Identificação do Alojamento Turístico Não Classificado


O presente post é o terceiro de uma Série de cinco (Primeiro, Segundo, Terceiro, Quarto, Quinto) sobre o tema:

Alojamento Turístico Não Classificado no Após Crise de 2008/2009

Esta é a Segunda de três Séries de posts:

-Camas Paralelas na Cidade – Quando Factos Contrariam Narrativas (Primeira),

-Alojamento Turístico Não Classificado no Após Crise de 2008/2009,

-Modelo e Identificação do Turismo Residencial em Portugal (Terceira).

 

A Identificação do Alojamento Turístico Não Classificado é feita em três passos.

A partir das Utilizações dos Alojamentos Familiares quantificadas pelo Recenseamento da Habitação (2011), dispomos do número de Alojamentos Familiares utilizados como Residência Secundária.

O Inquérito às Deslocações dos Residentes (INE) dá-nos uma ideia dos Tipos de Alojamento Turístico Não Classificado que os Turistas escolhem.

As duas Utilizações Turísticas da Residência Secundária (Por Conta Própria e Arrendada a Turistas) são a parte mais importante do Alojamento Não Classificado e o driver de todas as Actividades do Turismo Residencial.

 

 
1.Alojamento Turístico Não Classificado – Ilustração da Procura

*Modelo Simplificado do Alojamento Turístico (INE)
A nossa análise assenta no Modelo Simplificado de Alojamento Turístico do Inquérito às Deslocações dos Residentes (INE). O Modelo é ‘Simplificado’ porque apenas integra um número limitado dos Tipos de Alojamento Turístico definidos pela Decisão de 1998 (1). O Quadro 1 sintetiza o Modelo Simplificado, com seis Tipos de Alojamento Turístico, agrupados em duas Modalidades, o Alojamento Turístico Colectivo e o Privado.


 
Fonte: Elaboração própria com base na Decisão de 1998, simplificada pelo INE e observação da realidade
Nota – Alterámos as designações de Tipos de Alojamento Turístico para consolidar a Terminologia (entre parenteses rectos, indicamos a designação do INE).

O Tipo ‘Hotéis e Similares’ integra

-os ‘Estabelecimentos Hoteleiros’ (Hotéis e Hotéis Apartamentos) e outros Empreendimentos Turísticos do Alojamento Turístico Classificado,

-Estabelecimentos como Hostel, Inn e Bed & Breakfast.

O Tipo ‘Outros Estabelecimentos de Alojamento Colectivo’ integra

-todos os outros Estabelecimentos ‘não Hoteleiros’ referidos ou não na Decisão de 1998, entre outros, Parques de Campismo ou Colónias de Férias.

Na Modalidade de Alojamento Turístico Privado, o Tipo ‘Alojamento Gratuito por Familiares e Amigos’ é sobretudo utilizado pelos Turistas cujas Viagens têm como Motivo a Visita a Familiares e Amigos.

*Turismo Interno – Procura de Dormidas Por Tipo de Alojamento
O Gráfico 1 ilustra a evolução entre 2009/2011 (2) da Procura de Dormidas do Turismo Interno segundo os Tipos de Alojamento Turístico do Modelo Simplificado. Para facilitar a comparação, acrescentamos as Dormidas do Turismo Interno no Alojamento Classificado.

Gráfico 1 – Dormidas de Residentes em Portugal por Tipo de Alojamento Turístico (2009/2011)
(milhões)


Fonte: Elaboração própria, com base em INE – Estatísticas de Turismo, 2012

O número de Dormidas no Tipo Estabelecimentos Hoteleiros é inferior ao das Dormidas no Alojamento Classificado – é impossibilidade conceptual, que analisamos em outro Post.

Em 2011, nos Outros Estabelecimentos de Alojamento Colectivo, temos

-Parques de Campismo, Colónias de Férias e Pousadas de Juventude, para os quais o Inquérito à Permanência de Hóspedes na Hotelaria e Outros Alojamentos (INE) regista 5.5 milhões de Dormidas,

-‘Hostels, Guest Houses, Inns, Bed and Breakfast’ – de novo, uma impossibilidade conceptual.

Não consideramos o número de Dormidas em Quartos Arrendados em Casas Particulares por não ter significado (3).

O Alojamento Gratuito por Familiares e Amigos é o Tipo mais utilizado pelo Turismo Interno.

Em ‘Apartamentos ou Casas Arrendadas’, retemos o número de 5 milhões de Dormidas, em linha com os valores de 2009/2011.

Em ‘Residência Secundária Por Conta Própria’, o número de Dormidas excede ou iguala o de Dormidas no Alojamento Turístico Classificado.

*Residência Secundária de Utilização Turística ou Residência Secundária
O Modelo Simplificado do INE é elaborado em função da Procura e não permite identificar a relação que existe entre Residência Secundária Por Conta Própria e Arrendada a Turistas.

Na realidade

-para além de utilização não turística, a mesma Residência Secundária do Recenseamento da Habitação pode ser utilizada pelo Proprietário e Família ou Arrendada a Turistas,

-Residência Secundária de Utilização Turística (ou simplesmente Residência Secundária) designa o conjunto das Residências Secundárias do Recenseamento da Habitação que, num dado momento, têm uma destas duas utilizações.

Entre 2009/2011,

-a Procura por Dormidas em Residências Secundárias de Utilização Turística representa cerca de 19 milhões de Dormidas, em comparação com cerca de 13 milhões de Dormidas no Alojamento Classificado.

