-Balança de Pagamentos – o admirável crescimento da receita de viagens e turismo (II)


Síntese

No grupo de mercados com receita superior a €mil milhões,

-o de França é o que mais cresce em quantidade e índice, e  a importância da emigração exige atenção da política de turismo muito para além da industria da hotelaria,

-o do Reino Unido, depois da queda de 32,2% entre 2007/2009, cresce lentamente até 2013 e 16,1% entre 2013/2014, com o valor de 2014 (€1.748 milhões) ainda abaixo dos €1790 milhões de 2007,

-a Alemanha quase ultrapassa a Espanha, mas Portugal tem a obrigação de fazer melhor no mais importante mercado emissor da Europa.

No grupo de mercados com receita superior a €400 milhões,

-Angola confirma a posição de rizing star, que pode ser questionada pela actual crise na economia do país e exige a atenção politica que não está a ter (aqui),

-os EUA diminuem depois do crescimento iniciado em 2009, mas a dimensão do mercado, a evolução da economia e a valorização do dólar são factores objectivos do crescimento,

-Holanda sobe ao grupo e aumenta o ritmo de crescimento sustentado que vem de 2003.

No grupo de mercados com receita superior a €200 milhões,

-Brasil é caso especial pelo valor e potencial para regressar ao grupo dos países com receita superior a €300 milhões,

-no seio dos restantes, a liderança da Bélgica e a sua performance entre 2013/14 exigem atenção especial,

-Irlanda e Suíça apresentam um crescimento sustentado mas lento.

No grupo de mercados com receita superior a €100 milhões,

-Canada e Luxemburgo crescem, com destaque para o potencial do Canada e ritmo de crescimento do Luxemburgo,

-Itália é leader em quantidade mas não em crescimento,

-Suécia cresce lentamente, com ponta de 21,7% entre 2013/14.

Por fim, destacamos os mercados emissores da China e Moçambique, diferentes na dimensão e potencial de crescimento, mas que crescem rapidamente desde 2012 e figuram no TOP 15 dos países no crescimento entre 2013/14.

 

*Informação ao leitor

O presente post

-é o segundo de uma série de três (primeiro, segundo, terceiro) que consagramos ao Admirável crescimento da receita de viagens e turismo,

-está disponível versão em PDF (aqui)

O leitor deve estar informado sobre os Princípios Gerais do blogue.

Em Março de 2014 consagramos três posts à observação da Receita de Viagens e Turismo por Mercado Emissor e enquadramos os números de 2013 na evolução entre 2003/2013 (aqui).

 

1.Mercados emissores com receita superior a mil milhões de euros

O gráfico 1 ilustra a evolução em quantidade da receita de viagens e turismo gerada por residentes em mercados emissores com receita superior a mil milhões de euros – França, Reino Unido, Espanha e Alemanha.

A receita do mercado emissor da França apresenta evolução única:

-crescimento a ritmo moderado até 2009, ano em que não diminui,

-crescimento a maior ritmo entre 2009/2014, com 10,5% entre 2013/14.

No caso do mercado do Reino Unido, a receita

-cresce ente 2003/2007, quando atinge €1790 milhões e é leader destacado dos quatro países,

-em 2008 inicia queda que se acentua em 2009 e atinge 32,2% do valor de 2007,

-depois cresce lentamente até 2013 e 16,1% entre 2013/2014, com o valor de 2014 (€1.748 milhões) ainda abaixo dos €1790 milhões de 2007.

-a Alemanha quase ultrapassa a Espanha, mas Portugal tem a obrigação de fazer melhor no mais importante mercado emissor da Europa.

A receita com origem nos mercados emissores de Espanha e Alemanha segue o mesmo padrão:

-crescimento lento entre 2003/2013 e rápido entre 2013/2014, de 12% para e Espanha e de 13,8% para a Alemanha.

Em síntese, podemos dizer que

-entre 2003/2013 e cada um à sua maneira, a receita dos quatro países cresce,

-entre 2013/2014, os quatro países aceleram o crescimento e só por si representam 62,4% do crescimento total entre 2013/2014.

