Mercado Emissor do Reino Unido e Portugal – Enquadramento


Este post é o segundo de uma série de oito (I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII) sobre a Procura pela Oferta de Turismo de Portugal no Mercado Emissor do Reino Unido com base no International Passenger Survey (Aqui).
A série de posts encerra com uma Síntese e a edição PDF da versão adaptada de todos os posts, ambas a publicar brevemente. Sugerimos a leitura prévia da Introdução à Série ( I).
 

O leitor deve estar informado sobre os Princípios Gerais do blogue (Princípios).

No presente post

-observamos a evolução das deslocações ao estrangeiro por residentes no Reino Unido e sua repartição por motivo, macro destino e meio de transporte.

-consideramos o período entre 1960/2010, mas o essencial da observação reside nos anos de 1999 a 2013,

-abrimos uma janela para a observação de dormidas e despesa durante as deslocações.

 

*Evolução das deslocações entre 1960/2010
O gráfico 1.1 ilustra meio século de evolução das deslocações ao estrangeiro por residentes no Reino Unido e sua repartição pelos três segmentos mais importantes: motivo holiday, macro destino Europa e transporte em avião. Finda a II Grande Guerra,

-as deslocações ao estrangeiro por residentes no Reino Unido recomeçam a partir de zero no início dos anos 50, crescem de maneira sustentada até estabilizarem/declinarem na década de 2000.

Gráfico 1.1 – Deslocações entre 1961/62 e 2010 – quantidade
(milhares)

 
Fonte: Elaboração própria com base em Office of National Statistics – International Passenger Survey

O gráfico 1.2 ilustra a evolução dos segmentos motivo holiday, macro destino Europa e transporte em avião, em percentagem do total de deslocações:

-o crescimento da parte do transporte em avião é evidente e conhecida,

-a diminuição da parte de deslocações de holiday resulta do crescimento estrutural de deslocações poe motivo business e, mais recentemente, por motivo de visita a familiares e amigos,

-a diminuição da parte de deslocações para Europa resulta do aumento da parte de deslocações para ‘outros continentes’, tema que justifica post específico.

Gráfico 1.2 – Deslocações entre 1961/62 e 2010 – percentagem
(percentagem)

 
Fonte: Elaboração própria com base em Office of National Statistics – International Passenger Survey

Em 2013, o mercado emissor do Reino Unido representa 58,5 milhões de deslocações ao estrangeiro. A estabilidade das deslocações durante a década de 2000, identificada no gráfico 1.1, parece resultar do mercado ter atingido a maturidade. O gráfico 1.3 mostra que na realidade, o número de deslocações:

-entre 1980/2005, continua o crescimento sustentado iniciado em 1961, mas estabiliza entre 2006/2008,

-entre 2008/2009 tem queda brusca, consequência directa da Crise, a que se segue alguma recuperação entre 2009/2013.

Gráfico 1.3 – Mercado do Reino Unido – deslocações (1980/2013)
 (milhares)


Fonte: Elaboração própria com base em Office of National Statistics – International Passenger Survey

O Gráfico 1.4 ilustra evolução do índice das deslocações entre 1999/2013 e completa a informação do gráfico anterior. Com efeito,

-a queda entre 2008/2009 continua em 2010 com índice a voltar a valores de 1999/2000,

-entre 2010/2013 o índice tem ligeira recuperação, mas apenas atinge valores de 2002.

O Reino Unido, por mérito próprio e por ocupar ilhas, dispõe de números fidedignos sobre turismo emissor e pouco influenciados por estadias de uma noite. Ignoramos se outros mercados evoluem segundo o mesmo padrão: queda brusca com a crise seguida de recuperação anémica.

Gráfico 1.4 – Mercado Reino Unido – índice das deslocações (1999/2013)
(1999=100)

 
Fonte: Elaboração própria com base em Office of National Statistics – International Passenger Survey

*Deslocações por motivo
O IPS considera quatro motivos da deslocação, miscellaneous que é residual e três importantes: holiday, business e visiting friends or relatives. O gráfico 1.5 ilustra evolução de deslocações por motivos entre 1980/2013, com as deslocações

-por holiday a seguirem o padrão de evolução de todas as deslocações [ver gráfico 1.3],

-por business a parecerem subavaliadas,

-por VFR a serem ainda pouco importantes, mas a crescerem de maneira sustentada desde a década de 1990 [VIII].

Gráfico 1.5 – Deslocações segundo o motivo (1980/2013)
(milhares)

 
Fonte: Elaboração própria com base em Office of National Statistics – International Passenger Survey

O gráfico 1.6 ilustra o índice de deslocações por motivo entre 1999/2013:

-o de holiday cai 15,4% entre 2008/2009 e em 2013 é inferior ao valor de 2009,

-o de VFR cai 12,8% entre 2008/2010 e em 2013 supera o valor de 2008,

-o de business cai 22,8% entre 2008/2009 e em 2013 tem o valor de 1999.

