Mercado Emissor do Reino Unido – Cinquenta Anos de Viagens ao Estrangeiro e a Crise de 2008/2009

Neste post damos uma ideia geral sobre a evolução do Mercado Emissor do Reino Unido, ao longo dos últimos cinquenta anos e durante e durante os anos da Crise de 2008/2009 e do período Pós Crise.

Consideramos apenas
-o Número de Viagens ao Estrangeiro, apesar de ser o mais rudimentar de todos os que quantificam a Economia do Turismo,
-o seu valor global e o detalhe por Motivo, Destino e Modalidade de Transporte das Viagens.

Em síntese,
-depois de dezenas de anos de crescimento sustentado, o Número de Viagens conhece uma descida brusca entre 2008/2009, seguida de estagnação entre 2009/2012,
-em 2010 o número de viagens é inferior em cerca de 18 milhões ao que seria sem a Crise e, para o recuperar o nível de 2008, tem de haver um crescimento de 23% em relação ao número de 2012,
-dominam as Viagens de Lazer (Holiday), o Destino Europa e o Transporte Aéreo,
-no Motivo da Viagem e no ano crítico de 2009, as de Lazer diminuem menos do que as de Negócio, e as de Visita a Familiares e Amigos são as que menos descem e as que são mais resilientes no Pós Crise,
-no Destino da Viagem, entre 2000/2010, Europa e América do Norte descem, mas Outros sobem, o que são más noticias para Algarve/Madeira,
-na Modalidade de Transporte, o Avião é a que mais cresce e cresce mesmo entre 2000/2010, e com a Crise é a que mais desce, como seria de esperar.

Abrimos pistas. O leitor decide se este post lhe chega, se as ignora ou se as aprofunda. A importância do Mercado do Reino Unido justifica o aprofundar.

1.Viagens ao Estrangeiro de Residentes no Reino Unido
O Gráfico 1 ilustra a evolução do número de Viagens ao Estrangeiro por 
Residentes no Reino Unido, entre 1961/2010.

Gráfico 1 – Viagens ao Estrangeiro Entre 1961/2010
(milhões)


Fonte: Elaboração Própria com base em Travel Trends de 2010 e de 2012

Depois de quase meio século de crescimento sustentado do número de Viagens ao Estrangeiro, a Crise de 2008/2009 cria uma ruptura de tendência, que é ilustrada pelo Gráfico 2:
-entre 2008/2009, o Número de Viagens desce cerca de 19%, para um plateau de 56 milhões, um padrão comum a outros indicadores,
-sem esta ruptura, o número de viagens de 2010 seria de cerca de 73 milhões, uma diferença de cerca de 18 milhões com a realidade,
-para o Número de Viagens recuperar o nível de 2008, tem de haver um crescimento de cerca de 23% em relação a 2012.

No futuro mais imediato, Algarve, Lisboa e Madeira, com largo destaque do Algarve, captam cerca de 97% das Dormidas de Residentes no Reino Unido nos Empreendimentos da Industria da Hotelaria. É um sinal de alarme.

Gráfico 2 - Viagens ao Estrangeiro Entre 2008/2012
(milhões)


Fonte: Elaboração Própria com base em Travel Trends de 2010 e de 2012

2. Viagens ao Estrangeiro, Por Motivo da Viagem
*A Evolução 1961/2010
O Gráfico 3 ilustra a evolução do número de Viagens ao Estrangeiro por Residentes no Reino Unido, entre 1961 e 2010, por Motivo da Viagem.             

Gráfico 3 – Viagens ao Estrangeiro, Por Motivo da Viagem Entre 1961/2010
(milhões)


Fonte: Elaboração Própria com base em Travel Trends de 2010 e de 2012

Neste Gráfico há dois factos a registar: a diminuição das Viagens de Negócio superior às das Viagens de Lazer (Holiday) e o crescimento do Motivo de Visita a Familiares e Amigos. Este crescimento tem origem nas comunidades de emigrantes no Reino Unido e este Motivo de viagem é relevante em Portugal no Mercado Interno.

O Gráfico 4 dá outra representação das Viagens ao Estrangeiro de Residentes no Reino Unido, Por Motivo da Viagem.