Gráfico 1 – Evolução em quantidade de Alemanha, Espanha, França e Reino Unido
(€mil milhões)



Fonte: Elaboração própria com base em Banco de Portugal – BPStat

O gráfico 2 ilustra a evolução em índice da receita de viagens e turismo gerada por residentes nos mercados emissores em observação.

A observação deve ter em conta a base de partida. Assim,

-o Reino Unido é o mercado que menos cresce em índice, mas o valor de 2014 ainda é superior ao da Espanha e Alemanha,

-a receita com origem no mercado emissor de França é o que mais cresce em quantidade e índice, ao ponto de assumir a liderança no grupo dos quatro países,

-o facto da Alemanha ser o mais importante mercado emissor da Europa e a evolução do índice justificam atenção especial.

Gráfico 2 – Evolução em índice de Alemanha, Espanha, França e Reino Unido
(2003=100)

 
Fonte: Elaboração própria com base em Banco de Portugal – BPStat

Nota – A apresentação dos dados é medíocre mas permite quantificar a evolução entre 2009/2014.

 

2.Mercados emissores com receita superior a 400 milhões de euros

O gráfico 3 ilustra a evolução em quantidade da receita gerada por residentes em Angola, Brasil e EUA e o gráfico 4 ilustra a mesma evolução em índice e ajuda a ‘ler’ o gráfico 3.

A variação entre 2013/2014 altera a evolução desde 2003 que descrevemos há um ano (‘rizing stars aqui):

-a Holanda sobe ao grupo e o Brasil desce para menos do limite e passa para o grupo de receita superior a €300 milhões,

-Angola retoma o ritmo de crescimento iniciado em 2009,

-os EUA têm uma queda de 7,1%, mas ficam acima do limite inferior do grupo,

-a Holanda aumenta o ritmo de crescimento sustentado que vem de 2003.

Esta observação suscita questões:

-Holanda e Angola, sobretudo Angola com a crise que atravessa, vão manter o ritmo de crescimento que conhecem entre 2013/14?

-os EUA retomam ou não o ritmo de crescimento e confirmam a atenção que exigem à politica de turismo?

Gráfico 3 – Evolução em quantidade de Angola, EUA e Holanda
(€milhões)

 
Fonte: Elaboração própria com base em Banco de Portugal – BPStat

Nota – A apresentação dos dados é medíocre mas permite quantificar a evolução entre 2009/2014.

Gráfico 4 – Evolução em índice de Angola, EUA e Holanda
(2003=100)

 
Fonte: Elaboração própria com base em Banco de Portugal – BPStat

Nota – A apresentação dos dados é medíocre mas permite quantificar a evolução entre 2009/2014.

 

3.Mercados emissores com receita superior a €200 milhões
Os gráficos 5 e 6 ilustram, em quantidade e índice, a evolução da receita gerada por residentes em Brasil, Bélgica, Irlanda e Suíça.

Gráfico 5 – Evolução em quantidade de Brasil, Bélgica, Irlanda e Suíça
(€milhões)

 
Fonte: Elaboração própria com base em Banco de Portugal – BPStat

Nota – O grafismo dá uma ideia do conjunto mas só permite ler dados entre 2009/2014.

Gráfico 6 – Evolução em índice de Brasil, Bélgica, Irlanda e Suíça
(2003=100)

 
Fonte: Elaboração própria com base em Banco de Portugal – BPStat

Três observações:

-o Brasil é um caso especial pelo valor em causa e possibilidade de regressar ao grupo de países com receita superior a €400 milhões,

-no seio dos restantes, a liderança da Bélgica e a sua performance entre 2013/14 exigem atenção especial,

-Irlanda e Suíça apresentam um crescimento sustentado mas lento.

 

4.Mercados emissores com receita superior a €100 milhões

Os gráficos 7 e 8 ilustram, em quantidade e índice, a evolução da receita gerada por residentes em Canadá, Itália, Luxemburgo e Suécia.

