Para Acabar de Uma Vez Para Sempre Com o Aeroporto de Beja!

Aeroporto de 33 milhões aquém das espetativas - Portugal - DN


A já demasiadamente longa história do Aeroporto de Beja exige análise mais profunda (prometida desde já) do que estas breves notas sobre o texto do Diário de Notícias, a comemorar o seu 1º Aniversário.



Þ     A Nossa Posição

Desde o final da década de 1990, defendemos que o Aeroporto de Beja

·          não é um factor crítico do desenvolvimento da Procura/Oferta de Turismo no Alentejo, com a marca e o posicionamento adequados às paisagens natural e cultural da Região,

·          pode ser prejudicial à lucidez de uma intervenção pública qualificada de fomento deste desenvolvimento.

Defendemos ainda que

·          a transformação da Base de Beja num “complexo de actividades”, é uma via susceptível de atrair um Promotor, que desenvolva esta transformação,

·          procurar este Promotor é actividade prioritária, mas mais no âmbito da AIECEP  do que da ANA,

·          no quadro deste «complexo de actividades», e se tal se justificar, pode haver tráfego aéreo civil de passageiros.  



Þ     Decisão do Governo PS

A decisão do Governo de construir o Aeroporto e a ligação em auto-estrada a Sines exige análise, prejudicada pela confidencialidade de alguns documentos. É tema para a já referida análise mais profunda.

A decisão política de apoiar voos fretados entre Heathrow e Beja, no Verão de 2011, é típica da Politica de Turismo da época e deve ser avaliada tendo em conta os fundos disponibilizados para apoiar o operador, a promoção turística, as campanhas de hard selling e os estudos realizados.

Só assim podemos saber quanto custou cada um dos menos de 400 passageiros “a sério”.



Þ     Decisões do Governo PSD/CDS

Quanto à decisão sobre os mesmos voos charter e apoios de promoção, em 2012, não a conseguimos compatibilizar com

·          os sacrifícios que são exigidos aos portugueses,

·          a possibilidade do Museu de Beja fechar, por falta de verba,

·          o proclamado neoliberalismo do Governo.

A inclusão do Aeroporto de Beja na short list do Portela + 1 é exemplo máximo de concessão do Bom Senso às exigências da Política, ou apenas nova anedota de lisboetas sobre os alentejanos.  

Dado o nível a que chegámos, conto o que fonte bem informada me contou: a nova força política que apoia a fantasia do Aeroporto de Beja já não é o PS (Sócrates e Lino), mas sim o «centrão», nas pessoas dos alentejanos Zorrinho e Moedas. Se não é verdade, está bem imaginada.



Þ     Infraestructuras fantasma, el pozo sin fondo de la crisis

Devemos enquadrar o Aeroporto de Beja no contexto ibérico. Os espanhóis, quando faze, fazem em grande.

A leitura do nº 213 da Revista Hosteltur, de Fevereiro de 2012, é elucidativa e necessária:

Infraestructuras fantasma, el pozo sin fondo de la crisis




Þ     Um aeroporto em espaço rural?

Para que tudo fique claro, em 1986, no mesmo Diário de Notícias, escrevemos artigo premonitório:

Um aeroporto em espaço rural?




Em relação a 2006, quando este artigo foi redigido, há uma alteração dramática do contexto histórico e geográfico do viajar na Europa

o Aeroporto de Faro abre e durante os Trinta Gloriosos Anos e beneficia de uma Procura crescente durante dezenas de anos,

o Aeroporto de Beja abre no início de Novo Período da História do Viajar na Europa, de que conhecemos algumas características: menor rendimento disponível e propensão a viajar, instabilidade nos ritmos do tempo livre (de activos a reformados), excesso de oferta e muito maior concorrência.



