Receitas de Turismo na Balança de Pagamentos


O presente post tem três objectivos:

-mostrar que parte importante da Receita da rúbrica de Viagens e Turismo na Balança de Pagamentos resulta de Consumo Turístico dos cerca de 5 milhões de Turistas que optam por utilizar o Alojamento Turístico Não Classificado,

-contribuir para que Politica de Turismo passe a integrar todos os Tipos de Alojamento do Conceito Abrangente de Alojamento Turístico [ver Glossário e detalhe no Ponto 3 e Anexo 3 do Relatório], de modo a reforçar s Receita de Turismo na Balança de Pagamentos,

-mostrar que a Receita do Turismo na Balança de Pagamentos vai para além da Receita da rúbrica de Viagens e Turismo (1).
Este post é o Segundo (Primeiro, Segundo , Terceiro, Quarto, Quinto, Sexto) de uma série sobre temas abordados no Relatório:

-Quantificar a Contribuição do Turismo Para a Economia
http://sergiopalmabrito.blogspot.pt/2013/07/quantificar-contribuicao-do-turismo.html

O Próximo post é sobre o Mercado Emissor de França e apresenta exemplos que ilustram os temas dos dois posts anteriores.

As remissões entre chavetas referem este Relatório, excepto se outro documento for mencionado. Um Glossário facilita a leitura do post.

1.Balança de Pagamentos e Quantificar a Contribuição do Turismo Para a Economia

*Estimativa de Transferências de Recursos do Exterior
O Quantificar a Contribuição do Turismo Para a Economia pela Conta Satélite deve ser completado com informação da Balança de Pagamentos.

A Balança de Pagamentos é elaborada, desde há dezenas de anos, pelo Banco de Portugal, segundo regras definidas pelo FMI. Os seus indicadores inspiram uma confiança acima da média, o que não exclui a avaliação crítica dos valores que apresentam. 
A capacidade do Turismo gerar Transferência de Recursos do Exterior é medida pela Balança de Pagamentos e é mais vasta do que a da tradicional rubrica de Viagens e Turismo [ver ponto 4].

*Prioridade Politica da Transferência de Recursos do Exterior
A importância dos indicadores da Balança de Pagamentos é directamente proporcional à Prioridade Politica dada à Transferência de Recursos do Exterior, em função do deficit externo do País. É o caso em 1964, quando o Turismo é integrado nos Trabalhos Preparatórios do Plano Intercalar de Fomento para 1965-1967:

-“houve um critério que esteve sempre presente: o de que se deve dar prioridade às medidas destinadas a fomentar o turismo de estrangeiros, mesmo quando isso implique um certo sacrifício nas actuações orientadas no sentido do turismo interno.” (2).
Apesar da gravidade do desequilíbrio nos pagamentos do País com o Exterior, ainda não encontrámos determinação idêntica à de 1964.

*Do PENT a Orientações Estratégicas Para o Turismo em Portugal
Em dia que esperamos não demore muito,

-o Plano Estratégico Nacional de Turismo (PENT) dará lugar a um conjunto de Orientações Estratégicas, concertadas entre Intervenção Pública e Iniciativa Privada, num processo aberto a Universidades e Opinião Pública,
-a Prioridade das prioridades às Receitas do Turismo na Balança de Pagamentos [ver ponto 7.3 do Relatório e ponto 4] será partilhada pela Politica de Turismo e Iniciativa Privada.

Até lá, contentamo-nos com um indicador parcelar (a rúbrica de Viagens e Turismo) e elaborado em condições questionáveis. Com efeito,

-no seguimento do Protocolo de 2004 entre DGT e INE, passam a ser feitos dois inquéritos de importância relevante para a estimativa da Receita de Viagens e Serviço: Inquérito ao Movimento de Pessoas nas Fronteiras e Inquérito aos Gastos Turísticos Internacionais,
-estes Inquéritos não se realizam desde há anos, com prejuízo da qualidade da informação utilizada na elaboração da Conta Satélite do Turismo [ver pontos 1.4 e 6.7 e Anexo ao presente Relatório 1] e da rúbrica Viagens e Turismo da Balança de Pagamentos.

*Receitas do Turismo na Balança de Pagamentos
No presente post, iniciamos a análise de quatro temas:

-o conceito de Turismo da Balança de Pagamentos é o definido pelas Instituições Internacionais e inclui receitas geradas pelo Consumo Turístico dos cerca de 5 (cinco) milhões de Turistas que escolhem utilizar o Alojamento Não Classificado [ver Post],

-repartição da receita da rúbrica de Viagens e Turismo entre Alojamento Classificado e Não Classificado,
-a Receita do Turismo na Balança de Pagamentos vai para além da Receita da rubrica de Viagens e Turismo,

-dada a sua fiabilidade e padronização internacional, indicadores da Balança de Pagamentos podem ser utilizados em Benchmarking e Rankings do Turismo Internacional.

2.A Rúbrica Viagens e Turismo da Balança de Pagamentos
*Viagens e Turismo – Débito e Crédito
O Gráfico 1 ilustra a evolução 1996/2012 das Receitas e Despesas da rubrica de Viagens e Turismo na Balança de Pagamentos. Sem cercear a liberdade de circulação dos Residentes em Portugal que dela dispõem (a grande maioria não viaja para o estrangeiro), há duas realidades a considerar:

-parte da Contribuição do Turismo Para a Economia é «Importação de Turismo», em Viagens de Negócio ou, sobretudo, de Lazer,
-parte da Oferta de Turismo desempenha a função de Substituição de Importações.