 
2.Residência Secundária do Recenseamento e de Utilização Turística

*Residência Secundária do Recenseamento – Repartição Regional
O Alojamento Familiar do Recenseamento da Habitação pode ter três utilizações: Residência Habitual, Residência Secundária e Vago.

Não dispomos de informação sobre quantas das Residências Secundárias do Orçamento da Habitação têm uma das duas Utilizações Turísticas referidas antes, mas

-assumimos que, com diferenças por Regiões, a esmagadora maioria das Residências Secundárias do Recenseamento da Habitação são Residências Secundárias de Utilização Turística.

O Gráfico 2 ilustra a repartição regional das três utilizações dos Alojamentos Familiares do Recenseamento da Habitação de 2011. Comentários

-Norte e Centro representam 61.7% dos 1.099 milhares de Residências Secundárias do Continente,

-depois de quase meio século de crescimento do Turismo, o Algarve apenas tem mais de 47.5% das Residências Secundárias do Alentejo.

Estes números

-levantam questões cuja resposta exige investigação no terreno, mas que

-apoiam a explicação das Dinâmicas Económicas, Sociais e Culturais na Origem da Procura por Residência Secundária de Utilização Turística [ver a seguir]. 

Gráfico 2 – Alojamentos Familiares do Recenseamento Por Utilização NUTT II (2011)
(milhares)


Fonte: Elaboração própria com base em INE – Recenseamento da Habitação 2011

*Dupla Flexibilidade na Utilização de Alojamentos Familiares
O Quadro 2 ilustra as três Utilizações do Alojamento Familiar do Recenseamento da Habitação e as duas da Residência Secundária de Utilização Turística. Comentários:

-ao longo do tempo a Utilização do Alojamento Familiar do Recenseamento da Habitação pode variar entre Residência Permanente, Residência Secundária e Vago,

-ao longo do ciclo anual, o mesmo Alojamento Familiar de Residência Secundária pode ter as duas Utilizações Turísticas: Residência Secundária Pelo Próprio e Residência Secundária Arrendada a Turistas.


 Fonte: Elaboração própria

Esta dupla flexibilidade de utilização (do Alojamento Familiar e da Residência Secundária) resulta do comportamento do Homem, mas

-a da Utilização do Alojamento Familiar tem relação difícil com a Politica do Ordenamento do Território,

-a da Residência Secundária tem relação difícil com a Politica do Turismo.

Parece e é simples. Desde há dezenas de anos, a (má) legislação e (péssima) aplicação complicam e conduzem a um nó Górdio que tem de ser desfeito.

Este Quadro deve ser relacionado com os Desejos na base da Formação da Procura por casas de Turismo Residencial – tema a desenvolver na Terceira Série de Posts: Modelo e Identificação do Turismo Residencial em Portugal. 

*Dinâmicas na Origem da Procura por Residência Secundária de Utilização Turística
A dinâmica mais conhecida e estruturante na origem de Residências Secundárias é a Viagem de Estadia, de genealogia duplamente milenar (5):

-no lugar de estadia, alguns dos mais abastados de entre os viajantes adquirem uma Residência Secundária, seja esta dispersa no espaço rural ou concentrada em Destino Turístico.

Este é o modelo dominante

-em Destinos e locais ‘à distância do Automóvel’, a partir das urbes da Urbanização da População Portuguesa,

-no Algarve e o que está na origem da Promoção ou anúncio de inúmeros Resorts de Turismo Residencial nos anos imediatamente anteriores à Crise de 2008/2009.

Há ainda duas outras dinâmicas na origem de Residências Secundárias e que são variações da Viagem de Estadia. A mais antiga tem o seu inicio na década de 1950 e

-resulta do Êxodo Rural ligado à Urbanização da População (6), que liberta Alojamentos Familiares de Residência Permanente, que passam a Vagos ou Residência Secundária de Utilização Turística.

Dinâmica similar data do início da década de 1960, resulta também do Êxodo Rural, mas ligado à Emigração para a Europa. Assume dois aspectos:

-liberta Alojamentos Familiares de Residência Permanente para Vagos ou Residência Secundária de Utilização Turística,

-está na origem de Edificação Nova de Residências Secundárias na ´terra’ de origem (as demonizadas ‘maisons’) ou no espaço da Urbanização da População Portuguesa.

A quarta dinâmica escapa ao modelo da Viagem de Estadia, tem lugar nas urbes da Urbanização da População, sobretudo Lisboa, e assume dois aspectos:

-o mais tradicional é o de residentes na Província adquirirem Residência Secundária Utilizada Por Proprietário e Família,

-o mais recente é o dos Apartamentos Dispersos Arrendados a Turistas, que parecem resultar de Alojamentos Familiares Vagos e ser alternativa ao Arrendamento Urbano – ver posts da primeira Série: Camas Paralelas na Cidade – Quando Factos Contrariam Narrativas.

*Geografia da Residência Secundária de Utilização Turística
A dispersão/concentração da Residência Secundária de Utilização Turística em Portugal resulta de factores invariantes da Viagem de Estadia:

-a Procura que se forma na urbe onde residem os viajantes e é condicionada pela prosperidade desta urbe,

-a morfologia da Viagem de Estadia, que compreende a ‘grande’ deslocação de ida e volta entre o lugar de residência habitual e o lugar de estadia e a tecnologia de transporte condiciona a localização da Oferta,

-muitos de entre os mais abastados dos viajantes adquirirem uma ‘casa’ no lugar onde estanciam.

