Transporte Aéreo em Portugal – Notas Genealógicas


*Uma Primeira Boa Impressão?

Não há uma segunda oportunidade para criar uma primeira boa impressão. Ao disponibilizar Documentos de Trabalho, corremos esse risco, porque estamos convencidos que o seu conteúdo pode ser útil ao estudante, ao investigador e ao curioso, seja ele “do turismo” ou não.

Conhecer o Transporte Aéreo em Portugal implica algum grau de conhecimento sobre Instituições, Políticas, Interesses e das Relações que formam o Sistema Político, Administrativo e Empresarial do Transporte Aéreo em Portugal.

A privatização da TAP e ANA dá alguma actualidade a este trabalho, mas o mais importante é estarmos preparados para lidar com a transformação profunda pela qual este Sistema vai passar.

 
*O Post e o Documento de Trabalho

Decidimos disponibilizar informação estruturada sobre como de onde vêm e se formam os actuais elementos do Sistema. Sobre os mais importantes de entre eles, haverá

-um post, que tenderá a ser uma “leitura executiva”,

-um Documento de Trabalho, onde a informação é disponibilizada de maneira detalhada.

O perigo de criarmos uma “primeira má impressão” reside no Documento de Trabalho, por

-disponibilizarmos informação numa forma não corrigida e não editada, podendo conter erros e devendo ser completada de tempo a tempo,

-poder haver quem não aceite este tipo de publicação, o critique e … não nos dê “uma segunda oportunidade”,

-recorremos apenas a Fontes Secundárias e, na maior parte dos casos, oficiais, o que distingue o curioso que somos do historiador que não somos.

Publicamos hoje o Post e o Documento sobre a TAP. A sua releitura tranquiliza a nossa consciência: este Documento facilita a tarefa de quem tenha de conhecer a TAP de hoje e do futuro.

 
*A TAP e os Próximos Passos

Depois da TAP, tenhamos nós tempo, engenho e arte, prevemos abordar:

-a ANA

-a Regulação Económica do Transporte Aéreo, de que a Regulação Económica e da Qualidade de Serviço do Sistema Aeroportuário é apenas um dos aspectos,

-o INAC – Instituto Nacional da Aviação Civil

-a Decisão Política e o caso muito especial do “accionista Estado”.

Críticas, sugestões, perguntas e informação adicional são desejadas!

 
A Bem da Nação

Albufeira, 24 de Setembro de 2012

Sérgio Palma Brito

Privatização da TAP Air Portugal (1)
- de Salazar à Actualidade


Este post é apoiado pelo Documento de Trabalho “TAP Air Portugal – Notas Genealógicas (1944/2012)

A consulta deste Documento é obrigatória, por fundamentar as afirmações que seguem, e a leitura aconselhada, por conter informação útil ao espírito curioso.


Índice

Introdução

Primeira Parte – De 1944 ao Início da Década de 1990

1.1. Defesa do Interesse e Soberania Nacionais – De 1944 ao 25 de Abril
1.2. Origem, ascensão e queda da “transportadora aérea nacional” – da Nacionalização ao Início da Década de 1990

Segunda Parte - Do Início da Década de 1990 à Actualidade

2.1. A TAP do Após PESEF à Gestão Profissional (1994/2001)
2.2. A «Privatização Permanente» (1994/2010)
2.3. Nova Transformação da TAP (2001/2012)
2.4. A Privatização Decisiva (2011/2012)
    2.4.1. Elementos do Contexto
    2.4.2. Alguma Degradação do Grupo TAP      
    2.4.3. Uma Privatização Decisiva


*Introdução

Este post é fruto de duas circunstâncias

  • no âmbito de um trabalho mais vasto sobre o Transporte Aéreo em Portugal, termos elaborado uma Genealogia da TAP – sem a informação que reunimos seria impossível redigir esta síntese,
  • a Privatização da TAP sofrer de falta de informação objectiva, excesso de emoções sem base real mínima, muita ilusão sobre os compradores e o habitual «plantar» de notícias direccionadas – tudo o que seja abrir a informação/debate só peca pelo atraso. 

A Genealogia da TAP é dividida em duas partes, cada uma iniciada por um conjunto de decisões políticas externas [detalhadas em post futuro], mas cuja quintessência é:

  • a partir da Convenção de Chicago, da criação da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI/ICAO) e da reconstrução da IATA (1944), e do Acordo das Bermudas (1946), a Regulação Económica do Transporte Aéreo de Passageiros (por companhias estatais, ditas “de bandeira”) assenta em Acordos Bilaterais entre Estados, que definem Direitos de Tráfego para essas companhias, as quais acordam tarifas no seio da IATA e, entre elas, a repartição de receitas por rota –esta Regulação Económica espartilha a concorrência e impede a iniciativa empresarial exterior ao sistema,
  • com mais ou menos disciplina, esta Regulação Económica dura até que a Comunidade Europeia Desregula o Tráfego Aéreo de Passageiros, no Espaço Comunitário, com a decisão fundamental (o III Pacote da Desregulação) aplicada a partir de 1 de Janeiro de 1993 – esta decisão abre o mercado a novas companhias, liberaliza a criação de rotas e os preços, aumentando a concorrência entre Companhias de Bandeira, permitindo a entrada de novas companhias (entre as quais as Low Cost) e a operação do modelo de hub, importado dos EUA, onde a Desregulação é anterior.

Esta segunda decisão é completada pelo fechar do longo período de ajudas do Estado (em capital, subsídios e garantias de crédito) às Companhias Nacionais. Para encurtar uma longa história, em 1994, a TAP é salva da falência pelo PESEF (Plano Estratégico de Saneamento Económico e Financeiro), que carece de aprovação pela Comissão da Comunidade Europeia. Em Julho de 1994, a Comissão aprova o PESEF mas, entre outras condições, impõe que “Em conformidade com a legislação comunitária, Portugal se abstenha de conceder mais auxílios à TAP”.

Durante estes dois grandes períodos, a Genealogia da TAP é marcada por eventos nacionais, com um denominador comum, válido de 1944 à actualidade:

  • uma intensa relação entre Estado e TAP, assente na defesa do interesse nacional (antes do 25 de Abril) e numa base emocional, cuja expressão mais evidente é a da Transportadora Aérea Nacional, dos anos de 1975 a 1993/1994.

Com efeito, o modelo de negócio que sustenta a Defesa do Interesse Nacional e a Transportadora Aérea Nacional é destruído pelas decisões de 1993/1994. Destas decisões e de oportuna avaliação do Mercado, resulta a nova Estratégia da TAP, tal como definida em 2001, pela Gestão Profissional:

  • uma companhia internacional, operando a partir do hub de Lisboa, de forte base portuguesa, mas uma companhia que concorre em mercado competitivo e não pode receber a tradicional ajuda do Estado. 

Em 2011/2012, a Privatização da TAP é decisiva por, ou confirmar o valor que é atribuído à empresa ou, na ausência de consistente Plano B, poder  levar a empresa à sua extinção.

Primeira Parte – De 1944 ao Início da Década de 1990

1.1. Defesa do Interesse e Soberania Nacionais – De 1944 ao 25 de Abril

*1944: ”exploração de carreiras de grande interesse nacional” 
Nas suas Memórias, Humberto Delgado conta: ”Quando, em 1944, os americanos convocaram a conferência de Chicago, Salazar estava desesperado, porque éramos a única potência colonial sem um serviço aéreo que nos ligasse aos territórios ultramarinos”. Entre 19944/1974, esta é a prioridade política do que, em 1953, vem a ser a TAP, SARL.
Em 1944 e 1947, na definição legal do Secretariado e na Organização da Direcção Geral da Aviação Civil, o Governo

  • encarrega a Administração Pública do “estabelecimento de linhas aéreas e de proceder provisória ou transitoriamente, por intermédio de serviço especial seu, à exploração de carreiras ainda não concedidas ou suspensas e de grande interesse nacional”, 
  • para o efeito, autoriza despesas “independentemente do cumprimento de quaisquer formalidades, inclusivamente as do visto do Tribunal de Contas”.

É esta a origem do serviço autónomo Transportes Aéreos Portugueses (TAP). Em 1952,os TAP transportam 17.076 passageiros entre Lisboa e Porto, Madrid, Paris, Londres e Luanda.

*1953: “ligar por via aérea os diversos territórios nacionais” 
Depois de muitos esforços, o Governo promove a criação, em 1953, da empresa Transportes Aéreos Portugueses, SARL, com a qual contrata a “concessão do serviço público de transportes aéreos de passageiros, carga e correio”. A maioria do capital da Sociedade Anónima é privado, mas o Estado apoia-a com capital, bens afectos aos TAP, isenções fiscais, garantia a empréstimos e “um subsídio anual, na medida em que lhe não for possível conseguir uma exploração economicamente equilibrada”.

É previsto o “alargamento da rede da concessionária, designadamente de modo que venham a ficar ligados por via aérea os diversos territórios nacionais e, assim, estreitados os laços entre os portugueses espalhados pelo Mundo.”.

O Quadro 1 mostra o Número de Passageiros que a TAP, SARL transporta, em 1954, por destino. A linha de “Casa Branca”, integrada na TAP a quando da sua criação, é operada, desde 1934, pela Aero Portuguesa, com o objectivo, para além do tráfego local, de estabelecer “ligações aéreas postais entre Portugal e o Brasil, utilizando a linha da Air France para a América do Sul”.
É num destes voos da Aero Portuguesa que Ingrid Bergman embarca para Lisboa, no final do Casablanca.