Gráfico 4 – Viagens ao Estrangeiro, Por Motivo da Viagem Entre 1961/2010
(milhões)


Fonte: Elaboração Própria com base em Travel Trends de 2010 e de 2012

*Consequências da Crise de 2008/2009
O Gráfico 5 ilustra a evolução das Viagens ao Estrangeiro, Por Motivo da Viagem, desde 2008 até 2012. O crescimento sustentado do Número de Viagens culmina em 2008. A evolução entre 2008/2012 dá uma primeira ideia das consequências da Crise de 2008/2009.

As Viagens por Motivo de Visita a Familiares e Amigos são as mais resilientes, por diminuírem menos e darem ligeiro sinal de crescimento, a que a escala do Gráfico não permite dar a real imagem – dito isto, o máximo de 2008 está longe de ser atingido.

A evolução 2008/2010 das Viagens por Motivo de Lazer (Holiday) confirma que a recuperação do mercado ao nível de 2008 não parece ser para breve.
O mesmo se pode dizer em relação às Viagens de Negócio.

Gráfico 5 - Viagens ao Estrangeiro, Por Motivo da Viagem Entre 2008/2012
(milhões)


Fonte: Elaboração Própria com base em Travel Trends de 2010 e de 2012

3.Viagens de Residentes no Reino Unido ao Estrangeiro Por Destino da Viagem
*A Evolução 1961/2012
O Gráfico 6 ilustra a evolução do número de Viagens ao Estrangeiro por Residentes no Reino Unido, entre 1961 e 2010, por Destino da Viagem.       

Gráfico 6 – Viagens ao Estrangeiro, Por Destino da Viagem Entre 1961/2010
(milhões)


Fonte: Elaboração Própria com base em Travel Trends de 2010 e de 2012

Entre 2000/2010, Europa e América do Norte perdem quota de mercado e os Outros Destinos ganham. Estas são más notícias para Algarve e Madeira.

O Gráfico 7 dá outra representação das Viagens ao Estrangeiro de Residentes no Reino Unido, Por Destino da Viagem.

Gráfico 7 – Viagens ao Estrangeiro, Por Destino da Viagem Entre 1961/2010
(milhões)


Fonte: Elaboração Própria com base em Travel Trends de 2010 e de 2012

*Consequências da Crise de 2008/2009

Gráfico 8 – Viagens ao Estrangeiro, Por Destino da Viagem Entre 2008/2012
(milhões)


Fonte: Elaboração Própria com base em Travel Trends de 2010 e de 2012

O Gráfico 8 ilustra a evolução Por Destino da Viagem entre 2008/2012. Em 2009, a maior descida é a da Europa e a menor é a dos Outros, o que confirma a resiliência dos novos destinos no mercado.

4.Viagens de Residentes ao Estrangeiro Por Modalidade de Transporte
Os Gráficos 9 e 10 ilustram a evolução por Modalidade de Transporte entre 1961/2010. Contrariamente ao que acontece com o mais importante Motivo e Destino, a mais importante Modalidade de Transporte cresce entre 2000/2010.

Gráfico 9 – Viagens ao Estrangeiro, Por Modalidade de Transporte Entre 1961/2010
(milhões)


Fonte: Elaboração Própria com base em Travel Trends de 2010 e de 2012

Gráfico 10 – Viagens ao Estrangeiro, Por Modalidade de Transporte Entre 1961/2010
(milhões)


Fonte: Elaboração Própria com base em Travel Trends de 2010 e de 2012

*Consequências da Crise de 2008/2009
O Gráfico 11 ilustra a evolução por Modalidade de Transporte entre 2008/2012.

Gráfico 11 – Viagens ao Estrangeiro, Por Modalidade de Transporte Entre 2008/2012
(milhões)


Fonte: Elaboração Própria com base em Travel Trends de 2010 e de 2012

A importante descida das Viagens por Avião entre 2008/1009 está em linha com o padrão geral e a grande parte de mercado do avião, mas esta não é afectada pela Crise. 

