Procura por Package Holiday no Mercado Emissor do Reino Unido

Segundo o ‘conhecimento’ vigente sobre o Turismo no Algarve, ‘o Governo’ (concretamente, Sócrates I e II) fez uma ‘aposta cega’ nas Companhias Low Cost, ‘ofendeu’ os Operadores de Package Holiday em voos de Companhas Charter, estes abandonaram a Região e a consequência foi a ‘eucaliptização’ do território turístico do Algarve e o agravamento da sazonalidade. A Madeira conheceu problemas similares, mas escapa à atenção deste tsunami de sabedoria.

Enquanto não publicamos os Posts sobre o Mercado Emissor do Reino Unido e sobre a Procura Pela Oferta de Turismo do Algarve (trabalhar dá muito trabalho), este mini-Post tem um objectivo simples:

-chamar a atenção sobre a importância de analisar a concorrência entre Package Holiday e Independent Travel (ligada à concorrência entre Operadores Turísticos e Companhias Low cost) lá onde tudo começa: os Mercados Emissores, na ocorrência o do Reino Unido.

Na série de posts a publicar, procuramos mostrar como esta evolução se traduz nas Deslocações com destino Portugal. O presente Post é um teaser sobre

-a Procura de Package Holiday no Mercado Emissor do Reino Unido.

Os Gráficos 1 e 2 ilustram e são a base da análise que segue. O Leitor pode optar por ler o Ponto 2 antes, durante ou depois de ler o Ponto 1.

 

1.Destino Europa: Deslocações Por Holiday e em Avião, Com Detalhe do Package Holiday
*Período Entre 1999/2008
Consideramos os anos que vão desde o início da análise até ao ano anterior à Crise de 2008/2009 – 1999/2008.

As Deslocações por Motivo Holiday seguem o padrão do Mercado Emissor do Reino Unido na sua globalidade:

-crescem 12.154 milhares ou 72,7%, mas já conhecem um plateau entre 2006/2008.

As Deslocações de Package Holiday seguem um padrão diferente do anterior:

-crescem entre 1999/2004 (2.940 milhares ou 28,2%), quando atingem o máximo histórico, mas a ritmo mais lento das de Holiday – o Índice em 2004 é, respectivamente, de 1,28 e 1,63,

-depois diminuem de 2.039 milhares entre 2004/2008,

-na totalidade do período 1999/2008, acabam por crescer 901 milhares ou 8,6% (compara com o crescimento de 72,7% das Deslocações de Holiday).

*O “annus horribilis” (2008/2009) e os Anos Até 2013
Entre 2008/2009

-as Deslocações por Motivo Holiday perdem 18,1% ou 5.202 milhares,

-as Deslocações de Package Holiday perdem 22,1% ou 2.506 milhares.

Entre 2008/2013

-as Deslocações por Motivo Holiday perdem 18% ou 5200 milhares,

-as Deslocações de Package Holiday perdem 12,2% ou 1.385 milhares.

Salta à vista uma divergência que os índices confirmam:

-a queda entre 2008/2009 do total de Holiday (18,1%) é inferior à de Package Holiday (22,1%)

-a evolução entre 2008/2013 é diferente, porque o total de Holiday mantém a queda (18%), mas o Package Holiday recupera e só já perde 12,2%.

*Deslocações Por Motivo Holiday
As Deslocações por Motivo de Holiday

-ganham com Transformação Estrutural do Mercado de Holiday na Europa, quando crescem a partir de 2004 e divergem das de Package Holiday que iniciam uma queda estrutural,

-este ganho resulta sobretudo do crescimento das Deslocações de Tour Urbano e Cultural, mas resulta também do crescimento do Independent Travel nas Deslocações para Áreas Turísticas e em detrimento do Package Holiday.

Nas séries de posts procuraremos identificar, no caso do Algarve, o que é opção dos Turistas, escolhas comerciais dos Grandes Operadores Consolidados (TUI Travel e Tomas Cook) e Intervenção Pública.

*Deslocações de Package Holiday
A evolução das Deslocações de Pakage Holiday exige considerar todo o período entre 1999/2013

-entre 1999/2004 crescem 28,2%, mas a um ritmo mais lento do que o das Deslocações por Holiday,

-a partir de 2004, começam a diminuir por efeito da Transformação (perdem cc milhares entre 2004/2008),

-entre 2008/2009 perdem 2.506 milhares (ou 22,1%), por efeito directo da Crise

-na realidade, o efeito conjugado da Transformação do Mercado e da Crise faz com que o Package Holiday perca 4.992 milhares de Deslocações (27.3%) entre 2004/2010 [em 2010 atinge o valor mínimo de 8.387 milhares de Deslocações].

Se considerarmos os anos entre 2009/2013,

-as Deslocações Por Motivo Holiday estão ao mesmo nível (índice 1,42), mas as Deslocações em Package Holiday recuperam 1.121 Deslocações (o índice passa de 0,85 a 0,95), o que confirma a quantificação feita antes,

-esta recuperação do Package Holiday ainda é para um valor inferior ao de 1999, parece ter a ver com o crescimento da modalidade de All Inclusive o que pode ser considerado consequência da Crise de 2008/2009.

*Gráficos
Gráfico 1 – Destino Europa: Deslocações em Avião, Por Motivo Holiday e Detalhe do Package Holiday
(milhares)

 
Fonte: Elaboração própria com base em Office of National Statistics – International Passenger Survey

Gráfico 2 – Destino Europa: Índice de Deslocações em Avião, Por Motivo Holiday e Detalhe do Package Holiday
(1999 Base 1)

 
Fonte: Elaboração própria com base em Office of National Statistics – International Passenger Survey


2.Informação Útil

*Dois Tipos de Deslocações Por Motivo Holiday: Estadia em Áreas Turísticas e Tour Urbano e Cultural
A conjugação de Sociedade, Economia e Cultura obriga-nos a classificar as Deslocações por Motivo Holiday (ou Leisure ou Lazer) em dois tipos

-as de Estadia em Áreas Turísticas (ditas de Resort), de que o Algarve e Madeira são um exemplo,

-as de Tour Urbano e Cultural, muito concentradas em Cidades e de que Lisboa e Porto são exemplo.

