Survey: Fewer Americans planning to take vacations

Já lá vai o tempo em que o que acontecia nos EUA viria a acontecer na Europa meses depois.

Uma coisa é certa, é importante acompanhar o que se passa nos EUA, na Procura, Transporte e Oferta.

No que segue, as tendências são nacionais, o que omite as diferenças entre Estados.

Para os mais curiosos, aqui fica o caminho percorrido!

Começamos por uma notícia da Travel Weekly:


A propósito da Travel Weekly, recomendamos visitas ocasionais ao site


Voltamos à notícia e sugerimos a leitura do relatório original:


Finalmente, deixamos o site da U.S. Travel Association:


Esta cena pode parecer infantilizante para muitos (desculpas, desde já), mas será útil para outros, um que seja.

 A Bem da Nação

Albufeira 7 de Abril de 2012

Sérgio Palma Brito

O Algarve às Sextas (2012.04.06)
Penina e Vale do Lobo – Inovar em 1963



Em 1963, Penina e Vale do Lobo são empreendimentos inovadores. O seu licenciamento é exemplo inspirador da Politica que falta à Economia do Turismo do Algarve: contra pareceres dos Serviços de Turismo, o Ministro das Obras Publicas aprova dois conjuntos de Hotel e Golfe, mais Moradias “cuja venda contribuísse para custear as despesas do empreendimento e aumentar a rentabilidade do projecto”, como pretendiam os promotores.

A partir deste precedente, podemos esboçar o que será Inovar em 2012.



Ao leitor mais interessado, sugerimos a consulta imediata do Documento de Trabalho, que apoia este post (Documento), e do post sobre A Politica Que Falta à Economia do Turismo do Algarve (Documento1)



a)Inovar em 1963



Þ     A Dupla Dimensão da Inovação

Em 1963, a primeira inovação reside na iniciativa privada. Os projectos da Penina e Vale do Lobo inovam, pela sua extensão (cem e mais hectares), pelo golfe e pela venda de moradias, para responder à procura e financiar os projectos.

A segunda inovação reside no seu licenciamento, pelo Ministro das Obras Públicas, e a sua expressão concreta está no terreno:

·          sem as decisões do Ministro, os empreendimentos turísticos da Penina e Vale do Lobo não existiam hoje.



Þ     1962/1963: Duas Iniciativas Empresariais

Em Abril de 1962, o compromisso público do Governo em construir o Aeroporto de Faro marca o «antes» e o «depois» do Turismo do Algarve. A partir do Verão/Outono, fervilham iniciativas privadas de investimento no futuro Turismo do Algarve.

Uma dessas iniciativas é a da Sociedade Agrícola da Penina, SARL, inicialmente criada para a exploração agrícola da Tapada da Penina. No final de 1963, passa a Sociedade Turística da Penina, SARL, e o seu rosto é John Stilwell, uma das mais respeitadas figuras do Turismo do Algarve

A outra iniciativa é da Costain e Leackok Ltda., que sucede à Brochurst Leacckok & Cia, por alteração do pacto social, em Janeiro de 1963. Richard Costain tem importante actividade de construção e promoção imobiliária em Inglaterra e está associado à família Leackok, da tradição da Madeira. Depois, a partir de 1979 e durante quase trinta anos, Sander van Gelder é o empresário de Vale do Lobo – respeita a regra de ouro do bom promotor imobiliário, o que faz surf nas vagas da sociedade e da economia: compra “na crise” e vende “na euforia”.



Þ     Os Projectos da Penina e Vale do Lobo

Na Tapada da Penina, o projecto integra um Campo de Golfe “aproveitando as magníficas condições climatéricas do Algarve durante o Inverno proporcionasse divertimento aos hóspedes, constituísse um poderoso atractivo e permitisse uma maior valorização do conjunto. Escolheu-se a quinta da Penina exactamente porque tinha área suficiente para o Campo de Golfe, possuía bastante água e permitia ainda aproveitar o terreno sobrante de 65 hectares para a divisão de lotes, cuja venda contribuísse para custear as despesas do empreendimento e aumentar a rentabilidade do projecto.”. Este curto texto do Relatório de 1966, resume o que ainda hoje está em causa.