Gráfico 1.6 – Índice das deslocações segundo o motivo (1999/2013)
(1999=100)

 
Fonte: Elaboração própria com base em Office of National Statistics – International Passenger Survey

*Deslocações por macro destinos
O IPS considera deslocações segundo três macro destinos: Europa, América do Norte e Outros. Em 2013, as quotas de mercado são, respectivamente, de 78.5%, 5.8% e 15.7%. O gráfico 1.7 ilustra a evolução destes grandes destinos entre 1980/2013:

-a Europa domina e segue padrão de evolução já identificado [gráfico 1.3],

-Outros Países cresce de maneira sustentada desde a década de 1990 e ultrapassa a América do Norte no início da de 2000.

Entre 2008 e 2013, a quota e mercado da Europa diminui de -0,4%, a da América do Norte diminui de -0,9% e a de Outros aumenta de 1,3%. Esta evolução é pertinente porque indicia queda da quota de mercado da Europa. 

Há dois casos a analisar: que países explicam o crescimento de Outros? e como explicar a descida da América do Norte?

Gráfico 1.7 – Deslocações por macro destinos (1980/2013)
(milhares)

 
Fonte: Elaboração própria com base em Office of National Statistics – International Passenger Survey

O gráfico 1.8 ilustra o índice de deslocações por macro destino entre 1999/2013 e suscita três comentários:

-entre 2008/2009 o índice da Europa cai de 125 para 105, desce a 98 em 2010 e recupera para 105 em 2013, o valor de 2001,

-entre 2008/2009 o índice da América do Norte cai de 98 para 77 e atinge 72 em 2013, ainda 16 pontos abaixo do mínimo pré crise de 88 em 2003,

-depois de subida sustentada desde 1999, o índice de Outros Países cai entre 2008/2009 de 180 para 163 e atinge 166 em 2013.

Gráfico 1.8 – Índice das deslocações por macro destinos (1999/2013)
(1999=100)

 

Fonte: Elaboração própria com base em Office of National Statistics – International Passenger Survey

*Deslocações segundo o meio de transporte
O IPS considera três meios de transporte: aéreo, marítimo e túnel. Em 2013 a quota de cada um é, respectivamente, de 79.6%, 12.3% e 8.5%. O gráfico 1.9 ilustra a evolução entre 1980/2013 das deslocações por meio de transporte:

-o transporte pelo túnel parece ter conquistado tráfego ao transporte marítimo e não ter influenciado a evolução do transporte aéreo,

-o transporte aéreo segue o padrão da evolução do motivo holiday e do macro destino Europa.

Gráfico 1.9 – Deslocações segundo meio de transporte (1980/2013)
(milhares)


Fonte: Elaboração própria com base em Office of National Statistics – International Passenger Survey

O gráfico 1.10 ilustra a evolução entre 1980/2013 do índice das deslocações por meio de transporte:

-depois de crescimento sustentado, o índice de transporte aéreo estabiliza entre 2006 e 2008, desce de 149 para 124 entre 2008/2009, acentua a queda em 2010 para 115 e recupera em 2013 para 124, valor inferior ao de 2003,

-em 2013 o índice do túnel atinge 81, acima dos 69 do transporte marítimo (ferry), mas em valor o túnel ainda está abaixo – 4.798 milhares de deslocações contra 7.166 do ferry.

Gráfico 1.10 – Índice das deslocações segundo o meio de transporte
(1999=100)


Fonte: Elaboração própria com base em Office of National Statistics – International Passenger Survey

*Deslocações para a Europa, por holiday e por avião
Os segmentos Europa, holiday e por avião são os mais importantes em si e para o destino Portugal. O gráfico 1.11 ilustra a evolução das deslocações para cada um destes segmentos em quantidade, e o gráfico 1.12 a evolução em índice. O resultado da observação dos dois gráficos não surpreende:

-uma evolução similar em quantidade, mas na qual o transporte aéreo é driver do crescimento.

Gráfico 1.11 – Deslocações dos segmentos Europa, Holiday e Avião (1980/2013)
(milhares)

 
Fonte: Elaboração própria com base em Office of National Statistics – International Passenger Survey

Gráfico 1.12 – Índice das Deslocações do segmento Europa, Holiday, Avião (1999/2013)
(1999=100)


Fonte: Elaboração própria com base em Office of National Statistics – International Passenger Survey

 

A Bem da Nação

Lisboa 10 de Novembro de 2014

Sérgio Palma Brito

Portugal no Mercado de Turismo do Reino Unido – Introdução


Este post é o primeiro de uma série de oito (I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII) sobre a Procura pela Oferta de Turismo de Portugal no Mercado Emissor do Reino Unido com base no International Passenger Survey (Aqui). A série de posts encerra com uma Síntese e a edição PDF da versão adaptada de todos os posts, ambas a publicar brevemente.

 

O leitor deve estar informado sobre os Princípios Gerais do Blogue (Princípios).

 

1.Sobre a série de posts

*Objectivos
A presente série de posts tem três objectivos

-o mais importante é dar ideia geral sobre o mercado emissor do Reino Unido e a posição do destino Portugal, e assim facilitar o trabalho de quem queira utilizar os dados do IPS,

-mostrar que a informação do IPS exige análise e divulgação profissionais, por ser importante a governo, administração, iniciativa privada, universidades e opinião pública,

-fazer de IPS e Travel Trends factores inspiracionais para recuperarmos da situação dramática da Informação Estatística do Turismo em Portugal Aqui.