Gráfico 1 – Viagens e Turismo na Balança Corrente (1996/2012)



Fonte: Elaboração própria com base em Banco de Portugal (BPstat)
A Receita atinge quase nove mil milhões de euros, com tendência a subir. É um Indicador da maior importância e a exigir mais atenção.

A Despesa é de cerca de três mil milhões e dá uma ideia da importância da concorrência, no mercado interno, à Oferta de Turismo do País. A Despesa evolui com a Economia: depois de crescimento lento (1996/2008), desce em 2008/2009 e estabiliza entre 2010/2012, no valor de 2008.
Não consideramos a Balança Turística, pois é um conceito que apenas pode interessar a uma macro Tesouraria do Banco de Portugal. É um indicador que resulta de uma visão do Turismo virada para “o Sector do Turismo” e não para o Valor criado pela Procura de Viagens e Turismo.

*Receita de Viagens e Turismo em Percentagem do PIB
A Receita de Viagens e Turismo não é “um contributo para o PIB”, mas é possível analisar a evolução do seu montante em percentagem do PIB. O Gráfico 2 mostra que esta percentagem varia entre 4% e 5% do PIB, com tendência para crescer por a Receita aumentar e o PIB diminuir.

Gráfico 2 – Receita de Viagens e Turismo em Percentagem do PIB



 Fonte: Elaboração própria com base em BPstat e INE

3.Industria da Hotelaria na Rubrica de Viagens e Turismo
*Recordar a Macroeconomia e a Microeconomia
Há duas realidades diferentes:

-a Contribuição do Turismo Para a Economia situa-se ao nível da Macroeconomia, resulta das actividades dos Turistas alojados no Alojamento Classificado e Não Classificado, é quantificada pela Conta Satélite do Turismo e por indicadores da Balança de Pagamentos, ambas ligadas ao Sistema das Contas Nacionais,
-a Industria da Hotelaria tem dimensão qualitativa relevante, mas situa-se ao nível da Microeconomia e de uma Industria, assenta nas actividades dos Turistas alojados no Alojamento Classificado e é analisada por técnicas como a Análise Estratégica de Michael Porter – a Conta Satélite do Turismo não prevê Quantificar a sua Contribuição específica (3) Para a Economia.

Salvo melhor opinião, esta é a realidade económica a que nos devemos cingir. Como vimos [ponto 2.1 do Relatório], é inútil alimentar o equívoco de identificar a Industria da Hotelaria com Turismo, quando está em causa Quantificar a Contribuição do Turismo Para a Economia.

*Rubrica de Viagens e Turismo da Balança de Pagamentos
Está em causa conhecer a parte da Receita de Viagens e Turismo que resulta do Consumo Turístico, nos empreendimentos ou fora deles, de Hóspedes Não Residentes alojados pela Industria da Hotelaria.

Começamos pelo Gráfico 3, que mostra a evolução 2001/2012 de

-Receita de Viagens e Turismo, na Balança de Pagamentos,
-Proveitos Totais do Alojamento Turístico Classificado, de Não Residentes e de Residentes.

A percentagem destes Proveitos Totais na Receita de Viagens e Turismo varia entre 25.3% (2003) e 21.6% (2012). Esta percentagem deve ser corrigida por
-retirar aos Proveitos Totais a parte que resulta de Residentes em Portugal (Alojamento, Alimentação e Bebidas, ocupação de salas e utilização de serviços) – o actual Inquérito à Permanência de Hóspedes e Outros Dados na Hotelaria não dá esta informação,

-adicionar aos Proveitos Totais o Consumo Turístico de Hóspedes Não Residentes fora do Empreendimento em que estão alojados – como vimos no Ponto 1, foram descontinuados os dois inquéritos que poderiam dar esta informação.

Dito isto, é possível reconhecer que
-por si só, a Industria da Hotelaria não pode influenciar uma variação importante das Receitas de Viagem e Turismo da Balança de Pagamentos,

-para esse efeito, há que contar com o Consumo Turístico dos mais de cinco milhões de Turistas que optaram pelo Alojamento Não Classificado.
Gráfico 3 - Receitas de Viagens e Turismo e Proveitos Totais no Alojamento Turístico Classificado (2002/2012)
(euros)

 Fonte: Elaboração própria com base em INE – Estatísticas do Turismo e BPstat

*Contradição na Análise da Evolução Recente do Indicador
O Gráfico 4 ilustra a evolução 2008/2012 da Receita de Viagens e Turismo na Balança de Pagamentos e os Proveitos Totais do Alojamento Classificado.

Gráfico 4 – Receita de Viagens e Turismo e Proveitos Totais do Alojamento Classificado
(milhares de milhões de euros)



 Fonte: Elaboração própria com base em INE – Estatísticas de Turismo e Banco de Portugal - BPStat
Política de Turismo e empresas da Industria da Hotelaria divergem, quando a Politica justifica “o Turismo não estar em crise” com o crescimento da Receita de Viagens e Turismo e a Industria interroga “Como pode o Turismo estar bem, se as nossas empresas não estão?”.