Quadro 1 – TAP, SARL,  Passageiros Transportados – 1954   (unidades)


Fonte: Elaboração própria, com base em DGAC, Anuário 1951/1954, p. 223
(a) Prolongada até Lourenço Marques a partir de 1 de Julho de 1954; (b )Suspensa a partir de 5 de Abril de 1954

*1961/1974: “um instrumento de soberania nacional”
A partir de 1961, a TAP é indispensável ao crescente tráfego das “linhas de África” e a este tráfego deve a sua rentabilizada. O emergente tráfego turístico europeu está longe de ter o peso do africano.

A partir de 1961/1962, os números já evidenciam a Procura que vai transformar, consolidar e fazer crescer a TAP, SARL: “tem um relevo especial a linha de África, quer pelo importante papel que desempenha como instrumento de soberania nacional, quer pelo peso que tem na exploração, dadas as distâncias percorridas”.
Em Dezembro de 1973, o IV Plano de Fomento para 1974/1979 prevê seis anos de crescimento das “linhas de África”, à taxa média anual de 20%.

*Evolução da TAP, SARL entre 1953/1974
O Gráfico 1 ilustra a evolução do número de passageiros da TAP, SARL entre 1953 e 1974. O “número de passageiros” é um indicador que pode induzir em erro (tanto vale um Lisboa-Porto como um Lisboa-Lourenço Marques), mas é fiável e põe em evidência a diferença do ritmo de crescimento da TAP, SARL entre os anos de 1954/1960 e entre 1961/1964.

Gráfico 1 – TAP, SARL: Número de Passageiros (1954/1974)

Fonte: Entrada Transportes Aéreos Portugueses, Dicionário de História de Portugal, coordenação de António Barreto e Maria Filomena Mónica, Livraria Figueirinhas, Porto  


1.2.Origem, ascensão e queda da “transportadora aérea nacional” – da Nacionalização ao Início da Década de 1990

*1974/1975: Perda das “linhas de África” e Nacionalização
Entre o 25 de Abril e o êxodo das Colónias, a TAP transporta muitos dos passageiros que marcam o fim das “linhas de África”.
Em 1975 é nacionalizada. Não temos informação que nos permita situar objectivamente a Nacionalização. Observada à distância, a Nacionalização da TAP resulta

  • do momento que se vive, depois do 11 de Março,
  • do genuíno querer manter uma companhia nacional, dando uma face nova à «transportadora da Guerra Colonial»,
  • da segurança que a Nacionalização oferece, perante a inviabilidade económica e financeira provocada pela perda das “linhas de África” e o brutal custo social de uma reconversão, para a qual, aliás, não existe capacidade de decisão política.

Esta parece ser a Origem da “transportadora aérea nacional” – é a continuidade de uma visão “nacional” da TAP, que substitui a «empresa da Guerra Colonial» e que se adapta à ruptura politica, económica e social do 25 de Abril e da Descolonização.

*1985: O Conceito
No início de 1985, temos uma explicitação do conceito de “companhia de bandeira”:

  • “A TAP-Air Portugal, EP […] desempenha uma missão de grande importância económica e de reconhecido mérito cultural, socia e politico ao estabelecer ligações permanentes com as comunidades portuguesas mais significativas e com os países de expressão oficial portuguesa, para além do papel que desempenha como dinamizador da actividade turística nacional.”.
  • mais adiante, “Sem prejuízo da eficácia das missões que estão confiadas pelo Estado à TAP-Air Portugal, EP, onde sobressai o transporte para as regiões autónomas,”.

*Comparação com o conceito do anterior regime político
Com a evidente excepção das “linhas de África”, este conceito é semelhante ao de antes do 25 de Abril:

  • o principio geral de haver missões que o Estado pode confiar à TAP-Air Portugal, EP – ontem as “linhas de África”, hoje “o transporte para as regiões autónomas” ou S. Tomé e Príncipe, em 1984,
  • os antigos “territórios ultramarinos” mais o lugar especial que o Brasil sempre teve [ver Decreto-Lei de 1953], são hoje os Países de Língua Portuguesa,
  • a dinamização da actividade turística nacional é mais evidente, mas é constante desde 1944.

Em relação ao conceito de antes do 25 de Abril, há duas diferenças:

  • a que reside na TAP “estabelecer ligações permanentes com as comunidades portuguesas mais significativas”,
  • a empresa ser fatal e estruturalmente deficitária, porque a sua estrutura de Capital, de Custos e de Produtividade, mais a Gestão de base político/partidária, impedem a reconversão que a poderia rentabilizar.

*Emigração
No nosso percurso sobre a TAP de antes do 25 de Abril, não encontramos referências formais à dimensão cultural e económica da Emigração.
Em 1978, os Programas do II e III Governos Constitucionais mencionam “fluxos de emigrantes, turístico e de comércio externo” e da TAP ser “meio de união de portugueses espalhados pelo Mundo”. Entre 1985 e 1991, nos Programas dos três Governos de Aníbal Cavaco Silva, a “política de presença da TAP junto das comunidades portuguesas” é constante.
A realidade comercial é algo diferente e o exemplo de França vale uma investigação, por parecer ilustrar esta diferença:

  • TAP e Air France influenciam as respectivas Direcções Gerais da Aviação Civil para manter uma oferta de lugares limitada, que permite vender caro, graças à procura cativa dos Emigrantes e à proibição de voos fretados ou, quando os há, impedir os emigrantes de os utilizar,
  • o valor da «tarifa especial» de Emigrante ser superior ao da Tarifa Pública de Excursão e muito superior ao da Tarifa de Grupo para Turistas,
  • os escritórios de Paris e Lyon terem excesso de pessoal, o que não implica melhor serviço. 

Sem diminuir a dimensão afectiva, as viagens da Diáspora parecem vir a ser mais baratas e acessíveis com as futuras Companhias Low Cost, do que o eram com a “transportadora aérea nacional”.

*Turismo
A actividade da TAP no transporte de turistas e no apoio a acções de Promoção ou de Marketing e Vendas é inegável e deve ser reconhecida. Feito isto, há realidades a não esquecer:

  • pela sua definição, a TAP é um dos elementos do Sistema de Regulação do Tráfego Aéreo de Passageiros, que impede a concorrência e favorece uma politica de tarifas altas [ver a Introdução],
  • o essencial do Tráfego Aéreo de Turistas Estrangeiros para Algarve e Madeira é assegurado por Companhias de Voos Não Regulares (Charters),
  • depois da Desregulação, a abertura da concorrência confirma o potencial de procura que a Regulação Económica excluía: a procura para o Turismo Urbano de Lisboa e Porto ganha escala com as novas companhias inovadoras, «filhas da Desregulação de 1993». 

*Missões confiadas pelo Governo
No Relatório da TAP referente a 1984 há um texto de uma espécie desaparecida:

  • “Por decisão governamental em Abril de 1984 foi introduzido um voo mensal entre Lisboa e S. Tomé, com escala intermédia em Cabo Verde, o que permitiu completar as ligações aéreas entre Portugal e todos os países de expressão portuguesa. Dada a manifesta falta de rentabilidade desta linha, existe pela parte do Governo um compromisso de uma indeminização compensatória.”.

Lembramos dois exemplos de “Missões”, que não conseguimos documentar. Um é simples e relativamente menor: a extensão, temporária e deficitária, a Buenos Aires da rota de S. Paulo.
O segundo é o da rota Lisboa-Macau e exige investigação adequada, que nos informe sobre

  • a decisão empresarial ter sido dominada pela a Decisão Politica, com base no “politicamente correcto”: um avião Português liga Lisboa/Macau, algo de que nem a Salazar lembrou,
  • aspectos profissionais como a evidente ilusão sobre o tráfego potencial da rota, custo para a empresa e eventual benefício para o País.

*Queda da “transportadora aérea nacional” – Factores Externos
A queda do conceito de “transportadora aérea nacional” tem origem

  • em Janeiro de 1993, na Desregulação do Tráfego Aéreo de Passageiros no Espaço Aéreo Europeu– o que resta do “velho modelo de regulação” desaparece,
  • na proibição das ajudas estatais, confirmada a Portugal pela Decisão da Comissão da Comunidade Europeia, de Julho de 1994. 

Em termos práticos,

  • deixa de haver missões decididas pelo Estado, porque não há maneira de o Estado as pagar,
  • a Emigração evolui para a Diáspora e aprende a tirar partido das novas rotas das Companhias de Baixo Custo,
  • nos Países de Língua Portuguesa, começa a haver uma nova prosperidade e companhias estatais a disputar direitos de tráfego duramente negociados,
  • o tráfego turístico intra-europeu e de lazer paga preços com os quais uma empresa do tipo da TAP tem dificuldade em competir.

*Elementos da Narrativa Que Perduram
O mito tem alguma base real, pois, na narrativa sobre a “transportadora aérea nacional”, há elementos que perduram e não devem ser ignorados. Dois têm forte componente emocional:

  • o avião da TAP é uma sensação antecipada de regresso a casa, com jornais portugueses, pessoal de cabine a falar português etc.,
  • as Relações Públicas e a Comunicação da TAP têm, desde sempre, uma capacidade de seduzir VIPs, leaders de opinião, jornalistas e similares e capturá-los para a defesa da causa de “manter uma TAP portuguesa”.

Em 2011, o Governo sublinha elemento objectivos desta narrativa, quando quer manter

  • o hub em Lisboa, que distingue uma TAP “companhia internacional” de uma TAP “europeia”, rapidamente objecto de uma consolidação,
  • a imagem de marca da TAP Air Portugal, grande Marca portuguesa. 

Facto significativo do que de etéreo há na Politica de Turismo, ninguém presta atenção à nova dimensão do contributo da TAP para a Receita da Balança de Pagamentos – segundo a TAP, mais de dois mil milhões de euros, numa Receita total de sete mil.