*Âmbito da análise
Dormidas e despesa são indicadores mais relevantes do que deslocações. Na série de posts apenas analisamos as deslocações para facilitar a exposição. Uma vez apreendida a estrutura do IPS, é fácil conjugar deslocações com dormidas e despesa.

A maior parte na nossa observação é sobre os anos entre 1999/2013, porque a informação está disponível online e permite contextualizar a evolução mais pertinente: queda brusca do mercado entre 2008/2009 e recuperação atribulada entre 2009/2013.

Utilizamos informação sobre os anos entre 1980/2013, excepcionalmente entre 1961/2010, e em alguns casos não podemos recuar a 1999.

Observar as deslocações de package holiday é importante para Algarve e Madeira e obriga a recuar aos anos 70, mas tal é tema para Post futuro.

*Percurso sobre os posts
A Introdução ao Mercado Emissor do Reino Unido ocupa dois posts:

-o primeiro ilustra a evolução das Deslocações nos horizontes 1961/2010, 1980/2013 e 1999/2013

-o segundo detalha o modelo de negócio do package holiday.

O posicionamento de Portugal no mercado emissor ocupa quatro posts:

-deslocações para Portugal no total de deslocações do mercado,

-deslocações para Portugal no segmento Europa, holiday, avião,

-no seio destas, as do modelo de negócio de package holiday,

-por fim, um benchmark rudimentar de Portugal em relação a Grécia, Turquia, Egipto, Marrocos e Tunísia.

O último post relaciona dormidas de residentes no reino unido em deslocação a Portugal com alojamento turístico classificado ou não.

 
2.Notas para facilitar a leitura dos posts

*International Passenger Survey, business ontelligence e market research
O Office of National Statistics elabora International Passenger Survey desde 1961. Os resultados 1999/2013 estão acesíveis Aqui. Em 2010, é publicada a resenha Celebrating 50 years of the International Passenger Survey’.

Como explicámos em Post anterior, os indicadores do IPS permitem macro análise do mercado, importante em si e como base para duas acções da iniciativa privada: market research, a nível do mercado, e business intelligence, a nível dos operadores do mercado.

*Terminologia e tradução
O IPS chama ‘visit’ ao que as International Recommendations for Tourism Statistics chamam ‘trip’, sendo que “A trip is made up of visits to different places” (1). É uma introdução à falta de consensualização da terminologia.

O INE traduz ‘trip’ por deslocação. Uma deslocação tem um motivo principal e deslocações são quantificadas segundo quatro motivos: holiday, business, visiting friends or relatives e miscellaneous. Não seguimos o INE, utilizamos holiday e não ‘lazer, recreio ou férias’, business e não ‘profissionais ou negócios’. No caso de VFA (visitas a familiares e amigos) por coerência, utilizamos VFR (de ‘visiting friends or relatives’).

Quando o IPS quantifica as deslocações por motivo de holiday, acrescenta sempre ‘of wich IT’, de inclusive tour que traduzimos por ‘das quais em package’.

Utilizamos também ‘k’ em alternativa a ‘milhares de’ – afinal kilo é mil.

A nossa análise é limitada às deslocações por motivo de holiday.

Na ocorrência, lidamos com o turismo emissor do Reino Unido e turismo receptor em Portugal. O que é ‘spending’ no IPS é ‘receita de viagens e turismo na balança de pagamentos de Portugal.

*Deslocações por holiday: de tour urbano e cultural e de estadia
As deslocações turísticas podem ser por motivo de holiday, business e visiting friends or relatives.

As deslocações por holiday incluem as de tour urbano e cultural (Lisboa, por exemplo) e as de estadia na praia (Algarve, por exemplo), montanha, campo ou termas.

As deslocações de estadia assentam em dois modelos de negócio: package holiday (ou simplesmente package) e independent travel (2) com recurso ou não a agências de viagens.

As deslocações são situacionais, a mesma pessoa experimenta deslocações diferentes ao longo do ano.

Dadas as nossas limitações e as da edição pelo Blogger, o esquema seguinte procura facilitar a memorização desta classificação:

0.Deslocações Turísticas por motivo e nas de Lazer/Férias por tipo

0.1.Motivo Lazer/Férias

0.1.1.Tour urbano e cultural

0.1.2.Estadia

0.1.2.1.Independet Travel

0.1.2.2.Package Holiday

02.Motivo Negócio/Profissional

0.3.Motivo Visita a Familiares e Amigos

*Dois posts interligados
Dois posts completam a informação para interpretar boa parte das estatísticas que apresentamos:

-Modelo de Negócio de Package Holiday (Notas),

-Transformação Estrutural do Mercado Europeu da Viagem de Lazer e Transporte em Avião (Notas).

 

A Bem da Nação

Lisboa 10 de Novembro de 2014

Sérgio Palma Brito

 

Notas

(1)Ver em International Recommendations for Tourism Statistics (Aqui), see para. 2.33.