Vale do Lobo ocupa cerca de 100 hectares, com 820 metros de praia. O projecto inicial prevê 1.750 pessoas, um Hotel que pode ter 160 quartos, golfe e “Moradias para aluguer e venda”. A dinâmica é similar à do projecto da Penina.



Þ     Posição dos Serviços e Turismo

Os Serviços de Turismo lidam com uma oferta de turismo limitada aos Estabelecimentos Hoteleiros da Lei 2 073: “Hotéis, pensões e hospedarias; pousadas e estalagens”.

Em Penina e Vale do Lobo, são confrontados com empreendimentos turísticos de cem e mais hectares, com um Hotel, Golfe e Moradias para venda. Perante esta nova realidade, tomam duas posições:

·          em Vale do Lobo, há uma oposição oficial à venda de moradias e andares, seguida de recuo,  uma vez tomada a decisão do Ministro das Obras Públicas,

·          na Penina, não encontramos traça de oposição oficial à venda de moradias, apenas um «fechar os olhos».

Nos dois casos, os Serviços de Turismo acabam por apenas Licenciar o Hotel, com o Golfe entre “as instalações desportivas complementares”, e não ter em consideração a envolvente de moradias.

São exemplos premonitórios do futuro: legislação turística inadequada e incapaz de regular a realidade da procura/oferta, Politica e Serviços de Turismo a ignorar ou hostilizar o turismo residencial e formação de uma Oferta de Turismo fora de um estreito âmbito da sua intervenção.



Þ     Penina: Decisão do Ministro das Obras Públicas

A base da decisão do Ministro das Obras Públicas é uma Informação do Director do Gabinete Técnico do Plano Regional do Algarve, datada de 28 de Novembro de 1963, da qual citamos o essencial [os sublinhados são nossos]:

“parece admissível dar-se satisfação ao que se pretende – lotes de 5.000 m2 pelos seguintes motivos:

·            a construção dum Golfe nesta zona tem de considerar-se como um elemento altamente valorizador da região no aspecto turístico.

·            este elemento é de muito cara construção (alguns milhares de contos) e conservação (centenas de contos anualmente) pelo que raramente surgem iniciativas privadas e muito menos de organismos de carácter público, para o seu estabelecimento.

·            se o plano concebido pela empresa para dotar a região de elemento tão valorizador e tão caro, implica a autorização da construção de moradias, em parte da propriedade, para refinanciamento da operação e se a Sociedade ainda se propõe a desejável construção dum hotel, como já está autorizada, julga-se não se criar qualquer precedente inconveniente ou abrir-se injusta excepção, concedendo-se a referida autorização, em princípio, tendo em vista o interesse público do conjunto das realizações.

·            o facto de se pretender um loteamento de 5.000 m2 dá garantia de se poder projectar uma solução de bom nível, cuja apresentação, no entanto, se aguarda para apreciação e possível aprovação definitiva.”.

Respeitada a via hierárquica do Director Geral da DGSU, o Ministro despacha, em 12 de Dezembro de 1963:

·          “Concordo, sob condição porém de ficar garantida a prioridade de execução dos elementos de interesse turístico – designadamente as instalações hoteleiras e o campo de golfe – para o que a empresa poderá oferecer satisfatória caução a favor da C.M., por exemplo.

·            Como é óbvio constituirá também condicionamento a respeitar a precedência da execução das obras de infra-estruturas – acessos, arruamentos, água, esgotos, electricidade, etc. – para a qual se fixará um prazo que não ultrapassa Dez. 1965. Em princípio estas obras são inteiramente custeadas pela empresa mediante projectos aprovados pela C.M. depois de visados pelo Gabinete do Plano Regional do Algarve.