Na Europa (o Package Holiday é europeu), há uma realidade do Mercado Turístico:

-as na Modalidade de Package Holiday são importantes apenas nas Áreas de Resort.

A diferença entre o número total de Deslocações por Motivo Holiday e as Deslocações de Package Holiday compreende

-as Deslocações de Tour Urbano e Cultural,  

-as Deslocações de Estadia que não optam pela Modalidade de Package Holiday.

*Deslocações na Europa, Por Motivo Holiday, Opção Por Package Holiday e Transporte Aéreo
A realidade é simples:

-a modalidade de Package Holiday foi durante dezenas de anos identificada com o transporte por Companhias Charter a ligar urbes do Norte da Europa com Áreas Turísticas do Sul, mas nunca com cidades relevantes para não fazerem concorrência à Companhias estatais de Bandeira,

-a partir da liberalização dos Direitos de Tráfego no Espaço Aéreo da então CEE, em Janeiro de 1993, na Europa apenas há Companhias Aéreas, que podem transportar passageiros segundo os mais variados modelos de negócio,

-a Liberalização abre á concorrência o mercado entre grandes cidades da Europa e é este mercado que está na origem das designadas Companhias Low Cost, criadas de raiz ou a partir de companhias existentes, como é o caso de Companhias Charter,

-desde meados da década de 1990, chegam ao Aeroporto de Faro algumas Full Servive Carriers e Companhias Aéreas de um Modelo Diversificado, que não pode ser reduzido à dicotomia ‘charter versus low cost’ – é evidente que a nível do soundbite a referência a Modelo Diversificado não serve,

-é legítimo que um técnico da ANA encarregue de produzir Estatísticas de Tráfego, opte por classificar as companhias que operam em Faro como Charter, Low Cost e Full Service – o problema surge, quando esta opção vira base simplista para o florescer do ‘conhecimento’ vigente sobre companhias charter e low cost no Algarve.

Com efeito, a dicotomia entre ‘companhias Charter e Low Cost’ ilude em erro, por

-haver um Modelo Diversificado de Companhias Aéreas de Tarifas Baixas ou Híbridas, que vai da Ryanair à Vueling, passando pela cinquentenária Monarch,

-haver, de facto, uma concorrência feroz entre Operadores Consolidados de Package Holiday e Companhias Aéreas do Modelo Diversificado,

-a opção a considerar não é a ‘charter versus low cost’, mas sim a opção de quem se desloca por Motivo de Holiday entre Package e o chamado ‘Independent Travel’.

*Dois Factores Condicionantes
O Mercado Europeu das Deslocações Turísticas por Motivo Holiday deve ser analisado à luz de dois Factores Condicionantes, cujos efeitos se sobrepõem:

-uma Transformação Estrutural do Mercado que começa no início da década de 1990 (com os Markets of One e a Liberalização do Transporte Aéreo) e conhece um reforço extraordinário com a utilização da Internet – apesar de datado do final de 2006 o documento ‘TUI Travel UK position on the package travel directive? (Aqui) está actual e sintetiza os factores mais directos desta transformação.

-a Crise de 2008/2009 e a maneira como esta afectou e afecta a Sociedade e Economia da Europa.

 
A Bem da Nação

Lisboa 9 de Julho de 2014

Sérgio Palma Brito

Grécia, Portugal e Turquia no Mercado Emissor do Reino Unido


A tão falada e prometida série de Posts sobre o Mercado Emissor do Reino Unido é publicada esta semana, depois de muitas horas de trabalho e demasiados dias de espera.

O presente Post é um teaser a chamar a atenção para esta publicação!

Analisamos a evolução entre 1999/2013 das Deslocações de Residentes no Reino Unido a Grécia, Portugal e Turquia, por Motivo de Holiday (o nosso Férias, Lazer ou Recreio), em Avião e Destino Europa. O Segmento ‘Holiday, Avião, Europa’ é o mais importante no Mercado e nos países em causa.

 

*Deslocações de Residentes no Reino Unido a Seis Países (Todos os Motivos)
O Gráfico 1 apresenta a evolução de todas as Deslocações de Residentes no Reino Unido a Seis Países, isto é, por Motivo de Holiday, Business, Visiting Friends or Relatives e o residual Miscellaneous.

Gráfico 1 – Deslocações de Residentes no Reino Unido a Seis Países (Todos os Motivos)

(milhares)
 

 
Fonte: Elaboração própria com base em Office of National Statistics – International Passenger Survey

*Deslocações de Residentes no Reino Unido a Seis Países – Motivo Holiday
O Gráfico 2 apresenta a evolução das Deslocações de Residentes no Reino Unido a Seis Países apenas por Motivo de Holiday.

Gráfico 2 – Deslocações de Residentes no Reino Unido a Seis Países – Motivo Holiday

(milhares)
Fonte: Elaboração própria com base em Office of National Statistics – International Passenger Survey

*Deslocações de Residentes no Reino Unido a Seis Países – Motivo Holiday na Modalidade de Package Holiday
O Gráfico 3 apresenta a evolução das Deslocações de Residentes no Reino Unido a Seis Países por Motivo de Holiday, mas apenas na modalidade de Package Holiday de Operadores Turísticos.