*Benefícios e Custos 
É impossível estimar o Benefício que a Transportadora Aérea Nacional representa para o País. É possível analisar a evolução do Resultado Líquido da empresa, entre 1976 e 2000 (último ano, antes da Gestão Profissional):

  • entre 1976 e 2000, o Resultado Líquido da TAP foi sempre negativo, com a excepção de 1997/1998.

O Gráfico 2 ilustra o Resultado Líquido da TAP, em milões de contos, entre 1976 e 2011.

Gráfico 2 – Resultado Líquido da TAP, EP e TAP, SA (1976/2011 - milhões de contos)


Fonte: Elaboração Própria com base em Relatórios e Contas de TAP, EP (1976/1990), TAP, SA (1991, 2002), Grupo TAP (2003/2011)

Podemos ter uma visão de conjunto sobre os períodos da actividade da TAP:

  • 1976/1993 – o da Transportadora Aérea Nacional, que acaba com a Desregulação,
  • 1994-2000 – o período do Pós PESEF, que termina em 2000, quando a Gestão Profissional se instala na TAP,
  • 2000-2011 – o período da Nova Realidade da TAP, que vai ser sujeito `mais dura das avaliações – a Privatização.


Segunda Parte - Do Início da Década de 1990 à Actualidade

2.1.A TAP do Após PESEF à Gestão Profissional (1994/2001)

*PESEF – Plano Estratégico de Saneamento Económico e Financeiro
O PESEF é elaborado no segundo semestre de 1993, aprovado em Assembleia Geral da TAP de Janeiro de 1994 e objecto da Decisão da Comissão de 6 de Julho de 1994, de que citamos a síntese do auxilio a conceder à TAP no período 1994/1997:

  • “O auxílio a conceder à TAP no período 1994/1997, sob a forma de um aumento de capital de 180 mil milhões de escudos portugueses a pagar em quatro parcelas, de garantias de empréstimo até ao montante máximo de 169 mil milhões de escudos portugueses e de uma isenção fiscal, que tem por objectivo a sua reestruturação em conformidade com o plano e as garantias prestadas por Portugal, incluindo a sua privatização parcial, é compatível com o mercado comum e com o Acordo EEE”.

Seguem as condições a satisfazer por Portugal, entre as quais figura a já mencionada que “Portugal se abstenha de conceder mais auxílios à TAP”.

*O “antes” e o “depois” do PESEF
As decisões comunitárias de 1993/1994 e a aprovação do PESEF, em Janeiro de 1994, têm um “antes” e um depois”. O Gráfico 3 ilustra a evolução do Resultado Líquido da TAP, SA, desde “antes” do PESEF, até “depois”, mais exactamente, de 1992 a 2001.
Os Resultados dos anos de 1992/1994 (entre os 26 e os 36 milhões de contos) indiciam o caminho para a falência, evitada pela intervenção política do então Ministro Joaquim Ferreira do Amaral.
No Relatório de 1994, sobre o PESEF 1994/1997, a previsão é “conduzir a TAP a uma situação de equilíbrio continuado e auto sustentado no final do Plano”.
Depois dos prejuízos, a evolução parece animadora:

  • em 1995 e 1996, o Resultado Líquido é negativo em “apenas” 10 milhões de contos e, pela primeira vez desde o 25 de Abril, o Resultado Líquido é positivo em 1997 e 1998.

Nos dois anos de negociação com o SAirGroup (1999/2000), o Resultado Líquido da TAP é negativo em 20 e 25 milhões de contos. A TAP volta a uma tendência para a falência.
Em 2000, com a Nova transformação da TAP esta situação é invertida: em 2001, o Resultado Líquido ainda é negativo, mas é o «menos negativo» desde 1992.
Apesar da sua inegável importância, o PESEF de Janeiro de 1994 foi uma aspirina para tratar o que tem todos os sintomas de doença terminal: tal como em 1992/1993, em 1999/2000, a TAP caminha para a falência.

Gráfico 3 – Resultados Líquidos da TAP, SA (1992/2001 - milhões de contos)


Fonte: Elaboração própria, com base em Relatório e Contas da TAP, SA


2.2. A «Privatização Permanente» (1994/2010)

*Uma Empresa em “privatização permanente” (1994/2004)
Entre 1995 e 2004, já quando vive a sua Nova Transformação, a TAP é uma empresa em “privatização permanente”. Depois de um breve interregno, a Privatização volta à agenda política, pouco antes da queda do segundo Governo de José Sócrates. Para não quebrar o fio à meada, descrevemos todo este processo, conscientes de que percorremos anos do período anterior e do período que segue.
A primeira referência consistente à Privatização Parcial da TAP figura na Decisão da Comissão de Julho de 1994. No País, o processo parece começar com as propostas políticas do Governo de António Gutterres (1995/1996) e ainda ocupa o Governo de Santana Lopes, em 2004, quando a TAP já vive o período da Nova Transformação.
Sucedem-se Decisões, Estudos de Avaliação e Planos Estratégicos. Há uma privatização anunciada, a da SAirGroup (199/2000), mas não consumada. Outra, a da empresa de Assistência em Terra, é consumada, mas acaba em divórcio trapalhão e custoso.
Em toda esta verdadeira saga, o acordo falhado com a SAirGroup tem um efeito colateral que está na origem da Nova Transformação da TAP:

  • a nomeação de uma Gestão Profissional e não de génese político-partidária, como acontecia desde a Nacionalização.

A equipa de Fernando Pinto é reconhecida pelos políticos mais responsáveis, ainda é questionada pelas forças político partidárias, mas acaba por se impor e marcar um período importante na genealogia da empresa.

*A Privatização Que Falta e a Recapitalização da TAP (2005/2010)
Por motivos que desconhecemos, em 2005 e 2009, os Programas dos Governos de José Sócrates não mencionam a privatização da TAP. A Privatização da TAP figura no Programa de Privatizações para 2006/2007, aprovado em Fevereiro de 2006. Na Assembleia Geral de 5 Dezembro de 2006 são aprovadas as orientações estratégicas e fixados os objectivos para o Grupo TAP, mas a Privatização não é mencionada.
Em 2005/2006, esta omissão não é a melhor decisão, pois o “accionista Estado” tem consciência

  • da recuperação da TAP e do seu potencial de crescimento, mas também das contingências externas a que está sujeito o Resultado Líquido de uma companhia aérea,
  • de não poder dar “ajuda pública” à TAP e desta ajuda (em capital, como é o caso na actualidade), muito provavelmente, vir a ser necessária, em período de crise,
  • de não poder influenciar, significativamente, a Gestão Profissional da TAP, sob pena de agravar prejuízos e gerar irresponsabilidade,
  • das regras comunitárias estarem concebidas para que as “companhias de bandeira” sejam privatizadas. 

Em 2010, face à escala da descapitalização da TAP, SGPS, o Governo reconhece que “A recapitalização do grupo TAP é uma necessidade urgente e sem ela a empresa encontra-se numa situação fragilizada”, e “a venda da empresa a privados não se prende com o défice, mas sim com a necessidade de a empresa poder prevenir a entrada numa nova crise”. É um tardio acordar.

2.3.Nova Transformação da TAP (2001/2012)

*A Nova Transformação
A partir de 2000/2001, a TAP passa por uma Nova Transformação. É uma transformação

  • algo similar à que conhece, em 1961, com as “linhas de África”, pelo crescimento dos voos de longo curso,
  • de consequências profundas, como as provocadas, em 1975, com a Nacionalização, mas de efeito inverso: o Estado deixa de poder ajudar a empresa e esta tem de viver por si. 

A Nova Transformação da TAP é fruto da Gestão Profissional, que define uma Estratégica assente na operação do hub intercontinental de Lisboa. Na TAP do “depois” do 25 de Abril, sempre houve muitas estratégias, mas nunca uma com a dinâmica e consistência da de 2001.

*A Estratégia de 2001
Do Relatório e Contas, citamos a parte essencial da Estratégica de 2001:

  • “A TAP-Air Portugal é uma companhia aérea internacional que opera, ligando a Europa a África e às Américas, a partir da sua base operacional em Lisboa, cidade que, devido ao posicionamento geográfico, constitui uma plataforma de acesso privilegiado aos mercados que a companhia serve.

Na disponibilização do serviço aos seus Clientes, a Empresa mantém a sua forte ligação a Portugal, atitude que corresponde ao nicho de mercado onde a sua posição competitiva é mais sustentada, operando em complementaridade com uma ampla interligação a uma rede global, através de uma boa articulação com as suas parcerias em code-share (voos em código repartido).”.

*O Hub de Lisboa (2000/2011)
Entre 2000 e 2011, o crescimento do hub de Lisboa é quantificado, pelo Relatório e Contas do Grupo TAP, de 2011, como segue:

  • Número de destinos servidos directamente pela TAP: passa de 40 a 74,
  • Número de voos: passa de 66.512 a 102.328,
  • “vendas e prestações de serviços, no mercado externo” (contributo para as exportações nacionais): passa de € 774 milhões a € 2.064 milhões,
  • o crescimento do número de passageiros foi de 473% na ligação Europa-Atlântico Sul, e de 197% no eixo Europa-África,
  • o número de passageiros transportados pela TAP aumentou 107%,
  • contributo para aumento de passageiros no Aeroporto de Lisboa: 57%.

*Resultado Líquido da TAP, SA (2000/2011)
O Gráfico 4 ilustra a evolução do Resultado Líquido da TAP, SA durante os anos da Nova Transformação.
Comentários:

  • apesar de negativo, o Resultado Líquido de 2001 e 2002 marca uma inversão significativa da tendência do período 1992/2000,
  • se excluirmos o ano excepcional de 2008, a tendência 2007/2010 é positiva,
  • o Resultado Líquido de 2011 deve ser avaliado em função do de 2012.