No Gráfico 4, a divergência na evolução 2008/2009 reforça a divergência entre o crescimento da Receita e a estagnação dos Proveitos.
A querela entre Politica de Turismo e parceiros da Iniciativa Privada confirma a necessidade de qualificar o Quantificar a Contribuição do Turismo Para a Economia.

4.O Turismo em Outras Rúbricas da Balança de Pagamentos
*Outras Receitas de Turismo
O Conceito Abrangente de Turismo gera mais receitas da Balança de Pagamentos, para além das da rúbrica de Viagens e Turismo (4).

Estas receitas devem ser explicitadas e utilizadas pela Politica de Turismo e Iniciativa Privada.

*Transportes
A rubrica “Transportes” integra, entre outros, Transportes Marítimos, Aéreos, Ferroviários e Rodoviários.

Os Transportes Aéreos são particularmente relevantes, e justificam uma divulgação adequada para conhecermos actividade exportadora e importadora da TAP. Com efeito, “Os serviços de transporte internacional de passageiros entre uma determinada economia e o exterior deve ser registados na rubrica de “Transportes”, por modo de transporte, na respectiva sub-componente “Passagens” (5). A título de ilustração, citamos:

-“Em 2011, o Grupo TAP viu reforçado o posicionamento do seu contributo para o volume das exportações nacionais, com uma contribuição global de EUR 2.063,5 milhões, em vendas e prestações de serviços no mercado externo, mais 15,7% que em 2010.” (6).
O valor do “contributo para o volume das exportações nacionais” deve ser temperado pelo da Despesa com Importações, mas uma coisa é certa: não pode ser ignorado e deve ser melhor conhecido.

*Investimento de Não Residentes em Segunda Residência
Citamos o Manual de Procedimentos do Banco de Portugal:

-“722.Investimento imobiliário do exterior em Portugal Operações de aquisição/alienação, por não residentes, de bens imobiliários situados em território nacional. Não se inclui nesta rubrica a aquisição/alienação de bens imobiliários por empresas não residentes, cujo registo deve ser efectuado nas rubricas apropriadas respeitantes a operações de investimento directo, bem como a aquisição/venda de terrenos situados em território nacional por embaixadas e consulados estrangeiros,”.

A questão que se põe é a da viabilidade do Banco de Portugal divulgar informação consistente que permita conhecer a compra de Segundas Residências por Não Residentes e o valor das Transferências para a sua Administração.

*Imigração de Reformados
A Imigração de Reformados, antes da frágil entrada na agenda política, é um processo económico, social e cultural já no terreno e que se pode desenvolver, assim haja uma política adequada.

Está em causa Residência Permanente, o que escapa à definição de Turismo, mesmo no Conceito Abrangente. Dito isto, o processo não escapa nem à Economia nem à Politica e o Turismo é a tutela natural desta actividade. Estão em causa Transferências do Exterior, para financiar a residência permanente de Reformados ex Não Residentes.

5.Porventura, o Mais Interessante dos Rankings  

*O Mais Fácil e Fiável dos Rankings?
A conjugação do Protagonismo Politico com o Posicionamento Light do Turismo [ver ponto 1.1.4 do Relatório] alimenta a ideia de Portugal, “Grande Potência de Turismo” e do “Ranking de Portugal” no número de Entradas de Turistas Internacionais. O indicador do Número de Turistas Internacionais tem pouco significado e a sua quantificação levanta dúvidas em muitos países, entre os quais Portugal.

Em alternativa, a Receita de Viagens e Turismo na Balança de Pagamentos tem importante significado económico e, como vimos, elevada fiabilidade. A seguir, damos pequena ideia do que investigação profissional pode fazer, com base na Receita de Viagens e Países e Percentagem desta Receita no PIB, para utilmente comparar o Turismo de vários países.

O Gráfico 5 ilustra as Receitas de Viagens e Turismo em vários países da Europa, no ano de 2011. Em 2011, as Receitas de Portugal ainda são inferiores às da Grécia. Chipre não é comparável, a Croácia aproxima-se de Portugal e a Turquia está a meio caminho entre os “médios” os “grandes”.
Gráfico 5 - Receitas de Viagens e Turismo em Alguns Países

(milhares de milhões de euros)

Fonte: Elaboração própria com base em Eurostat (7) Nota – Turquia a valor de 2010

O Gráfico 6 completa a informação do Gráfico 7.6 e ilustra a evolução da Receita de Viagens e Turismo por alguns países nos anos 2001/2006/2011.
Gráfico 6 – Evolução das Receita de Viagens e Turismo em Alguns Países

(milhares de milhões de euros)

Fonte: Elaboração própria com base em Eurostat (9)
O crescimento da Receita na Turquia não é surpresa. O crescimento de Espanha é a assinalar, por se tratar de um mercado considerado “maduro”. O crescimento de Portugal é moderado e melhor do que a estabilidade da Grécia e da Croácia (sem o número de 2001).