Três observações:

-Canada e Luxemburgo crescem, mas o ritmo de crescimento do Luxemburgo é mais rápido e a exigir atenção,

-Itália é leader em quantidade mas não em crescimento,

-Suécia cresce lentamente, mas entre 2013/14 tem uma ponta de 21,7%.

Gráfico 7 – Evolução em quantidade de Canadá, Itália, Luxemburgo e Suécia
(€milhões)

 
Fonte: Elaboração própria com base em Banco de Portugal – BPStat

 
Gráfico 8 – Evolução em índice de Canadá, Itália, Luxemburgo e Suécia
(2003=100)

 
Fonte: Elaboração própria com base em Banco de Portugal – BPStat

 

5.Dois casos especiais: mercados emissores da China e Moçambique

O gráfico 9 ilustra a evolução da receita gerada por residentes na China e Moçambique.

Gráfico 9 – Evolução em quantidade de China e Moçambique
 (€milhões)

 
Fonte: Elaboração própria com base em Banco de Portugal – BPStat

Comentários:

-são dois mercados completamente diferentes, mas que registam crescimento relevante a partir de 2012,

-figuram no TOP 15 dos países no crescimento entre 2013/14 (primeiro),

-levantam a questão da sustentabilidade do seu crescimento em quantidade e ritmo.

 

A Bem da Nação

Lisboa 14 de Abril de 2015

Sérgio Palma Brito

Importância dos mercados emissores da Europa para o Turismo em Portugal


O presente post é uma espécie de teaser à série de três posts sobreBalança de Pagamentos – o admirável crescimento da receita de viagens e turismo’, que publicaremos a 13 de Maio.

O leitor deve estar informado sobre os Princípios Gerais do blogue.

A versão PDF do presente post está disponível aqui.

 

*Hóspedes, dormidas e receita viagens/turismo – quota da Europa
É consensual que os residentes na Europa formam o essencial da procura pela oferta de turismo de Portugal. Reconhecido isto,

-interrogamo-nos sobre a evolução da quota da Europa no total da procura pelo turismo em Portugal, e

-numa primeira e muito rudimentar observação, consideramos a quota da Europa no total de hospedes e dormidas da industria da hotelaria e no total de receita de viagens e turismo.

O gráfico mostra que, independentemente de variações anteriores a 2008, a crise de 2008/2009 parece estar na origem de um padrão comum na evolução dos três indicadores:

-a partir de 2009, a Europa perde quota nos três indicadores: hóspedes, dormidas e receita de viagens e turismo.

Quota da Europa em hóspedes, dormidas e receita de viagens e turismo
(percentagem)  

 
Fonte: Elaboração própria com base em INE – Estatísticas de Turismo e Banco de Portugal – BPStat

O gráfico mostra ainda que

-a quota das dormidas é superior à dos hóspedes e diminui menos do que esta, o que indicia estadias mais longas pelos residentes na Europa.    

*Nota sobre a receita de viagens e turismo
Já dispomos do valor de 2014 na quota na receita de viagens e turismo e inverte a tendência (79,3%). Este indicador integra também a despesa de hóspedes no alojamento não classificado. Sabemos que

-a procura de emigrantes dirige-se muito para residência secundária por conta própria e alojamento gratuito por familiares e amigos,

-a de estrangeiros não residentes ocupa muita residência secundária por conta própria ou arrendada no vacation rental market, que a politica de turismo insiste em ignorar.

Quando dispusermos dos números de hóspedes e dormidas (pelas Estatísticas de Turismo que o INE divulga pelo Verão), veremos se a tendência da evolução destas quotas também muda.

*Que fazer?
As tendências registadas não podem ser ignoradas pela política de turismo, que deve intervir de maneira profissional e em ligação com o ‘produto’ e ‘distribuição’.