(2)Nesta série de posts utilizamos independent travel no sentido mais restrito de alternativa ao package holiday na deslocação de estadia. Hoje, independent travel é utilizado com significado alargado a toda a deslocação de holiday, seja esta de estadia ou de tour. Lamentamos a confusão criada.

O Top 100 City Destinations Ranking da Euromonitor International


A Euromonitor International tem crédito internacional na Business Intelligence do Turismo.

Em Portugal, estamos submersos por um tsunami de rankings onde é difícil encontrar os que valem uma atenção especial, como é o caso do Top 100 City Destinations Ranking* de “international tourist arrivals”.

*International Tourism Arrivals
Temos a obrigação de comentar este ranking, por opções na sua elaboração e pelo 72º lugar que Lisboa ocupa. Comecemos pelas Cidades do Top 10 do International Tourist Arrivals (Gráfico 1).

As chegadas do Turismo Internacional, mesmo se correctamente contadas, podem ser um dos mais falsos indicadores da Economia do Turismo, como podemos facilmente compreender:

-Hong Kong e Singapura estão no topon (ou Macau), por serem cidades que controlam os passaportes de todos os visitantes,

-Londres ocupa o 3º lugar e New York City o 8º porque os Americanos que a visitam não são contabilizados, quando os nacionais dos países da Europa que visitam Londres são International Tourism Arrivals.

Gráfico 1 – Cidades do Top 10 International Tourist Arrivals
(milhões)

 
Fonte: Elaboração própria com base em Euromonitor International

 
*Deslocação do Tour Urbano e Deslocação de Estadia

O ranking da Euromonitor não distingue dois tipos de destino turístico, formados em função dos dois grandes tipos de Deslocação Turística:

-a do Tour Urbano e Cultural e a da Viagem de Estadia.

A título de exemplo, não faz sentido comparar Londres ou Lisboa com

-Antalya, uma cidade da Turquia com menos de um milhão de habitantes e porta de entrada para a Riviera da Turquia, destino maior da Viagem de Estadia – não é uma Cidade Destino Turístico,

-sem ser exaustivo, o mesmo acontece com Puckett (15º), Pattaya (17º), Denpasar/Bali (51º), Djerba/Tunísia (58º), Cancun (61º) ou Punta Cana (65º), todas cidades/aeroporto de uma Área Turística da Deslocação de Estadia.

*O 72º Lugar de Lisboa

Neste tipo de análise nunca podemos cometer o erro infantil do nacionalismo ou regionalismo. Tomada esta precaução, vejamos como Lisboa se situa nas duas Ligas das Cidades da Europa

-Platinum, a partir de 5 milhões de “International Tourist Arrivals” (Gráfico 2),

-Gold, abaixo de 5 milhões (Grafico 3).

Gráfico 2 – International Tourist Arrivals, Europe Platinum
(milhões)



Fonte: Elaboração própria com base em Euromonitor International

Gráfico 3 – International Tourist Arrivals, Europe Gold
(milhões)

 
Fonte: Elaboração própria com base em Euromonitor International

Não temos acesso aos números utilizados pela Euromonitor International para calcular as “International Tourist Arrivals” e ainda estamos no início da análise dos números de Lisboa.

Numa primeira aproximação, parece possível afirmar que

-Lisboa recebe mais do que 2.2 milhões de “International Tourist Arrivals” e a sua posição neste ranking deve ser revista,

-no contexto europeu, o número de International Tourist Arrivals de Lisboa, mesmo corrigido, não é nada de extraordinário e não justifica o alarido sobre ‘excesso’ de turistas, ‘turistificação’ de Lisboa etc.

 

A Bem da Nação

Lisboa 4 de Setembro de 2014

Sérgio Palma Brito

 

*Os estudos da Euromonitor International têm custo fora do orçamento do Blogue. Baseamo-nos na síntese pública do Ranking de 2012, que muito generosamente a empresa disponibiliza na Internet (Aqui).

Procura por Package Holiday no Mercado Emissor do Reino Unido

Segundo o ‘conhecimento’ vigente sobre o Turismo no Algarve, ‘o Governo’ (concretamente, Sócrates I e II) fez uma ‘aposta cega’ nas Companhias Low Cost, ‘ofendeu’ os Operadores de Package Holiday em voos de Companhas Charter, estes abandonaram a Região e a consequência foi a ‘eucaliptização’ do território turístico do Algarve e o agravamento da sazonalidade. A Madeira conheceu problemas similares, mas escapa à atenção deste tsunami de sabedoria.

Enquanto não publicamos os Posts sobre o Mercado Emissor do Reino Unido e sobre a Procura Pela Oferta de Turismo do Algarve (trabalhar dá muito trabalho), este mini-Post tem um objectivo simples:

-chamar a atenção sobre a importância de analisar a concorrência entre Package Holiday e Independent Travel (ligada à concorrência entre Operadores Turísticos e Companhias Low cost) lá onde tudo começa: os Mercados Emissores, na ocorrência o do Reino Unido.

Na série de posts a publicar, procuramos mostrar como esta evolução se traduz nas Deslocações com destino Portugal. O presente Post é um teaser sobre

-a Procura de Package Holiday no Mercado Emissor do Reino Unido.