Mais concretamente, em Portugal Continental e durante o último meio século,

-a Procura forma-se cada vez mais no espaço da Urbanização da População (em Portugal e na Europa ‘próxima’),

-o automóvel favorece a dispersão inicial dos destinos e, mais tarde, reforça a concentração na Área Turística do Algarve,

-desde 1965, o avião permite o aceso Não Residentes Estrangeiros ao Algarve e, depois, de Emigrantes à sua ‘terra’ ou a destinos turísticos, e favorece a concentração na área de influência do aeroporto de chegada.

 
3.Residência Secundária Utilização Turística e Turismo Residencial

*Procura de Residência Secundária – Driver do Turismo Residencial
A Procura por Residência Secundária está na origem de todas as Actividades Económicas do Turismo Residencial e resulta de dois comportamentos do Homem:

-o mais antigo e relevante é o de Famílias com rendimento disponível adquirirem a propriedade de Residência Secundária Por Conta Própria no Destino da Viagem de Estadia,

-o segundo nasce da dinâmica criada pelo anterior e é o de Famílias com rendimento disponível para adquirir a Residência Secundária para Arrendar a Turistas no Destino da Viagem de Estadia.

Definimos Turismo Residencial como

-conjunto de actividades interligadas com a Aquisição e Utilização da Residência Secundária de Utilização Turística, e que integra Instalações, Serviços e Experiências aos quais o Proprietário e o Utilizador reconhecem Valor (Aqui).

Esta Definição de Turismo Residencial

-está em linha com a Definição de Turismo e Alojamento Turístico das Recomendações Internacionais,

-compreende as Residências Secundárias, integradas em Estabelecimento de Turismo Residencial (em Meio Urbano ou de Resort), ou dispersas em Condomínios Urbanos ou em Edificação Dispersa no Espaço Rural,

*Alteração ao Modelo Simplificado de Alojamento Turístico do INE
O Modelo Simplificado de Alojamento Turístico do INE é elaborado em função da Procura de Alojamento por Turistas. É compreensível que não tenha em conta os dois Tipos de Alojamento Turístico Colectivo em que se integram as Residências Secundárias de Utilização Turística. O Quadro 3 sintetiza a nossa proposta de Alteração ao Modelo Simplificado do Alojamento Turístico do INE.


Fonte: Elaboração própria

*Estabelecimentos de Turismo Residencial
A escala e substância de alguns Estabelecimentos de Turismo Residencial fazem deles casos atípicos a explicitar: Vilamoura, Tróia, Quinta do Lago, e Vale do Lobo.

Os Estabelecimentos de Turismo Residencial ‘em Extensão’ são os mais importantes, observáveis, conhecidos e até familiares. A observação e a história mostram que estes Estabelecimentos existem, desenvolvem-se e têm sucesso porque não têm que satisfazer os Custos de Contexto impostos pela Definição Legal de Alojamento Turístico. No Algarve, o seu número mede-se em várias dezenas e são de importância estratégica.

Na maior parte dos casos, a Promoção de Estabelecimentos de Turismo Residencial ‘em Altura’ integra-se na urbe da População Residente.

*Nota Relevante Sobre a Utilização de Residências Secundárias

A Terceira Série analisa o Modelo e Identificação do Turismo Residencial em Portugal. No presente Post apenas sublinhamos a ligação entre

-Alojamento Turístico Não Classificado, Residências Secundárias de Utilização Turística e Turismo Residencial.

Nesta ligação, há um último aspecto a ser destacado:

-a Residência Secundária de Utilização Turística é indissociável da flexibilidade entre as duas utilizações identificadas no Modelo do INE: Por Conta Própria ou Arrendada a Turistas,

-a sustentabilidade do conceito de Turismo Residencial assenta, entre outros, na dupla possibilidade do Proprietário de uma Residência Secundária a reservar para o Conta Própria com a possibilidade da Arrendar a Turistas.

Daqui resulta que a Residência Secundária Arrendada a Turistas exige exploração comercial a cargo do Proprietário ou de Empresa especializada.

 

A Bem da Nação

Albufeira 1 de Abril de 2014

Sérgio Palma Brito

 

Notas

(1)A Decisão de 1998 é uma das Recomendações das Instituições Internacionais: United Nations Statistics Commission, World Tourism Organization, Eurostat - Commission of the European Communities, Organization for Economic Co-operation and Development.

(2)Os resultados do Inquérito às Deslocações dos Residentes devem ser lidos com algum cuidado (Post). Omitimos os números de 2012 (os de 2013 não estão ainda disponíveis) por haver alterações bruscas e inverosímeis em relação a alguma estabilidade dos resultados entre 2009/2011.

(3)O número de 2012 é de 2.1 milhões, resultado de uma subida brusca, importante e inexplicável em relação à tendência dos números entre 2009/2010 – é uma das razões para não considerarmos os números de 2012.

Alojamento Turístico Não Classificado – A Escolha dos Turistas


O presente post é o segundo de uma série de cinco (Primeiro, Segundo, Terceiro, Quarto, Quinto) sobre o tema:

Alojamento Turístico Não Classificado no Após Crise de 2008/2009

Esta é a Segunda de três Séries de posts:

-Camas Paralelas na Cidade – Quando Factos Contrariam Narrativas (Primeira),

-Alojamento Turístico Não Classificado no Após Crise de 2008/2009,

-Modelo e Identificação do Turismo Residencial em Portugal (Terceira).