Gráfico 4 – Resultado Liquido da TAP, SA durante o Período da Nova Transformação (2001/2011 - milhões de euros)

Fonte: Elaboração própria com base nos Relatórios e Contas da TAP, SA e Grupo TAP


*A Nova Realidade da TAP e a Queda da “transportadora aérea nacional”
A Estratégia definida em 2001 é coerente com os factores externos, mas

  • acaba, de vez, com o conceito de “transportadora aérea nacional”,
  • dá uma nova dimensão e importância nacionais à TAP

Esta transformação nem sempre é compreendida, pois o mito da “transportadora aérea nacional” dura e ilude quem menos esperamos. Ainda recentemente a Presidência da República questiona o CEO da TAP sobre a supressão da rota Lisboa/Joanesburgo, onde há uma forte comunidade portuguesa. A resposta foi, basicamente, que a rota não era rentável e o seu prejuízo insustentável.

Já em Setembro, António Trindade, CEO do Grupo Porto Bay, lembra a “indefinição de estabelecimento de regras e suportes no transporte aéreo para Portugal”, que remetem “para segundo plano a estratégia de acessibilidades para os destinos portugueses.”. Depois, acrescenta:

  • “As informações recentes trazidas pela comunicação social acerca do interesse da TAP, baseado nos seus slots disponíveis em Londres ou no número de frequências para África e Brasil, sem um definição clara sobre qual o papel que as transportadoras aéreas nacionais devem desempenhar na angariação de clientes para os destinos portugueses são um exemplo claro do que se está a passar.”.

Não há indefinição. Há uma nova definição que resulta do mercado e do “accionista Estado” não ter poder para intervir decisivamente na actividade da Companhia.

2.4.A Privatização Decisiva (2011/2012)

2.4.1.Elementos do Contexto

*Ímpeto Político e Optimismo  
A «privatização de 2011» é diferente, pelo ímpeto político que a impõe. Por um lado, o Programa do XVIII Governo propõe uma privatização articulada com a da ANA e mantendo a imagem de “companhia-bandeira”, o hub de Lisboa e o “transporte para as ilhas”.

Por outro lado, o Memorando de Entendimento de Maio de 2011 prevê a privatização da TAP antes do fim de 2011 - o prazo não é respeitado mas a pressão externa mantém-se.

Na comunicação social, a mensagem do Governo e da Empresa é de optimismo e de alguma facilidade na venda: há muitas manifestações de interesse na TAP e no hub, e a articulação com a Privatização da ANA permite valorizar esta, pelo tráfego que aquela gera.

A realidade será conhecida brevemente, mas pode não ser tão linear.

*Respeito de Formalidades
O cidadão comum fica chocado pela ausência de explicação para o que parece ser uma situação inaceitável:

  • o Governo aprova o Decreto-Lei da privatização da TAP em 2 de Agosto,
  • o Presidente da República promulga o diploma a 18 de Setembro,
  • durante este mês e meio, o Governo promove a venda, abre candidaturas e elabora uma short list de 3 compradores, ignorando que o Decreto-Lei não está ainda promulgado pelo Presidente da República.

A menos de haver uma boa razão, que não descortinamos, não nos parece que este comportamento respeite princípios importantes, nem que reforce a credibilidade do Governo, na relação com grandes empresas internacionais.

*Decreto-Lei Sobre a Privatização Indirecta da TAP, SA
O Decreto-Lei n.º 210/2012, de 21 de Setembro “Aprova a 3.ª e a 4.ª fases do processo de reprivatização indirecta do capital social da TAP - Transportes Aéreos Portugueses, S. A.”. O Decreto-Lei

  • é visto e aprovado em Conselho de Ministros de 2 de Agosto de 2012
  • promulgado em 18 de Setembro de 2012,
  • publicado a 21 de Setembro.

Estas datas dão a medida de como o Governo não respeitou formalidades que devem ser respeitadas.

O Governo retoma o quadro legal de 1998/2003 e considera que a 1ª fase da Privatização é a constituição da TAP, SGPS, e a 2ª é a “operação de reestruturação empresarial do Grupo TAP”, através da decisão de constituir duas empresas: a de Manutenção e a de Assistência em Escala.

A “operação de privatização, ao incidir sobre o capital social da própria sociedade gestora de participações sociais do Grupo TAP, assenta numa estratégia integrada de alienação, que se considera especialmente adequada a potenciar a maximização do valor da TAP.”.

Esta opção será, brevemente validada pelo Mercado e medida pelo sucesso da privatização.

2.4.2.Alguma Degradação do Grupo TAP 

*Resultados Líquidos no Grupo TAP (2003/2011)
A partir de 2003, consideramos as empresas do Grupo TAP, tal como figuram no Relatório e Contas do Grupo. O Quadro 2 mostra a evolução do Resultado Líquido de cada uma delas e da TAP, SGPS.

Apesar da simplicidade dos números e a complexidade das empresas, há comentários que se impõem:

  • os números da SPdH agravam-se a partir de 2007 e duram tempo demais, por razões várias e por uma que é crucial: os excessos do Estatuto do Pessoal, cuja correcção exige um despedimento colectivo em Faro e um acordo com os sindicatos, só atingido em situação de ameaça de falência da empresa,

Quadro 2 – Evolução do Resultado Líquido de Empresas do Grupo TAP

Fonte: Elaboração própria – ver Notas no Documento de Trabalho
  • os números da Manutenção do Brasil são consistentemente negativos e excessivos (o de 2009 resulta de receitas extraordinárias) – Fernando Pinto insiste em que se trata de um activo estratégico, mas, na realidade, está a ser no sentido contrário ao desejado,
  • os números da TAP, SA escondem a resposta à pergunta que a Privatização trará a debate e acção: qual a parte de custos que ainda resulta de despesas de pessoal, incompatíveis com uma maior rentabilização da empresa?,
  • a Parpublica, SGPS, desde há anos, e noticias «plantadas» na comunicação social sabem os deuses por quem, têm sublinhado a insustentabilidade do nível dos Capitais Próprios, mas o “accionista Estado” deixa a empresa ir a Privatização neste estado e com o perigo de criar uma situação de stress na venda.

*Evolução do Capital Próprio da TAP, SGPS (2003/2011)
Entre 2003 e 2007, o Capital Próprio da TAP, SGPS é positivo, com valores entre 1.2 e 40.6 milhões de euros.

Em 2007, há uma alteração de regras de contabilização e Gráfico 5 ilustra a evolução do capital próprio da TAP, SGPS, de acordo com as novas regras, entre 2007 e 2011.

Esta evolução consistentemente negativa cria uma situação insustentável à TAP, SGPS, é objecto de críticas violentas nos Relatórios da Parpublica, SGPS, detentora do Capital Social da TAP, SGPS, perante o silêncio do “accionista Estado”.

Gráfico 5 – Evolução do Capital Próprio da TAP, SGPS, (2007/2011 - milhões de euros)

Fonte: Elaboração própria com base nos Relatórios do Grupo TAP
Nota – Ver informação adicional no Documento de Trabalho

2.4.3.Uma Privatização Decisiva

*Valor e Potencial de Crescimento do Grupo TAP
A privatização em curso é um teste decisivo a duas «verdades correntes»:

  • alto valor e sustentabilidade do hub da TAP,
  • capacidade de, com mais investimento, o Grupo TAP crescer sustentadamente.

Se o teste for positivo, estaremos todos de parabéns. A Nova Realidade da TAP, fruto da Gestão Profissional e da Estratégia de 2001, passa a ser uma realidade no mercado internacional da aviação civil.

*Uma Privatização Sob Stress?
Ignoramos até que ponto

  • quem negoceia a venda da TAP o faz sob stress, com origem no prazo da Troika e na descapitalização da TAP, SGPS, 
  • quem negoceia a compra está consciente deste stress e da capacidade negocial acrescida de que dispõe.

O péssimo exemplo da privatização do BPN ainda está na nossa memória.

*Uma Privatização Decisiva
A Privatização da TAP é decisiva para o futuro da Companhia porque, ou o Mercado reconhece o seu valor, ou não.
Ninguém pode excluir esta segunda possibilidade. O Governo tem a obrigação de ter previsto um Plano B, em alternativa ao sucesso da privatização. Desconhecemos se o fez.

Pela Genealogia da TAP sabemos que

  • uma «grande TAP» só foi possível graças às “linhas de África” (1961/1974) e é actualmente possível graças ou ao “hub intercontinental”, em ambos os casos com base em importante tráfego de longo curso,
  • uma TAP realista, no sentido de ter sustentabilidade, e exclusivamente de «base portuguesa» nunca existiu e terá muita dificuldade em ser criada.

Sobre esta segunda hipótese, em 2012/2013, a falência da TAP, SGPS e a sua reconversão em companhia aérea «realista» continua bloqueada

  • em parte pela Nacionalização, complicada agora pelas regras comunitárias,
  • pela ausência do equivalente português do Chapter 11 dos Estados Unidos. 

Acontece que manter a TAP, SGPS no Estado, independentemente de violar o Memorando de Entendimento, exige capitalização urgente, introdução de reformas que reduzam custos e uma relação positiva entre Administração/Gestão e o “accionista Estado”

A aparente ausência de um Plano B torna a Privatização da TAP ainda mais decisiva.

Nota Final - Nesta fase do nosso trabalho, não analisamos a Dívida da TAP nem os Acordos de Empresa.

A Bem da Nação
Albufeira 21 de Setembro de 2012
Sérgio Palma Brito


Notas
  • As Referências e Fontes figuram no Documento de Trabalho, de modo a não sobrecarregar o texto,
  • Os Quadros e Gráficos são estruturados pelo Dr. Ricardo Baptista. Eventuais erros são da nossa responsabilidade exclusiva.