Sobre esta desejada intervenção, levantamos algumas questões:

-não cair numa de ‘a Europa acabou’, mas sim interrogar-nos sobre a que mercados emissores e onde nesses mercados nos devemos focar,

-no ‘fora da Europa’, preferir os valores seguros onde Portugal tem market awareness real e positivo (EUA, por exemplo),

-não ver tudo pela óptica da hotelaria (casos de Angola e China, com turismo residencial), 

-no caso da China, trabalhar com a distribuição e nada fazer sem a distribuição, utilizar ligações aéreas existentes (que tal a Finnair?) e não esperar pela ligação directa com a TAP, excelente quando e se acontecer.

 

A Bem da Nação

Lisboa 10 de Abril de 2015

Sérgio Palma Brito

Receita e despesa de viagens e turismo, sim! Balança turística, não!


Quando falamos de têxtil, calçado, agricultura ou vinho, falamos do valor das exportações e do preço à exportação. É raro que na mesma ocasião se fale de importações de têxtil, calçado ou vinho e cada vez se fala menos da ‘balança alimentar’ por já não ser o problema que foi.

Hoje não é isto que nos preocupa, mas começamos por lembrar que a ‘receita de viagens e turismo’ é parte de realidade económica mais vasta: a da ‘receita de turismo na balança de pagamentos’ (aqui).

O que nos ocupa é algo de aparentemente anódino:  

-quando se fala de turismo, é demasiado frequente ouvir falar de ‘balança turística’, resultado da subtracção entre receita e despesa de viagens e turismo.

Qual é a importância? Simples:

-falar de ‘receita’ é falar de exportação de serviços de viagens e turismo e pôr o acento na economia macro e micro,

-falar de ‘balança turística’ é ignorar a economia e insistir em ver o turismo à luz ‘do sector’, uma realidade ensimesmada e arcaica.    

Em 2014 temos:

-a economia do turismo exporta €10,4 mil milhões de serviços de viagens e turismo, em deslocações a Portugal por residentes no estrangeiro.

-Portugal importa €3,1 mil milhões de euros de serviços de viagens e turismo, em deslocações ao estrangeiro por residentes em Portugal.

O turismo interno (residentes em Portugal em deslocação turística no País) pode representar alguma substituição de importações e deve ser a segunda grande prioridade da política de turismo.

Face a estes números,

-a prioridade da política de turismo consiste em facilitar e fomentar a competitividade de empresas e estabelecimentos que estão na base das deslocações a Portugal por residentes no estrangeiro,

-a política de turismo é avaliada pela sua capacidade em contribuir para a exportação de serviços de viagens e turismo.

Não é por acaso que o Banco de Portugal contabiliza débito e crédito (receita e despesa) de viagens e turismo. Talvez por inércia, o INE insiste em publicar a Balança Turística, apesar das International Recommendations for Tourism Statistics não a mencionarem, e alimenta o arcaísmo.  

Ainda recentemente o espírito aberto e sem teias de aranha do meu camarada Adolfo Mesquita Nunes caiu na ratoeira da ‘balança turística’. Estou certo que recupera.

Passemos a alguma quantificação.

O gráfico 1 apresenta a percentagem da despesa de viagens e turismo na receita e quantifica de maneira mais explícita a evolução que o gráfico 2 ilustra. Esta percentagem

-diminui entre 1996/2004, aumenta até 2010 e diminui de maneira sustentada desde então.

Coincidência ou não, esta evolução surpreendeu-nos (nunca tínhamos feito esta quantificação) por coincidir com uma visão política do ‘despesismo’.

Gráfico 1 – Percentagem da despesa de viagens e turismo na receita
(percentagem)

 
Fonte: Elaboração própria com base em BPStat

O gráfico 2 ilustra a evolução da receita e despesa de viagens e turismo na balança de pagamentos. Constatamos que

-a receita é mais importante do que a receita e cresce a ritmo mais rápido,

-a ‘balança turística’ é a diferença entre duas actividades largamente independentes.

Gráfico 2 – Receita e despesa de viagens e turismo
(€milhões)

 
Fonte: Elaboração própria com base em BPStat

 

A Bem da Nação

Lisboa 8 de Abril de 2015

Sérgio Palma Brito

Balança de Pagamentos – o admirável crescimento da receita de viagens e turismo (I)


Introdução

A evolução da receita de viagens e turismo da balança de pagamentos entre 1996/2014 ilustra o fio condutor e contextualiza a nossa observação (gráfico 1) do surto de forte crescimento iniciado em 2009 e reforçado entre 2013/14.