A Bem da Nação
Albufeira 1 de Agosto de 2013

Sérgio Palma Brito


Notas
(1)Para o leitor menos familiarizado, citamos a estrutura da Balança de Pagamentos (BPstat)

*Balança Corrente
-Bens

-Serviços

-Rendimentos
-Transferência Correntes

*Balança de Capital
*Balança Financeira

*Erros e Omissões

Viagens e Turismo é uma das rubricas de Serviços da Balança Corrente. No ponto 4, analisamos o Turismo em outras rúbricas da Balança de Pagamentos.
(2)Presidência do Conselho, Relatório Preparatório do Plano de Investimentos Para 1965/1967, Relatório do Grupo de Trabalho nº 13, Turismo.

(3)Na elaboração da Conta Satélite do Turismo a Actividade/Indústria Hotéis e Similares [Gráficos 6.4 e 6.7 do Ponto 7 do Relatório] tem âmbito diferente do dos Empreendimentos Turísticos do Alojamento Classificado.
(4)A rubrica de Viagens e Turismo ainda inclui as verbas referentes a “296 - Trabalhadores sazonais e de fronteira”. O valor envolvido poder não ser significativo, mas exige correcção, antes de utilizar estes números no contexto da Contribuição do Turismo Para a Economia.

(5)João Cadete de Matos, Informação estatística de Viagens e Turismo na Balança de Pagamentos, Banco de Portugal, Estatísticas do Turismo - Sessão de Apresentação – Lisboa INE 11.04.07.
(6)Grupo TAP, Relatório e Contas referente a 2011, p. 30.

Alojamento Turístico – As Escolhas dos Turistas

Este é um post de divulgação do Relatório
-Quantificar a Contribuição do Turismo Para a Economia

As remissões entre chavetas referem este Relatório, excepto se outro documento for mencionado.

O acesso a um Glossário facilita a leitura do post.

O presente post tem dois objectivos:
-pôr em evidência a importância do Alojamento Turístico Não Classificado, objecto de Atitude Equívoca [ver Glossário] por parte da Politica e Serviços de Turismo,
-contribuir para que Politica e Serviços de Turismo passem a integrar todo o Conceito Abrangente de Alojamento Turístico [ver Ponto 3], de modo a reforçar a criação de valor pelo Turismo.

Este post é o Primeiro (Primeiro, Segundo , Terceiro, Quarto, Quinto, Sexto) de uma série sobre temas abordados no Relatório:

No próximo post, sobre a Balança de Pagamentos, mostramos como “isto” se traduz em “Exportações”.

Pode descarregar o PDF

https://docs.google.com/file/d/0B9yEd1P9CtlCVUN0TXFheTRJTkE/edit?usp=sharing



1.Notas Prévias

*Duas Definições Formais de Turismo e de Alojamento Turístico
A exemplo do que acontece com outros posts de divulgação, lidamos com duas definições formais de Turismo:

-no Quantificar a Contribuição do Turismo Para a Economia (Estatísticas e Conta Satélite do Turismo e Balança de Pagamentos), é utilizado um Conceito Abrangente de Turismo, definido por Instituições Internacionais (ONU, UNWTO, OECD e Eurostat), e que integra a Definição Abrangente de Alojamento Turístico,

-a Politica e Serviços de Turismo utilizam um Conceito Dominante e Redutor de Turismo, formado ao longo de décadas, e que integra a definição legal do Alojamento Turístico Classificado.

*Definição Legal de Alojamento Turístico Classificado
A Definição Legal de Alojamento Classificado segue um modelo redutor:

-em 1954, apenas “os estabelecimentos hoteleiros, com interesse para o turismo” serão designados por “Hotéis, pensões e hospedarias, pousadas e estalagens”,

-em 2008, apenas são “empreendimentos turísticos os estabelecimentos que se destinam a prestar serviços de alojamento etc.” e os estabelecimentos de Alojamento Local não podem “utilizar a qualificação turismo e ou turístico” (1).

Os estabelecimentos não qualificados de “interesse para o turismo” (1954) ou como “empreendimentos turísticos” (2008) são da esfera municipal e não integram o espaço do Turismo. Nesta visão dominante e redutora, Alojamento Turístico é o que o Estado licencia como tal, de acordo com regras restritivas.

*Alojamento Turístico e Alojamento Turístico Não Classificado
No Conceito Abrangente de Turismo, Alojamento Turístico é definido como “any facility that regularly (or occasionally) provides overnight accommodation for tourists” (2).

Em todos os nossos textos,

-Alojamento Turístico designa o Alojamento Turístico da Definição Abrangente,

-Alojamento Turístico Classificado é o do conjunto de Empreendimentos Turísticos Classificados pelo Turismo de Portugal,

-Alojamento Turístico Não Classificado é o Alojamento Turístico, menos o Alojamento Turístico Classificado. 

Esta convenção viola a legislação em vigor, mas respeita as normas definidas pelas Instituições Internacionais e utilizadas para Quantificar a Contribuição do Turismo Para a Economia.

2.Turistas e Hóspedes Não Residentes em Portugal

*Base de Trabalho
Assumimos duas hipóteses:

-um Turista pode originar vários hóspedes; ao considerar “um Turista, um Hóspede”, estamos a reduzir o número de Hóspedes que alojam no Alojamento Turístico Não Classificado e a correcção desta simplificação reforçaria o número de Turistas que utilizam este Alojamento,

-não temos em consideração que, nos Inquéritos de 1991 e 2000, o Número de Turistas parecer estar sobreavaliado (3), para efeito de Protagonismo Politico e de Posicionamento Light do Turismo [ver ponto 1.1.4].