Privatização da ANA – Regionalismo e Visão do Futuro do País

Governo comprometido a blindar interesses do Porto na privatização da ANA, diz Rui Rio - Política - PUBLICO.PT


*Pior do Mesmo versus Visão de Futuro para o País

Citamos o Jornal Público de 4 de Setembro de 2012:

-Título: “Governo comprometido a blindar interesses do Porto na privatização da ANA, diz Rui Rio”.

-Destaque: “O presidente da Câmara Municipal do Porto disse hoje que o Governo se comprometeu a introduzir cláusulas no concurso de privatização da ANA - Aeroportos de Portugal que salvaguardem os interesses específicos do aeroporto Francisco Sá Carneiro.”.

-Texto: “As cláusulas estão ainda a ser preparadas e, segundo explicou Rui Rio, destinam-se a garantir que o interesse da infra-estrutura aeroportuária do Norte “não possa, um dia mais tarde, ser engolido pelo interesse do aeroporto maior”, o de Lisboa.”.

Desde há tempos, o Publico informa sobre tomadas de posição que vão no mesmo sentido. Chegada a vez de Rui Rio, a pessoa e o político exigem que se comece a fazer a separação de águas entre duas posições:

-entrar no jogo do Sistema Politico, Administrativo e Empresarial do Transporte Aéreo em que o Estado, no sentido lato, define a política, é proprietário de instalações, seu utilizador, administração pública, regulamentador e fiscalizador, accionista, gestor e fiscal de empresas, concorrente de si próprio, regulador e regulado, concedente e concessionário,

-defender que a Futura Gestão Privada dos Aeroportos de Portugal seja orientada por uma Politica Nacional, obrigada por decisões políticas claras sobre Transparência do Sistema, com Supervisão e Regulação por Regulador forte e independente.

Rui Rio

-ilude-se se pensa que defende a sua Cidade e Região com promessa do Governo evitar que o aeroporto do Porto seja engolido pelo de Lisboa,

-limita-se a insistir em “pior do mesmo”,

-não entende a necessidade de definir novas regras [a seguir, diremos quais] para a Futura Gestão Privada dos Aeroportos de Portugal.

*Política de Transporte Aéreo para o País

Em1944, “éramos a única potência colonial sem um serviço aéreo que nos ligasse aos territórios ultramarinos” [Memórias de Humberto Delgado]. Salazar define e implementa uma política de transporte aéreo para o País: criar essa companhia aérea, negociar Direitos de Tráfego que a protegessem e edificar aeroportos. Em 1961, a Guerra Colonial dá uma nova dimensão a esta política e gera o tráfego de passageiros que faz da TAP, SARL, formalmente criada em 1953, uma empresa moderna e rentável.

De 1975 à actualidade, temos tido algumas decisões políticas importantes e muitas irrelevantes. Na ausência de uma Politica para o País, deixámos reforçar o Sistema do Transporte Aéreo, com a sua dinâmica própria e sem amarras a uma realidade nacional.

Sem piadas de mau gosto, em 2012/2013 precisamos de decisão política equivalente à de meados da década de 1940. Entre outros, só esta Politica pode dar sentido nacional à privatização da TAP e ANA e, SOBRETUDO, ao que se vai passar nos próximos anos.

É evidente que esta decisão política tem de fazer do Transporte Aéreo um instrumento para a acessibilidade aérea competitiva a Portugal, o que integra o hub da TAP em Lisboa. Parece vago, e é. Dá uma pista, mas uma política como esta constrói-se – voltaremos ao tema.

Já mostrámos como, em 2010, a quando da discussão do modelo de privatização da ANA, PS e PSD parecem baratas tontas a correr atrás de politics, porque não têm policies que estruturem a sua intervenção:


*Rede Aeroportuária Gerida pela ANA,SA e a Transparência que Falta ao Sistema

Desde 1998, a ANA, SA gere uma Rede formada pelos aeroportos de Lisboa, Porto, Faro, Ponta Delgada, Horta e Flores. Desde 1991, os aeroportos de Funchal e Porto Santo são geridos pela ANAM, SA, cujo accionista maioritário é a ANA,SA.

A Rede de Aeroportos gerida directamente pela ANA, SA é definida em 1998 (criação da ANA, SA) e, por essa via, remonta a 1979 (criação da Empresa Pública Aeroportos e Navegação Aérea). O Decreto-Lei n.º 86/2011, de 1 de Julho, dispõe que “A rede aeroportuária deve basear -se em princípios de estabilidade na sua constituição e de solidariedade no seu desenvolvimento”. Por outras palavras:

- na Rede de Aeroportos gerida pela ANA, há Subsídios Cruzados entre os aeroportos da rede.

Rui Rio ainda não foi informado sobre uma originalidade do Sistema:

- em 1998, à ANA, SA “é atribuída a concessão de serviço público aeroportuário de apoio à aviação civil”,

-o Contrato de Concessão entre o Estado Concedente e a Empresa de Capitais Públicos ANA, SA só é aprovado em 2010, na perspectiva do Novo Aeroporto de Lisboa e está obsoleto,

-o actual Governo ainda não aprovou o Decreto-Lei das Bases do Novo Contrato de Concessão e, ainda menos, aprovou este.

Portugal não é caso único de Rede Aeroportuária com Subsídios Cruzados, mas Portugal palco de duas situações inaceitáveis.

A primeira é a de uma Concessão sem Contrato, e Gestão Aeroportuária sem Politica Nacional estabilizada e substituída por politics, que variam com Ministros, Partidos e Governos,

A segunda é resumida pela ICAO [Doc. 9562, 2.32], e assenta na existência de diálogo entre a Gestora Aeroportuária e os Utilizadores e leva a duas conclusões:

-sobre o compatibilizar prós e contras de Rede e Subsídios Cruzados, “an equilibrium should be sought between the interests of airport and users; and that in cases where cross-subsidization within a national network is applied, than full transparency is necessary”,

-“With regard to international operation and management of airports, this for of organization should be exerted with caution and could be considered as acceptable as long as it brings lower charges through economies of scale.”.

No caso da rede de aeroportos explorada pela ANA, não tem havido negociação com os utilizadores, há “cross-subsidization”, mas estamos muito longe de haver “full transparency” e não há confirmação independente de economias de escala.

*Portela 2012 – Imparcialidade, Transparência e Não Descriminação na Atribuição de Slots

Já abordámos uma situação a que quase ninguém presta atenção e que ilustra bem

-a incapacidade de políticos contrariarem o Sistema,

-como o Sistema exclui um mecanismo independente de Transparência e Regulação, para dirimir uma situação sensível como é o congestionamento na procura de slots no Aeroporto de Lisboa,

-como ainda nos arriscamos a privatizar a ANA, com uma Renda incluída.


*Privatização, Supervisão e Regulação

Um pouco por todo o mundo, a privatização, parcial ou total, de aeroportos tem sido acompanhada por medidas de Regulação Económica.

Em Portugal, dispomos de disposições legais cujos aspectos positivos não devem ser ignorados, MAS

-não há uma cultura de Supervisão/Regulação e a sua implementação pelo INAC, IP exige uma alteração realmente profunda deste Instituto – talvez não fosse mau mudar de nome e de edifício sede,

-não há uma clarificação prévia das competências da intervenção da Autoridade da Concorrência e no reforçar esta entidade para poder intervir no Transporte Aéreo,

-nos documentos da ICAO, há quase uma obsessão com a Transparência e a palavra é repetida quase ao excesso – dos Decretos-Lei sobre Regulação Económica e da Qualidade de Serviço, ou muito nos enganamos, ou esta palavra não é utilizada.

Este é tema dos posts sobre a Privatização da ANA.

*De Regresso ao Porto e a Rui Rio   

Não é fácil abordar a privatização da TAP e da ANA e, SOBRETUDO, os “years after”. Ai de quem se queira limitar a bullet points e power points!

Este post é motivado pelas palavras de Rui Rio e é um pequeno exemplo do trabalho que já desenvolvemos, mas ainda não publicámos.

Goste-se ou não de Rui Rio, ele é um dos políticos em que pensamos, quando procuramos uma liderança inovadora para o País. Confrange-nos que Rui Rio, face às questões de fundo (Politica para o País, Transparência, Regulação e Supervisão, entre outras) se perca na pequena e estéril defesa do que ele pensa ser um privilégio do Aeroporto do Porto – verdade seja dita, um dos que terá beneficiado da Gestão em Rede e dos Subsídios Cruzados.

We will be back!

A Bem da Nação

Albufeira 5 de Setembro de 2012

Sérgio Palma Brito

Informação adicional sobre o “acordo” entre a TAP e o Sindicato dos Pilotos


Em 8 de Agosto, publicámos o post:

-“Privatização da TAP, Sindicato dos Pilotos e Urgente Intervenção da Procuradoria-Geral da Republica”.


A 8 de Agosto, repetimos afirmação que já figura em post anterior:

-“O Relatório e Contas da TAP referente a 1999 não refere o Acordo, que o SPAC afirma ter sido assinado.”.

Uma leitura mais detalhada do Relatório e Contas de 1999 permite-nos encontrar, no inventário mensal dos Destaques de 1999, um item do mês Julho:

-“Assinatura do Acordo de Empresa, com o sindicato representativo dos pilotos (SPAC)”.

Para os menos familiarizados com os Destaques dos Relatórios da TAP, informamos que incluem um pouco de tudo. No caso do de 1999, vai desde a “Edição do III TAP Challengers, em Terras de Bouro” ao “Início do Serviço de Vendas a Bordo nos voos para as ilhas Terceira e Faial”.

Não parece ser o local apropriado para o Conselho de administração informar da existência de um Acordo que oferece 20% do capital da empresa a um Sindicato.