Os Gráficos 1 e 2 ilustram e são a base da análise que segue. O Leitor pode optar por ler o Ponto 2 antes, durante ou depois de ler o Ponto 1.

 

1.Destino Europa: Deslocações Por Holiday e em Avião, Com Detalhe do Package Holiday
*Período Entre 1999/2008
Consideramos os anos que vão desde o início da análise até ao ano anterior à Crise de 2008/2009 – 1999/2008.

As Deslocações por Motivo Holiday seguem o padrão do Mercado Emissor do Reino Unido na sua globalidade:

-crescem 12.154 milhares ou 72,7%, mas já conhecem um plateau entre 2006/2008.

As Deslocações de Package Holiday seguem um padrão diferente do anterior:

-crescem entre 1999/2004 (2.940 milhares ou 28,2%), quando atingem o máximo histórico, mas a ritmo mais lento das de Holiday – o Índice em 2004 é, respectivamente, de 1,28 e 1,63,

-depois diminuem de 2.039 milhares entre 2004/2008,

-na totalidade do período 1999/2008, acabam por crescer 901 milhares ou 8,6% (compara com o crescimento de 72,7% das Deslocações de Holiday).

*O “annus horribilis” (2008/2009) e os Anos Até 2013
Entre 2008/2009

-as Deslocações por Motivo Holiday perdem 18,1% ou 5.202 milhares,

-as Deslocações de Package Holiday perdem 22,1% ou 2.506 milhares.

Entre 2008/2013

-as Deslocações por Motivo Holiday perdem 18% ou 5200 milhares,

-as Deslocações de Package Holiday perdem 12,2% ou 1.385 milhares.

Salta à vista uma divergência que os índices confirmam:

-a queda entre 2008/2009 do total de Holiday (18,1%) é inferior à de Package Holiday (22,1%)

-a evolução entre 2008/2013 é diferente, porque o total de Holiday mantém a queda (18%), mas o Package Holiday recupera e só já perde 12,2%.

*Deslocações Por Motivo Holiday
As Deslocações por Motivo de Holiday

-ganham com Transformação Estrutural do Mercado de Holiday na Europa, quando crescem a partir de 2004 e divergem das de Package Holiday que iniciam uma queda estrutural,

-este ganho resulta sobretudo do crescimento das Deslocações de Tour Urbano e Cultural, mas resulta também do crescimento do Independent Travel nas Deslocações para Áreas Turísticas e em detrimento do Package Holiday.

Nas séries de posts procuraremos identificar, no caso do Algarve, o que é opção dos Turistas, escolhas comerciais dos Grandes Operadores Consolidados (TUI Travel e Tomas Cook) e Intervenção Pública.

*Deslocações de Package Holiday
A evolução das Deslocações de Pakage Holiday exige considerar todo o período entre 1999/2013

-entre 1999/2004 crescem 28,2%, mas a um ritmo mais lento do que o das Deslocações por Holiday,

-a partir de 2004, começam a diminuir por efeito da Transformação (perdem cc milhares entre 2004/2008),

-entre 2008/2009 perdem 2.506 milhares (ou 22,1%), por efeito directo da Crise

-na realidade, o efeito conjugado da Transformação do Mercado e da Crise faz com que o Package Holiday perca 4.992 milhares de Deslocações (27.3%) entre 2004/2010 [em 2010 atinge o valor mínimo de 8.387 milhares de Deslocações].

Se considerarmos os anos entre 2009/2013,

-as Deslocações Por Motivo Holiday estão ao mesmo nível (índice 1,42), mas as Deslocações em Package Holiday recuperam 1.121 Deslocações (o índice passa de 0,85 a 0,95), o que confirma a quantificação feita antes,

-esta recuperação do Package Holiday ainda é para um valor inferior ao de 1999, parece ter a ver com o crescimento da modalidade de All Inclusive o que pode ser considerado consequência da Crise de 2008/2009.

*Gráficos
Gráfico 1 – Destino Europa: Deslocações em Avião, Por Motivo Holiday e Detalhe do Package Holiday
(milhares)

 
Fonte: Elaboração própria com base em Office of National Statistics – International Passenger Survey

Gráfico 2 – Destino Europa: Índice de Deslocações em Avião, Por Motivo Holiday e Detalhe do Package Holiday
(1999 Base 1)

 
Fonte: Elaboração própria com base em Office of National Statistics – International Passenger Survey


2.Informação Útil

*Dois Tipos de Deslocações Por Motivo Holiday: Estadia em Áreas Turísticas e Tour Urbano e Cultural
A conjugação de Sociedade, Economia e Cultura obriga-nos a classificar as Deslocações por Motivo Holiday (ou Leisure ou Lazer) em dois tipos

-as de Estadia em Áreas Turísticas (ditas de Resort), de que o Algarve e Madeira são um exemplo,

-as de Tour Urbano e Cultural, muito concentradas em Cidades e de que Lisboa e Porto são exemplo.

Na Europa (o Package Holiday é europeu), há uma realidade do Mercado Turístico:

-as na Modalidade de Package Holiday são importantes apenas nas Áreas de Resort.