Gráfico 3 – Deslocações de Residentes no Reino Unido a Seis Países – Motivo Holiday na Modalidade de Package Holiday
(milhares)
Fonte: Elaboração própria com base em Office of National Statistics – International Passenger Survey

*Tópicos Para Reflexão
No Total das Deslocações (Gráfico 1),

-a Grécia tem uma queda estrutural desde o início da década de 2000,

-a Turquia perde o ímpeto de crescimento desde 2008, fruto da queda do Mercado do Reino Unido entre 2008/2009 e de problemas internos,

-Portugal parece assumir a liderança do número de Deslocações no seio deste pequeno grupo de países.

Dada a importância do Motivo Holiday, as Deslocações por este Motivo (Gráfico 2) estão correladas com a evolução do Total.

A evolução das Deslocações por Motivo Holiday, mas apenas na Modalidade de Package Holiday questionam o ‘conhecimento dominante’ sobre a matéria:

-uma quase sufoco da Modalidade de Package Holiday pelo crescimento das Companhias Low Cost.

A realidade não é tão simples e é algo diferente:

-a muito importante queda das Deslocações em Package Holiday na Grécia nada tem a ver com Companhias Low Cost,

-o crescimento e posterior estabilização/declínio das Deslocações de Package Holiday para a Turquia também escapam à influência das Companhias Low Cost,

-em Portugal, a queda entre 2008/2009 tem pouco a ver com as Companhias Low Cost (um post sobre o Aeroporto de Faro tal confirmará),

-ainda em Portugal, apesar da Base Ryanair desde 2010, a modalidade de Package Holiday cresce desde 2009 e atinge o valor da Turquia em 2013.

Brevemente, terá informação detalhada sobre tudo isto e muito mais.

 
A Bem da Nação

Lisboa 23 de Junho de 2014
Sérgio Palma Brito

Mercado Emissor do Reino Unido e Turismo em Portugal – Três Factos do Ano de 2013


Estamos a preparar uma série de cinco Posts sobre o Mercado Emissor do Reino Unido e Portugal, com base na informação do International Passenger Survey (Aqui).

Um pouco à laia de aperitivo, chamamos a atenção do leitor sobre Três Factos do Ano de 2013.  

 

1.Três Factos do Ano de 2013

*Menos Turistas e Mais Receita – Portugal ganha à Alemanha, mas perde com a Grécia
Em 2013, os Turistas residentes no Reino Unido que visitam Portugal são menos dos que visitam a Alemanha, mas fazem mais despesa cá do que mais Turistas na Alemanha.

Não somos os melhores, porque a Grécia recebe menos turistas residentes no Reino Unido do que Portugal, mas obtém mais receita do que nós.

Com efeito, Portugal

-é sétimo e a Grécia nona no TOP 10 dos países visitados por Residentes no Reino Unido,

-é sexto no TOP 10 da Despesa efectuada por Residentes no Reino Unido, mas a Grécia é quinta.

*A Maioria das Dormidas é no Alojamento Não Classificado
Em 2013, os 2,1 milhões de Turistas Residentes no Reino Unido que visitam Portugal geram 19.486 milhões de Dormidas, das quais 6.974 milhões no Alojamento Classificado.

Por outras palavras,

-os Turistas Residentes no Reino Unido geram 12.512 milhões (64,2%) de Dormidas no Alojamento Não Classificado.

Parte destas Dormidas são em Alojamento Gratuito Por familiares e Amigos. A maior parte delas são passadas em Residências Secundárias de Utilização Turística (Por Conta Própria ou Arrendadas). Estas Residências Secundárias

-são na sua grande maioria Dispersas ou estão Integradas em Estabelecimentos de ‘Turismo Residencial Real’, de que Vale do Lobo é ícone.

Hostels e Apartamentos Urbanos (sobretudo nas Zonas Históricas de Lisboa e Porto) acolhem uma pequena parte destes 15.512 milhões de Dormidas.

*O (Perigoso) Equívoco do Decreto-Lei do Alojamento Local
Perante esta realidade, o Governo aprova um Decreto-Lei que

-lida (mal) com os Hostels e Apartamentos Urbanos,

-ignora a dinâmica de Criação de Valor pela maior parte dos 15.512 milhões de Dormidas,

-ou é aplicado de maneira transparente e sistemática a esta realidade e provoca um desastre na Economia do Turismo,

-ou não é aplicado, e cria injustiça (são apanhados uns ‘parvos’) e desacredita a Lei, a Politica e a ASAE.

Ainda ninguém percebeu que a realidade não ‘encaixa’ na Lei?

 
2.Suporte Analítico dos Factos

*Top 10 countries visited by UK residents for at least one night
O Gráfico 1 ilustra os “Top 10 countries visited by UK residents for at least one night”.

Gráfico 1 – Top 10 countries visited by UK residents
(milhares)

Fonte: Office of National Statistics – International Passenger Survey

*Top 10 countries by expenditure of UK residents whilst visiting abroad for at least one night
O Gráfico 2 ilustra os “Top 10 countries by expenditure of UK residents whilst visiting abroad for at least one night”.

Gráfico 2 – Top 10 countries by expenditure of UK residents
(£milhões)

Fonte: Office of National Statistics – International Passenger Survey

*Dormidas em Alojamento Classificado e Não Classificado
Os números citados são do INE e do Office of National Statistics. Serão detalhados na série de Posts referida.

 
A Bem da Nação

Lisboa 12 de Junho de 2014

Sérgio Palma Brito

Sobre o ‘supéravit’ na balança do turismo internacional e a degradação da Informação Estatística do Turismo


Em Post recente, analisámos um dos mais graves problemas escondidos da Economia do Turismo em Portugal:

-Portugal está em 72º lugar no que respeita à qualidade e cobertura da informação estatística, disponível para o sector do Turismo.

Pior,

-a indiferença geral sobre este facto confirma não haver procura exigente por Informação Estatística do Turismo qualificada por parte de «governments, industries, academia and the public»”.