A mesma leitura permite constatar que o ponto do Relatório sobre “Processo de Privatização”

- começa: “O processo de privatização da TAP foi condicionado, no período inicial do ano, pelo conflito laboral que envolveu a companhia e o sindicato representativo dos pilotos”,

-nada mais acrescenta.

A presente informação adicional não altera o que afirmámos, mas situa melhor o que seria haver acordo e o Conselho de Administração não o assinalar no relatório.

Continuamos a aguardar que

-ou o Governo peça à Procuradoria-Geral da Republica para esclarecer o caso do contrato,

-ou a Procuradoria tome a iniciativa de intervir, no âmbito da sua competência de “Promover a defesa da legalidade democrática”.

A Bem da Nação

Albufeira 27 de Agosto de 2012

Sérgio Palma Brito

TAP precisa de injecção de 385'3 milhões de euros - Especiais - DN

TAP precisa de injecção de 385'3 milhões de euros - Especiais - DN


Segundo o Jornal de Negócios, “O conselho de administração da TAP (1), nos últimos anos, não tem conseguido travar a descapitalização do grupo. […] propõe ao accionista a entrada de dinheiro de 385,3 milhões de euros. Ao Negócios, fonte oficial da companhia explicou que esta proposta em nada se prende com o processo de privatização. "A administração precisa pedir que o accionista resolva a situação. Isto é feito todos os anos (2)", detalhou.”. Ver (http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=573259&pn=1).

O cidadão português, “accionista forçado” da TAP SGPS, merece melhor informação, por ser cidadão e por se arriscar a ainda ter de pagar para o Governo vender a TAP SGPS (3). Para sabermos um pouco mais, recorremos ao Relatório de 2011 da PARPÚBLICA – Participações Públicas, SGPS, S.A. É uma Sociedade Gestora de Participações Sociais, de capitais exclusivamente públicos e que é instrumento do Estado para actuação em domínios, de que destacamos dois:

 -Gestão de participações em empresas em processo de privatização ou privatizáveis a prazo;

-Desenvolvimento dos processos de privatização, no quadro determinado pelo Governo.


*Grupo TAP – Situação Financeira

Apresentamos os pontos pertinentes do Relatório da Parpública [os sublinhados são nossos]:

-“Na ausência de medidas estruturais visando a recapitalização da empresa e persistindo as condicionantes estruturais de custos globais e marginais com ausência de sinergias que afectam negativamente os negócios do Grupo, a TAP manteve em 2011 uma trajectória negativa”, a qual “coloca os capitais próprios do Grupo TAP (antes de interesses não controlados) abaixo dos € 350 milhões”;

-“A dívida remunerada do Grupo manteve-se nos 1,2 mil milhões de euros”, uma redução de € 46 milhões em relação a 2010.

Destacamos o parágrafo final:

-“A evolução que se vem registando há vários anos e as limitações legais a um envolvimento público na capitalização directa da TAP (4), colocam a reprivatização da empresa como imprescindível para a criação de condições que garantam a sustentabilidade dos negócios da empresa, em particular num contexto recessivo da actividade económica e de grande instabilidade dos mercados financeiros.”.


*Grupo TAP – Resultados de Actividade:

Apresentamos os pontos pertinentes do Relatório da Parpública:

-“O ano de 2011 revelou-se fortemente negativo para o Grupo TAP que encerrou o exercício com um resultado líquido negativo de € 76,8 milhões, significativamente pior do que o prejuízo de €57,1 milhões registados no ano anterior.”;

-“Este desempenho negativo verificou-se mesmo ao nível do transporte aéreo”, com um lucro de € 3,1 milhões de euros, quando, em 2010, tinha sido de € 59,2 milhões;

-“ a actividade de handling encerrou o ano com a SPdH (5) a apresentar resultados negativos de € 11,1 milhões”, ainda assim melhores que os o prejuízo de € 43,6 milhões, em 2010;

-“a redução de efectivos ocorrida da SPdH (474) corresponde a quase 70% da redução total verificada ao nível do Grupo TAP e que foi de 718” (6);

-“a área de negócio com contributo mais fortemente negativo para o Grupo TAP continua a ser a manutenção e engenharia desenvolvida no Brasil”, com um resultado líquido negativo de € 62,7 milhões, ainda assim inferior aos € 73,1 de 2010.


*Nota Final

Entre a objectividade sintética do Relatório da Parpública e o Relatório do Grupo TAP, mais a sua excelente máquina de Comunicação, falta-nos uma informação completa e isenta sobre um dos mais importantes Grupos de empresas do País e sobre a mais emocional, potencialmente conflitual, politicamente já envenenada e mais difícil das Privatizações.

Este post é rudimentar contribuição para uma melhor informação.

Brevemente, dois posts

-um sobre a formação/venda da SPdH, a concorrência com a Portway e a degradação do nível de serviço no Aeroporto da Portela, entre final de 2006 e início de 2008,

-outro sobre a TAP – Manutenção e Engenharia Brasil, S.A., apresentada como “investimento estratégico” e, pelo menos nos prejuízos, realmente estratégico.


A Bem da Nação

Albufeira 14 de Agosto de 2012

Sérgio Palma Brito



Referências

(1)No Grupo TAP não há “conselho de administração”, mas sim Conselho Geral e de Supervisão e Conselho de Administração Executivo – supomos que o “comunicador” é este último.

(2)É um ritual do género de Cantar as Janeiras à porta de quem não tem dinheiro e, tendo, não o pode dar – como é dito adiante, o Estado não pode, directamente, recapitalizar a TAP (ou poderia, em parceria com um privado, mas teria de o encontrar e acompanhar, pelo menos a 50%).

(3)Num certo clima de euforia, ninguém admite, pelo menos publicamente, o cenário de «o que o Estado recebe não paga a capitalização mais a dívida».

(4)É a versão profissional da inutilidade superveniente do “conselho de administração” Cantar as Janeiras, na Rua de S. Bento – muito provavelmente este cantar é uma formalidade legal ou o acautelar o futuro com «nós bem avisámos».

(5)Handling ou Goundhandling é a Prestação de Serviços de Assistência em Terra. A SPdH é uma empresa formada a partir da TAP e conhecida pela marca Grounforce – na actualidade, já é controlada pela iniciativa privada.

(6)Cerca de 400 destes trabalhadores estavam sediados em Faro, onde eram pagos para nada fazer, por a SPdH não ter companhias aéreas que escolhessem os seus serviços … por efeito da concorrência da Portway, do Grupo ANA – no Transporte Aéreo o Estado foi o concorrente do Estado, chegando a ter prejuízos em ambas as empresas. Brilhante!

Privatização da TAP, Sindicato dos Pilotos e Urgente Intervenção da Procuradoria-Geral da Republica


O Económico online informa:

-“ O Sindicato dos Pilotos de Aviação Civil (SPAC) disse hoje que "o acordo de 1999 deve ser observado à luz dos princípios que estiveram subjacentes à sua celebração e cujos termos os pilotos não abdicam", depois da SIC Notícias ter noticiado que o Governo e a administração da TAP receberam um parecer jurídico que diz que os pilotos não têm direito a receber automaticamente acções da companhia no processo de reprivatização.”.

Segundo a SIC, a Comissão Executiva da TAP terá pedido um Parecer jurídico sobre o assunto e o Parecer contraria a tese do Sindicato.


*Factos

Desde há meses, o SPAC reclama a titularidade de 20% do capital da TAP, no cenário de uma privatização como a que está em curso.

Desde há meses, o Governo mantém um imprudente silêncio. Por uma vez, devia ter falado e tê-lo feito de maneira formal, firme e clara.

O Relatório e Contas da TAP referente a 1999 não refere o Acordo, que o SPAC afirma ter sido assinado.

Não é preciso ser um jurista caro para perceber que um eventual Acordo não respeitava a legislação então em vigor. Já aqui o demonstrámos – ver


Há meses, no Comentário que faz na SIC Noticias, João Cravinho desmentiu ter assinado qualquer acordo.


*Inaceitável Falta de Firmeza do Governo e Intervenção da Procuradoria Geral da Republica

Nos termos do Artigo 10º do Ministério Público, compete, entre outras, à Procuradoria-Geral da República

-“d) Pronunciar-se sobre a legalidade dos contractos em que o Estado seja interessado, quando o seu parecer for exigido por lei ou solicitado pelo Governo;”.

Que espera o Governo para pedir à PGR para se “pronunciar sobre a legalidade” do Contrato em causa?

Este é um daqueles casos em que o Governo NÃO DEVE pedir parecer a uma Sociedade de Advogados.

Tem a obrigação política de

-esclarecer a confusão que o seu silêncio permitiu,

-para o efeito solicitar a intervenção da PGR, nos termos da alínea d) do Estatuto do Ministério Público.

Importa repor a legalidade republicana e acabar com o alarido em torno deste não assunto.


*Sobre a Intervenção da Procuradoria-Geral da Republica

A primeira Competência da PGR é

-“a) Promover a defesa da legalidade democrática;”.

Não somos jurista, mas a situação actual parece justificar a intervenção da PGR, por iniciativa própria,  para “defesa da legalidade democrática”.

Recusamos uma Democracia em que a PGR intervém se receber uma denúncia anónima (tipo “quem assinou o Contrato fica com 10% dos 20%”), mas tem iniciativa limitada na “defesa da legalidade democrática”, quando há confusão sobre um Contrato, que seria uma clara violação dessa “legalidade democrática”.


*A Próxima Greve dos Pilotos

Não sabemos quando vai ter lugar a próxima greve dos pilotos da TAP. Como utilizam argumentos de non sense, é possível a qualquer hora.