A diferença entre o número total de Deslocações por Motivo Holiday e as Deslocações de Package Holiday compreende

-as Deslocações de Tour Urbano e Cultural,  

-as Deslocações de Estadia que não optam pela Modalidade de Package Holiday.

*Deslocações na Europa, Por Motivo Holiday, Opção Por Package Holiday e Transporte Aéreo
A realidade é simples:

-a modalidade de Package Holiday foi durante dezenas de anos identificada com o transporte por Companhias Charter a ligar urbes do Norte da Europa com Áreas Turísticas do Sul, mas nunca com cidades relevantes para não fazerem concorrência à Companhias estatais de Bandeira,

-a partir da liberalização dos Direitos de Tráfego no Espaço Aéreo da então CEE, em Janeiro de 1993, na Europa apenas há Companhias Aéreas, que podem transportar passageiros segundo os mais variados modelos de negócio,

-a Liberalização abre á concorrência o mercado entre grandes cidades da Europa e é este mercado que está na origem das designadas Companhias Low Cost, criadas de raiz ou a partir de companhias existentes, como é o caso de Companhias Charter,

-desde meados da década de 1990, chegam ao Aeroporto de Faro algumas Full Servive Carriers e Companhias Aéreas de um Modelo Diversificado, que não pode ser reduzido à dicotomia ‘charter versus low cost’ – é evidente que a nível do soundbite a referência a Modelo Diversificado não serve,

-é legítimo que um técnico da ANA encarregue de produzir Estatísticas de Tráfego, opte por classificar as companhias que operam em Faro como Charter, Low Cost e Full Service – o problema surge, quando esta opção vira base simplista para o florescer do ‘conhecimento’ vigente sobre companhias charter e low cost no Algarve.

Com efeito, a dicotomia entre ‘companhias Charter e Low Cost’ ilude em erro, por

-haver um Modelo Diversificado de Companhias Aéreas de Tarifas Baixas ou Híbridas, que vai da Ryanair à Vueling, passando pela cinquentenária Monarch,

-haver, de facto, uma concorrência feroz entre Operadores Consolidados de Package Holiday e Companhias Aéreas do Modelo Diversificado,

-a opção a considerar não é a ‘charter versus low cost’, mas sim a opção de quem se desloca por Motivo de Holiday entre Package e o chamado ‘Independent Travel’.

*Dois Factores Condicionantes
O Mercado Europeu das Deslocações Turísticas por Motivo Holiday deve ser analisado à luz de dois Factores Condicionantes, cujos efeitos se sobrepõem:

-uma Transformação Estrutural do Mercado que começa no início da década de 1990 (com os Markets of One e a Liberalização do Transporte Aéreo) e conhece um reforço extraordinário com a utilização da Internet – apesar de datado do final de 2006 o documento ‘TUI Travel UK position on the package travel directive? (Aqui) está actual e sintetiza os factores mais directos desta transformação.

-a Crise de 2008/2009 e a maneira como esta afectou e afecta a Sociedade e Economia da Europa.

 
A Bem da Nação

Lisboa 9 de Julho de 2014

Sérgio Palma Brito

Grécia, Portugal e Turquia no Mercado Emissor do Reino Unido


A tão falada e prometida série de Posts sobre o Mercado Emissor do Reino Unido é publicada esta semana, depois de muitas horas de trabalho e demasiados dias de espera.

O presente Post é um teaser a chamar a atenção para esta publicação!

Analisamos a evolução entre 1999/2013 das Deslocações de Residentes no Reino Unido a Grécia, Portugal e Turquia, por Motivo de Holiday (o nosso Férias, Lazer ou Recreio), em Avião e Destino Europa. O Segmento ‘Holiday, Avião, Europa’ é o mais importante no Mercado e nos países em causa.

 

*Deslocações de Residentes no Reino Unido a Seis Países (Todos os Motivos)
O Gráfico 1 apresenta a evolução de todas as Deslocações de Residentes no Reino Unido a Seis Países, isto é, por Motivo de Holiday, Business, Visiting Friends or Relatives e o residual Miscellaneous.

Gráfico 1 – Deslocações de Residentes no Reino Unido a Seis Países (Todos os Motivos)

(milhares)
 

 
Fonte: Elaboração própria com base em Office of National Statistics – International Passenger Survey

*Deslocações de Residentes no Reino Unido a Seis Países – Motivo Holiday
O Gráfico 2 apresenta a evolução das Deslocações de Residentes no Reino Unido a Seis Países apenas por Motivo de Holiday.

Gráfico 2 – Deslocações de Residentes no Reino Unido a Seis Países – Motivo Holiday

(milhares)
Fonte: Elaboração própria com base em Office of National Statistics – International Passenger Survey

*Deslocações de Residentes no Reino Unido a Seis Países – Motivo Holiday na Modalidade de Package Holiday
O Gráfico 3 apresenta a evolução das Deslocações de Residentes no Reino Unido a Seis Países por Motivo de Holiday, mas apenas na modalidade de Package Holiday de Operadores Turísticos.