*Intervenção do Director Executivo da Organização Mundial do Turismo
A recente intervenção* do Director executivo da Organização Mundial do Turismo (OMT), Márcio Lucca de Paula ilustra dois aspectos desta degradação:

-a referência a “chegadas de turistas internacionais” é o mais evidente: o Inquérito aos Movimentos de Pessoas nas Fronteiras foi realizado entre 2004 e 2007, pelo que o numero de ‘chegadas’ em 2013 é fruto de cálculos frágeis e inaceitáveis por escamotearem uma das mais graves lacunas da Informação Estatística do Turismo,

-a referência a valores e ranking internacional da Balança Turística (diferença entre Receita e Despesa de Viagens e Turismo na Balança de Pagamentos) exige análise.

*Dois Tipos de Indicadores Estatísticos
No Post já referido, distinguimos dois tipos de Indicadores da Informação Estatística do Turismo:

-os produzidos pelo INE e Banco de Portugal,

-os Indicadores diversos de Estatísticas do INE, ou elaborados com base em informação do INE, Banco de Portugal, Administração Pública e outros.

Em nossa opinião,

-estes segundos Indicadores devem ser elaborados por Centro Universitário de Economia e/ou Estatística de primeira linha, um elemento indispensável do Sistema que integra ainda INE, Banco de Portugal, Turismo de Portugal e Confederação do Turismo Português.

*O Centro Universitário de primeira linha e a Ambição
Este Centro Universitário, em condições a acordar,

-elabora, divulga e garante um Painel de Indicadores e uma versão revista do actual Proturismo,

-assegura um diálogo qualificado entre todos os agentes do sistema: TdP, CTP, INE e BdP,

-realiza todas as tarefas que impliquem credibilidade e posicionamento da Informação Turística do Turismo. 

Este Centro é instrumento de uma ambição

-em três anos, a Informação Estatística Sobre Turismo coloca Portugal no TOP 15 do Travel & Tourism Competitivness Report do World Economic Forum no que respeita à qualidade e cobertura da Informação Estatística Disponível para o Sector do Turismo. 

*Sobre a Balança Turística
O conceito de ‘Balança’ pode ser útil em casos como a Alimentação, de Produtos como o azeite e, mais recentemente, os combustíveis.

Em nossa opinião, a Balança do “turismo internacional” não faz sentido porque

-resulta da diferença de processos com dinâmicas económicas e sociais diferentes e independentes, o Turismo Receptor e o Turismo Emissor – com a excepção do ‘vá para fora cá dentro’, uma espécie de ‘substituição de importações’,

-o foco da Intervenção Publica do Turismo deve ser o facilitar a actividade empresarial a maximizar a Receita de Viagens e Turismo na Balança de Pagamentos.

*Sobre Rankings Internacionais
A Economia do Turismo sofre em excesso de um mal que, em tempos idos, foi denunciado por Michael Porter:

-o do jogador de ténis tão preocupado com o marcador electrónico que perde bolas sucessivas.

No caso do questionável indicador da Balança Turística, há duas observações de princípio:

-em valor absoluto, ganha o País que receba muitos Turistas e seja suficientemente pobre para ter reduzido Turismo Emissor,

-em percentagem do PIB, ganha, de entre os países anteriores, aquele cuja Economia depender mais do Turismo – por este andar, ainda é o caso das Maldivas.

*Equívoco Politico
Apesar de já me ter dado alguns desgostos (o Projecto de Decreto-Lei sobre Alojamento Local é um desastre) mantenho estima e apreço pelo liberal Adolfo Mesquita Nunes, aceito as boas intenções de António Pires de Lima e espero que João Cotrim de Figueiredo actualize a ‘corporate culture’ e ‘management style’ do Turismo de Portugal.

Correndo o risco de só criar sarilhos, espero que eles entendam muito rapidamente que

-uma Informação Estatística do Turismo renovada é indispensável para Conhecer, Tornar Competitiva e Posicionar a Economia do Turismo,

-na ausência desta Informação, as boas intenções apenas garantem o Inferno e alimentam um equívoco político que se tolerava antes da Crise, mas que é inaceitável na actualidade.

Por outras palavras, a excelente apresentação sobre O Marketing Digital na Comunicação Internacional do Destino Portugal dispensava a intervenção do Director da OMT e a cena da Balança Turística

 
A Bem da Nação

Lisboa 3 de Junho de 2014

Sérgio Palma Brito   

 
*Na sessão sobre O Marketing Digital na Comunicação Internacional do Destino Portugal, organizada pelo Turismo de Portugal.

Informação Estatística do Turismo – Instrumento de Conhecimento, Competitividade e Posicionamento


 

Proposta Para Debate – 1ª versão

 

Portugal está em 72º lugar no que respeita à qualidade e cobertura da informação estatística, disponível para o sector do Turismo. A indiferença geral sobre este facto confirma não haver procura exigente por Informação Estatística do Turismo qualificada por parte de “governments, industries, academia and the public” (1).

O Secretário de Estado do Turismo propõe-se relançar a IET e assume um compromisso que rompe com o passado e abre a via do futuro: 

-“É-me indiferente que os resultados finais destas alterações conduzam a conclusões menos optimistas do que aquelas que são retiradas dos dados de que hoje conhecemos. Não estou aqui para fingir números, estou aqui para dotar o sector de todas as ferramentas para poder crescer e é a hora de isso suceder.”.

O presente Post é a Primeira Versão de uma proposta para debate sobre a Credibilidade e Posicionamento da Informação Estatística do Turismo, que atinja um objectivo mobilizador:

-em três anos, a Informação Estatística Sobre Turismo coloca Portugal no TOP 15 do Travel & Tourism Competitivness Report do World Economic Forum no que respeita à qualidade e cobertura da Informação Estatística Disponível para o Sector do Turismo (2). 