·            O licenciamento das diferentes construções pela C.M. só poderá ser efectuado uma vez visados e aprovados pela mesma forma os respectivos projectos e verificado o cumprimento das condições prévias que ficam estabelecidas neste despacho.”.



Þ     Vale do Lobo: Decisão do Ministro das Obras Públicas

No caso de Vale do Lobo, o processo é mais curto. A 24 de Fevereiro de 1964, o Ministro das Obras Públicas concorda com a Informação do Director do Gabinete Técnico, datada de 18 do mesmo mês:

“Tal como ficou decidido para um caso semelhante – Hotel do Golf, da Sociedade Penina – julga-se justificável autorizar-se a construção de moradias e manutenção dum Golf. Nestas condições tenho a honra de propor que:

a)seja aprovado a inclusão de moradias nesta zona;

b)que a construção de moradias só possa iniciar-se após a construção do golfe;

c)que os projectos das moradias e sua implantação de conjunto sejam previamente submetidos á aprovação da Direcção Geral.”.



Þ     Sobre a Aplicação das Decisões do Ministro das Obras Públicas

Na Penina,

·          Hotel e Golfe são construídos antes do verdadeiro começo das vendas de moradias, por razões comerciais: aumento de preço,

·          não encontramos traça do respeito das exigências sobre as obras de infra-estruturas,

·          o Alvará de Licença de Loteamento de Setembro de 1968 confirma que a exigência da área mínima de 5.000 m2 não é respeitada.

Em Vale do Lobo, não dispomos de informação sobre o respeito destas exigências. Só uma análise de arquivo permite avaliar até que ponto as exigências não foram respeitadas.

A análise dos processos de licenciamento coevos mostra que muitas das exigências oficiais não eram cumpridas.



Þ     Cinquenta Anos Depois

O conjunto da Penina, apesar de ainda não ter valorizado todo o seu potencial, é uma referência da Oferta de Turismo do Algarve. As Moradias alojam residentes permanentes locais (portugueses e estrangeiros), proprietários em estadias temporárias e turistas, a quem são alugadas como Alojamento Local.

Em Vale do Lobo, os primeiros lotes são vendidos antes do Decreto-Lei sobre Loteamentos Urbanos. Publicada esta legislação, encontramos referência, sem querer ser exaustivos, a Loteamentos datados de 1967-1968-1969-1970-1972-1973-1983-1987-1988.

O empreendimento é classificado como Aldeamento Turístico, no quadro do Decreto Regulamentar de 1978, mas pede a desclassificação, face às exigências excessivas da Lei Hoteleira de 1986. É exemplo da inexistência de Modalidades de Alojamento Turístico susceptíveis de Classificar a Oferta Turística “real”, que o mercado valoriza e do mercado dispensar a Classificação.

Recentemente, é aprovado o “Vale de Lobo III”, exemplo de uma dinâmica de “arredondamento”, de que nos ocuparemos no futuro.



b)Inovar em 2012



Þ     Duas Diferenças

Entre 1962/1964 e 2012, há duas diferenças relevantes. A primeira é fundamental e obriga a uma mais forte decisão política

·          em 1962/1963, é a Europa da Abundância e uma procura em crescimento acelerado, pela transferência de estadias dos «mares do Norte» para o Mediterrâneo e o alargar do acesso às férias no estrangeiro,

·          em 2012, vivemos o Período do Após Crise de 2008/2009, com efeitos estruturantes na formação da procura pela viagem de estadia: menos rendimento disponível e propensão para viajar/comprar casa do tempo livre, incerteza sobre o tempo livre, excesso de oferta e concorrência acrescida.

A segunda diferença consiste

·          no reforço dos Estrangulamentos Culturais (Documento1), sedimentados pela Politica e Serviços de Turismo, ao longo de cinquenta anos, com o apoio de interesses económicos e sociedade civil do turismo,

·          na dificuldade em o Ministério da Economia tomar Decisão Inovadora, à altura da de Eduardo Arantes e Oliveira em 1963,

·          na urgência da Decisão Inovadora, pelo que a Economia “real” do Turismo representa para a Balança de Pagamentos e criação de emprego.