A Bem da Nação

Albufeira 19 de Agosto de 2013


Sérgio Palma Brito

Estatísticas de Turismo – Exemplo de Avaliação Crítica

O presente post pretende apenas mostrar como aprofundar a análise de dados estatísticos pode levantar mais perguntas do que dar respostas.


Este post é o Quinto (Primeiro, Segundo , Terceiro, Quarto, Quinto, Sexto) de uma série sobre temas abordados no Relatório:

-Quantificar a Contribuição do Turismo Para a Economia

As remissões entre chavetas referem este Relatório, excepto se outro documento for mencionado. Um Glossário facilita a leitura do post.

1.Retomar o Contexto
Retomamos o contexto do Post anterior sobre a importância de Familiares e Amigos no Conceito Abrangente de Turismo [ver ponto 1.2.3 do Relatório]. O Gráfico 1 contextualiza a utilização dos diferentes Tipos da Definição Abrangente de Alojamento Turístico [ver Ponto 3 e Anexo III do Relatório] pelos Residentes em Portugal nas suas Viagens com Destino em Portugal.

Gráfico 1 – Dormidas de Residentes em Portugal por Tipo de Alojamento Turístico (2012)


Fonte: Elaboração própria, com base em INE – Estatísticas de Turismo, 2012

No Inquérito, o INE considera os seguintes Tipos de Alojamento Turístico:

1.Alojamento Turístico Colectivo
     -Estabelecimentos Hoteleiros
     -Outros Estabelecimentos de Alojamento Colectivo e Alojamento
      Especializado,

2.Alojamento Turístico Individual
     -Quartos arrendados em casas particulares
     -Apartamentos ou casas arrendadas
     -Segunda residência
     -Alojamento fornecido gratuitamente [por Familiares e Amigos]
     -Outro Alojamento Privado.

No próximo Post procuramos esclarecer algumas das questões levantadas por dois Tipos de Alojamento Turísticos:
-Apartamento ou Casas Arrendadas,
-Segunda Residência.

2.Evolução 2009/2012 do Alojamento Utilizado Por Residentes em Portugal

*Evolução 2009/2012 das Dormidas de Residentes em Portugal por Tipo de Alojamento Turístico
O Gráfico 2 ilustra a evolução entre 2009/2012 das Dormidas por Tipo da Definição Abrangente de Alojamento Turístico. A informação parece plausível:
-descida sustentada da utilização de Estabelecimentos Hoteleiros, uma descida facilmente explicável pela Crise,
-estabilidade na utilização de Outros Estabelecimentos de Alojamento Colectivo,
-na utilização da Residência Secundária, uma queda entre 2009/2010 e estabilidade depois, um padrão que encontramos em Portugal e, por exemplo, no Reino Unido,
-um crescimento do Alojamento Gratuito em Casa de Familiares e Amigos, de novo algo explicável pela Crise,
-mais estranha e sem explicação fácil é a queda abrupta entre 2011/2012 na utilização de Apartamentos e Casas Arrendados – este tema fica em suspenso.

Com base no Gráfico 3, veremos que há problemas mais importantes.

Gráfico 2 – Dormidas de Residentes em Portugal por Tipo de Alojamento Turístico, Evolução 2009/2012


 Fonte: Elaboração própria, com base em INE – Estatísticas de Turismo, 2012

*Dormidas de Residentes em Portugal por Tipo de Alojamento Turístico Classificado e Não Classificado, Evolução 2009/2012
-Nota sobre a metodologia
Começamos pelo método seguido. O Inquérito à Permanência de Hóspedes na Hotelaria e Outros Alojamentos existe desde 1965, a sua metodologia foi verificada por várias vezes e é preenchido pelos Empreendimento Turísticos do Alojamento Classificado – o número de Dormidas é, à priori, merecedor de confiança.

O Inquérito às Deslocações dos Residentes existe desde 2009, é realizado junto de Turistas, que respondem a perguntas sobre a duração da Viagem e o Tipo de Alojamento utilizado. Três observações:
-o Tipo de Estabelecimento Hoteleiro é familiar aos portugueses,
-estamos a lidar com a Definição Abrangente de Alojamento Turístico, que abrange o Alojamento Turístico Classificado,
-com excepção dos Aldeamentos Turísticos, (422 mil Dormidas em 2012), todos os Empreendimentos Turísticos do Alojamento Turístico Classificado, podem ser integrados em Estabelecimento Hoteleiro da Definição Abrangente do Alojamento Turístico.