 

1.Turismo – Conhecimento, Competitividade e Posicionamento
*Informação Estatística do Turismo - Conceito
A Informação Estatística do Turismo compreende dois tipos de Indicadores:

-Indicadores avaliados e divulgados pelo INE e Banco de Portugal, com base em Inquéritos à Procura ou Oferta, no respeito de normas internacionais,

-Indicadores diversos de Estatísticas do INE, ou elaborados com base em informação do INE, Banco de Portugal, Administração Pública e outros.

Importa distinguir dois conceitos:

-Informação Estatística do Turismo é da responsabilidade do Estado e ligada à Macroeconomia,

-Business Intelligence é da responsabilidade da Iniciativa Privada, ligada à Microeconomia, e apoiada pela Informação Estatística do Turismo. 

*Informação Estatística do Turismo - Missão
A Informação Estatística Sobre Turismo é um instrumento para apoiar  

-o Conhecimento sobre Turismo por todos permita às Universidades uma muito maior ligação à realidade,

-a Competitividade das Empresas a eficácia das Políticas Públicas e,

-a Credibilidade e Posicionamento da Economia do Turismo junto do Sistema Politico e Administrativo, Partes Interessadas e Opinião Pública.

*Conhecimento
A Informação Estatística do Turismo

-é a base do Conhecimento do Turismo por Governo, Administração, Iniciativa Privada, Universidades e Opinião Pública,

-permite qualificar o debate público sobre Turismo, minimizando a influência excessiva de opiniões pessoais, respeitáveis ao abrigo da Liberdade de Expressão, mas desfasadas da realidade.

-favorece o Conhecimento do Turismo, excessivamente dominado por discurso fácil e de cariz politico.

A Informação Estatística do Turismo

-fornece o enquadramento indispensável à Business Intelligence, a recolher pela Iniciativa Privada,

-abrange a Economia do Turismo em si e na sua relação com o Ambiente, a Sociedade e a Cultura,

-permite qualificar a necessária Intervenção Politica do Turismo, e minimiza a sua presença excessiva em lugares e actividades que exigem literacia técnica e avaliação quantificada.

*Competitividade
A prazo, nenhuma Actividade Económica é Competitiva sem o apoio de uma Informação Estatística de qualidade.

Informação Estatística do Turismo é indispensável para

-Decisões Públicas que facilitem e apoiem a Economia do Turismo, num quadro de eficiência dos recursos públicos escassos e minimização dos custos de contexto,

-Gestão mais qualificada de Empresas e melhor visão de conjunto por parte de empresários.

Nos dois casos a Informação Estatística, sobretudo se ligada à Business Intelligence, contribui para melhores decisões públicas e privadas.

*Credibilidade e Posicionamento
Antes de tudo, recordemos o essencial

-Credibilidade exige ‘substância’ do que se quer credibilizar,

-Posicionar consiste em criar na mente das pessoas uma imagem positiva desta ‘substância’,

-Posicionar exige Comunicar a Credibilidade da ‘substância’ (3).

Política de Turismo e Iniciativa Privada parecem ignorar um ponto prévio:

-Credibilizar e Posicionar a Economia do Turismo é algo de incompatível com a Degradação da Informação Estatística do Turismo e exige a Credibilidade e Posicionamento desta Informação.

A fragilidade do actual Posicionamento da Economia do Turismo resulta muito do excesso de auto-afirmação e ausência de Informação Credível. Um Posicionamento forte da Economia do Turismo exige

-Quantificação credível da sua Contribuição do Turismo Para a Economia do País,

-Comunicação profissional junto de Sistema Politico e Administrativo, Parceiros de Negócio, Opinião Pública e Público em geral.

 
2.Informação Estatística do Turismo: Da Degradação à Credibilidade e ao Posicionamento

2.1.Da Degradação à Agenda Política
*Degradação da Informação Estatística do Turismo
Em 1991, a Conferência de Ottawa reconhece a divergência entre as mudanças no Turismo e o atraso nas Estatísticas de Turismo:

-“the environment for tourism has undergone rapid changes since the last United Nations Conference on International Travel and Tourism held at Rome in 1963,

-“the development of statistical concepts and frameworks for tourism have not kept pace with this changing environment” (4).

Desde 1991 até à actualidade, Politica de Turismo, Iniciativa Privada, Universidades e Opinião Pública

-não acompanham os progressos de Instituições Internacionais e muitos países para que Estatísticas acompanhem o Desenvolvimento do Turismo,

-ignoram o culminar deste movimento com a aprovação, em 2010, das Recomendações de Instituições Internacionais sobre Estatísticas e Conta Satélite do Turismo (5).

Na indiferença geral perante o dinamismo desta evolução com mais de trinta anos, o resultado está à vista:

-“o Travel & Tourism Competitivness Report – 2013, do World Economic Forum, classifica Portugal em 72º lugar no que respeita à qualidade e cobertura da informação estatística, disponível para o sector do Turismo.” (6).

*Exemplos da Degradação 
Em 2008 são descontinuados os dois Inquéritos do INE:

-Inquérito aos Movimentos de Pessoas nas Fronteiras
IMPF),
-Inquérito aos Gastos Turísticos Internacionais (IGTI),
O problema é tanto mais grave quando estes Inquéritos à Procura são indispensáveis para conhecermos o Turismo Receptor (Não Residentes que se deslocam a Portugal), precisamente o mais relevante para a Economia do Turismo e do País.

Depois de anos de esforços, em Dezembro de 2010 é publicada informação incompleta de rudimentar Conta Satélite do Turismo. O INE reconhece que o IGTI “foi descontinuado temporariamente o que tenderá a condicionar a frequência e o detalhe da CST.” (7).

Se conciliarmos o Inquérito às Deslocações dos Residentes e o Inquérito à Permanência de Hóspedes na Hotelaria e Outros Alojamentos, encontramos contradições impossíveis, mas aceites na indiferença geral (8).