Þ     Alentejano, de nascimento e de “regresso”

Para que não haja dúvidas,

·          somos alentejanos de nascimento em Aljustrel e de ainda termos vivido bons tempos de infância no monte dos avós maternos,

·          somos alentejanos “de regresso do exilio”, abandonando uma carreira promissora, criada a pulso no país que nos acolheu,

·          defendemos ser o Alentejo, depois do Vale do Douro, o Destino Turístico Regional do País que melhor se pode posicionar em segmentos qualificados do mercado,

·          defendemos o acabar com a “visão aeroporto de Beja” e com os subsídios (nacionais e europeus) aos patéticos voos de Verão, dando prioridade total à “visão do complexo de actividades”, a desenvolver por Promotor privado



A Bem da Nação

Albufeira 13 de Abril de 2012

Sérgio Palma Brito

Greece - German tour operators add hotels

Recomendamos a leitura e o tirar de lições, pela Iniciativa Privada do Algarve. Estamos a falar da Grécia, com toda a sua paz social, tranquilidade e segurança.

Os Tour Operadores alemães acrescentam mais “franchise and partner hotels”:

 Na fragmentada Oferta do Algarve, há ou não espaço para franchizar unidades hoteleira com marcas familiares no mercado da Alemanha e criar mais parcerias com a Distribuição?

Sobre a TUI:

“TUI currently has 17 branded hotels in Greece, including four Sensimar properties, and will open a new Robinson and two Magic Life resorts on Crete this summer.”.

Sobre a Thomas Cook:

Thomas Cook is also looking to expand its Sentido brand in Greece, where it offers 10 resorts.

Mais Oferta nos Catálogos:

Among other tour operators, Rewe is offering three new franchise resorts in Greece this year, while Alltours has added 30 new hotels to its programme and FTI has 21 more resorts on offer.

Não comentamos, nem tiramos conclusões. Deixamos a informação e o acesso ao texto completo

A Bem da Nação
Albufeira 12 de Abril de 2012
Sérgio Palma Brito

TURISMO, SUSTENTABILIDADE, ORDENAMENTO DO TERRITÓRIO, AMBIENTE, IMOBILIÁRIA DO LAZER, TURISMO RESIDENCIAL




De uma assentada juntamos seis palavras que designam alguns dos conceitos mais críticos ou politicamente correctos da análise do Turismo. Garantimos não ter ensandecido nem rendido a modas.


A realidade é simples. Já há algum tempo, redigimos dois textos, de uma série de seis, com preocupações didácticas e procuram dar uma visão completa sobre o Turismo da actualidade.


Os dois textos deviam estar integrados em um único. A sustentabilidade do turismo (para ser mais exacto, da Economia do Turismo), seja ela ambiental, social ou económica, reside na integração da sua dinâmica pelo Ordenamento do Território e como este integra Ambiente, Imobiliária do Lazer ou Turismo Residencial. Separar este conjunto exige uma organização do texto que acaba por não facilitar a leitura.


A separação em dois textos, as exigências do formato, as limitações de espaço e as nossas próprias (sem falsas modéstias) limitam o alcance dos dois livrinhos.


Apesar disso, os dois livrinhos valem a leitura (mesmo apressada) por tentarem contar “como foi” e “como é”. Com efeito, não seguem a via de escolher um modelo inadequado e, com mais ou menos arte, encaixar a realidade nele, tendo sempre a possibilidade de, quando a realidade não encaixa no modelo, mudar a realidade para o modelo dar certo.


A partir de um dos links à SPI e ajuda do Google, é possível aceder a todos os manuais.


Pode aceder directamente aos dois volumes que redigimos:


TURISMO - SUSTENTABILIDADE, ORDENAMENTO DO TERRITÓRIO E AMBIENTE

http://www.spi.pt/turismo/Manuais/Manual_II.pdf


TURISMO - IMOBILIÁRIA DO LAZER E TURISMO RESIDENCIAL

http://www.spi.pt/turismo/imobiliaria.html



Boa leitura! Aguardamos críticas e comentários devastadores.


A Bem da Nação

Albufeira 9 de Abril de 2012
Sérgio Palma Brito

Porquê, em 1841, Thomas Cook Organizou a Sua Famosa Excursão a Uma Segunda-Feira e Porque Mudam os Hábitos?