-Realidade dos números
O Gráfico 3 compara a utilização dos dois Tipos de Alojamento Colectivo e da sua Soma com as Dormidas de Residentes no Alojamento Turístico Classificado.

Constatamos que
-o número de Dormidas no Alojamento Classificado é superior ao das Dormidas em cada um dos Tipos de Alojamento Turístico Colectivo e é também superior ao da soma dos dois,
-por Definição dos Conceitos, o número de Dormidas no Alojamento Turístico Classificado tem de, pelo menos, ser inferior ao da soma das Dormidas nos dois Tipos do Alojamento Turístico Colectivo.

Não estamos na situação em que a observação da realidade nega o modelo. Estamos perante uma contradição entre dois resultados, obtidos de maneira independente.

Gráfico 3 – Dormidas de Residentes em Portugal por Tipo de Alojamento Turístico (2012)


Fonte: Elaboração própria, com base em INE – Estatísticas de Turismo, 2012

3.Próximos Passos
Este Post ajuda a compreender a razão da análise crítica ser a primeira reacção a ter perante a informação estatística que nos chega. É o que fizemos no Ponto 2.

Uma vez detectada uma incongruência, o Primeiro Passo é verificar se não há erro nosso. Verificámos e não encontrámos erro nosso.

O Segundo Passo consiste em recorrer a um Revisor. Neste caso, pedimos aos leitores que revejam o assunto, pois mais facilmente detectam o erro do que nós próprios.

Se esta revisão confirmar o erro, passamos ao Terceiro Passo. Estamos prante um exemplo das propostas que fazemos sobre Instituições e Colaboração Entre Instituições [ver ponto 1.4 do Relatório]:
-Turismo de Portugal, INE e Banco de Portugal promovem e estão abertos ao feed back dos utilizadores, para identificar erros/omissões e melhorar a informação disponibilizada.

Com efeito, podemos estar perante erro de um dos Inquéritos do INE, ou dos dois.

A Bem da Nação

Albufeira 11 de Agosto de 2013


Sérgio Palma Brito

Como vai o Turismo e Saber Vender Portugal – Expresso de 2013.08.10


O Expresso de 10 de Agosto inclui um extenso trabalho sobre Turismo. Este Blogue não visa comentar a actualidade e ainda menos acompanhar a Comunicação Social. Dito isto, o caso em apreço justifica excepção, pelo jornal, pelos intervenientes e pela jornalista.

Na Primeira Página do caderno Economia, encontramos: “Promoção Turística de Portugal tem de mudar”. Não é falso, mas não é completamente verdade, mas não é isto que está em causa.

 

1.Página 15 – Como vai o Turismo em Portugal

Sob este título, temos uma coluna com excelente apresentação gráfica de vários indicadores. Nesta coluna encontramos o erro de base que temos vindo a analisar:

-misturar e não destrinçar os números da Industria da Hotelaria e os da Definição Abrangente de Turismo, que inclui Emigrantes Portugueses, Viagens de Visitas a Familiares e Amigos e as Residências Secundárias.

Com efeito, o texto

-utiliza sempre Nacionalidade e não Residência – como vimos no caso da França, a diferença é entre o robusto e o colossal,

-começa com a parte do Turismo nas Exportações, PIB e Emprego, isto é com valores estimados com base na Definição Abrangente de Turismo,

-continua com Portugal/Números, onde inclui Empreendimentos, Hóspedes, Dormidas e Origem das Dormidas, mais Camas, tudo já na esfera da Industria da Hotelaria e não na da Definição Abrangente,

-segue com erro maior: em vez de Proveitos da Industria da Hotelaria, porque é na sua esfera que estamos, menciona Receitas Turísticas e, em vez dos € 1.9 mil milhões de Proveitos Totais da Industria da Hotelaria, dá os € 8.6 mil milhões da Receita de Viagens e Turismo [na sua Definição Abrangente] da Balança de Pagamentos.