Gráfico 3 – Deslocações de Residentes no Reino Unido a Seis Países – Motivo Holiday na Modalidade de Package Holiday
(milhares)
Fonte: Elaboração própria com base em Office of National Statistics – International Passenger Survey

*Tópicos Para Reflexão
No Total das Deslocações (Gráfico 1),

-a Grécia tem uma queda estrutural desde o início da década de 2000,

-a Turquia perde o ímpeto de crescimento desde 2008, fruto da queda do Mercado do Reino Unido entre 2008/2009 e de problemas internos,

-Portugal parece assumir a liderança do número de Deslocações no seio deste pequeno grupo de países.

Dada a importância do Motivo Holiday, as Deslocações por este Motivo (Gráfico 2) estão correladas com a evolução do Total.

A evolução das Deslocações por Motivo Holiday, mas apenas na Modalidade de Package Holiday questionam o ‘conhecimento dominante’ sobre a matéria:

-uma quase sufoco da Modalidade de Package Holiday pelo crescimento das Companhias Low Cost.

A realidade não é tão simples e é algo diferente:

-a muito importante queda das Deslocações em Package Holiday na Grécia nada tem a ver com Companhias Low Cost,

-o crescimento e posterior estabilização/declínio das Deslocações de Package Holiday para a Turquia também escapam à influência das Companhias Low Cost,

-em Portugal, a queda entre 2008/2009 tem pouco a ver com as Companhias Low Cost (um post sobre o Aeroporto de Faro tal confirmará),

-ainda em Portugal, apesar da Base Ryanair desde 2010, a modalidade de Package Holiday cresce desde 2009 e atinge o valor da Turquia em 2013.

Brevemente, terá informação detalhada sobre tudo isto e muito mais.

 
A Bem da Nação

Lisboa 23 de Junho de 2014
Sérgio Palma Brito

Mercado Emissor do Reino Unido e Turismo em Portugal – Três Factos do Ano de 2013


Estamos a preparar uma série de cinco Posts sobre o Mercado Emissor do Reino Unido e Portugal, com base na informação do International Passenger Survey (Aqui).

Um pouco à laia de aperitivo, chamamos a atenção do leitor sobre Três Factos do Ano de 2013.  

 

1.Três Factos do Ano de 2013

*Menos Turistas e Mais Receita – Portugal ganha à Alemanha, mas perde com a Grécia
Em 2013, os Turistas residentes no Reino Unido que visitam Portugal são menos dos que visitam a Alemanha, mas fazem mais despesa cá do que mais Turistas na Alemanha.

Não somos os melhores, porque a Grécia recebe menos turistas residentes no Reino Unido do que Portugal, mas obtém mais receita do que nós.

Com efeito, Portugal

-é sétimo e a Grécia nona no TOP 10 dos países visitados por Residentes no Reino Unido,

-é sexto no TOP 10 da Despesa efectuada por Residentes no Reino Unido, mas a Grécia é quinta.

*A Maioria das Dormidas é no Alojamento Não Classificado
Em 2013, os 2,1 milhões de Turistas Residentes no Reino Unido que visitam Portugal geram 19.486 milhões de Dormidas, das quais 6.974 milhões no Alojamento Classificado.

Por outras palavras,

-os Turistas Residentes no Reino Unido geram 12.512 milhões (64,2%) de Dormidas no Alojamento Não Classificado.

Parte destas Dormidas são em Alojamento Gratuito Por familiares e Amigos. A maior parte delas são passadas em Residências Secundárias de Utilização Turística (Por Conta Própria ou Arrendadas). Estas Residências Secundárias

-são na sua grande maioria Dispersas ou estão Integradas em Estabelecimentos de ‘Turismo Residencial Real’, de que Vale do Lobo é ícone.

Hostels e Apartamentos Urbanos (sobretudo nas Zonas Históricas de Lisboa e Porto) acolhem uma pequena parte destes 15.512 milhões de Dormidas.

*O (Perigoso) Equívoco do Decreto-Lei do Alojamento Local
Perante esta realidade, o Governo aprova um Decreto-Lei que

-lida (mal) com os Hostels e Apartamentos Urbanos,

-ignora a dinâmica de Criação de Valor pela maior parte dos 15.512 milhões de Dormidas,

-ou é aplicado de maneira transparente e sistemática a esta realidade e provoca um desastre na Economia do Turismo,

-ou não é aplicado, e cria injustiça (são apanhados uns ‘parvos’) e desacredita a Lei, a Politica e a ASAE.

Ainda ninguém percebeu que a realidade não ‘encaixa’ na Lei?

 
2.Suporte Analítico dos Factos

*Top 10 countries visited by UK residents for at least one night
O Gráfico 1 ilustra os “Top 10 countries visited by UK residents for at least one night”.

Gráfico 1 – Top 10 countries visited by UK residents
(milhares)

Fonte: Office of National Statistics – International Passenger Survey

*Top 10 countries by expenditure of UK residents whilst visiting abroad for at least one night
O Gráfico 2 ilustra os “Top 10 countries by expenditure of UK residents whilst visiting abroad for at least one night”.

Gráfico 2 – Top 10 countries by expenditure of UK residents
(£milhões)

Fonte: Office of National Statistics – International Passenger Survey

*Dormidas em Alojamento Classificado e Não Classificado
Os números citados são do INE e do Office of National Statistics. Serão detalhados na série de Posts referida.