Hoje, há uma verdade conhecida e aceite: «o Turismo começa com a excursão que Thomas Cook organiza, em 1841». A realidade é diferente. Na Grande Bretanha do século XIX, há uma evolução, com reflexos na actualidade: The Excursion Train, the Raiway Sunday e o Week End. Em pano de fundo, uma prática laica a sobrepor-se à tradição da religião.

Þ     O Contexto Histórico
O capitalismo industrial produz: “two novel forms of pleasure travel: tourism and summer holidays for the bougeoisie and mechanised day trips for the masses in some countries such as Britain. Both were the direct results of the application of steam to transport, since for the first time in history this made possible regular and safe journeys for large number of people and luggage over any kind of terrain and water.”.
Depois, Hobsbawm acrescenta: “The day trip of the masses, if we except steamer excursions, was the child of the 1950s – to be more precise of the Great Exhibition of 1951,”.
Salvo o devido respeito, a história começa antes, acaba depois e merece ser contada.

Þ     “The Excursion Train”
Jack Simmons situa em 1831 as primeiras manifestações do que acaba por ser designado por “excursion trains”: “special trains provided by a railway company - either on its own initiative or by arrangement with other people – to carry passengers on a return journey, normally made within one day, at a fare below the standard rate.”. Em suma, uma excursão de um dia de comboio.
O “excursion train” é um sucesso. Em 1840, há notícia de um comboio de quarenta carruagens e 1.250 passageiros e de um outro com quatro locomotivas e 67 carruagens.

Þ     The Railway Sunday
Os primeiros “excursion trains” são organizados ao Domingo, mas esta não é uma prática pacífica. Segundo Simmons, “Sunday observance affected the provision of railway services from the start.”. Em 1851, aos Domingos, “half the population of Great Britain attended at least a service at church or chapel. For many heads of families it would have been unthinkable to break into this routine of life, to carry themselves and their wifes and children off on a pleasure trip.”.
O hábito religioso tem outras implicações: “When in 1856 an effort was made to get the chief London museums and galleries opened on Sunday afternoons, it was turned down in Parliament by an eight-to-one majority.”.
Em 1855, é fundada a National SundayLeague, para apoiar a abertura dominical de museus e parques. Na prática, é reconhecida a conveniência da excursão ao Domingo, apesar da pressão religiosa.
A operação de comboios ao Domingo tem procura, mas cria dificuldades à manutenção das linhas e custos extra de pessoal. Jack Simmons conclui:
·             “So in the end the railways, though they offered a new liberation, widely welcomed, also imposed a strict of their own. Their policy was made up of very diverse ingredients: anxiety to avoid offending Sabbatarian susceptibilities; the requirement to carry the mails; popular response to the cheap facilities they offered; the demands of railwaymen for additional pay on account of Sunday labour; considerations arising from the working of the system. All these elements went to form a new code of social costume, which came to be accepted by the Victorians and, with all its inconvenience, is endured in Great Britain still 1990: The Railway Sunday.”.

Þ     St Monday
É neste quadro que a excursão de Thomas Cook tem lugar na Segunda-Feira 5 de Julho de 1841: “this was a Monday, perhaps a variety of “St Monday”, the unofficial holiday day, or holiday wich workers often awarded temselves”, segundo uma biografia de Thomas Cook.

Þ     The Week End
O The Raiway Sunday tem a dinâmica de outro tempo da viagem: “The provision of excursion trains was not the only practice in the use of leisure fostered by the British raiways to a degree not to be found anywhere in continental Europe. They also encouraged, most deliberately, the habit of taking short holidays over the week end.”.
Esta é uma história para contar mais tarde, e dedicada a todos os que pensam que o short break é uma criação recente.

A Bem da Nação
Albufeira, Domingo de Páscoa, 8 de Abril de 2012
Sérgio Palma Brito

Referências
E.J. Hobsbawm, The Age of Capital, 1848-1875
Jack Simmons, The Victorian Railway
Piers Brendon, Thomas Cook – 150 Years of Popular Tourism

Valorização Turística dos Salgados e Insolvência do Grupo CS

CS em risco de insolvência | Publituris


No caso de insolvência do Grupo CS, é de interesse do País e do Algarve manter a dinâmica turística do Empreendimento dos Salgados. As notícias que nos chegam são preocupantes. Eventuais problemas nos Salgados não devem contaminar os dois outros grandes empreendimentos do Grupo CS: Morgado do Reguengo e S. Rafael.