Com efeito,

-entre 2009/14 a receita aumenta €3,5 mil milhões (50,5%), mas

-entre 2013/14 o aumento da receita é de €1,1 mil milhões (12,4%) e representa por si só 32% dos €3.5 mil milhões de aumento entre 2009/14.

Estes dois períodos ocorrem depois de crescimento sustentado entre 1996 e 2007, seguido de estabilidade em 2008 e queda em 2009 por efeito directo da crise de 2008/2009.

Gráfico 1 – Receita e despesa de viagens e turismo (1996/2014)
(€mil milhões)



Fonte: Elaboração própria com base em Banco de Portugal – BPStat

Nota – O grafismo apenas permite uma casa decimal e implica arredondamentos.

Esta é a justificação

-do foco da nossa observação ser o surto de crescimento da receita de viagens e turismo entre 2009/2014 e sua aceleração entre 2013/2014.

 

Como acontece em outros posts sobre turismo na balança de pagamentos, a nossa observação é condicionada pelas limitações do Blogue (1).

 

*Informação ao leitor
O presente post

- é o segundo de uma série de três (primeiro, segundo, terceiro) que consagramos ao Admirável crescimento da receita de viagens e turismo,

-está disponível versão em PDF (aqui).

O leitor deve estar informado sobre os Princípios Gerais do blogue.

Em Março de 2014 consagramos três posts à observação da Receita de Viagens e Turismo por Mercado Emissor e enquadramos os números de 2013 na evolução entre 2003/2013 (aqui).

 

1.TOP 15 de países na receita de viagens e turismo em 2014

*TOP 15 na receita de viagens e turismo em 2014 e 2013
O gráfico 2 ilustra o TOP 15 dos países na receita de viagens e turismo em 2014 e a ser comparado com o TOP 15 de 2013 (gráfico 3, analisado aqui).

Constatamos alguma estabilidade nos países do TOP 15. Entre 2013/14,

-os quatro principais mercados emissores com receita superior a €1.000 milhões continuam a liderar o ranking,

-no grupo dos mercados com receita superior a €400 milhões a Holanda ocupa o lugar do Brasil,

-no grupo dos Mercados emissores com receita superior a €200 milhões, o Brasil substitui a Holanda e a Irlanda ultrapassa a Suíça,

-no grupo dos Mercados emissores com receita superior a €100 milhões, a Noruega dá lugar à Suécia.

Em termos quantitativos também encontramos estabilidade:

-o TOP 15 de 2014 representa 88,8% do total da receita do ano e o TOP 15 de 2013 89,5% do total,

-entre 2013/2014 o TOP 15 cresce 11%% e o total da receita 12,4%.

Gráfico 2 – TOP 15 de mercados emissores em 2014
(€milhões)

 
Fonte: Elaboração própria com base em Banco de Portugal – BPStat

Gráfico 3 - TOP 15 dos mercados emissores em 2013
(€milhões)

 
Fonte: Elaboração própria com base em Banco de Portugal – BPStat

*Mercados emissores no crescimento entre 2013/2014
O gráfico 4 ilustra o TOP 15 dos mercados emissores no crescimento entre 2013/2014. Observações:

-cinco mercados têm crescimento superior a €100 milhões: os quatro principais mercados (Reino Unido, França. Espanha, Alemanha) e Angola,

-cinco mercados têm crescimento superior a €30 milhões: Bélgica, Holanda, Irlanda, Moçambique e Suíça.

Gráfico 4 – TOP 15 no crescimento em valor entre 2013/14
(€milhões)

 
Fonte: Elaboração própria com base em Banco de Portugal – BPStat

O gráfico 5 ilustra o crescimento entre 2013/2014 e em percentagem dos oito mercados emissores mais importantes do TOP 15 anterior.