 

O presente post mostra que o Alojamento Turístico Não Classificado existe porque os seus Estabelecimentos e Instalações são

-em 2007, a escolha de cerca de cinco milhões de Turistas do Turismo Receptor,  

-em 2012, espaço de cerca de 45.3 milhões de Dormidas do Turismo Interno, ou 15.3 milhões se não considerarmos o Alojamento Gratuito Por Familiares e Amigos (1).

-em 2012, a repartição de Hóspedes do Alojamento Não Classificado por NUTTS II ilustra um aspecto pouco conhecido da relação entre Turismo e Desenvolvimento Regional.  

 

1.Turismo Receptor

*Turistas e Hóspedes Entre 2004/2007
O Gráfico 1 ilustra a evolução 2004/2007 do número de Hóspedes Não Residentes em Portugal no Alojamento Classificado e Não Classificado (2), e ao qual acrescentamos a estimativa de 2013 (3).

Há dois factos a assinalar:

-em 2007, dos 12.3 milhões de Turistas Não Residentes, cerca de 5.2 milhões (42.3%) escolhem o Alojamento Turístico Não Classificado,

-entre 2004/2007 há uma tendência crescente que não sabemos explicar

Gráfico 1 – Turistas e Hóspedes Não Residentes em Portugal no Alojamento Classificado e Não Classificado (2004/2007)
(milhões)


Fonte: Elaboração própria com base em INE – Estatísticas de Turismo e Estimativa própria para 2013.

*Turistas e Hóspedes Por Alguns Países de Residência em 2007
O Gráfico 2 ilustra a comparação, em 2007, do número de Hóspedes no Alojamento Classificado e Não Classificado, por alguns País de Residência. Os países em causa representam 78.3% dos Hóspedes no Alojamento Classificado.

Comentários:
-no caso dos Residentes em Itália não há procura significativa de Emigrantes os de Italianos com Residência Secundária em Portugal – o numero de Turistas é ligeiramente superior ao do de Hóspedes no Alojamento Classificado,

-nos Residentes em França, o peso dos Emigrantes explica que o número de Hóspedes no Alojamento Não Classificado seja quase o triplo do de Hóspedes no Alojamento Classificado,

-nos outros países há uma combinação de Emigrantes e de estrangeiros que alojam em Residências Secundárias Por Conta Própria,

-a importância das Fronteiras Terrestres pode contribuir para explicar a diferença os números de Hóspedes Residentes em Espanha, por erro de estimativa do número de Turistas.
Gráfico 2 – Hóspedes Não Residentes no Alojamento Classificado e Não Classificado, Por Alguns Países de Residência (2007)

(milhares)


Fonte: Elaboração própria com base em INE – Estatísticas de Turismo

*Dormidas de Hóspedes do Turismo Receptor em 2007
O Inquérito ao Movimento de Pessoas nas Fronteiras (INE) apenas quantifica Turistas e Excursionistas Não Residentes. Não dispomos de informação que permita estimar as Dormidas de Não Residentes no Alojamento Não Classificado.

 

2.Turismo Interno

2.1.Turismo Interno no Continente

*Hóspedes do Turismo Interno– Evolução 2009/2012
O Gráfico 3 ilustra, no Turismo Interno, o número de Deslocações e de Hóspedes no Alojamento Classificado e Não Classificado entre 2009/2012 (4).

Gráfico 3 – Turismo Interno: Deslocações e de Hóspedes no Alojamento Classificado e Não Classificado (2009/2012)
(milhões)


 Fonte: Elaboração própria com base em INE – Estatísticas do Turismo

*Dormidas do Turismo Interno – Evolução 2009/2012
O Gráfico 4 ilustra a Evolução 2009/2012 do Número de Dormidas do Turismo Interno, com detalhe por Alojamento Classificado e Não Classificado.

Gráfico 4 – Evolução 2009/2012 das Dormidas do Turismo Interno no Alojamento Turístico Classificado e Não Classificado
(milhões)


Fonte: Elaboração própria com base em INE – Estatísticas de Turismo

Comentários:
-o número de Dormidas no Alojamento Classificado é estável, enquanto o do Alojamento Não Classificado em Hospedagem Onerosa cai bruscamente entre 2009/2010 e estabiliza depois – com um ano de atraso por causa do financiamento artificial da Procura Interna no Portugal de 2009, é o padrão do Mercado Emissor do Reino Unido (Aqui),

-em 2012 e em relação aos 12.4 de milhões Dormidas no Alojamento Classificado, as Dormidas no Alojamento Não Classificado (47.3 milhões) são quase o triplo, e as Dormidas em Hospedagem Onerosa (27.7 milhões) são mais do dobro.

 

2.2.Turismo Interno no Continente – Repartição Regional

O Gráfico 5 ilustra, no Turismo Interno, o número de Turistas e o de Hóspedes no Alojamento Classificado e Não Classificado, em 2012.
Gráfico 5 – Hóspedes do Turismo Interno no Alojamento Classificado e Não Classificado (2012)

(milhões)


Fonte: Elaboração própria com base em INE – Estatísticas de Turismo

Comentários:
-no Norte, Centro e Alentejo (regiões da Procura/Oferta dispersa), o número de Hóspedes do Alojamento Não Classificado é superior ao do Alojamento Classificado,

-em Lisboa e Algarve (regiões de concentração da Procura/Oferta), o número de Hóspedes do Alojamento Não Classificado é inferior ao do Alojamento Classificado.