Þ     Insolvência e Valorização de Activos na Oferta de Turismo

As notícias sobre a insolvência da “Hersal – Investimentos Turísticos, S.A., detentora do Grupo CS” obrigam a analisar os aspectos específicos de empresas proprietárias de empreendimentos turísticos, sobretudo quando está em causa um conjunto integrado de Hotéis, Golfe e Turismo Residencial.

Contrariamente ao que acontece no caso de uma fábrica, o cliente pode estar presente no estabelecimento, pode até ser proprietário de parte deste e as consequências para a Imagem de Marca do Produto podem ser devastadoras.

 O “sistema português”, ainda não é capaz de lidar com dois processos paralelos e interligados

·          a insolvência de uma empresa

·          a valorização dos seus activos, na dimensão privada (trabalhadores, credores e accionistas) e pública (interesse do País e da Região).

Analisamos apenas factos públicos e notórios do Grupo CS e analisamos este caso, pela sua actualidade.



Þ     Ascensão e Aparente Declínio do Grupo CS

Na ascensão e aparente declínio do Grupo CS, os factos públicos e notórios relevantes são:

·          Longos anos de voluntarismo empresarial desajustado da realidade do mercado quer das estadias hoteleiras, quer do turismo residencial “real”,

·          ausência de estrutura ligeira e qualificada, capaz de assegurar Marca, Marketing e Vendas de toda a Oferta do Grupo,

·          financiamentos bancários, cuja lógica escapa a conhecedores do mercado, o que tem mais a ver com os Bancos do que com o Grupo, mas com sérias consequências neste.

Para efeito da presente nota, temos em conta três importantes empreendimentos turísticos do Grupo CS: Salgados, Morgado do Reguengo e S. Rafael.



Þ     Valorização Turística do Empreendimento dos Salgados

A notícia do Publituris parece confirmar que o processo em curso integra o pior dos cenários

·          ignorar da dinâmica da oferta/procura turísticas de um empreendimento com a estrutura e localização dos Salgados,

·          bancos que financiaram mal (sem isso, não estaríamos aqui) a recuperar créditos, segundo modelo financeiro cortado da procura/oferta de turismo.

O empreendimento dos Salgados tem três características relevantes. A primeira é a de ser um conjunto integrado de hotelaria, turismo residencial e golfe que deve ser valorizado no seu conjunto. Haverá sempre perda de valor se a ideia for de explorar os hotéis e centro de congressos, sem valorizar a envolvente paisagística, de golfe e de turismo residencial.

Segunda tem a ver com a localização: empreendimento com excelente frente mar, mas isolado de núcleo local de apoio ou animação. Quem “está” nos Salgados tem tendência a viver socialmente nos Salgados, o que exige um ponto focal de animação social, comum a todo o empreendimento.

A terceira é que a solução de conjunto deve ter em conta o justo interesse das famílias que compraram casas de férias ou outra. São as primeiras empenhadas na valorização do empreendimento, mas a sua energia tanto pode gerar energia positiva, como populismo de consequências perigosas.

Em termos práticos, é simples: tem de haver uma entidade que assume a responsabilidade e presta contas de gerir serviços, conservação e áreas sociais, ou cada um dos elementos do conjunto é desvalorizado.

Os bancos credores têm a sua própria lógica, que não podemos ignorar. Receamos que possa vir a ter consequências perversas, sobre o positivo encarar destas características.



Þ     Morgado do Reguengo 

Em 2004/2005, estive profissionalmente ligado ao lançamento do Morgado do Reguengo, no mercado internacional das estadias turísticas e turismo residencial.

Na base do que o empreendimento seria no futuro, estava uma opção sobre Marca e Posicionamento

·          o posicionamento internacional qualificado que empreendimento permite e exige, de modo a valorizar ao máximo toda a oferta que integra,

·          na expressão de um responsável da época, evitar que a Imagem de Marca fosse ser, prosaicamente, o empreendimento “dos dentistas do Algarve” (salvo o devido respeito pela corporação!).