Já no fim, menciona 81 Campos de Golfe. Como veremos em próximo Post, salvo as muito poucas excepções que confirmam a regra, o investimento em campos de Golfe tem uma dinâmica integrada na Promoção de Imobiliária Turística, de “Residências Turísticas”.

O leitor mais curioso e desconhecedor deste Blogue deve ir ao post:

-Quantificar a Contribuição do Turismo Para a Economia


 

2.”O caminho passa por saber vender Portugal”

Este é o título das páginas 16 e 17. É coerente com a chamada da Primeira Página, mas justifica uma explicação.

Citamos o texto da introdução e felicitamos a jornalista por ter conseguido extrair os pontos mais relevantes de intervenções díspares:

“A promoção é o desafio mais crítico identificado pelas forças vivas do sector para Portugal se afirmar e mostrar o que vale no mapa do Turismo global, resolvendo os problemas actuais da sazonalidade, preços baixos ou stock de residências turísticas. Defendem um papel mais activo dos privados na promoção e uma máquina do Estado mais leve, que não atrapalhe o seu trabalho. “Portugal tem investido muito pouco e mal em promoção, sustenta André Jordan frisando que “não temos hotéis a mais, temos é turistas a menos.”.

Este texto faz lembrar Silverado, um velho Western que recupera todos os clichés de dezenas de anos de filmes do género.

Ainda aqui, este Blogue vai convidar os seus leitores a “partilhar uma maneira diferente de analisar o Viajar e o Turismo”.

Vamos iniciar uma série de posts que fazem uma abordagem integrada de temas como

-Imagem de Portugal Como País,

-Imagem de Marca e Country Branding – Os Equívocos da Campanha West Coast,

-Imagem de Portugal Como Destino Turístico e Imagem de Destinos Regionais,

-Responsabilidade Publica na Valorização das Marcas e Plataforma de Cooperação Para o Fazer,

-Marketing & Vendas da Oferta de Turismo – Responsabilidade da Iniciativa Privada e Facilitação Pública,

-Operacionalização das Propostas, com Responsabilização e Prestação de Contas.

Salvo o devido respeito, o problema não é “Vender” nem a falta de “Promoção Turística”. Os modelos mais testados de Marketing e Valorização da Marca ajudam a estruturar uma intervenção diferente. Se não o fizermos, continuamos a desperdiçar recursos, a não vender como precisamos e a queixar-nos que falta “Promoção” ou “Estratégia”. É este tema que nos propomos abordar.

 

A Bem da Nação

Albufeira 10 de Agosto de 2013

Sérgio Palma Brito

Mercado Emissor de França, Turistas e Receita de Viagens e Turismo

O presente post pretende mostrar como

-as deslocações de Emigrantes Portugueses explicam a diferença entre o número de Turistas e o de Hóspedes do Alojamento Classificado, Residentes em França,

-grande parte da Receita de Viagens e Turismo imputada a Residentes em França resulta de actividades durante as estadias dos Emigrantes, quase sempre Hóspedes do Alojamento Não Classificado.

Por fim, analisamos um caso pontual da Receita de Viagens e Turismo, Hóspedes e Dormidas apenas no Alojamento Classificado.

Este post é o Terceiro (Primeiro, Segundo , Terceiro, Quarto, Quinto, Sexto) de uma série sobre temas abordados no Relatório:

-Quantificar a Contribuição do Turismo Para a Economia


As remissões entre chavetas referem este Relatório, excepto se outro documento for mencionado. Um Glossário facilita a leitura do post.


1.Mercado Emissor de França – Turistas e Hóspedes

*Turistas e Hóspedes (2004/2007)
O Gráfico 1 ilustra a evolução 2004/2007 do número de Turistas e Hóspedes Residentes em França, no Alojamento Classificado e Não Classificado. A análise é limitada aos únicos anos em que o INE realiza o Inquérito ao Movimento de Pessoas nas Fronteiras [ver ponto 1.4 do Relatório].