Estes números dão uma primeira ideia sobre o Turismo como factor de Desenvolvimento Regional e são analisados no post sobre a Contribuição do Alojamento Turístico Não Classificado Para a Economia (Quinto).

 

A Bem da Nação

Albufeira 1 de Abril de 2014

Sérgio Palma Brito

 

Notas

(1)No Turismo Interno o número de Dormidas em Alojamento Gratuito Por Familiares e Amigos é muito elevado.

(2)No que segue,

-o número de Turistas Não Residentes resulta do Inquérito ao Movimento de Pessoas nas Fronteiras,

-o número de Hóspedes no Alojamento Turístico Classificado resulta do Inquérito à Permanência de Hóspedes na Hotelaria e Outros Alojamentos, que existe desde 1965.

A partir destes números, estimamos o número de Hóspedes no Alojamento Não Classificado, com base nas hipóteses seguintes:

-utilizamos o ratio de “um Turista, um Hóspede”, apesar de um Turista poder originar vários Hóspedes, quando aloja em diversos Estabelecimentos de Alojamento Classificado ou Não,

-o número de Hóspedes Não Residentes no Alojamento Não Classificado é igual ao número de Turistas Não Residentes menos o número de Hóspedes Não Residentes no Alojamento Turístico Classificado.

Se o ratio de “um Turista, um Hóspede” não se aplicar, a correcção desta simplificação reforçaria o número de Turistas que utilizam o Alojamento Não Classificado.

(3)Em intervenção na Cerimónia dos Trade Awards na BTL de 2014, o Presidente do Turismo de Portugal apresenta a estimativa de 14.4 milhões para o Número de Turistas Não Residentes em 2013. Na ocorrência, não questionamos este valor, antes o utilizamos para estimar os Hóspedes em 2013, aplicando uma regra de três simples aos números de 2007.

(4)Ver Nota (3).

Introdução ao Alojamento Turístico Não Classificado no Após Crise de 2008/2009


O presente post é o Primeiro de uma Série de cinco (Primeiro, Segundo, Terceiro, Quarto, Quinto) sobre o tema:

Alojamento Turístico Não Classificado no Após Crise de 2008/2009

Esta é a Segunda de três Séries de posts:

-Camas Paralelas na Cidade – Quando Factos Contrariam Narrativas (Primeira),

-Alojamento Turístico Não Classificado no Após Crise de 2008/2009,

-Modelo e Identificação do Turismo Residencial em Portugal (Terceira).

 

O presente Post  

-apresenta a Série sobre Alojamento Turístico Não Classificado no Após Crise de 2008/2009,

-situa as Novas Responsabilidades da Iniciativa Privada e Política de Turismo no período de Após Crise.

 

1.Apresentação dos Posts da Série

1.1.O Alojamento Que os Turistas Escolhem

*Os Turistas Escolhem 
Um dos grandes problemas da Economia do Turismo em Portugal resulta

-dos Turistas escolherem alojar-se em Estabelecimentos e Instalações fora do âmbito da Definição Legal de Alojamento Turístico pelo Estado,

-desta Definição reduzir a escolha dos Turistas a um único Modelo de Negócio (o da Exploração Turística e Serviço Hoteleiro), excluindo e ilegalizando todos os outros modelos, mesmo se acaba por os tolerar no velho sistema português em que ‘a lei estrutura a informalidade’.

Com efeito,

-em 2007, dos 12.3 milhões de Turistas do Turismo Receptor (Não Residentes que visitam Portugal), cerca de 5.2 milhões (42.3%) escolhem o Alojamento Turístico Não Classificado.

-em 2012, as Dormidas do Turismo Interno (Residentes em Portugal a viajar em Portugal) no Alojamento Não Classificado (47.3 milhões) são quase o quádruplo dos 12.4 de milhões Dormidas no Alojamento Classificado, e as Dormidas em Hospedagem Onerosa (27.7 milhões) são mais do dobro (1).

*Alojamento Turístico Não Classificado
Alojamento Turístico é o definido por Recomendações das Instituições Internacionais (2) como

-“Qualquer estabelecimento ou instalação que, ocasional ou regularmente, presta serviços de alojamento a Turistas”.

No seio deste Conjunto Difuso (Aqui),

-Alojamento Turístico Classificado designa o conjunto de Empreendimentos Turísticos da Definição Legal de Alojamento Turístico,

-Alojamento Turístico Não Classificado é o Subconjunto Difuso restante (3).

 

1.2.Identificação do Alojamento Turístico Não Classificado

*Os Três Mais Importantes Tipos de Alojamento
No seio do Alojamento Turístico Não Classificado, há três Tipos de Alojamento Turístico [do Modelo Simplificado do INE] que são significativos:

-Estabelecimentos de Alojamento Colectivo não reconhecidos como Alojamento Classificado,

-Alojamento Gratuito Por Familiares e Amigos,

-Residências Secundárias Por Conta Própria ou Arrendadas a Turistas (4).

*Das Residências Secundárias ao Turismo Residencial
As Residências Secundárias, dispersas ou integradas em Estabelecimentos, são a parte mais importante do Alojamento Turístico Não Classificado. Entre 2009/2011,

-a Procura por Dormidas em Residências Secundárias de Utilização Turística representa cerca de 19 milhões de Dormidas, em comparação com cerca de 13 milhões de Dormidas no Alojamento Classificado.

