O destino turístico Algarve é o mais importante do País em ‘Proveitos’, facto ignorado por o INE errar gravemente na sua estimativa.

 

A elite da Região Algarve parece envergonhada pelo sucesso do destino turístico, não corrige o INE, não se posiciona a sua importância junto do poder politico e administrativo e da opinião publica.

Esta incapacidade envergonhada é a primeira razão do Algarve ser esquecido em importantes políticas publicas do País.

Vamos esclarecer os números.

1.Há diferença conceptual entre

-Receita de Viagens e Turismo na Balança de Pagamentos que abrange os gastos dos turistas não residentes e que em 2024 é de €27.240 milhões,

-Proveitos dos Estabelecimentos de Alojamento Turístico Proveitos, de residentes e não residentes, que têm a ver com Hotelaria, Alojamento Local e Turismo em Espaço Rural, €6.669 milhões em 2024.

No Alojamento Local

-o INE “São considerados apenas os estabelecimentos de alojamento local com 10 ou mais camas, de acordo com o limiar estatístico previsto no Regulamento UE 692/2011,

-esta definição implica que a grande maioria dos Proveitos gerados por vivendas (entre as quais as de luxo) e apartamentos do Algarve não são considerados.

Nos €6.669 milhões de Proveitos, há €5.780 milhões da Hotelaria e míseros €624 milhões do Alojamento Local.

Caramba,

-custa muito reconhecer que milhares de vivendas com piscina são do melhor que há no turismo da Região?

2.Repartição de Proveitos por NUTS II


Com base nos Proveitos em que o os do Algarve são grosseiramente subestimados, temos

-a Grande Lisboa é o destino turístico mais importante do Pais.

Mais importante é o erro do INE.

3.Acordai! que se faz tarde.

Homenagem a David Assoreira e a politica que fale ao Algarve

 

Vale a pena ler até ao fim!

A então Comissão de Coordenação da Região Algarve é criada em 1979. O eng.º David Assoreira é presidente desde 1980 até 1996, quando foi substituído.

Os anos de ouro da sua presidência são os dos governos de Aníbal Cavaco Silva, sem desmerecer das suas qualidades.

É homenageado pela agora Comissão de Coordenação e Desenvolvimento do Algarve no próximo dia 21, homenagem mais do que merecida e que só peca por tardia.



1.A CCRA é filha do turismo, uma filha bem ingrata por nunca ter dado à mãe a atenção devida.

Começa por haver a Comissão de Planeamento da Região Sul, criada em 11 de março de 1969 pelo III Plano de Fomento e que incluía a sub-região Algarve.

Em finais de 1979 foram criadas as COMISSÕES DE COORDENAÇÃO REGIONAL, as atuais NUTs II, entre as quais a CCR do Algarve.

O que mudou entre 1969 e 1979?

Mais do que a história pesou a nova importância do Algarve com o Turismo.

Sem o turismo, o Algarve continuaria a ser uma sub-região da Região Sul com sede em Évora.

2.Uma relação exemplar e um caso muito significativo

Durante os dezasseis anos em que o eng.º David Assoreira é presidente da CCRA

-opus-me estruturalmente à sua visão para o Algarve em múltiplas intervenções,

-teve o meu apoio em muitas das suas decisões,

-sempre houve entre nós uma relação de mutuo respeito e cordialidade [sobre isto publicarei um post].

Durante estes anos, fui critico do ‘cavaquismo’ e intransigente com o seu papa no Algarve, a quem eu chamava ‘o nosso querido amigo Joaquim Manuel Cabrita Neto, NQAJMCN’, que sempre tolerou a minha impertinência,

Eu, na oposição, fui sempre respeitado por David Assoreira como nunca mais voltei a ser… apesar de ser militante do PS… ou talvez por isso.

 E sou apoiado em momento que não esqueço e vale a pena dar a conhecer.

Aí por 1994, é anunciada a vinda ao Algarve de quatro ministros do governo de Aníbal Cavaco Silva. Em cronica da Radio Solar reconheço que ‘vozes de burro não chegam ao céu’ pelo que eu não seria convidado para a sessão solene e faria ali a minha critica.

No dia seguinte, telefonema da CCRA a convidar-me, sabendo DA que eu faria intervenção impertinente.

Assim fiz e saí-me bem ao ponto dos empresários presentes me terem dito ‘tem de ser o nosso representante na sessão da já próxima Presidência Aberta de Mário Soares’.

Quantos presidentes da CCRA teriam esta abertura de espírito, respeito pelo adversário e correr riscos políticos?

Que diferença com um secretário de Estado do PS que durante anos me fez bullying para calar a minha voz!

3.Sempre disse a David Assoreira que ele tinha de ser substituído por outra política e não por outro presidente.