Estava previsto o Hotel & Residence Club fosse gerido sob a Marca de uma cadeia internacional, vocacionada para o mercado de língua alemã. Esta Marca posicionaria o empreendimento e, muito especialmente, a futura oferta de Turismo Residencial.

O Morgado do Reguengo e adquirido pelo Grupo CS. Em nossa opinião, sempre discutível, há duas decisões que o desvalorizam

·          com todo o respeito pelos Hotéis CS, a sua Imagem de Marca não cria o valor gerado por uma reconhecida marca internacional, virada para os mercados mais ricos da Europa,

·          a aprovação de 2.500 Fogos suplementares tira valor ao conjunto e não acrescenta – o empreendimento deixa de ser topo de gama se tiver 2.500 Fogos adicionais, num repetir do erro exemplar da Urbanização Norte de Montechoro.



Þ     S. Rafael

Este parece ser o caso mais simples, pela tradição que tem e pela escala dos problemas.

Mencionamos S. Rafael, pela sua importância e na medida em que possa ser afectado pela possível insolvência da Hersal e perturbações no que reste dos Hotéis CS.



Þ     Intervenção Pública em Defesa do Interesse do País e da Região  

É excelente ter o Governo a intervir e representado pela Secretaria de Estado da Economia e do Desenvolvimento Regional e não pela Secretaria de Estado do Turismo. Talvez o Governo possa enquadrar os problemas aos níveis a que se põem

·          o da sustentabilidade turística do conjunto de todos os empreendimentos do Grupo CS, impedindo que os problemas de uns contaminem todos,

·          o da sustentabilidade de cada um dos três empreendimentos, com destaque para o do Salgados,

·          o de facilitar acordos pragmáticos e, se for caso disso como parece, procurar que o Processo de Insolvência seja eficiente – o Grupo CS merece que reconheçamos a obra feita.

No actual modelo de Politica de Turismo, a Secretaria de Estado do Turismo não tem cultura, pessoas e instrumentos para intervir em situações como esta. O facto do empreendimento dos Salgados ser um Conjunto Turístico deve ser utilizado, se e só se, contribuir para a valorização do Empreendimento dos Salgados.

O «processo de insolvência em curso» perturba, em grau diverso, três empreendimentos turísticos importantes para a Oferta de Turismo da Região. É bom momento para perguntamos qual o papel actual da CCDRA e ERTA e qual o que devem ter – há três grandea empreendimentos turísticos em perigo e as Instituições Regionais não têm capacidade de intervenção?



A Bem da Nação

Albufeira 7 de Abril de 2012

Sérgio Palma Brito

Survey: Fewer Americans planning to take vacations

Já lá vai o tempo em que o que acontecia nos EUA viria a acontecer na Europa meses depois.

Uma coisa é certa, é importante acompanhar o que se passa nos EUA, na Procura, Transporte e Oferta.

No que segue, as tendências são nacionais, o que omite as diferenças entre Estados.

Para os mais curiosos, aqui fica o caminho percorrido!

Começamos por uma notícia da Travel Weekly:


A propósito da Travel Weekly, recomendamos visitas ocasionais ao site


Voltamos à notícia e sugerimos a leitura do relatório original:


Finalmente, deixamos o site da U.S. Travel Association:


Esta cena pode parecer infantilizante para muitos (desculpas, desde já), mas será útil para outros, um que seja.

 A Bem da Nação

Albufeira 7 de Abril de 2012

Sérgio Palma Brito

O Algarve às Sextas (2012.04.06)
Penina e Vale do Lobo – Inovar em 1963



Em 1963, Penina e Vale do Lobo são empreendimentos inovadores. O seu licenciamento é exemplo inspirador da Politica que falta à Economia do Turismo do Algarve: contra pareceres dos Serviços de Turismo, o Ministro das Obras Publicas aprova dois conjuntos de Hotel e Golfe, mais Moradias “cuja venda contribuísse para custear as despesas do empreendimento e aumentar a rentabilidade do projecto”, como pretendiam os promotores.