*Turistas e Hóspedes Não Residentes – de 1991 a 2007
O Gráfico 1 ilustra, em 1991, 2000 e 2007, a comparação entre Turistas e Hóspedes Não Residentes, no Alojamento Classificado e Não Classificado. Os anos escolhidos marcam os três Inquéritos de Fronteira de que o País dispôs, dois da responsabilidade da Direcção Geral do Turismo e o último da responsabilidade do INE.

Gráfico 1 – Turistas e Hóspedes Não Residentes no Alojamento Classificado e Não Classificado (1991, 2000, 2007)
(milhões)

Fonte: Elaboração própria com base em INE – Estatísticas de Turismo

Estes números ilustram a Contradição da Politica e Serviços de Turismo, quando

-propagandeiam “O Melhor Ano Turístico de Sempre” como proeza sua, com base no elevado Número de Turistas [ver ponto 1.2.2] e no contributo do Turismo para o PIB e Balança de Pagamentos,

-alimentam a Atitude Equívoca em relação aos Turistas que escolhem alojar no Alojamento Não Classificado, e que contribuem de forma decisiva para realizar os números propagandeados.

Contradição ou não, Política e Serviços de Turismo alimentam a Atitude Equívoca em relação a um número de Turistas que é de, pelo menos, 3.7 milhões (1991), 6.4 milhões (2000) e 5.2 milhões (2007) – em 2007, 73.2% do número de Turistas que opta pelo Alojamento Turístico Classificado.  

*Turistas e Hóspedes Não Residentes – Evolução Recente
Apesar de, entre 2004/2007, o Inquérito ao Movimento de Pessoas nas Fronteiras ser realizado pelo INE, o número de Turistas entrados pelas Fronteiras Terrestres deve ser analisado com cuidado, dada a extrema dificuldade em o estimar (4).

O Gráfico 2 ilustra a comparação de Turistas e de Hóspedes Não Residentes em Portugal, no Alojamento Classificado e Não Classificado. Comentários:

-o número de Hóspedes no Alojamento Não Classificado é importante (5.2 milhões em 2007) e ganha em ser analisado com a repartição por País de Residência,

-entre 2004/2007, há uma ligeira tendência para o crescimento, mas dela não podemos retirar nenhuma conclusão.

Gráfico 2 – Hóspedes Não Residentes em Portugal no Alojamento Classificado e Não Classificado
 (milhões)

Fonte: Elaboração própria com base em INE, Estatísticas de Turismo

Os Emigrantes serem considerados Turistas ainda choca espíritos que alimentam a visão romântica e/ou redutora do Turismo. A análise do Turismo na Balança de Pagamentos dá uma ideia macro da importância destes Turistas para a Economia, fora o impacte no Desenvolvimento Regional e Local. A nível da Industria da Hotelaria, Emigrantes e Diáspora são Segmentos da Procura aos quais não tem sido dada a importância devida.

*Hóspedes Não Residentes no Alojamento Classificado e Não Classificado, Por Países de Residência
O Gráfico 3 ilustra a comparação do número de Hóspedes no Alojamento Classificado e Não Classificado, por País de Residência. A análise é limitada aos principais países, de entre os quantificados pelo INE. Comentários:

-nos países sem número significativo de emigrantes portugueses (EUA e I
Itália), o número de Hóspedes é ligeiramente superior ao de Turistas,

-a importância das Fronteiras Terrestres pode explicar a diferença da Espanha, por erro de estimativa do número de Turistas,

-na diferença de França, o factor determinante parece ser o das viagens dos emigrantes [ver alínea a) do ponto 3.2.2],

-no caso da Irlanda, a diferença parece ser muito pouco influenciada pela Emigração,

-na Alemanha, Bélgica, Países Baixos e Reino Unido, apenas parte da explicação reside nos emigrantes.

Gráfico 3 – Hóspedes Não Residentes no Alojamento Classificado e Não Classificado, Por País de Residência (2007)
(milhares)

Fonte: Elaboração própria com base em INE, Estatísticas de Turismo

*Turismo na Balança de Pagamentos
Ao longo do ponto 1 procuramos demonstrar a importância do número de Turistas que opta por utilizar o Alojamento Não Classificado. Estes Turistas são cidadãos portugueses emigrantes ou estrangeiros, com parte desconhecida da Diáspora. Importa reter que

-a sua escolha cria é o Mercado a funcionar e não a procura de um alojamento mais barato, porque o alojador não cumpre a lei e foge ao fisco,

-uma parte desconhecida não escolhe os Empreendimentos da Industria da Hotelaria [ver Ponto 2 do Relatório], porque esta não oferece a modalidade de alojamento que procuram.

No próximo post, mostramos algo de essencial

-a contribuição que estes Turistas, alojados no Alojamento Não Classificado contribuem para as Receitas do Turismo na Balança de Pagamentos.

Depois, há que tirar as consequências culturais, políticas e administrativas desta realidade da Economia.