Continuamos a assumir três hipóteses:

-o número de Hóspedes no Alojamento Não Classificado é igual ao número de Turistas menos o número de Hóspedes no Alojamento Classificado,

-um Turista pode originar vários hóspedes; ao considerar “um Turista, um Hóspede”, estamos a reduzir o número de Hóspedes que alojam no Alojamento Turístico Não Classificado e a correcção desta simplificação reforçaria o número de Turistas que utilizam este Alojamento,

-a união do Alojamento Classificado e Não Classificado corresponde à Definição Abrangente de Alojamento Turístico [ver Ponto 3 do Relatório].

Gráfico 1 – Turistas e Hóspedes Residentes em França no Alojamento Classificado e Não Classificado
(milhares)




Fonte: Elaboração própria, com base em INE – Estatísticas de Turismo

O Gráfico 1 mostra, para o caso de Residentes em França, a consistência de um número de Hóspedes no Alojamento Não Classificado muito superior ao do Alojamento Classificado. O número limitado de anos, a inversão de tendência no último ano e a dificuldade das contagens nas Fronteiras Terrestres impedemem análise mais profunda destes números.

*País de Residência e Consequências
O Turista é um Visitante que se desloca do seu Ambiente Habitual [ver Glosário] para o destino da Deslocação [trip, em inglês]. Estatísticas e Conta Satélite do Turismo assentam neste princípio geral. Dele resulta que os emigrantes portugueses de visita a Portugal são Turistas. Este facto dá origem de três tipos de reacção:

-a primeira é a de alguma incredulidade e resulta de visão algo romântica de Turismo e da imagem, entre o negativo e o desprezo, que muitos portugueses ainda têm dos Emigrantes de há dezenas de anos,

-a da Politica de Turismo, que deveria integrar este Segmento da Procura no seu âmbito de acção e reforçar a criação de valor gerado pelas deslocações dos Emigrantes, ligadas ao Segmento mais vasto da Diáspora,

-a terceira é a dos espíritos pragmáticos, que já operam neste mercado e acompanham a sua transformação desde há muitos anos.

Se o País dispusesse de um Inquérito aos Movimentos de Pessoas nas Fronteiras, saberíamos mais sobre o que representam estes 836.000 Turistas Residentes em França. Sem o Inquérito, estamos reduzidos a ideias, especulações, preconceitos, à mistura com estudos parcelares.

2.Mercado Emissor de França – Receita de Viagens e Turismo na Balança de Pagamentos

*Receita de Viagens e Turismo Por Dormida no Alojamento Classificado (2002/2012)
Começamos por dividir a “Receita de Viagens e Turismo imputada a Residentes em França” pelo “Número de Dormidas no Alojamento Classificado por Residentes em França”.

A partir daqui, é simples: quanto mais alta for a Receita Média obtida, mais importante é a parte da Receita de Viagens e Turismo imputável aos Hóspedes do Alojamento Não Classificado.   

O Gráfico 2 ilustra a evolução 2004/2012 desta Receita Média. Há duas realidades evidentes:

-a importância da parte da Receita imputável aos Hóspedes do Alojamento Não Classificado,

-a tendência de descida, que não podemos explicar por falta de informação.

Gráfico 2 – Receita de Viagens e Turismo Por Dormida no Alojamento Classificado
(euros)




Fonte: Elaboração própria, com base em INE – Estatísticas de Turismo

* Receita de Viagens e Turismo Por Dormida no Alojamento Classificado – Comparação de Mercados Emissores (2012)

O Gráfico 3 ilustra a comparação desta Receita Média em vários Mercados Emissores, no ano de 2012.

Gráfico 3 – Receita de Viagens e Turismo Por Dormida no Alojamento Classificado (2012)
(euros)



Fonte: Elaboração própria, com base em INE – Estatísticas de Turismo

Apenas considerámos Mercados Emissores com Receita de Viagens e Turismo superior a mil milhões de euros. Fora do caso evidente do Mercado Emissor de França, é possível identificar realidades distintas:

-no caso de Espanha, há compras de Excursionistas nas vilas fronteiriças, mas não explicam tudo e não sabemos como explicar o que falta,

-nos outros países, há um mix variável de Emigrantes e de Turistas em Residência Secundária e Alojamento Gratuito por Familiares e Amigos.