Gráfico 5 – Mercados com maior crescimento em percentagem  
(percentagem)

 
Fonte: Elaboração própria com base em Banco de Portugal – BPStat

*Mercados com maior descida em valor entre 2013/14
O gráfico 6 mostra os mercados com maior descida entre 2013/14. Na cauda estão Brasil, Venezuela e EUA, com a recuperação de Brasil e EUA a exigir atenção especial. Depois, temos três países nórdicos: Noruega, Finlândia e Dinamarca e por fim, Japão, Áustria e Canadá.

Gráfico 6 – Mercados emissores com maior descida entre 2013/14
(€milhões)

 
Fonte: Elaboração própria com base em Banco de Portugal – BPStat

*Estabilidade do TOP 15 de mercados emissores em 2014 e 2003
O gráfico 7 ilustra o TOP 15 dos países na receita de viagens e turismo em 2003.

Gráfico 7 – Receita de viagens turismo – TOP 15 em 2003
(€milhões)

 
Fonte: Elaboração própria com base em Banco de Portugal – BPStat

A observação deste gráfico e do TOP 15 de 2014 (gráfico 2) identifica tripla estabilidade

-dos países do TOP 15: em 2014 e em relação a 2013 apenas o Luxemburgo substitui o Japão,

-do crescimento entre os valores em 2003 e 2014 da receita total do TOP 15 (cresce 75%) e da receita total do País (cresce 78%),

-da parte dos países do TOP 15 no total da receita: de 90% em 2003 a 89% em 2014.

 

2.Mercados emissores no crescimento da receita entre 2009/14

*TOP 15 dos mercados emissores no crescimento entre 2009/14
O surto de crescimento da receita de viagens e turismo entre 2009/14 levanta uma questão prévia sobre se também resulta de alteração na metodologia da estimativa – retomamos esta questão no terceiro post.

O gráfico 8 ilustra o TOP 15 dos mercados emissores que geram mais crescimento da receita entre 2009/14 e 2013/2014.

Gráfico 8 – TOP 15 dos países no crescimento entre 2009/2014
(€mil milhões)

 
Fonte: Elaboração própria com base em Banco de Portugal – BPStat

A receita cresce €3.4861 milhões entre 2009/2014 (50,5%) e €1.144 milhões entre 2013/14 (12,4%). O crescimento entre 2013/2014 reforça o surto de crescimento iniciado em 2009 e passamos da sustentabilidade do surto para sabermos se o ritmo de 2013/2014 se mantém.

*crescimento entre 2013/14 no crescimento entre 2009/14
O gráfico 9 ilustra, a percentagem do crescimento 2013/14 no crescimento entre 2009/14 e o gráfico 10 a parte em valor deste crescimento.

Gráfico 9 – Percentagem do crescimento 2013/14 no de 2009/14
(percentagem)

 
Fonte: Elaboração própria com base em Banco de Portugal – BPStat

Gráfico 10 – Valor do crescimento 2013/14 no de 2009/14
(€milhões)

 
Fonte: Elaboração própria com base em Banco de Portugal – BPStat

Ficamos com uma primeira ideia do grupo de mercados emissores que combinam crescimento em percentagem e em valor e que mais podem contribuir para o crescimento da receita de viagens e turismo. Parece estranho, mas dois dos países que conhecem as maiores descidas entre 2013/14 (Brasil e EUA) devem também figurar neste grupo.

 

A Bem da Nação

Lisboa 13 de Abril de 2015

Sérgio Palma Brito

 

Notas

(1)Actualizamos opiniões já expressas em 2014 sobre o mérito (algum há de ter)e limitações do Blogue no caso particular da receita de turismo na balança de pagamentos:

-os textos publicados situam-se ao mero nível descritivo, e daí utilizarmos ‘observação’ e não ‘análise’,

-a nossa falha reside mais na falta de ‘informação do terreno’ do que na não utilização de modelos estatísticos sofisticados sobre quantificação limitada, que também são necessários,

-a inexplicável ausência e/ou divulgação de estudos profissionais sobre um assunto cuja importância é inegável.