3.Turistas Residentes em Portugal
3.1.Turistas e Hóspedes
*Base de Trabalho
Quantificamos Turistas com base nas “Viagens de pelo menos um dia” do Inquérito às Deslocações dos Residentes. Trabalhamos com a mesma hipótese:

-um Turista pode originar vários hóspedes; ao considerar “um Turista, um Hóspede”, estamos a reduzir o número de Hóspedes que alojam no Alojamento Turístico Não Classificado e a correcção desta simplificação reforçaria o número de Turistas que utilizam este Alojamento.

A partir deste número de Turistas, subtraímos o número de Hóspedes no Alojamento Classificado e obtemos o número de Hóspedes no Alojamento Turístico Não Classificado [ver ponto 1.1.3 e Gráfico 1.1 no Relatório].

*Turistas e Hóspedes Residentes em Portugal no Alojamento Classificado e Não Classificado (2009/2011)
O Gráfico 4 ilustra a comparação entre Turistas e Hóspedes Residentes em Portugal no Alojamento Classificado e Não Classificado. Comentários:

-o número de Hóspedes no Alojamento Turístico Não Classificado é superior ao do Alojamento Classificado,

-apesar do número diminuir desde 2009, em 2011 há 7.2 milhões de Residentes em Portugal que utilizam o Alojamento Turístico Não Classificado.

Gráfico 4 – Hóspedes Residentes em Portugal no Alojamento Classificado e Não Classificado (2009/2011)
(milhões)

Fonte: Elaboração própria com base em INE – Recenseamento da Habitação

*Hóspedes Residentes em Portugal, no Alojamento Classificado e Não Classificado, Por NUT II (2011)
O Gráfico 5 ilustra a comparação entre o Total de Hóspedes Residente em Portugal no Alojamento Classificado e Não Classificado por NUT II. Comentários:

-a análise por Região deve ser ligada à das Dormidas e outros indicadores, e está fora do âmbito do presente Relatório,

-o número de Dormidas no Alentejo e Centro obriga a considerar o Turismo nestas Regiões à luz de uma Procura muito para além da que se aloja no Alojamento Classificado,

-é significativo que o número de utilizadores do Alojamento Turístico Não Classificado no Algarve (800.000) seja o menor de todas as cinco Regiões do Continente.

Gráfico 5 – Hóspedes Residentes em Portugal, no Alojamento Classificado e Não Classificado, Por NUT II (2011)
 (milhões)

Fonte: Elaboração própria com base em INE – Recenseamento da Habitação

3.2.Dormidas

*Dormidas no Alojamento Classificado e Não Classificado
O Gráfico 6 ilustra as Dormidas de Residentes em Portugal no Alojamento Classificado e Não Classificado. O Gráfico 7 ilustra a mesma comparação, sem Dormidas em “Alojamento gratuito por familiares e amigos”. Comentários:

-as Viagens de Residentes com Alojamento gratuito por familiares e amigos têm importância Económica, Social e Cultural a exigir análise aprofundada,

-mesmo sem as Dormidas neste Tipo de Alojamento Turístico da Definição Abrangente [ver Anexo 3 ao Relatório], em 2011, o Número de Dormidas no Alojamento Não Classificado (26,6 milhões) é o dobro das do Alojamento Classificado.
Gráfico 6 – Dormidas de Residentes em Portugal no Alojamento Classificado e Não Classificado (2009/2011)
(milhões)

Fonte: Elaboração própria com base em INE – Estatísticas de Turismo

Gráfico 7 – Dormidas de Residentes em Portugal no Alojamento Classificado e Não Classificado (Menos Alojamento Gratuito)
(milhões)

Fonte: Elaboração própria com base em INE – Estatísticas de Turismo

*Dormidas no Alojamento Classificado/Não Classificado (NUT II)
O Gráfico 8 ilustra a comparação das Dormidas no Alojamento Classificado e Não Classificado, com Repartição por NUT II. O Gráfico 9 ilustra a comparação, sem o Alojamento Gratuito por familiares e Amigos.
Gráfico 8 – Dormidas no Alojamento Classificado e não Classificado, Por NUT II (Sem Alojamento Gratuito)
(milhões)

Fonte: Elaboração própria com base em INE – Recenseamento da Habitação

Gráfico 9 – Dormidas de Residentes em Portugal no Alojamento Classificado e não Classificado (Menos Alojamento Gratuito), Por NUT II
(milhões)

Fonte: Elaboração própria com base em INE – Recenseamento da Habitação

Comentários:

-a repartição das Dormidas por NUT II, reforça a observação anterior sobre a importância Económica, Social e Cultural destas Viagens,

-a título de mero exemplo, o número de Dormidas no Alojamento Não Classificado é idêntico no Algarve e no Centro, mas é evidente que a explicação deste número é diferente.

3.3.Tipos de Alojamento Turístico

*Repartição das Dormidas Durante as Viagens de Residentes em Portugal Por Tipo de Alojamento Turístico
O Gráfico 10 ilustra a repartição das dormidas Durante as Viagens de Residentes em Portugal por Tipo de Alojamento Turístico (5) – estes Tipos não coincidem com os do Alojamento Turístico Classificado [ver Ponto 3 e Anexo 3 do Relatório].