O descontinuar destes Inquéritos e, posteriormente, da Conta Satélite do Turismo resulta de um erro mais estrutural e que releva da Politica:

-em 2004, a DGT deixa de elaborar Estatísticas e integra um Protocolo com INE e Banco de Portugal,

-em 2008, o Turismo de Portugal reforça a intervenção na Elaboração e Divulgação de Estatísticas.

*Informação Estatística do Turismo na Agenda Politica
No discurso da BTL de 2014, o Secretário de Estado do Turismo põe a Informação Estatística Sobre Turismo na agenda politica:

-um diagnóstico: “a informação que dispomos sobre a procura é reduzida, o tratamento da informação estatística e de planeamento de que dispomos é deficiente e é insuficiente a recolha de informação que fazemos.”,

-uma missão: “o Presidente do Turismo de Portugal tem todo o meu apoio politico para apresentar ao sector alterações organizacionais e metodológicas para termos no futuro mais e melhor informação.”.

-um princípio: “É-me indiferente que os resultados finais destas alterações conduzam a conclusões menos optimistas do que aquelas que são retiradas dos dados de que hoje conhecemos. Não estou aqui para fingir números, estou aqui para dotar o sector de todas as ferramentas para poder crescer e é a hora de isso suceder.” (9).

O Diagnóstico é fácil e afirmar o Principio é histórico. A Missão pode ser desastrosa, se repetir o ‘Erro de 2008’ e reforçar a intervenção do TdP na Elaboração de Estatísticas.

 

2.2.Credibilização e Posicionamento da Informação Turística do Turismo
*Credibilizar e Posicionar a Informação Estatística

Como referimos antes, Credibilizar e Posicionar a Informação Turística do Turismo é a base de Credibilizar e Posicionar a Economia do Turismo. Na ocorrência Credibilizar depende de um Sistema cujos elementos são quatro Instituições, as relações entre estes são três Parcerias e a ignição do seu funcionamento é uma decisão do Governo – é o que descrevemos a seguir.

Neste caso

-‘substância’, isto é, que as diversas Instituições, por si só e pelas Parcerias que as ligam, forneçam Informação Estatística cuja qualidade seja reconhecida por Pares, Utilizadores e Opinião Pública,  

-Posicionar consiste em criar no cérebro das pessoas uma Imagem de rigor e credibilidade da Informação Estatística do Turismo.

Por sua vez, esta Imagem facilita e aumenta a eficiência da Comunicação que Credibiliza e Posiciona a Economia do Turismo.

*Instituto Nacional de Estatística (INE)
O INE

-assegura a qualidade e coerência dos dois Inquéritos que realiza,

-volta a realizar os dois Inquéritos sobre a Procura, indispensáveis à Informação Turística do Turismo,

-se for confirmada a sua utilidade e viabilidade, elabora a Conta Satélite do Turismo

O INE é imune a pressões políticas ou outras, mas

-não é imune à Degradação da Informação Turística do Turismo e é proactivo na sua minimização,

-é aberto ao feed back qualificado de utilizadores, sobretudo quando canalizado pelo Centro Universitário.

*Banco de Portugal
O Banco de Portugal

-assegura, como sempre tem feito, a elaboração da Balança de Pagamentos, com destaque para a Rúbrica de Viagens e Turismo,

-facilita informação que permita ao Centro Universitário elaborar os Indicadores da Receita de Turismo na Balança de Pagamentos.

*Centro Universitário de Economia e/ou Estatística
O Centro Universitário de Economia e/ou Estatística de primeira linha é elemento indispensável do Sistema, porque

-elabora, divulga e garante os Indicadores diversos de Estatísticas do INE, ou elaborados com base em informação do INE, Banco de Portugal, Administração Pública e outros – como vimos, é o segundo nível da Informação Estatística do Turismo,

-em condições a acordar, elabora, divulga e garante um Painel de Indicadores e uma versão revista do actual Proturismo,

-assegura um diálogo qualificado entre todos os agentes do sistema: TdP, CTP, INE e BdP,

-realiza todas as tarefas que impliquem credibilidade e posicionamento da Informação Turística do Turismo.  

Não é fácil recuperar de quase meio século de Degradação da Informação Estatística do Turismo. Este Centro, pela Decisão Politica que exige e pela qualidade e garantia que assegura, é um elemento decisivo do Sistema informal em causa.

*Turismo de Portugal
A referência ao Turismo de Portugal começa pela necessidade de anular dois dos mais importantes factores da Degradação da Informação Estatística do Turismo:

-a longa tradição dos Serviços de Turismo na utilização, quando não manipulação, das Estatísticas de Turismo para efeito de propaganda,

-esforços dos Serviços de Turismo para influenciar que o ‘peso do Turismo no PIB’ atinja dois dígitos, quando o Indicador do INE não atinge os 4%.

Para cortar de raiz com esta péssima tradição, respeitamos três princípios:

-a Administração do Turismo e/ou instituição dependente da Politica de Turismo não elaboram ou divulgam Informação Estatística do Turismo (10),

-Definição de Indicadores, Recolha de Dados e Elaboração dos Inquéritos e da Conta Satélite do Turismo é competência exclusiva do INE, com o Banco de Portugal a elaborar a Balança de Pagamentos,

-Elaboração e Divulgação de outros Indicadores e garantia de qualidade e independência do sistema a cargo do Centro Universitário.

O corte com o passado e estes Princípios implicam que,

-em matéria de Informação Estatística do Turismo, a Missão do Turismo de Portugal é dinamizar, apoiar e facilitar a Credibilização e Posicionamento da Informação Estatística do Turismo,

-o actual “Sistema Integrado de Informação Estatística e Operações Estatísticas e outros Inquéritos” do TdP e o Proturismo são objecto de revisão profunda e integrados no Centro Universitário.