Þ     Qual Decisão Inovadora?

A primeira Decisão é responder a uma pergunta simples: como pode o Governo fomentar a criação de valor, a partir de um largo conjuntos de activos

·          dezenas de empreendimentos turísticos, que, como Penina e Vale do Lobo estão fora do âmbito da Politica e Serviços de Turismo,

·          cerca de 145.000 Fogos de Uso Sazonal, que são investimento de mais de cem mil famílias, que merecem e querem ver valorizado o seu investimento no Turismo do Algarve – a Valorização da Oferta no Villa Rentals é exemplo inquestionável de acção urgente,

·          um número desconhecido de Reformados do Tempo Livre, em residência permanente?

A segunda Decisão é mais estrutural e consiste em o Governos Inovar no fomento de três Novas Dinâmicas da Economia do Turismo:

·          Integração da Cadeia de Valor do Turismo Residencial,

·          Portugal, País Competitivo na Atracção de Reformados Não Residentes,

·          Diversidade e Nova Dimensão da Diáspora Portuguesa.

O explicitar destas Dinâmicas, brevemente em mais um O Algarve à Sexta.

A Bem da Nação

Albufeira 6 de Abril de 2012

Sérgio Palma Brito

Turistas Americanos no Algarve: temos os Perdidos, faltam os Achados!

A Procura do Algarve por turistas tem números que a razão desconhece. 

Nos últimos três anos, o número de Dormidas de turistas dos EUA no Algarve varia entre 61 a 67 mil.

Em 1971 (setenta e um, há quarenta anos), só no Hotel Penina, havia 25 mil dormidas de turistas dos Estados Unidos – cito o Relatório do Conselho de Administração da Sociedade Turística da Penina, SARL.

Depois de quarenta anos de progresso no transporte aéreo e de Promoção Turística, um só hotel de 1971 representa 39% da média dos últimos três anos. De facto, nada para o progresso!

Lamento insistir em lembrar estas pouco gloriosas realidades – um dia destes, terá de haver uma reacção para inverter o curso dos acontecimentos. Espero que seja positiva.

A Bem da Nação

Albufeira 4 de Abril de 2012

Sérgio Palma Brito

Parque temático de 120 hectares vai nascer em Alenquer e Azambuja - Sociedade - Sol

Parque temático de 120 hectares vai nascer em Alenquer e Azambuja - Sociedade - Sol

Em 30 de Março, sublinhei a importância de obtermos mais informação da parte do promotor deste projecto (http://sergiopalmabrito.blogspot.pt/2012/03/tlvt-e-oeste-defendem-importancia-da.html).
Esta é apenas uma pequena parte da informação necessária, para credibilizar o projecto.
Já lá vai o tempo do anúncio de "projectos turísticos!", sem estudo de mercado nem financiamento credíveis.
A nossa insistência visa evitar que o renascer da Lusolândia sofra com este trauma do passado.

A Bem da Nação
Albufeira 4 de Abril de 2012
Sérgio Palma Brito

Território e Turismo no Algarve – disponível on line

Em2009, publicámos um livro sobre a relação entre Território e Turismo no Algarve.

Recordamos o primeiro parágrafo da (curta!) Introdução:

“Este esboceto resulta da observação e análise da realidade regional. Não é um trabalho estruturado a defender uma tese. Mais do que formular sínteses, procuramos informar, suscitar a curiosidade do leitor, sublinhar o que nos parece importante e temos a consciência de ignorar e disso tirar as consequências.”.

O livro esgotou e não há nem haverá segunda edição. Graças ao CIIT e ao apoio da Colibri, o livro está agora on line em http://www.ciitt.ualg.pt/01/Territorio_e_Turismo_SPB.pdf

Esperamos que a publicação on line contribua para informar, suscitar a curiosidade e, quem sabe, relançar o Projecto de que era parte e que fui forçado a abandonar.