A dinâmica da Procura/Oferta de Residências Secundárias está na base do conceito de Turismo Residencial, definido como

-conjunto de actividades interligadas com a Aquisição e Utilização da Residência Secundária de Utilização Turística, e que integra Instalações, Serviços e Experiências aos quais o Proprietário e o Utilizador reconhecem Valor (Aqui).

*Três de Estabelecimentos de Turismo Residencial
O Turismo Residencial comprende Residências Secundárias Dispersas ou  integradas em três Tipos de Estabelecimentos:

-os atípicos, como Vilamoura, Tróia, Quinta do Lago ou Vale do Lobo,

-os Estabelecimentos de Turismo Residencial ‘em Extensão’, os mais importantes, observáveis, conhecidos e até familiares – no Algarve são tão ou mais importantes do que os Hoteis,

-os Estabelecimentos de Turismo Residencial ‘em Altura’ integram-se na urbe da População Residente ou em grandes Estabelecimentos ‘em Extensão’.

Em síntese,

-uma Politica para o Alojamento Turístico Não Classificado é, de facto, uma Politica Para o Turismo Residencial.

Esta realidade do Mercado explica a razão da Politica do Turismo não ter sido ainda capaz de desfazer o Nó Górdio que a impede a Politica de Turismo de fomentar e facilitar a Criação de Valor pelo Alojamento Turístico Não Classificado.

 

1.3.Alojamento Turístico Não Classificado Para Além do Turismo Residencial

*Introdução
O Post apenas analisa os dois elementos mais visíveis do Alojamento Turístico Não Classificado para além do Turismo Residencial são

-os Estabelecimentos de Alojamento Turístico Colectivo

-os Apartamentos Dispersos arrendados a Turistas, sobretudo em Lisboa e Porto.

A quantificação apresentada deve ser considerada apenas como base de trabalho para análise mais profunda e profissional.

*Estabelecimentos de Alojamento Turístico Colectivo
Neste contexto, há quatro tipos de Estabelecimentos de Alojamento Turístico Colectivo pertinentes: Hostels, Bed & Brekfasts, Inns e Guest Houses.

Se considerarmos o Total de Hostels e do conjunto de B&Bs, Inns e Guest Houses do conjunto de dois operadores (Booking e Flipkey),

-encontramos o padrão de Barcelona (346 Hostels e 493 B&Bs, Inns e Guest Houses) ter mais estabelecimentos do que Lisboa (149 e 237) e esta cidade ter mais do que o Porto (65 e 160).

A Hostelworld.com (http://www.hostelworld.com) é o portal dos Hostels, com 35.000 estabelecimentos em 35 países. É a organizadora dos Hostel Awards, onde os Hostels portugueses têm posição de destaque. Na Hostelworld, Barcelona tem 92 Hostels, Lisboa 59 e Porto 31.

*Apartamentos Arrendados a Turistas em Lisboa e Porto
Os Apartamentos a Arrendar a Turistas parecem ser significativos em Lisboa e Porto, mas não correspondem à Residência Secundária Arrendada a Turistas. Com efeito parecem ter origem em Apartamentos Vagos do Recenseamento da Habitação que passam a ser arrendados a Turistas (Terceiro). Parecem ser ainda um factor de animação e reabilitação urbana das zonas históricas de Lisboa e Porto.

Se considerarmos quatro dos mais importantes operadores internacionais, Barcelona oferece cerca de dez mil Holiday Rentals, Lisboa três mil e Porto mil – encontramos mais vezes o padrão ‘Lisboa um terço de Barcelona e o triplo do Porto’. 

Estes números devem ser lidos com muita prudência, mas permitem duas leituras

-mais de três mil “Apartamentos” em Lisboa é um número excessivo,

-Lisboa tem menos de um terço da oferta de Barcelona, pelo que o potencial de crescimento existe.

Sem dispormos de quantificação mais sólida, o debate vira estéril especulação intelectual.

 
1.4.Contribuição do Alojamento Não Classificado Para a Economia

*Relevância Económica e Dimensão Politica
A análise do Post permite concluir que

-os Hóspedes que escolhem o Alojamento Não Classificado têm influência muito significativa na Contribuição do Turismo Para a Economia,

-maximizar a Contribuição do Turismo Para a Economia implica fomentar a criação de Valor pelos Estabelecimentos e Instalações do Alojamento Não Classificado, com destaque para os de Turismo Residencial.

Daqui resulta uma conclusão:

-a Politica de Turismo que ignora ou hostiliza o ATNC, com destaque para o Turismo Residencial, não defende, antes prejudica, o Interesse Público.

*Receita de Turismo na Balança de Pagamentos
Os €9.250 milhões de Receita de Viagens e turismo exigem o contributo dos cerca de 42% de Turistas Não Residentes que escolhem o Alojamento Não Classificado, com destaque para os Emigrantes Portugueses – uma regra de três simples dá €3.885 milhões.

A Receita não quantificada do Investimento Directo de Não Residentes em Residências Secundárias é gerada exclusivamente por Turistas do Alojamento Não Classificado.

O mesmo acontece com a Receita não quantificada de Transferências do Exterior Para Reformados Ex Não Residentes.

No caso da Receita de Transportes Aéreos Internacionais de Passageiros (sobretudo TAP), o contributo dos  Turistas do Alojamento Não Classificado é similar ao da Receita de Viagens e Turismo, mais o aspecto qualitativo de contribuírem para a massa crítica indispensável ao Transpor Aéreo.