*CTP – Confederação do Turismo Português
A CTP integra o Conselho Superior de Estatística desde 1998 e tem uma já longa experiência de ligação ao Sistema Estatístico Nacional. A reforma que propomos exige que

-a CTP tire as devidas consequências da Degradação da Informação Estatística do Turismo e do objectivo de, em 2017, Portugal estar no TOP 15 do ranking da “qualidade e cobertura da Informação Estatística Disponível para o Sector do Turismo”.

No quadro da nossa proposta, a CTP – Confederação do Turismo Português

-desenvolve esforços para que o Governo decida qualificar a Informação Estatística do Turismo e participa nas três Parcerias do Sistema que a elabora e divulga,

-no respeito da integridade do Sistema, assegura a ligação deste com as dinâmicas da Economia do Turismo, o chamado Business backgroud, sem o qual a Informação Estatística pode descolar da realidade,

-reforça a ligação entre a Informação Estatística, em particular os Indicadores do Segundo Nível, e a Business Intelligence (11).

*Um Sistema Informal de Instituições e Parcerias
Estamos na presença de um Sistema formado pelas quatro Instituições descritas antes, e três Parcerias que estabelecem relações entre elas. Descritas as Instituições, descrevemos as três Parcerias e a Interligação a fortificar.

A primeira Parceria

-envolve o TdP e a CTP, no âmbito de um Acordo Estratégico e definição de regras para todo o Sistema,

-cabe ao Turismo de Portugal, com apoio da CTP, fomentar as parcerias e dinâmicas de colaboração entre as instituições envolvidas.

A segunda Parceria

-i)envolve TdP, CTP, INE e BdP; ii)situa-se no âmbito do Sistema Estatístico Nacional; iii)exige que a plataforma de colaboração entre as Instituições seja um rejuvenescido e fortificado Grupo de Trabalho das Estatísticas do Turismo,

-tem por objecto o primeiro nível da Informação Estatística do Turismo.

A Terceira Parceria

-i)envolve TdP, CTP e Centro Universitário; ii)está fora do âmbito do Sistema Estatístico Nacional; iii)assenta numa plataforma informal de colaboração,

-tem por objecto o segundo nível da Informação Estatística do Turismo,

-exige combinar o rigor da Ciência com o business background que só a CTP pode catalizar,

-é independente da Business Intelligence, mas deve colaborar com ela,

-implica uma base formal de operação, que deixamos em aberto – pode funcionar no Centro Universitário ou fora deste, mas não no TdP ou CTP.

*Intervenção Politica
Por muito que queiramos diminuir o recurso ao Estado, o Governo é o driver inicial do Sistema que Credibiliza e Posiciona a Informação Estatística do Turismo.

Só uma Decisão Política forte e ambiciosa torna possível a Criação e o início do Funcionamento do Sistema descrito antes.

No fundo, trata-se de

-recuperar e ir mais além do espírito e letra dos Protocolos assinados em 2004, por influência do Secretário de Estado Luís Correia da Silva,

-inverter a decisão de 2006/2008 de perversa, inútil e prejudicial estatização da Informação Estatística de Turismo.

 

3.Objectivos a Atingir

3.1.Indicadores do INE e Banco de Portugal
*Inquéritos do INE
A prioridade imediata é melhorar significativamente os dois Inquéritos e eliminar as contradições existentes:

-Inquérito às Deslocações dos Residentes,

-Inquérito à Permanência de Hóspedes na Hotelaria e Outros Alojamentos.

A prioridade mais relevante e aque exige mais meios é relançar de maneira sustentada e consistente os dois Inquéritos descontinuados em 2008: Inquérito aos Movimentos de Pessoas nas Fronteiras e Inquérito aos Gastos Turísticos Internacionais.

*Conta Satélite do Turismo
É urgente realizar Análise Custo/Beneficio de uma Conta Satélite do Turismo consistente, com divulgação de Quadros Trimestrais e Relatório Anual e com utilidade para os agentes da Economia do Turismo.

O Painel de Indicadores da Economia do Turismo não substitui os Quadros da CST. O abandono da CST pode implicar o alargar do Painel, mas não substituir a CST.

*Banco de Portugal – Receita de Viagens e Turismo
A Receita/Despesa da rubrica de Viagens e Turismo deve ser conciliada com outros Inquéritos para melhorar a informação disponibilizada.

 
3.2.Centro Universitário: Outros Indicadores

*Explicação Sobre Indicadores a Elaborar e Divulgar
Este ponto tem a ver com o Segundo Nível da Informação Estatística do Turismo:

-Indicadores diversos de Estatísticas do INE, ou elaborados com base em informação do INE, Banco de Portugal, Administração Pública e outros.

Estes Indicadores podem ser

-considerados individualmente,

-integrados num Painel, ligado ou não à Conta Satélite do Turismo (12),

-apresentados em momentos diferentes, em função do timing da sua produção.

*Receita de Turismo na Balança de Pagamentos
A Receita de Turismo na Balança de Pagamentos compreende a Receita de Viagens e Turismo e três outros indicadores a quantificar (13):

-Investimento de Não Residentes em Residências Secundárias de Utilização Turística (14),

-Serviços de Transporte Internacional de Passageiros, com destaque para a TAP,

-Transferências para Reformados, ex Não Residentes e agora Imigrantes formais.

*Exemplo do Transporte Aéreo
A partir de informação administrativa que a ANA fornece ao INAC, é possível elaborar Indicadores Mensais de Total do País e detalhe por Aeroporto:

-Passageiros Embarcados, Desembarcados e em Trânsito,

-Passageiros Embarcados/Desembarcados por Companhias Nacionais e Estrangeiras,

-Tráfego de Aeroportos no Estrangeiro para Aeroportos em Portugal.
Toda a informação existe, é de natureza administrativa e de excelente qualidade. Há apenas que a recolher, tratar e divulgar a tempo e horas.