Estamos mais do que abertos a críticas, sugestões e comentários!

A Bem da Nação

Albufeira 3 de Abril de 2012

Sérgio Palma Brito

Público - Linha Sines-Badajoz não tem continuidade no lado espanhol

Público - Linha Sines-Badajoz não tem continuidade no lado espanhol


Comboio Para Espanha: Vingança da História e Geografia


Mesmo os melhores dos meus amigos me consideram um chato, quando, a propósito das coisas de HOJE, me preocupo com a sua contextualização pela História e Geografia. Desde que descobri o artigo de Vitorino Magalhães Godinho, evito mencionar o “contexto histórico e geográfico”, mas é de isso que se trata.

Se bem percebo, na cena da ligação ferroviária com a Europa, já temos guerra e o Governo não se sai bem. Para ajudar a perceber o que está em causa, seria útil um percurso pela História e Geografia.

Apresento reduzido e rudimentar exemplo deste percurso.



Þ     1866: O Porto de Lisboa e a Ligação Ferroviária à Europa

De entre a variada literatura sobre o tema genérico de “Lisboa, cais da Europa”, recordo o que Vilhena Barbosa escreve, em 1866:

 Quando estiver aberta á circulação a via férrea que, passando por Madrid, nos há de ligar a toda a Europa, o que se realizará ainda este ano; quando a nossa linha do sul e sueste, que não tarda a chegar ás margens do Guadiana, se estender até Sevilha, unindo-nos depois com todas as cidades de Espanha, da França e da Itália, banhadas pelo Mediterrâneo, acontecimento que não se há de fazer esperar por muitos anos; quando, finalmente, este porto for dotado com boas docas, guarnecidas de armazéns vastos e cómodos, com todas as mais condições necessárias á prontas e fácil descarga e carregação dos navios, o grande deposito das docas de Londres há de repartir com as de Lisboa uma parte das suas riquezas. O comércio britânico, que é o primeiro de entre todas as nações a apreciar e a saber praticar a economia do tempo e das despesas improdutivas, reconhecerá o muito que interessa em ter no porto de Lisboa abundante depósito de géneros coloniais para o abastecimento dos mercados do Mediterrâneo. Evitando d’est’arte que os géneros do Brasil e da Africa ocidental passem duas vezes em frente da barra do Tejo, na sua ida para as docas de Londres, e na sua volta para os diversos portos do Mediterrâneo, poupará avultadas despesas de transporte e de seguros marítimos; livrar-se-á dos sinistros e delongas tão frequentes no canal da Mancha; e obterá por menor preço os trabalhos braçais da baldeação.” [Archivo Pitoresco, Vol.IX, 1866, p.25].



Þ     Século XIX: Rede Ferroviária e Ligações com Espanha

No caso da Rede Ferroviária e Ligações com Espanha, desde as negociações (sic) sobre a Rede de Alta Velocidade à actual linha, teria sido útil conhecer o que se passou há mais de cem anos. A minha generosidade limita-se a citar três trabalhos de Maria Fernanda Alegria:

·          O Desenvolvimento da Rede Ferroviária Portuguesa e as Relações com Espanha no Século XIX, Lisboa, Centro de Estudos Geográficos, Universidade de Lisboa, 1983

·          A Organização dos Transportes em Portugal (1850 – 1910) – as vias e os tráfegos, Lisboa, Centro de Estudos Geográficos, 1990

·          O Tráfego de Passageiros e de Mercadorias, em Para a História dos Caminhos-de-Ferro em Portugal, Estudos Históricos 1

Do texto de 1983, começo por citar um parágrafo significativo: “Las razones por las cuales no fueran concretizadas ni la linea del valle del Tejo ni del Guadiana, advien tanbién de la possible concurrencia que el puerto de Lisboa significaria para los puertos Andaluces, sobretodo al de Cadiz, pero también al de Sevilla y Huelva.”.