Qual política que ainda hoje não temos?

Desde 1979, com CCRA ou CCDRA, nuca as ouvimos dar resposta a duas perguntas simples:

-quais são os estrangulamentos públicos â sustentabilidade tridimensional (ambiental, social e económica) das industrias de turismo do Algarve, seja no modelo Cote d’Azur seja no modelo hotelaria?

-que medidas de Politicas Publicas devem ser tomadas para anular estes estrangulamentos?

-que ganha o País e a Região no ignorar do modelo Côte d’Azur gerado pela procura por investimento em casas de férias.

4.No Sul de Portugal há um destino turístico que gerações sucessivas formaram, enfrentando políticas publicas absurdas, quando não ‘contra’ o seu desenvolvimento.

Este destino procura política que o apoie.

 

Turismo do Algarve – de Salazar ao futuro previsível

 No dia 18 de março de 2025, os 55 anos do que é a atual Entitade Regional do Turismo do Algarve comemorados com uma Conferência no Algarve Epic SANA.

Lá estarei, mas decidi publicar a minha opinião sobre como a via para os grandes problemas do futuro ganha se conhecermos os anos do Big Bang que vão de 1962 a 1965.

Publico o texto em Word para facilitar a leitura e... o desejado copy/paste.


Os 55 anos da Região de Turismo do Algarve permitem abordar o futuro previsível à luz do passado, tema que idade e experiência me fazem trazer à liça. Com receita das casas de ferias, Algarve é região turística mais importante do País e Albufeira segundo município, antes do Porto – orgulho neste trabalho de gerações.

1.Posicionar destino Algarve na Costa Leste da América do Norte e gerar novo ciclo de crescimento

Em abril de 1962 Salazar decide que despesas do aeroporto de Faro “serão feitas com dispensa no cumprimento de todas as formalidades legais, incluindo o visto do Tribunal de Contas”. Salazar posiciona a Área Turística do Algarve na Bacia Turística Alargada do Mediterrâneo. E revela compromisso que gera iniciativas empresariais. Move-o imperiosa necessidade de divisas e o exemplo de Espanha, onde o turismo é já um sucesso.

Aquisições recentes por investidores institucionais estrangeiros alteram o tecido empresarial e tornam possível programa profissional de branding e marketing & vendas na Costa Este dos EUA de adequada oferta regional. É o caso de golfe e residence, e visitas a Lisboa Sevilha, Granada e Córdova.

2.Identificar e fomentar a cadeia de valor do modelo Cote d’Azur é crucial para a sustentabilidade do turismo do Algarve no futuro

Entre 1963/65, o ministro da Obras Publicas (MOP) licencia empreendimentos que marcam o futuro do turismo do Algarve: Vale do Lobo, Praia Maria Luisa, Vilamoura, Vila Lara, Prainha, Salvor, Anglopor e Penina.

Em Vale do Lobo e Penina é licenciada a venda de lotes de moradias para financiar o hotel e o golfe. Vilamoura acolhe turistas em hotelaria e residência secundária e residentes permanentes. É reconhecida a utilização de alojamentos pelo proprietário na época baixa e exploração turística na época alta. É apoiada a instalação de reformados estrangeiros em residência permanente.

Esta visão do futuro é vítima de políticas publicas e lobi privados, que demonizam a ‘imobiliária’ até hoje com prejuízo da Região e do País.

O modelo Cote d’Azur assenta na procura de investimento em casas de férias (151.269 em 2021) pela classe média. O modelo da hotelaria vendida a operadores de pacotes de férias e voos charter passa a ser dominante e protegido pela política e opinião publicas, erro crasso a corrigir.

3.O ambientalismo radical de fachada científica é substituído pela sustentabilidade holística que compatibiliza ambiente, sociedade e economia.

Em 1963, o Plano Regional do Algarve é pioneiro em compatibilizar ‘conservar e desenvolver’, antecipando o Design with Nature de Ian McHarg (1989) e a sustentabilidade que integra ambiente, sociedade e economia do Relatório Brundtland (1987).

A partir dos anos 90 forma-se o ambientalismo radical de fachada científica com o ambiente a dominar tudo o resto e quase a excluir o desenvolvimento. É a derrota da visão culta, que urge recuperar.

4.O futuro depende da qualificação do território ser a prioridade de nova RTA fora do obsoleto modelo atual

Em 1969, a RTA nasce no MOP com o “plano de obras de infraestruturas urbanísticas e interesse turístico do Algarve”. Na Comissão Regional o MOP tem presença relevante, extinta com o 25 de abril.

A nova RTA tem modelo adequado ao Algarve fora do absurdo quadro legal vigente e nasce com a prioridade à qualificação do território.

Sergio Palma Brito, Analista Sénior em Turismo e Transporte Aéreo