*Contribuição Para o PIB
Apenas encontramos quantificação parcelar e subavaliada do alojamento em Residência Secundária Por Conta Própria:

-em 2005, dos €4.54 mil milhões do Valor Acrescentado Gerado por Industrias Características do Turismo, temos €1,47 mil milhões de Hotéis e Similares e € 443 milhões de Residência Secundária por Conta Própria.

-em 2005, a Formação Bruta de Capital Fixo é €545 milhões em Hotéis e Similares e de €622 milhões em Residências Secundárias Por Conta Própria.

*Emprego
Na Contribuição do Alojamento Turístico Para o Emprego,

-há um dado comum ao Alojamento Classificado e Não Classificado: a maior parte do Emprego é gerado fora do Estabelecimento ou Instalação onde alojam os Turistas,

-esta parte é ainda maior no caso do Alojamento Não Classificado porque há mais funções externalizadas (jardins, piscinas, segurança etc.).

A Conta Satélite do Turismo não quantifica a contribuição da Residência Secundária Para o Emprego Directo. No caso do Turismo Interno (Terceiro), sabemos que, entre 2009/2011,

-a Procura por Dormidas em Residências Secundárias de Utilização Turística representa cerca de 19 milhões de Dormidas, em comparação com cerca de 13 milhões de Dormidas no Alojamento Classificado.

Podemos concluir que o Contributo do Alojamento Não Classificado Para o Emprego não é inferior ao do Alojamento Classificado.

*Desenvolvimento Regional
Consideremos dois factos:

-o muito importante número de Dormidas do Turismo Interno em Alojamento Gratuito Por Familiares e Amigos e Residência Secundária Por Conta Própria nas Regiões do Êxodo Rural,

-a cautelosa extrapolação deste número para o Turismo Receptor.

Com base nestes factos, podemos sugerir que

-os Hóspedes do Alojamento Turístico Não Classificado desempenham um papel importante na Transferência de Recursos do Exterior para o território do Êxodo Rural.

Esta sugestão exige investigação adicional (desde logo, analisar a repartição por Freguesia das Residências Secundárias do Recenseamento) sobre o impacte no desenvolvimento Regional, mas há indícios fortes de não ser descabida. 

Admitimos que Desenvolvimento possa ser substituído por ‘menor desertificação e melhoria da qualidade de vida local’.

 

2.Iniciativa Privada e Politica de Turismo no Após Crise

2.1.Factores Condicionantes Externos e Responsabilidade

*Dois Factores Condicionantes da Formação da Procura
Pelo menos 80% da Procura pela Oferta de Turismo de Portugal forma-se e vai formar-se na Europa. Tudo o que Iniciativa Privada e Intervenção Pública façam é condicionado pela conjugação de dois factores externos:

-Economia, Sociedade e Cultura que emerge no Após Crise,

-Transformação Estrutural no Mercado Europeu da Viagem de Lazer (5).

Em consequência, a Oferta de Turismo

-enfrenta exigências de competitividade e concorrência diferentes e ainda mais intensas do que as do Período que vai do Após Guerra a 2008,

-necessita que a Intervenção Publica em geral e a Politica de Turismo alterem também assumam as consequências destes dois factores.

*Responsabilidade Perante o País
Segundo o pensamento mainstream, o Turismo é importante porque representa quase dez mil milhões euros de ‘Exportações’. Esta visão algo egocêntrica em função ‘do sector’, deve ter em conta a Responsabilidade da Política de Turismo e Iniciativa Privada Perante o País.

Com efeito, na situação dramática em que o País vive e vai viver, é o País a exigir à Política de Turismo e Iniciativa Privada que

-maximizem as Transferências do Exterior (6), porque só a Receita da Balança de Pagamento exige o Investimento e implica o Crescimento Económico que contribui para o Emprego,

-alterem profundamente, ao ponto da ruptura em base zero, as rotinas e práticas do Período de Antes da Crise, que ainda são custo de contexto.

 

2.2.Contradição da Politica de Turismo?

*A Visão Deslocada e Inadequada da Política de Turismo
Em final de Setembro de 2013, “o Governo vê o problema do alojamento local/alojamento paralelo como um problema de concorrência desleal, baseada na evasão fiscal como vantagem competitiva”. Em Março de 2013, no discurso da BTL o SET reforça esta visão:

-“travar o alojamento paralelo” e impedir “a comercialização sem o devido enquadramento” e que “situações iguais tenham tratamentos distintos”.

A Visão da Política de Turismo sobre Alojamento Paralelo e Concorrência Desleal

-é deslocada porque não dá prioridade à Criação de Valor por todos os Modelos de Negócio da Economia do Turismo,

-é inadequada porque ignora a realidade e potencial de Criação de Valor gerada pelos Turistas que escolhem o Alojamento Não Classificado.

*Alojamento Local e Turismo Residencial – Test ao Governo
O Post sobre a Identificação do Alojamento Turístico Não Classificado mostra como

-não é possível legislar sobre Alojamento Local sem integrar o Turismo Residencial na sua definição abrangente (Aqui),

-a legislação sobre Turismo Residencial tem de ser necessariamente mais ampla, importante e difícil do que a que pode ser aprovada sobre Alojamento Local.