Cito agora, a conclusão de Mariana Alegria, sobre a ligação com a Anadaluzia: “la defensa de la función de exportador del puerto de Lisboa, de productos provenientes de Andalucia, comezaba a ser insostenível. Andalucia tenia sus proprios puertos, así como sus proprios circuitos ferroviarios organizados en funcion de ellos. [...] Si lo que Portugal pretendia era proporcionar um «puente» y un puerto de embarque, es necessário reconocer que estas condicionaes habían sido asseguradas, antes que Portugal, por la própria Andalucia.”.



Þ     Sobre a Actualidade

Há um facto pouco comentado e ainda menos explicado. Sines data de Marcello Caetano, já lá vão quarenta anos. Sabendo nós que o tecnocrata do Marcelismo foi a espécie que melhor sobreviveu à agitação da vida pública portuguesa, como é possível que ainda se ande a discutir a ligação ferroviária de Sines à Europa?

A Espanha, há que acrescentar França, onde os slots nas linhas de caminho-de-ferro podem ser tão difíceis como os necessários para voar para Heathrow.

O meu argumento não é o do determinismo histórico ou o de estarmos condenados à choldra. É algo de mais concreto: qual é a sua Hist´ria e o seu Território.



A Bem da Nação

Albufeira 2 de Abril de 2012

Sérgio Palma Brito

03.04.2012.Ligações.Ferroviárias.Portugal.Espanha

O Algarve às Sextas (2012.03.30)
A Politica Que Falta à Economia do Turismo do Algarve

A Economia do Turismo do Algarve só volta a crescer e criar emprego quando Governo, Administração e Sociedade Civil se empenharem em ultrapassar os Estrangulamentos à sua competitividade e em fomentar as Novas Dinâmicas que a concretizam – é o que designamos de Politica que Falta à Economia do Turismo do Algarve.

As ideias que seguem são uma base de debate, destinada a quem não está convencido que sabe tudo e quer fazer algo pelo futuro da Região e do País.

O texto está concentrado na Viagem de Estadia e na Economia do Turismo do Algarve, Estrangulamentos e Novas Dinâmicas têm a ver com a Economia do Turismo, em todo o País.

Ao leitor mais interessado, sugerimos a consulta imediata do Documento de Trabalho, que apoia este post (DOCUMENTO). Nele encontra o fundamento das ideias e propostas e as Referências.



a)Notas Sobre a Realidade da Economia do Turismo



Þ     Algarve: Os Últimos Dez Anos e a Actualidade da Crise Estrutural

A prosperidade da economia e sociedade do Algarve, nos últimos dez anos, resulta de evolução contraditória no seio da Economia do Turismo:

·          perda de competitividade do Alojamento Turístico Classificado, com menos 31 % de dormidas de ingleses e de 50% de dormidas de alemães,

·          valor gerado pelo desenvolvimento de dois outros elementos da Economia Turístico Residencial (Turismo Residencial e Atracção de População Residente): são edificados 103.000 novos Fogos, repartidos em Residência Habitual (53.000), Uso Sazonal (40.000) e Vagos (10.000).

A Crise Estrutural, Violenta e Duradoura tem duas origens directas:

·          a Procura por Turismo Residencial e Casa de Residência Permanente, origem da prosperidade da Região, cai a pique, a partir do segundo semestre de 2008 – boa parte desta queda é estrutural,

·          continua a perda de competitividade do Alojamento Classificado – não se vislumbra inovação na Parceria entre Politica de Turismo e Iniciativa Privada que a possa reanimar.

Não é surpresa que a percentagem de desempregados no Algarve seja a maior no País e que a Região empobreça, desde 2009. Estranha é a percepção de uma Região onde domina a ilusão de um “inquestionável acesso à prosperidade adquirida” e a incapacidade em reagir: CCDRA, ERTA, ATA, Universidade, Municípios, Associações Empresariais e outras instituições suportam os sacrifícios, sem a menor erupção de energia para MUDAR.