Resultados da indústria da hotelaria – propaganda e realidade


As estatísticas da indústria da hotelaria referente a 2014 são tema de algum debate que representa progressos em relação às de 2013:

-o ministério da Economia não volta a organizar uma conferência de imprensa tonta e o secretário de estado do Turismo regista que não falou do “melhor ano turístico de sempre” – sugerimos rever o post Resultados do Turismo em 2013 – Politica e Realidade aqui. 

O presente post é minimalista porque apenas

-utiliza alguns dos números do Destaque do INE referente a 2014,

-mostra como a propaganda sobre indicadores operacionais razoáveis (hóspedes, dormidas, proveitos) não pode escamotear fraquezas estruturais da industria da hotelaria,

 

*Informação ao leitor

O presente post tem versão em PDF disponível aqui.

O leitor deve estar informado sobre os Princípios Gerais do blogue.

 

1.Hóspedes, dormidas e proveitos

Em 1970 e estudante num seminário de Macroeconomia sobre Planificação da economia e turismo nos países do Mediterrâneo, utilizámos o número de hóspedes, dormidas e proveitos, mas tivemos de os analisar com os índices de Laspeyres Paasche. No Portugal de 2015 continuamos reduzidos aos mesmos indicadores e … sem os índices – algo está errado.

*Hóspedes
Na ocorrência, o número de hóspedes interessa à relação entre procura turística e indústria do transporte aéreo, mas tem duas características a não ignorar:

-é um indicador amigo da propaganda porque permite publicitar crescimento de 24,8% entre 2009/2014 e de 16,1% entre 2007/2014 (2007 é o penúltimo/último ano ‘limpo de vestígios de crise’),

-não deve ser utilizado para avaliar o sucesso da indústria da hotelaria e ainda menos o do turismo em Portugal ou regiões.

Gráfico 1 – Número de hóspedes da indústria da hotelaria
(milhões)

 

Fonte: Elaboração própria com base em INE – Actividade Turística, Dezembro de 2014

*Dormidas
O número de dormidas (gráfico 2) também é amigo da propaganda:

-permite publicitar crescimento de 26% entre 2009/2014 e de 16% entre 2007/2014, mas tem mais substância económica do que o número de hóspedes.

Gráfico 2 – Número de dormidas da indústria da hotelaria
(milhões)

 
Fonte: Elaboração própria com base em INE – Actividade Turística, Dezembro de 2014

*Proveitos totais
O indicador de proveitos totais tem dificultado a tarefa da propaganda:

-entre 2009/2013 cresce apenas 2,2%, mas o valor de 2013 é praticamente idêntico ao de 2007 e a preços correntes,

-já entre 2009/ 2014 cresce 11,1% e é cerca de 10% superior ao de 2007.

Este crescimento é a preços correntes o que diminui uma performance já de si modesta.

Gráfico 3 – Proveitos totais da indústria da hotelaria
(€mil milhões)

 
Fonte: Elaboração própria com base em INE – Actividade Turística, Dezembro de 2014

 

2.Proveito total e de aposento médio por dormida

O ponto 2 já dá um arzinho muito ligeiro da análise que é preciso fazer para ultrapassar o nível rudimentar de ‘hóspedes, dormidas, proveitos’. É um arzinho muito ligeiro mas chega para questionar o optimismo da propaganda referida e antevermos os problemas da indústria da hotelaria.

*Proveito de aposento e de não aposento
O INE detalha os proveitos totais da indústria da hotelaria por proveitos de aposento e não aposento. O gráfico 4 ilustra a evolução 2005/2014 dos proveitos de aposento e não aposento na indústria e permite observar

-algum crescimento do proveito de aposento e estabilidade no proveito e não aposento.

Gráfico 4 – Proveitos de aposento e não aposento na hotelaria
(€mil milhões)

 
Fonte: Elaboração própria com base em INE – Actividade Turística, Dezembro de 2014

O gráfico 5 quantifica a diferença entre ‘algum crescimento‘ e ‘estabilidade’ e ilustra a evolução entre 2005/2014 da percentagem do proveito de alojamento no proveito total.