Se o Governo insiste em legislar sobre Alojamento Local com base na realidade de Lisboa/Porto e ignorar a realidade do Turismo Residencial e se completar esta obra com medidas punitivas a impor pela ASAE, está a

-ignorar a realidade da Oferta de Alojamento Turístico Não Classificado e a ser irresponsável perante o País,

-criar uma situação choque frontal entre uma legislação inadequada e uma Oferta onde estão alguns dos melhores Estabelecimentos do Turismo Residencial do País.

*A Politica de Turismo Que Falta ao País
O País e a sua Economia do Turismo precisam que a Visão da Politica de Turismo

-assente nos conceitos abrangentes de Turismo, Alojamento Turístico e Turismo Residencial,

-construa Relação Inovadora com todas as Actividades do Alojamento Turístico.

No discurso da BTL, o SET afirma orientação que abre via para o futuro:

-“Eu sou o Secretário de Estado do turismo. Não sou o Secretário de Estado dos hotéis, das agências de viagens ou das empresas de animação turística embora muito os respeite, como penso que sabem.”.

Não sabemos até onde Adolfo Mesquita Nunes quer ir, nem até onde o deixam ir. Sabemos até onde o País precisa que vá:

-facilitar e fomentar a criação de valor pela diversidade da Procura dos Modelos de Negócio na origem da Economia do Turismo (Aqui),

 

2.3.Economia do Turismo e Resposta às Exigências do Futuro

*Conceito Muito Alargado da Economia do Turismo
Num conceito muito alargado, a Economia do Turismo assenta em três pilares:

-Mobilidade entre a Residência Habitual e o(s) destino(s) da Deslocação Turística,

-Hospitalidade e Vivência de Experiências durante a Deslocação,

-Transferência de Recursos para financiar as despesas durante a Deslocação.

A grande diferença em relação ao conceito das Recomendações das Instituições Internacionais é a exclusão da regra de limitar as estadias dos Turistas a um ano. Esta regra

-resulta de um tempo (virar dos séculos XIX/XX) em que era importante distinguir o Turista do Emigrante Económico,

-é obsoleta num tempo em que todos os países querem atrair Reformados Residentes Permanentes que financiam a sua estadia com transferências do Exterior.

*Responsability e Accountability da Politica de Turismo
Neste quadro de transformação do Mercado Alargado das Estadias e de Responsabilidade perante o País,

-a Politica de Turismo deve assumir Responsability e Accountability deste conceito vasto de Economia do Turismo.

Dois exemplos ilustram o que está em causa. O primeiro ainda está no seio da definição de Turismo das Recomendações Internacionais, e é icónico de novas realidades do Turismo:

-fazer do Consulado de Portugal em Luanda a primeira grande experiência da visita a Portugal (neste momento, parece ser tudo menos isto), simplificar os Vistos e o controle de chegada no Aeroporto.

Para a Economia do Turismo, melhorar o Consulado de Luanda é parte do Produto e acção mais rentável do que muitas das despesas da Promoção Turística, mesmo na versão Apoio à Venda no terreno desde há mais de um ano.

O segundo está para lá da definição de Turismo das Recomendações Internacionais e consiste

-na definição e implementação de uma Politica que faça de Portugal um País Competitivo no Mercado da atracção dos Reformados Residentes Permanentes.

 

A Bem da Nação

Albufeira 1 de Abril de 2014

Sérgio Palma Brito

 

Notas

(1)Alojamento Turístico Não Classificado é designação algo estranha, mas objectiva e que nos distancia dos plebeísmos pejorativos como Paralelo, Ilegal, Clandestino, Imobiliária e outros. As Dormidas em Hospedagem Onerosa não incluem as do Alojamento Gratuito Por Familiares e Amigos.

(2)O leitor ainda não familiarizado com o assunto fica a saber que Instituições Internacionais designa: United Nations Statistics Division, World Tourism Organization, Eurostat - Commission of the European Communities, Organisation for Economic Co-operation and Development. Se tivermos tempo, engenho e arte, publicaremos um Post sobre a Formação do Alojamento Turístico Não Classificado e a Atitude Equívoca da Política de Turismo em relação a este processo. 

(3)Confuso sobre o ‘ocasional’ e o ‘difuso’? Simples, quando o leitor recebe a visita do primo que emigrou, a sua casa é, ocasionalmente, Alojamento Gratuito Por Familiares e Amigos. Se receber muitas visitas, o valor da Função de Pertença da sua casa aumenta, mas não atinge um.

(4)Para facilitar, lembramos a terminologia utilizada. Residência Secundária do Recenseamento (da Habitação) designa uma das três utilizações (com a Residência Permanente e Vagos) do Alojamento Familiar: Residência Habitual, Residência Secundária e Vago.

Residência Secundária e Residência Secundária de Utilização Turística são sinónimos .

A mesma Residência Secundária ou Residência Secundária de Utilização Turística pode ter duas utilizações:

-Residência Secundária Por Conta Própria (também designada por Casa de Férias, Holiday Home, Vacation Home etc.)

-Residência Secundária Arrendada a Turistas.

(5)Sobre o Mercado Europeu da Viagem do Lazer, ver o Post. Um próximo Post é consagrado à Transformação Estrutural do Mercado Europeu da Viagem de Lazer.

(6)As Recomendações sobre Estatísticas e Conta Satélite do Turismo consideram o nível Nacional (o que está aqui em causa) e o Interno. Neste caso, o Residente em Lisboa em Deslocação Turística ao Algarve gera uma Transferência do Exterior para a Economia Local.