Gráfico 10 – Dormidas Durante as Viagens de Residentes em Portugal por Tipo de Alojamento Turístico
(milhões)

Fonte: Elaboração própria com base em INE – Estatísticas do Turismo

Comentários:

-o Alojamento fornecido gratuitamente é dominante e tem a ver, no Motivo das Viagem, com as Viagens Para Visitar Familiares e Amigos,

-a Segunda Residência é o segundo Tipo de Alojamento mais utilizado,

-a soma do número de Dormidas em Segunda Residência e Apartamentos ou casas arrendadas é superior à soma das Dormidas em Estabelecimentos Hoteleiros e Outros Estabelecimentos de Alojamento Colectivo.

Em 2011, há 13.4 milhões de Dormidas de Residentes em Portugal no Alojamento Turístico Classificado. Este número compara com o total de 7.2+2.3=9.5 milhões de Dormidas no Alojamento Turístico Colectivo. Não temos explicação para uma diferença de 13.4-9.5=3.9 milhões de Dormidas.

3.4.Nota Final
Depois de esforços não muito gloriosos, o INE realiza o Inquérito sobre as Deslocações dos Residentes desde 2009. O interesse deste Inquérito extravasa a Economia do Turismo. Mesmo assim, não suscita o interesse e a divulgação do Inquérito à Permanência de Hóspedes e Outros Dados na Hotelaria.

O segundo comentário da Nota final é exemplo do debate que o INE terá um dia de aceitar: ver um número questionado e, em conjunto com quem conhece o terreno, procurar a origem da divergência. Na ocorrência, uma diferença de 3.9 milhões de Dormidas e no sentido errado (deveria haver uma diferença no outro sentido) é obra.

A Bem da Nação

Albufeira 30 de Julho de 2013

Sérgio Palma Brito

Notas
(1)Lei nº 23, de 23 de Dezembro de 1954 e Decreto-Lei nº 39/2008, de 7 de Março, alterado pelo Decreto-Lei nº 228/2009, de 8 de Maio.
(2)Esta definição figura nas Recomendações de 1993 e na Decisão de 1998 [ver Glossário].
(3)O INE só realiza o Inquérito ao Movimento de Pessoas nas Fronteiras entre 2004/2007. O Inquérito é descontinuado, com prejuízo do conhecimento macro da Procura de Não Residentes, da elaboração da Conta Satélite do Turismo e da estimativa da rubrica Viagens e Turismo da Balança de Pagamentos.
(4)Em próximo post analisamos a fiabilidade de alguns dos números destes Inquéritos.
(5)O Inquérito às Deslocações dos Residentes considera os seguintes Tipos de Alojamento Turístico:
-Alojamento Turístico Colectivo: Estabelecimentos Hoteleiros e Outros Estabelecimentos de Alojamento Colectivo e Alojamento Especializado,

-Alojamento Turístico Individual: Quartos arrendados em casas particulares, Apartamentos ou casas arrendadas, Segunda residência e Alojamento fornecido gratuitamente.

Quantificar a Contribuição do Turismo Para a Economia


Depois de algum silêncio, regressamos às lides. Neste primeiro passo, seguimos um modelo diferente do habitual.

1.Quantificar a Contribuição do Turismo Para a Economia

Publicamos um Relatório analítico sobre o tema em apreço. É um assunto que quase toda a gente considera do maior interesse, mas ainda confuso:

-Quantificar a Contribuição do Turismo Para a Economia – Borrão de Trabalho e Base Para Discussão


O Relatório é apoiado por algumas Fichas de Trabalho, que podem ser úteis ao curioso, estudante ou investigador

-Anexos ao Relatório


NOTAS:

-No acesso ao Google Doc, retirar a mensagem de erro e proceder ao Download (erro a ser corrigido),

-No acesso por Google Chrom, aparece uma mensagem sobre danos no computador, mas não no acesso por Internet Explorer (erro a ser corrigido).

Tudo o que segue depende de uma leitura, mesmo em diagonal, do Relatório.

2.Depois do Relatório

Não temos ilusões. Desde o início do nosso trabalho identificámos:

-um facto: da parte de “governments, industries, academia and the public” não há Procura exigente por um Quantificar técnica e de base cientifica,

-uma consequência: ou esta Procura se forma, ou continuaremos reduzidos a não dispor de um sólido Quantificar da Contribuição do Turismo Para a Economia, com os prejuízos inerentes – nenhuma Actividade Económica se afirma sem este argumento.

Apesar da ausência da Procura exigente, estamos convencidos que

-o presente Relatório é uma base analítica rudimentar, mas com o mérito de existir e a partir da qual é mais fácil investigar e debater,

-no seio da indiferença geral de “governments, industries, academia and the public”, há gente de espírito aberto e exigente, que não se contenta com o actual “Quantificar” da Contribuição do Turismo Para a Economia.

 

3.Posts de Divulgação

A partir da informação base do Relatório, vamos publicar Posts sobre temas precisos e de leitura fácil. A título de exemplo:

-A Verdadeira Dimensão na Balança de Pagamentos,

-Onde se alojam os Turistas e lições a tirar,

-O mistério das “receitas turísticas” do Mercado Francês.

Hesitamos em publicar um Post com a síntese do presente Relatório. Por enquanto, não queremos correr o risco de elaborar Síntese sem longa e calma Análise prévia. Na medida em que há Procura por esta versão light do Relatório, talvez o façamos.