A exigência da Politica Que Falta à Economia do Turismo do Algarve devia partir de uma iniciativa de base regional e não de simples livre-pensador.



Þ     Algarve: Criar Valor a Partir de Activos Existentes

Temos de partir da realidade do Alojamento Turístico Classificado e do Alojamento Turístico Privado (Casas do Tempo Livre de Propriedade Privada, em utilização exclusiva, exploração turística e misto de utilização pelo proprietário e exploração. O gráfico seguinte ilustra a realidade:

Fonte: Elaboração Própria, com base em INE – Recenseamentos da Habitação e AHETA

Perante esta realidade e com base nos números do Turismo na Balança de Pagamentos, a Politica de Turismo tem de dar prioridade absoluta

·          ao Marketing & Vendas do Alojamento Turístico Classificado,

·          a Acções inovadoras, que criem valor a partir dos 145.000 Fogos de Uso Classificado, que são investimento de mais de 100.000 famílias portuguesas e estrangeiras.

A Politica de Turismo não pode continuar culturalmente (repito: culturalmente) “capturada” pelos Estabelecimentos Hoteleiros, tolerando, ignorando ou hostilizando “a imobiliária” – esta foi a Politica de Turismo dos últimos quarenta anos e veja-se quão benéfica (sic) foi para o Alojamento Classificado.



Þ     Portugal: Economia do Turismo e Balança de Pagamentos

O indicador das Receitas de Turismo na Balança de Pagamentos é o que melhor ilustra a diferença entre duas realidades:

·          a Economia “real” do Turismo,

·          a contribuição do Alojamento Turístico Classificado para esta balança.

O valor desta contribuição tem de ser estimado. Com efeito, apenas dispomos do valor dos Proveitos do Alojamento Turístico Classificado, que inclui as receitas de Residentes em Portugal em Alojamento, Alimentação e Bebidas, Eventos, Aluguer de salas e similares. A nossa estimativa, baseada na comparação de números e no bom senso, indica que a Contribuição do Alojamento Turístico Classificado representa cerca de 35% do total das Receitas de Turismo na Balança de Pagamentos – com tanta gente a estudar e investigar Turismo, não encontrámos estimativa mais científica do que esta.

O quadro seguinte ilustra a evolução 2000/2011 dos dois “indicadores possíveis)


Fonte: AHETA, com base em INE e Banco de Portugal

O Quadro seguinte apresenta a evolução percentual de três indicadores:

·          Receitas de Turismo na Balança de Pagamentos,

·          Proveitos Totais do Alojamento Turístico Classificado [ver observação anterior]

·          Dormidas de Residentes no Estrangeiro no Alojamento Classificado.

Podemos observar que, entre 2000 e 2011,

·          as Receitas de Turismo na Balança de Pagamentos crescem 42.4% e as Dormidas de Residentes no Estrangeiro 8.2% - esta diferença parece indiciar ser cada vez mais importante a contribuição. para as Receitas de Turismo na Balança de Pagamentos, de Não Residentes, alojados no Alojamento Turístico NÃO Classificado.

           
Fonte: AHETA, com base em INE e Banco de Portugal


Þ     Que Fazer No Período de Após Crise de 2008/2009?

Em 2012, há circunstâncias novas que obrigam o Governo a identificar e fomentar a Economia “real” do Turismo, para além da contribuição dos turistas alojados no Alojamento Turístico Classificado. Esta Economia “real” é condição determinante para

·          aumentar significativamente o valor das Receitas de Turismo na Balança de Pagamentos,

·          ir mais além em valores não explicitados: Investimento Directo de Não Residentes em Casas do Tempo Livre e Transferências do Exterior para Reformados Imigrantes do Tempo Livre,

·          relançar a Economia Turístico Residencial do Algarve, simplesmente a que mais contribui para as Transferências de Recursos do Exterior.