 
A Bem da Nação

Lisboa 12 de Junho de 2014

Sérgio Palma Brito

Sobre o ‘supéravit’ na balança do turismo internacional e a degradação da Informação Estatística do Turismo


Em Post recente, analisámos um dos mais graves problemas escondidos da Economia do Turismo em Portugal:

-Portugal está em 72º lugar no que respeita à qualidade e cobertura da informação estatística, disponível para o sector do Turismo.

Pior,

-a indiferença geral sobre este facto confirma não haver procura exigente por Informação Estatística do Turismo qualificada por parte de «governments, industries, academia and the public»”.

*Intervenção do Director Executivo da Organização Mundial do Turismo
A recente intervenção* do Director executivo da Organização Mundial do Turismo (OMT), Márcio Lucca de Paula ilustra dois aspectos desta degradação:

-a referência a “chegadas de turistas internacionais” é o mais evidente: o Inquérito aos Movimentos de Pessoas nas Fronteiras foi realizado entre 2004 e 2007, pelo que o numero de ‘chegadas’ em 2013 é fruto de cálculos frágeis e inaceitáveis por escamotearem uma das mais graves lacunas da Informação Estatística do Turismo,

-a referência a valores e ranking internacional da Balança Turística (diferença entre Receita e Despesa de Viagens e Turismo na Balança de Pagamentos) exige análise.

*Dois Tipos de Indicadores Estatísticos
No Post já referido, distinguimos dois tipos de Indicadores da Informação Estatística do Turismo:

-os produzidos pelo INE e Banco de Portugal,

-os Indicadores diversos de Estatísticas do INE, ou elaborados com base em informação do INE, Banco de Portugal, Administração Pública e outros.

Em nossa opinião,

-estes segundos Indicadores devem ser elaborados por Centro Universitário de Economia e/ou Estatística de primeira linha, um elemento indispensável do Sistema que integra ainda INE, Banco de Portugal, Turismo de Portugal e Confederação do Turismo Português.

*O Centro Universitário de primeira linha e a Ambição
Este Centro Universitário, em condições a acordar,

-elabora, divulga e garante um Painel de Indicadores e uma versão revista do actual Proturismo,

-assegura um diálogo qualificado entre todos os agentes do sistema: TdP, CTP, INE e BdP,

-realiza todas as tarefas que impliquem credibilidade e posicionamento da Informação Turística do Turismo. 

Este Centro é instrumento de uma ambição

-em três anos, a Informação Estatística Sobre Turismo coloca Portugal no TOP 15 do Travel & Tourism Competitivness Report do World Economic Forum no que respeita à qualidade e cobertura da Informação Estatística Disponível para o Sector do Turismo. 

*Sobre a Balança Turística
O conceito de ‘Balança’ pode ser útil em casos como a Alimentação, de Produtos como o azeite e, mais recentemente, os combustíveis.

Em nossa opinião, a Balança do “turismo internacional” não faz sentido porque

-resulta da diferença de processos com dinâmicas económicas e sociais diferentes e independentes, o Turismo Receptor e o Turismo Emissor – com a excepção do ‘vá para fora cá dentro’, uma espécie de ‘substituição de importações’,

-o foco da Intervenção Publica do Turismo deve ser o facilitar a actividade empresarial a maximizar a Receita de Viagens e Turismo na Balança de Pagamentos.

*Sobre Rankings Internacionais
A Economia do Turismo sofre em excesso de um mal que, em tempos idos, foi denunciado por Michael Porter:

-o do jogador de ténis tão preocupado com o marcador electrónico que perde bolas sucessivas.

No caso do questionável indicador da Balança Turística, há duas observações de princípio:

-em valor absoluto, ganha o País que receba muitos Turistas e seja suficientemente pobre para ter reduzido Turismo Emissor,

-em percentagem do PIB, ganha, de entre os países anteriores, aquele cuja Economia depender mais do Turismo – por este andar, ainda é o caso das Maldivas.

*Equívoco Politico
Apesar de já me ter dado alguns desgostos (o Projecto de Decreto-Lei sobre Alojamento Local é um desastre) mantenho estima e apreço pelo liberal Adolfo Mesquita Nunes, aceito as boas intenções de António Pires de Lima e espero que João Cotrim de Figueiredo actualize a ‘corporate culture’ e ‘management style’ do Turismo de Portugal.

Correndo o risco de só criar sarilhos, espero que eles entendam muito rapidamente que

-uma Informação Estatística do Turismo renovada é indispensável para Conhecer, Tornar Competitiva e Posicionar a Economia do Turismo,

-na ausência desta Informação, as boas intenções apenas garantem o Inferno e alimentam um equívoco político que se tolerava antes da Crise, mas que é inaceitável na actualidade.

Por outras palavras, a excelente apresentação sobre O Marketing Digital na Comunicação Internacional do Destino Portugal dispensava a intervenção do Director da OMT e a cena da Balança Turística

 
A Bem da Nação

Lisboa 3 de Junho de 2014

Sérgio Palma Brito   

 
*Na sessão sobre O Marketing Digital na Comunicação Internacional do Destino Portugal, organizada pelo Turismo de Portugal.