 
3.3.Turismo de Portugal

*Um Erro e Uma Politica Errada
O assunto exige uma análise mais larga e mais profunda, mas tem de ser referido. Em nossa opinião,

-a criação do Turismo de Portugal foi uma decisão importante e que qualifica estruturalmente a Administração Pública do Turismo,

-na altura, só uma pessoa do gabarito profissional e politico de Luis Patrão podia ‘criar’ o Turismo de Portugal,

-a integração das Estatísticas de Turismo no TdP e a desvalorização do INE foi um erro cultural e politico grave e de consequências negativas.

As nossas propostas não diminuem a relevância do Turismo de Portugal, contrariamente ao que aconteceu com a decisão de Estatizar as Estatísticas. O Turismo de Portugal aparece hoje como o primeiro responsável da Degradação da Informação Estatística do Turismo, inequivocamente medida pelo Ranking do World Economic Forum.

*Recriar e Valorizar a Acção do Turismo de Portugal
As nossas propostas

-Recriam e Valorizam a intervenção do Turismo de Portugal, porque passa a ser o Facilitador e primeiro Dinamizador de um Sistema cujo Objectivo é, em três anos, posicionar Portugal no TOP 15 do Travel & Tourism Competitivness Report do World Economic Forum,

-permitem criar o embrião de um Centro Universitário de Excelência no campo da Informação Estatística do Turismo, de que o TdP será o primeiro beneficiário, em informação e prestígio,

-levam o TdP aassumir uma estrutura e um Management Style mais de acordo com a flexibilidade e exigência do Mercado do Turismo do Pós Crise de 2008/2009.

 
4.Operacionalização

*Dois Passos Iniciais
Montar o Sistema e pô-lo a funcionar exige

-Decisão Política do Governo e empenhamento na sua implementação,

-Acordo Estratégico Entre Turismo de Portugal e CTP, que deverão ser os dois dinamizadores do Sistema

*Protocolo Entre Turismo de Portugal, INE e Banco de Portugal
Um novo Protocolo entre TdP, INE e BdP (e CTP) retoma o ‘Espírito do de 2004’ e reestabelece a normalidade:

-INE elabora e divulga as Estatísticas de Turismo de que a Economia do Turismo e a Intervenção Pública carecem.

Independentemente de outras iniciativas, está em causa

-Melhorar os dois Inquéritos existentes,

-Retomar, de maneira sustentada os Inquéritos descontinuados em 2008,

-Avaliar o interesse em calcular a Conta Satélite do Turismo.

*Protocolo Entre Turismo de Portugal, CTP e Centro Universitário
O Protocolo entre TdP, CTP e um Centro Universitário de primeira linha em Economia e Estatísticas é a grande inovação do Sistema. É justo reconhecer que, em 2004, foi assinado um Protocolo com a Universidade do Algarve, agora retomado em termos diferentes.

*Financiamento
O Banco de Portugal é a única instituição que dispõe de meios financeiros inquestionáveis.

Na actual situação do País, o financiamento adicional para o INE e o necessário para o Centro Universitário só pode vir de:

-fundos do Turismo de Porugal,

-fundos resultantes da reconversão do Proturismo e Actividade de estatísticas do TdP,

-concentração neste Projecto de fundos actualmente dispersos em projectos diversos,

-Quadro Comunitário de Apoio.

A experiência confirma quem, quando há Desígnio Politico e um bom Projecto, o Financiamento acaba por não ser problema.

 
A Bem da Nação

Albufeira 14 de Abril de 2014

Sérgio Palma Brito

 
Notas

(1) Esta lista de partes interessadas é retirada do documento Conference on Travel and Tourism Statistics, Ottawa, 1991.



(2)Citado a partir de PwC, Desafios do Turismo em Portugal 2014. Ver indicador 5.4.Comprehensivness of anual T&T data em
The Travel and Tourism Competitiveness Report 2013

 
 
 
 
 
 
 
(3)Os especialistas nestas matérias (Marketing, Branding e Comunicação) desculparão esta simplificação e o não entrarmos no debate sobre Posicionamento e Imagem de Marca.

(4)Ver document da Nota (1).

(5)Recomendações de 2010 (IRTS) – International Recommendations for Tourism Statistics 2008, United Nations, Department of Economic and Social Affairs Statistics Division e UNWTO (United Nations World Tourism Organization), New York, 2010.


Quadro Conceptual de 2010 (TSARMF) – Tourism Satellite Account: Recommended Methodological Framework 2008, United Nations, Department of Economic and Social Affairs Statistics Division e UNWTO, Eurostat e OECD, Luxembourg, Madrid, New York, Paris, 2010.


(6)Ver texto da Nota (2).

(7)INE, Destaque, Conta Satélite do Turismo 2000-2010, Lisboa, 17 de Dezembro de 2010.


(8)Ver Post Estatísticas de Turismo – Exemplo de Avaliação Crítica.

(9)Ver Post Turismo 2013 e Desafios de 2015 – Discurso do Secretário de Estado do Turismo na BTL.

(10)A elaboração e divulgação de Informação Estatística não deve ser assegurada pela Administração Pública. Pela péssima tradição e pela ainda excessiva politização da Economia do Turismo, o TdP não pode ser excepção a esta regra e deve deixar de estar “habilitado a funcionar como entidade delegada no quadro do Sistema Estatístico Nacional”, apesar de tal figurar na alínea c) das suas Atribuições legais.

(11)Fomos Vice Presidente da CTP durante dois Mandatos e Director-Geral entre 2007/2009. Já não temos obrigação contratual de confidencialidade, mas temos a obrigação de puro bom senso de limitar o texto sobre a CTP a temas pacíficos.

(12)As primeiras ideias sobre o assunto estão no Post Notas Sobre um Painel de Indicadores da Economia do Turismo (II).

(13)Ver Post Receita de Turismo na Balança de Pagamentos.

(14)Assumimos que as Transferências dos Proprietários para pagar a Administração da Residência Secundária são contabilizadas na Receita de Viagens e Turismo.