Sabemos que a Privatização da TAP, se for conduzida com transparência e firmeza”, vai provocar uma Greve dos Pilotos.

Esta é uma razão suplementar para o Governo ser formal, firme e claro nesta opera bufa do Contrato do Sindicato dos Pilotos.

Se alimenta a ilusão que ganha a paz com paninhos quentes, comete grande erro de avaliação. Vai ter guerra e guerra da boa, que só por milagre não se alarga a toda a TAP.

Votaremos a este tema, a propósito da falta de envolvimento do PS e Parceiros Sociais na Privatização da TAP.


A Bem da Nação

Albufeira 9 de Agosto de 2012

Sérgio Palma Brito

2011 – Turismo Interno: Residentes em Portugal a Viajar no País em Que Vivem


Entre 2009/2011, a percentagem de Residentes em Portugal que fez uma Viagem Turística no País, de «pelo menos uma noite», baixa de 31.5% para 28.7% (1). Em Agosto de 2012, o «Direito a Férias fora de casa» está fora de uma agenda social dominada por necessidades mais básicas.
Entre 2009/2010, o número de Dormidas durante as Viagens Turísticas cai 16%, mas, entre 2010/2011, cresce 2.5%. Este crescimento é de 8.6% no Motivo Profissional, de 7.9% no Motivo Visita a Familiares e Amigos e de 0.5% no Motivo Lazer – na realidade as Viagens de Lazer estagnam.
Com efeito, os Residentes em Portugal viajam por três Motivos: Lazer, Visitas a Familiares e Amigos e Negócios representam 94.7% do número de Total de Dormidas. O número de Dormidas durante as Viagens por Motivo de Saúde e Religião representam apenas 1.2% do Total.
Durante as Viagens, o Meio de Alojamento Turístico (2) mais utilizado é o Alojamento Gratuito em Casa de Familiares e Amigos (48.1%), seguido da Casa de Férias utilizada pelo próprio (23.9%), pelos Estabelecimentos Hoteleiros (13.1%) e pelos Apartamentos/Casas arrendados (9.7%).
A análise por Motivo e Destino mostra a importância da Região Centro (29.1% das Dormidas). O Algarve domina nas Dormidas nas Viagens por Motivo de Lazer. Nas Viagens por Motivo de Visita a Familiares e Amigos, Centro e Norte são os Destinos Regionais mais importantes.
As Dormidas no Alojamento Turístico Privado representam 82.8% do Número Total de Dormidas em Todos os Meios de Alojamento. Nas Dormidas no Alojamento Turístico Privado, o Alojamento Gratuito por Familiares e Amigos representa 58.1%, a Casa de Férias dos Próprios 13.2% e os Apartamentos/casas arrendados 11.8%.
O número das Dormidas em todos os Meios de Alojamento Turísticos é quatro vezes mais importantes do que o das Dormidas no Alojamento Turístico Classificado.
Em 2011, há 422 milhares de Viagens ao Estrangeiro por Residentes em Portugal, organizadas com recurso a Agência de Viagens ou Operadores Turísticos. Destas, 292 milhares são organizadas “parcialmente” e 129 milhares são “tudo incluído” (3). Entre 2010/2011, o número de Viagens com “tudo incluído” passa de 187 a 129 milhares, uma queda de 31.0%.
O presente post é apoiado por Documento de Trabalho, com os Quadros de apoio aos Gráficos e elementos da Metodologia do INE (https://docs.google.com/open?id=0Bwm0NmwjZfYidlpBLWo3VmlKNEk).

a) Turistas, Viagens e Dormidas no Destino Portugal


*Percentagem da População Residente que faz pelo menos uma Viagem Turística, por ano, a Portugal
O Gráfico 0 ilustra a percentagem da População Residente que faz pelo menos uma Viagem Turística em Portugal, por ano. Dois comentários:
-mesmo no último ano de «viver bem em Portugal», apenas 31.5 dos Residentes no País fazia uma Viagem Turística,
-a partir de 2010, há uma queda brusca, que se mantém em 2011.

Gráfico 0 – Percentagem da População Residente que, por ano, faz pelo menos uma Viagem Turística em Portugal
Fonte: Elaboração própria com base em INE – Estatísticas de Turismo 2011

Em 2007, ainda era obrigatório, justo e possível fazer uma referência ao Direito às Férias, de que os Congés Payés do Governo da Frente Popular, na França de 1936, eram o ícone. Em 2012, continua a ser justo fazer esta referência, mas a degradação da situação económica e social torna-a algo deslocada.

*2011 – Turistas, Viagens e Dormidas de Residentes em Portugal, no Destino Portugal (2009/2011)
O Gráfico 1 ilustra a evolução 2009/2011 do número de Turistas, Viagens e Dormidas de Residentes em Portugal, no Destino Portugal. O Quadro 1 quantifica a evolução ilustrada pelo Gráfico e mostra que o número de Dormidas

  • diminui 19% entre 2009/2010,
  • cresce ligeiramente (2.5%) entre 2010/2011.

Se recordarmos a evolução do número de Dormidas durante as Viagens Turísticas ao Estrangeiro pelos Residentes no Reino Unido, encontramos um padrão semelhante, mas com a queda a ter lugar entre 2008/2009 (ver a introdução de http://sergiopalmabrito.blogspot.pt/2012/07/travel-trends-2011-viagens-ao.html). É sabido como, em Portugal, o Governo ajudou a que boa parte da população ainda conseguisse iludir a crise durante o ano de 2009 – por coincidência, ano de Eleições.

Gráfico 1 – Turistas, Viagens e Dormidas de Residentes em Portugal, no Destino Portugal (2009/2011)
Fonte: Elaboração própria com base em INE – Estatísticas de Turismo 2011 



Quadro 1 - Turistas, Viagens e Dormidas de Residentes em Portugal, no Destino Portugal
           2009    2010    2011
Turistas    3.348   3.044   3.060
Viagens    16.158  13.764  13.727
Dormidas   64.218  53.964  55.286

*Dormidas por Motivos das Viagens Turísticas dos Residentes em Portugal e com Destino Portugal (2009/2011)
Consideramos apenas as Viagens Turísticas pelos três principais Motivos: Lazer, Recreio ou Férias; Visita a Familiares e Amigos; Negócios e Profissionais. Em 2011, a soma das Dormidas durante estas Viagens representa 94.7% do número total de Dormidas.
O INE quantifica ainda os Motivos Saúde e Religião (649 milhares) que representam 1.2% do Total de Dormidas, e Outros Motivos (2.064 milhares) que representam 3.7% do Total de Dormidas.
O Gráfico 2 ilustra a evolução 2009/2011 do Número de Dormidas dos principais Motivos de Viagens. O padrão é o mesmo do identificado antes: queda importante entre 2009/2010 e subida ligeira entre 2010/2011.
Entre 2010/2011, a subida é 8.6% no Motivo Profissional, de 7.9% no Motivo Visita a Familiares e Amigos e de 0.5% no Motivo Lazer.

Gráfico 2 – Dormidas por Motivos das Viagens Turísticas dos Residentes em Portugal e com Destino Portugal (2009/2011)
Fonte: Elaboração própria com base em INE – Estatísticas de Turismo 2011

*Importância Real e Crescente de «Familiares e Amigos»
Habituados a reduzir a análise do Turismo aos Hóspedes e Dormidas no Alojamento Turístico Classificado, não damos a atenção a outras realidades da Economia do Turismo. É, nomeadamente, o caso dos «Familiares e Amigos», que surgem ligados a

  • Viagens Turísticas, cujo Motivo é a Visita a Familiares e Amigos,
  • Meio de Alojamento Turístico Privado: Alojamento Gratuito em Casa de Familiares e Amigos.

Estas duas noções,

  • estão fortemente interligadas: quem Visita Familiares e Amigos tem tendência a utilizar o Alojamento Gratuito em Casa de Familiares e Amigos,
  • conhecem Novas Dinâmicas, como é o caso das Viagens Turísticas Internacionais pela Diáspora, nas quais os Meios de Alojamento Turístico utilizados tendem a ser, também, o Alojamento Turístico Classificado.

As Viagens cujo Motivo é a Visita a Familiares e Amigos

  • têm impacte significativo na Economia Local e Regional, seja em Turismo Interno ou Turismo Receptor,
  • representam, no caso do Turismo Receptor, um Segmento relevante da Procura por Transporte Aéreo,
  • exigem uma atenção mais aberta, qualificada e «amiga», que substitua o seu tradicional ignorar/ostracizar pela Visão Redutora de Turismo.


*Dormidas por Motivo da Viagem e Principal Meio de Alojamento Turístico Utilizado (2011)
O Gráfico 3 ilustra, em 2011, as Dormidas por Motivo de Viagem e Principal Meio de Alojamento utilizado.
O INE considera dois Meios de Alojamento Turístico Colectivo e quatro de Alojamento Turístico Privado, mas, no Gráfico não incluímos os Quartos Arrendados em Casa Particular. No Gráfico, as designações utilizadas pelo INE são:

  • Estabelecimentos Hoteleiros e Similares (4)
  • Outros Estabelecimentos de Alojamento Colectivo.
  • Apartamentos/Casas arrendados a particulares ou a agências profissionais; 
  • Casa de Férias utilizada pelo proprietário e família; 
  • Alojamento fornecido gratuitamente por familiares ou amigos.

O Gráfico 3 confirma a importância dos três Meios do Alojamento Turístico Privado e a impossibilidade de serem ignorados pela Politica de Turismo e por quem analisa a Economia do Turismo. O detalhe por Destinos Regionais reforça esta afirmação [ver a seguir].
O Meio de Alojamento Turístico mais utilizado é o Alojamento Gratuito em Casa de Familiares e Amigos (48.1%), seguido da Casa de Férias utilizada pelo próprio (23.9%), pelos Estabelecimentos Hoteleiros (13.1%) e pelos Apartamentos/Casas arrendados (9.7%).