 

A Bem da Nação

Albufeira 27 de Julho de 2013

Sérgio Palma Brito

Pilotos Reclamam 20% do Capital da TAP, ou a Triste Figura do Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil


Há cerca de um ano o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil provocou alarido e perturbou a ordem pública, ao reclamar de 20% do capital da TAP, no âmbito da privatização desta.

A coisa só não teve consequências graves porque ninguém deu muita importância ao caso e o processo de privatização não foi perturbado por este incidente.

Entre Março e Agosto de 2012, este Blogue analisou o assunto [ver a seguir] e sabemos agora [ver a seguir] que, desde Abril de 2012, o Governo estava tranquilo sobre a insanidade da proposta do Sindicato. 

*Infralegal, Inconstitucional e Ilegal

O Parecer da Procuradoria-Geral da Republica considera que a proposta do SPAC é Infralegal, Inconstitucional e Ilegal – mais claro do que isto não pode haver. Com efeito, segundo o Parecer:

-“no processo de reprivatização da sociedade anónima dela resultante as condições especiais de aquisição ou subscrição preferencial de ações pelos trabalhadores têm de estar previstas no decreto -lei que aprove a reprivatização, não podendo ser determinadas por meio de um ato infralegal”,

-“A ampliação da percentagem de acções reservadas à participação dos trabalhadores a mais de 10% do respectivo capital social ou o estabelecimento uma quota reservada a uma categoria especial de trabalhadores por ato infralegal seria inconstitucional e ilegal.”.

Como este blogue atempadamente assinalou, uma rápida leitura da legislação aplicável mostrava a ilegalidade da proposta do SPAC e causa estranheza ter havido jurista que a tenha apoiado.

*Parecer, Homologação e Publicação – porquê tanta demora?

O Parecer n.º 4/2012 da Procuradoria-Geral da República é publicado no Diário da República, 2.ª série, N.º 83 — 30 de Abril de 2013:


O Parecer tem data de 19 de Abril de 2012 e é homologado por despacho do Secretário de Estado das Obras Públicas, Transportes, de 25 de Julho de 2012.

Este Blogue gostaria de ter explicação sobre duas demoras:

-terem decorrido três meses entre o Parecer, óbvio e urgente, e a homologação pelo Secretário de Estado das Obras Públicas, Transportes,

-depois da homologação, terem decorrido nove meses (o tempo de gerar um bebezinho) até à publicação do Parecer no Diário da Republica.

*Facto: os Presidentes da TAP e do SPAC assinaram um “texto” e este “texto” foi escamoteado da informação pública legal sobre o Acordo de Empresa

Citamos o Parecer da PGR:

-“4.ª O texto subscrito em 10 -6 -99 pelos presidentes do Conselho de Administração da TAP e da Direcção do Sindicato dos Pilotos de Aviação Civil (SPAC) foi elaborado no quadro das negociações desenvolvidas entre as duas entidades com vista ao Acordo de Empresa (AE).

5.ª O texto de 10 -6 -99 não integra o clausulado, regulamentos ou anexos do Acordo de Empresa celebrado entre a TAP e o SPAC publicado no Boletim do Trabalho e Empresa, 1.ª série, n.º 30, de 15 -8 -1999, o qual deu entrada em 27 de Julho de 1999 e foi depositado em 2 de Agosto de 1999”.

Este Blogue ignora o que terá passado pela cabeça do Presidente da TAP, mas não é nada bonito termos um Gestor Público de topo a assinar tal “texto”, a escamoteá-lo a quando da divulgação legal do Acordo de Empresa e não ter vindo a público esclarecer o assunto, quando o incidente poderia ter perturbado a Privatização da TAP.

*O Nosso Trabalho de Casa

Apesar de Pacheco Pereira não gostar da expressão “trabalho de casa” e a achar “infantilizante”, é assim que este blogue designa os três posts que publicou:

-27 de Março de 2012

Privatização da TAP – Pilotos Têm Direito a 20% do Capital?


-9 de Agosto de 2012

Privatização da TAP, Sindicato dos Pilotos e Urgente Intervenção da Procuradoria-Geral da Republica


-27 de Agosto de 2012

Informação adicional sobre o “acordo” entre a TAP e o Sindicato dos Pilotos


Este blogue constata que o primeiro post é oportuno, por ser anterior à data do Parecer. Os dois posts de Agosto são posteriores à data do Parecer e resultam do já referido duplo atraso: na homologação e na publicação.

*Notícias na Comunicação Social

Destacamos a notícia do Jornal de Negócios de 30 Abril 2013, às 13:24 por Ana Torres Pereira:

Acordo que “dava” aos pilotos participação na TAP “é inconstitucional e ilegal”


Esta parece ter sido a primeira notícia. Depois, houve mais, mas na indiferença geral.

 

A Bem da Nação

Albufeira 1 de Maio de 2013

Sérgio Palma Brito

I'll be back!


 

A conjugação do stress de um trabalho a terminar, do tempo que requer a preparação de um post minimamente credível e de afazeres pessoais tem impedido e vai impedir, por mais um mês, a actualização do Blogue!

Passado este período, voltaremos!

A Bem da Nação, Sempre

Albufeira 4 de Março de 2013

Sérgio Palma Brito