Apoiar e Fomentar a Economia “real” do Turismo exige que o Governo

·          ultrapasse os Estrangulamentos Culturais, que ainda limitam a actual Politica de Turismo, como limitaram a dos Governos que os antecederam,

·          inove com o dinamizar das Novas Dinâmicas da Economia do Turismo,

·          com urgência, aprove um Programa Para a Competitividade da Economia do Turismo do Algarve.

  

b)Estrangulamentos Culturais



Þ     Uma Criação do Espírito

Os Estrangulamentos Culturais são puras criações do espírito humano, quando
enclausurado numa visão cada vez mais redutora de Turismo,

·          se recusa a ver a realidade da Economia do Turismo, fora dessa clausura e reforça os conceitos que a excluem,

·          conjuga uma politica conservadora (no sentido negativo e transversal da palavra: da esquerda à direita políticas,) com toda a nebulosa dos Serviços Centrais e Regionais de Turismo, interesses empresarias aconchegados na clausura e uma sociedade civil dela pouco independente.

Ao Politico que chega, tudo isto parece ser o fundamental e ter força. Tarde demais percebe que não ousou  ultrapassar meros Tigres de Papel.

  

Þ     Seis Estrangulamentos a Ultrapassar

No Documento de Trabalho de apoio a este post, analisamos, em detalhe seis Estrangulamentos Culturais:

·          Viajar e Turismo: Consequências Politicas

·          Perenidade e Diferença das Modalidades de Viagem

·          Viagem de Estadia, Turismo Residencial e Estadia/Residência de Reformados

·          Viagem Para Estanciar e Concentração da Procura/Oferta

·          Viagem de Estadia, Concentração da Procura/Oferta e Dinâmica Turística e Residencial 

·          Viagem Para Estanciar e Dispersão da Procura/Oferta

 Do ultrapassar os seis Estrangulamentos Culturais resulta um corolário: a Economia do Turismo deve ser objecto de avaliação pelo Sistema Estatístico Nacional, e de posicionamento profissional junto do sistema politico e administrativo e da opinião pública influente


c)A Politica Que Falta à Economia do Turismo do Algarve



Þ     Ultrapassar os Estrangulamentos Culturais

Nenhum Governo consegue definir e aplicar a Politica que falta à Economia Turístico Residencial do Algarve, sem ultrapassar os Estrangulamentos Culturais, que limitam o âmbito da sua Politica de Turismo ao Conceito Redutor herdado do passado.

Ultrapassar os Estrangulamentos Culturais não exige meios financeiros, apenas decisões ao alcance de políticos que queiram mudar o que tem de ser mudado.

Alguém acredita que, no período posterior à Crise 2008/2009, é possível não alterar a Politica da Economia do Turismo, sobretudo quando esta já deu bastas provas da sua inadequação à realidade?



Þ     Fomentar Novas Dinâmicas da Economia do Turismo do Algarve

Ultrapassados os Estrangulamentos Culturais, o Governo fomenta as Novas Dinâmicas da Economia do Turismo:

·          Integração da Cadeia de Valor do Turismo Residencial,

·          Portugal, País Competitivo na Atracção de Reformados Não Residentes,

·          Diversidade e Nova Dimensão da Diáspora Portuguesa.

Como acontece desde Salazar, as grandes decisões estratégicas na Economia do Turismo só pode ser tomadas na esfera de influência do Primeiro-Ministro, uma vez preparadas no seio do actual Ministério da Economia e Emprego. É esta a via a seguir.



Þ     Programa Para a Competitividade de Turismo do Algarve

O Governo tem ainda de decidir, rapidamente, a elaboração de um Programa Para a Competitividade da Economia Turístico Residencial do Algarve. A elaboração exige algum tempo, de modo a ser feita de maneira aberta e virada para a realidade. Não é “mais um estudo” de consultora estratégica, mas sim um Programa de Acções Concretas e muito orientado para a competitividade e ganhos de produtividade.



A Bem da Nação

Albufeira 30 de Março de 2012

Sérgio Palma Brito