer o impacte da Crise de 2008/2009 e a diferença na reacção:

-Proveitos têm queda entre 2008/2009, e estabilidade entre 2008/2013, a confirmar que o Alojamento Classificado ainda não recuperou da Crise,

-Receita tem queda entre 2008/2009, em 2010 já é superior à de 2008 e o crescimento 2010/2013 é a ritmo superior aos anos anteriores.

Mais concretamente,

-entre 2008/2013, a Receita de Viagens e Turismo cresce 24.3% e os Proveitos do Alojamento Classificado 0%, o que mostra a Receita a recuperar da Crise e os Proveitos a estagnar,

-entre 2009/2013, a Receita de Viagens e Turismo cresce 33.9% e os Proveitos do Alojamento Classificado 11.4%, reforçando a existência de dinâmicas diferentes no Valor e Ritmo de Crescimento.

Gráfico 2 – Receita de Viagens e Turismo e Proveitos Totais do Alojamento Classificado (2008/2013)
(€ mil milhões)
Fonte: Elaboração própria com base em Banco de Portugal – Boletim Estatístico

 
3.2.Base Analítica da Origem da Diferença em Valor e Ritmo de Crescimento

*Turismo Receptor – Turistas e Hóspedes Entre 2004/2007
O Gráfico 3 ilustra a evolução 2004/2007 do número de Hóspedes Não Residentes em Portugal no Alojamento Classificado e Não Classificado. Este é o período durante o qual o INE assume a responsabilidade do Inquérito ao Movimento de Pessoas nas Fronteiras.

Gráfico 3 – Turistas e Hóspedes Não Residentes em Portugal no Alojamento Classificado e Não Classificado (2004/2007)
(milhões)
Fonte: Elaboração própria com base em INE – Estatísticas de Turismo

O número de Hóspedes no Alojamento Não Classificado é importante de maneira consistente e situa-se em “cerca de cinco milhões”. A despesa destes número tão elevado de Turistas

-representa contributo significativo para o Valor da Receita de Viagens e Turismo,

-pode ser factor importante para explicar a diferença do Ritmo de Crescimento ao longo de 1996/2013 e, em particular, entre 2009/2013.

*Receita de Viagens e Turismo e Número de Dormidas no Alojamento Classificado em alguns Mercados Emissores

O Gráfico 4 ilustra o rácio entre Receita de Viagens e Turismo e Número de Dormidas no Alojamento Classificado em alguns Mercados Emissores, em2012 – este Gráfico deve ser compara do com o Gráfico 5 do Post anterior (Terceiro).

Em princípio, quanto mais alta é a Receita Média, maior é a parte da Receita de Viagens e Turismo imputável a Hóspedes do Alojamento Não Classificado.

Gráfico 4 – Receita de Viagens e Turismo Por Dormida no Alojamento Turístico Classificado em Alguns Países (2012)
(euros)  
Fonte: Elaboração própria com base em INE – Estatísticas de Turismo

Comentários:

-o Mercado Emissor de França é o caso mais evidente do peso de Turistas Não Residentes a utilizar o Alojamento Turístico Não Classificado,

-no caso de Espanha, há compras de Excursionistas nas vilas fronteiriças, mas parte importante da Receita Média tem origem na utilização de Alojamento Não Classificado,

-nos outros países, há um mix variável de Emigrantes e de Turistas a utilizar dois Tipos de Alojamento Turístico: Residência Secundária e Alojamento Gratuito por Familiares e Amigos.

*Tipos de Alojamento Turístico do Alojamento Não Classificado

O Quadro 1 ilustra a nossa avaliação, com base na escala de 1 a 5, do contributo dos Hóspedes Não Residentes em quatro Tipos de Alojamento Turístico para a Receita de Viagens e Turismo, com detalhe por Estrangeiros e Emigrantes Portugueses. 

A publicação deste quadro visa levar o leitor a

-fazer o seu próprio esforço de avaliação,

-interiorizar que as despesas dos Emigrantes durante as suas estadias são contributo significativo para a Receita de Viagens e Turismo,

-defender que o INE retome os dois Inquéritos descontinuados em 2008 (Inquérito aos Movimentos de Pessoas nas Fronteiras e Inquérito aos Gastos Turísticos Internacionais), o que nos dará a Informação Estatística objectiva que substituirá este patético Quadro.

 

Fonte: Elaboração própria com base em avaliação pessoal.

 

A Bem da Nação

Albufeira 8 de Março de 2014

Sérgio Palma Brito

 

Notas

(1)Os Proveitos incluem também a despesa de Residentes em Portugal, entre outros, em Alojamento, Alimentação/Bebidas e Reuniões.

(2)O rácio entre Receita de Viagens e Turismo e Número de Dormidas no Alojamento Classificado nos Mercados Emissores é mais alto quanto maior é a parte da Receita de Viagens e Turismo imputável a Hóspedes do Alojamento Não Classificado.

(3)As Instituições são: United Nations Statistics Division, World Tourism Organization, Eurostat - Commission of the European Communities, OECD. Sobre Conceitos ver Post ‘Turismo, Alojamento Turístico e Turismo Residencial – Conceitos Formais e Terminologia’. Ver