3.Receita de Viagens e Turismo, Hóspedes e Dormidas no Alojamento Classificado

*Receita, Hóspedes e Dormidas (2002/2012)
O Gráfico 4 ilustra a evolução entre 2002/2012 de

-Receita de Viagens e Turismo imputada a Residentes em França, em milhões de euros,

-Hóspedes e Dormidas no Alojamento Classificado, em milhares.

Gráfico 4 – Receita de Viagens e Turismo, Hóspedes e Dormidas (2002/2012)



Fonte: Elaboração própria, com base em INE – Estatísticas de Turismo

O INE não dá o detalhe por Mercado Emissor, dos Proveitos Totais do Alojamento Classificado. Somos obrigados a comparar números duas realidades diferentes: Receitas de todos os Turistas e Hóspedes/Dormidas apenas no Alojamento Classificado.

Registamos dois factos:

-a Subida das Dormidas é mais rápida do que a dos Hóspedes,

-a partir de 2008, os três indicadores sobem a ritmo mais intenso, que exige uma primeira análise [ver a seguir].

Um novo Inquérito ao Movimento de Pessoas nas Fronteiras e formulando as perguntas adequadas, é instrumento indicado para nos dar a macro informação indispensável à análise da dimensão económica, cultural e social da Procura de Viagens a Portugal pelo Segmento dos Emigrantes. Este Segmento é mais evidente no caso do Mercado Emissor de França, mas não pode ser ignorado em muitos outros mercados.

*Estadia Média no Alojamento Classificado
O Gráfico 5 ilustra a evolução da Estadia Média no Alojamento Classificado, entre 2002/2012. Comentário:

-a Estadia Média varia entre 2.5 e 3.4 noites, o que seria aceitável se houvesse um claro domínio da Estadias Curtas de Tour Urbano e Cultural e não o peso da Viagem de Estadia em Madeira e Algarve – este facto exige análise mais profunda.

Gráfico 5 – Estadia Média no Alojamento Classificado
(noites)



Fonte: Elaboração própria, com base em INE – Estatísticas de Turismo

*Evolução Recente da Procura (2009/2012)
O Gráfico 6 ilustra a evolução entre 2009/2012 de

-Receita de Viagens e Turismo imputada a Residentes em França, em milhões de euros,

-Hóspedes e Dormidas no Alojamento Classificado, em milhares.

Gráfico 6 – Receita de Viagens e Turismo, Hóspedes e Dormidas – Evolução Recente da Procura (2008/2012)



Fonte: Elaboração própria, com base em INE – Estatísticas de Turismo

Durante este período, Receita (26.6%), Dormidas (39.5%) e Hóspedes (31.2%) crescem a um ritmo diferente do verificado antes. O ano de 2013 é crucial para confirmar esta tendência.

*Repartição da Variação de Dormidas Por NUTs II
O Gráfico 7 ilustra a repartição da variação entre 2009 e 2012 do número de Dormidas, por NUT II. O resultado deixa perceber: i) crescimento claro de Lisboa e Madeira e evidente no Norte; ii) crescimento marginal no Centro e estagnação no Algarve. Neste crescimento, há Emigrantes portugueses, elementos da Diáspora (de segunda e terceira geração e naturalizados), mais os Franceses e outros Residentes em França.

Gráfico 7 – Variação de Dormidas por NUTs II (2009/2012)
(milhares de noites)



Fonte: Elaboração própria, com base em INE – Estatísticas de Turismo

Nota Final
O Mercado Emissor de França é um caso de estudo (e de negócio), na análise da Emigração (e Diáspora) no Turismo em Portugal. Estão em causa aspectos como: i)os Emigrantes deixarem de ser Clientes Cativos de Portugal e passarem a ser Clientes Competitivos; ii)as novas gerações; iii)para além da Segunda Residência e do Alojamento Gratuito em Casa de Familiares e Amigos, passarem a utilizar o Alojamento Classificado.

A Bem da Nação

Albufeira 4 de Agosto de 2013

Sérgio Palma Brito