Gráfico 5 – Percentagem proveito de aposento nos proveitos totais
(%)

 
Fonte: Elaboração própria com base em INE – Actividade Turística, Dezembro de 2014

Constatamos que

-a percentagem cresce de maneira sustentada entre 2006 e 2014.

*Proveito de aposento e total médio por dormida
A evolução ilustrada pelos gráficos 4 e 5 obriga a

-considerar o proveito de aposento médio por dormida (gráfico 6), e não o proveito total médio por dormida (gráfico 7), como acontece frequentemente e … já nos aconteceu a nós.

Gráfico 6 – Proveito de aposento médio por dormida
(€)

 
Fonte: Elaboração própria com base em INE – Actividade Turística, Dezembro de 2014

Gráfico 7 – Proveito total médio por dormida
(€)

 
Fonte: Elaboração própria com base em INE – Actividade Turística, Dezembro de 2014

 
Constatamos que o proveito médio por dormida

-apresenta valores baixos, explicáveis pela combinação de procura insuficiente e muito sazonal em mais casos do que seria desejável, mais o efeito se possível sub estimação pelo inquérito do INE,

-o crescimento entre 2009/2014 (da queda pós crise à actualidade) é de 3,4% a preços correntes em cinco anos, o que indicia algo de errado e estrutural. 

 

3.Nota final

*Insuficiência do debate
O debate sobre a indústria da hotelaria sofre de duas insuficiências

-apenas dispomos de indicadores operacionais do inquérito que o INE realiza desde a década de 1960 e pouco sabemos de concreto sobre a rentabilidade e viabilidade económica/financeira de estabelecimentos e empresas,

-o conhecimento da indústria da hotelaria, mais do que assentar nestes indicadores macro e insuficientes, exige que governo e associações conjuguem esforços para realizar uma ‘análise estratégica´ segundo a proposta de Micael Porter (ou outra).

Sem esta análise ou outra equivalente, a intervenção pública na indústria da hotelaria será sempre casuística e susceptível de efeitos perversos (obter resultado oposto ao desejado).

*Realidade a não ignorar
Dito isto, há que enfrentar a realidade:

-por muito bons que os indicadores operacionais sejam não sustentam afirmações sobre o sucesso da hotelaria e, ainda menos, do turismo em Portugal,

-o Proveito de alojamento e total médio por dormida mostram que a indústria da hotelaria não está de boa saúde

-o propagandear números deve dar lugar a atitude proactiva que conduza à ‘análise estratégica’ que apoie a intervenção empresarial e politica que a realidade exige.

Quanto mais tarde enfrentarmos a realidade pior será.

*Realidade e propaganda
Em resposta a quem justifica a propaganda dominante com a necessidade de boas notícias que alimentem a nossa auto-estima ou de posicionar ‘o turismo’, lembramos:

-nenhuma auto-estima aumenta com números agradáveis mas que escondem fraquezas estruturais,

-nenhuma indústria é competitiva e se posiciona na opinião pública e sistema politico/administrativo sem estatísticas fiáveis e conhecimento do negócio.

*Proveitos da hotelaria e receita de viagens e turismo
Por fim, insistir em tema já abordado no blogue. Os números da industria da hotelaria não podem continuar a ‘capturar’ os da receita de viagens e turismo porque estes

-integram o contributo de cerca de 43% de turistas não residentes e que escolhem o alojamento não classificado,

-crescem 50,5% entre 2009/2014 enquanto os proveitos totais da hotelaria crescem 11,1% - a comparação é indirecta mas iniludível,

-exigem uma intervenção politica que ultrapassa os limites da indústria da hotelaria.

Sobre este tema, ver vários post e o mais recente:

-Balança de Pagamentos – o admirável crescimento da receita de viagens e turismo (aqui).

 

A Bem da Nação

Lisboa 7 de Abril de 2015

Sérgio Palma Brito