Gráfico 3 – Dormidas por Motivo da Viagem e Principal Meio de Alojamento Turístico Utilizado (2011)
Fonte: Elaboração própria com base em INE – Estatísticas de Turismo 2011

b) Dormidas Durante as Viagens em Portugal, por Destinos Regionais

*Dormidas por Motivo da Viagem e Destino
O Gráfico 4 ilustra o número de Dormidas por Motivo da Viagem e Destino, em 2011.
No caso das Dormidas durante as Viagens por Motivo de Visita a Familiares e Amigos, os Destinos Regionais mais importantes são Centro e Norte e o Algarve é o menos relevante de todos os Destinos Regionais.
No caso das Dormidas durante as Viagens por Motivo de Lazer, o Algarve domina, o que parece óbvio, mas o Centro surge com um destaque a exigir análise detalhada.
A repartição do Total das Dormidas por Destino Regional reserva surpresas. A ordem dos destinos é Centro (29.1%), Algarve (23.7), Norte (19.9%), Lisboa (14.0%) e Alentejo (10.2%).
A Região Centro é exemplo da importância dos Meios de Alojamento Turístico, utilizados por quem não se aloja no Alojamento Classificado.

Gráfico 4 – Dormidas por Motivo da Viagem e Destino
Fonte: Elaboração própria com base em INE – Estatísticas de Turismo 2011

*Dormidas, em Viagem de Lazer, por Duração da Viagem e Destino (2011) 
O Gráfico 5 ilustra o número de Dormidas, em Viagem de Lazer, por Duração da Viagem e Destino (2011). Uma análise mais fina das Viagens dos Residentes em Portugal implica considerar a duração da Viagem. A importância das Dormidas durante as Viagens por Motivo Lazer, nos Meios de Alojamento Turístico do Algarve, é mais evidente nas Viagens de duração “quatro e mais noites”.

Gráfico 5 – Dormidas, em Viagem de Lazer, por Duração da Viagem e Destino (2011)
Fonte: Elaboração própria com base em INE – Estatísticas de Turismo 2011

*Dormida por Motivo de Visita a Familiares e Amigos, por Duração da Vigem e Destino (2011)
O Gráfico 6 ilustra o número de Dormidas por Motivo de Visita a Familiares e Amigos, por Duração da Vigem e Destino. Constatamos

  • a irrelevância do Algarve,
  • de novo, o lugar de destaque do Centro,
  • em todos os Destinos, excepto no Algarve, uma diferença considerável entre o número de Viagens de “pelo menos uma noite” e o de Viagens de “quatro e mais noites”.

Gráfico 6 – Dormida por Motivo de Visita a Familiares e Amigos, por Duração da Vigem e Destino
Fonte: Elaboração própria com base em INE – Estatísticas de Turismo 2011

c) Relação com Alojamento Turístico Classificado e Agências de Viagens


*Dormidas em Todos os Meios de Alojamento
O Gráfico 7 ilustra as Dormidas em Todos os Meios de Alojamento Turístico.
No caso do Alojamento Turístico Privado:

  • o Total das Dormidas representa 82.8% do Número Total de Dormidas em Todos os Meios de Alojamento,
  • no Alojamento Gratuito por Familiares e Amigos representa 58.1%, a Casa de Férias dos Próprios 13.2% e os Apartamentos/casas arrendados 11.8%.

No caso do Alojamento Turístico Colectivo,

  • o Total das Dormidas (9.5 milhares de Dormidas) representa os restantes 17.2% do Número Total de Dormidas em Todos os Meios de Alojamento.


Gráfico 7 – Dormidas em Todos os Meios de Alojamento
Fonte: Elaboração própria com base em INE – Estatísticas de Turismo 2011

*Dormidas em Alojamento Turístico Classificado e em Todos os Meios de Alojamento: Total Nacional e Destinos Regionais
O Gráfico 8 compara o Número de Dormidas (Total do País e detalhe por Destino Regional) segundo os dois grandes Inquéritos do INE

  • o dirigido à Procura: Inquérito às Deslocações dos Residentes,
  • o dirigido à Oferta: Inquérito à Permanência de Hóspedes e Outros Dados na Hotelaria.

Para além destes dois, falta o INE realizar o Inquérito às Deslocações dos Não Residentes em Portugal (5). Este Inquérito é indispensável para conhecermos os Não Residentes que visitam Portugal: entre outros, o “quem são, como se alojam, o que fazem, quanto gastam”.
Citamos duas realidades a exigir serem melhor conhecidas:

  • a Procura existente e a potencial da Diáspora Portuguesa,
  • quantos são e o que fazem os Visitantes Independentes.

Sobre estes últimos, recordamos as Dormidas dos Residentes no Reino Unido durante as Viagens a Portugal. Há 6.259 milhares de Dormidas no Alojamento Classificado e 18.219 Dormidas, de acordo com o International Passenger Survey, em todos os Meios de Alojamento Turístico (ver Ponto 2 de http://sergiopalmabrito.blogspot.pt/2012/07/travel-trends-2011-viagens-ao.html).
O Gráfico 8 ilustra um dos aspectos mais importantes da realidade da Economia do Turismo em Portugal:

  • o número das Dormidas em todos os Meios de Alojamento Turísticos é quatro vezes mais importantes do que o das Dormidas no Alojamento Turístico Classificado.


Gráfico 8 – Número de Dormidas, em Portugal e nos Destinos Regionais, em Alojamento Turístico Classificado e em Todos os Meios de Alojamento Turístico
Fonte: Elaboração própria com base em INE – Estatísticas de Turismo 2011

* Residentes em Portugal: Modalidades de Organização das Viagens, por Agências ou Operadores Turísticos, e com Destino ao Estrangeiro
Abrimos uma excepção ao tema, para referir um aspecto das Viagens ao Estrangeiro, por Residentes em Portugal. O Gráfico 9 ilustra, para os Residentes em Portugal, as Modalidades de Organização das Viagens, por Agências ou Operadores Turísticos, com Destino ao Estrangeiro e Duração de “4 ou mais noites”.
Em 2011, há

  • 1.264 milhares de Viagens ao Estrangeiro por Residentes em Portugal,
  • destas, 1.022 milhares duram “4 ou mais noites”,
  • apenas 422 milhares são organizadas com recurso a Agência de Viagens ou Operadores Turísticos,
  • destas, 292 milhares são organizadas “parcialmente” e 129 milhares são “tudo incluído”.
  • Entre 2010/2011, o número de Viagens com “tudo incluído” passa de 187 a 129 milhares, uma queda de 31.0%.

Gráfico 9 – Modalidades de Organização das Viagens Com Recurso a Agências ou Operadores Turísticos, por Residentes em Portugal e com Destino ao Estrangeiro
Fonte: Elaboração própria com base em INE – Estatísticas de Turismo 2011

A Bem da Nação
Albufeira 8 de Agosto de 2012
Sérgio Palma Brito

Colaboração
A apresentação gráfica do post está a cargo do Dr. Ricardo Baptista. Sempre que os posts envolvem dados estatísticos, beneficiam da sua contribuição crítica.

Referências
(1) O presente post assenta em INE, Estatísticas de Turismo dos anos 2009/2011 e, muito em particular nos resultados do Inquérito às Deslocações dos Residentes.
Há uma observação de base a formular. Se respeitarmos as Recomendações Internacionais Sobre Estatísticas de Turismo, a designação do Inquérito seria “Viagens Turísticas dos Residentes” e não às Deslocações.
Nas Estatísticas de Turismo de 2011, no ponto sobre Inquérito às Deslocações dos Residentes”, o INE escreve (p. 25):
-“Em 2011, 3,9 milhões de residentes em Portugal realizaram pelo menos uma viagem em que tenham dormido uma ou mais noites fora do seu ambiente habitual (não foram contabilizadas as viagens dentro da localidade de residência e para local de trabalho ou estudo habitual) [o sublinhado é nosso]”.
Nesta redacção, Deslocação é substituída por Viagem e são excluídas as Viagens que não são Turísticas. Ao excluir as Viagens que não são Turísticas o INE está, indirectamente, a utilizar a designação de Viagens Turísticas.
Conclusão: porque Diabo não utilizar a expressão Viagem Turística e aumentar a confusão em assunto já clarificado a nível internacional.
(2) O INE utiliza uma tipologia de Alojamento Turístico mais larga do que a do Alojamento Turístico Classificado pelo Turismo de Portugal – ver o ponto 3.1 do Documento de Trabalho. Os Estabelecimentos Hoteleiros do INE não coincidem  com os Estabelecimentos Hoteleiros do Turismo de Portugal.
(3) Se bem percebemos “tudo incluído” designa o Pacote de Férias, com Transporte, Serviços, Alojamento e Alimentação ou não (self catering). Esta designação não deve ser confundida com a actual modalidade de All Inclusive nem com o Inclusive Tour do International Passenger Survey do Reino Unido, ligado a uma garantia legal do Holiday Package. 
(4) Em 1954, o Governo define Estabelecimentos Hoteleiros e Similares, até que os “Similares” dão lugar aos Estabelecimentos de Restauração e Bebidas. Ainda hoje há uma definição legal de Estabelecimentos Hoteleiros. A designação utilizada pelo INE ganhava em substituir Similares por “parecidos”, por exemplo.
(5) Esta frase justifica um post a justificar, passe o pleonasmo, este Inquérito pelo INE, com análise custo/benefício das contagens nas fronteiras terrestres. No caso dos Aeroportos, basta concentrar no INE o que actualmente se gasta em inquéritos dispersos e pontuais, para haver findos disponíveis.