A partir deste precedente, podemos esboçar o que será Inovar em 2012.



Ao leitor mais interessado, sugerimos a consulta imediata do Documento de Trabalho, que apoia este post (Documento), e do post sobre A Politica Que Falta à Economia do Turismo do Algarve (Documento1)



a)Inovar em 1963



Þ     A Dupla Dimensão da Inovação

Em 1963, a primeira inovação reside na iniciativa privada. Os projectos da Penina e Vale do Lobo inovam, pela sua extensão (cem e mais hectares), pelo golfe e pela venda de moradias, para responder à procura e financiar os projectos.

A segunda inovação reside no seu licenciamento, pelo Ministro das Obras Públicas, e a sua expressão concreta está no terreno:

·          sem as decisões do Ministro, os empreendimentos turísticos da Penina e Vale do Lobo não existiam hoje.



Þ     1962/1963: Duas Iniciativas Empresariais

Em Abril de 1962, o compromisso público do Governo em construir o Aeroporto de Faro marca o «antes» e o «depois» do Turismo do Algarve. A partir do Verão/Outono, fervilham iniciativas privadas de investimento no futuro Turismo do Algarve.

Uma dessas iniciativas é a da Sociedade Agrícola da Penina, SARL, inicialmente criada para a exploração agrícola da Tapada da Penina. No final de 1963, passa a Sociedade Turística da Penina, SARL, e o seu rosto é John Stilwell, uma das mais respeitadas figuras do Turismo do Algarve

A outra iniciativa é da Costain e Leackok Ltda., que sucede à Brochurst Leacckok & Cia, por alteração do pacto social, em Janeiro de 1963. Richard Costain tem importante actividade de construção e promoção imobiliária em Inglaterra e está associado à família Leackok, da tradição da Madeira. Depois, a partir de 1979 e durante quase trinta anos, Sander van Gelder é o empresário de Vale do Lobo – respeita a regra de ouro do bom promotor imobiliário, o que faz surf nas vagas da sociedade e da economia: compra “na crise” e vende “na euforia”.



Þ     Os Projectos da Penina e Vale do Lobo

Na Tapada da Penina, o projecto integra um Campo de Golfe “aproveitando as magníficas condições climatéricas do Algarve durante o Inverno proporcionasse divertimento aos hóspedes, constituísse um poderoso atractivo e permitisse uma maior valorização do conjunto. Escolheu-se a quinta da Penina exactamente porque tinha área suficiente para o Campo de Golfe, possuía bastante água e permitia ainda aproveitar o terreno sobrante de 65 hectares para a divisão de lotes, cuja venda contribuísse para custear as despesas do empreendimento e aumentar a rentabilidade do projecto.”. Este curto texto do Relatório de 1966, resume o que ainda hoje está em causa.

Vale do Lobo ocupa cerca de 100 hectares, com 820 metros de praia. O projecto inicial prevê 1.750 pessoas, um Hotel que pode ter 160 quartos, golfe e “Moradias para aluguer e venda”. A dinâmica é similar à do projecto da Penina.



Þ     Posição dos Serviços e Turismo

Os Serviços de Turismo lidam com uma oferta de turismo limitada aos Estabelecimentos Hoteleiros da Lei 2 073: “Hotéis, pensões e hospedarias; pousadas e estalagens”.

Em Penina e Vale do Lobo, são confrontados com empreendimentos turísticos de cem e mais hectares, com um Hotel, Golfe e Moradias para venda. Perante esta nova realidade, tomam duas posições:

·          em Vale do Lobo, há uma oposição oficial à venda de moradias e andares, seguida de recuo,  uma vez tomada a decisão do Ministro das Obras Públicas,

·          na Penina, não encontramos traça de oposição oficial à venda de moradias, apenas um «fechar os olhos».

Nos dois casos, os Serviços de Turismo acabam por apenas Licenciar o Hotel, com o Golfe entre “as instalações desportivas complementares”, e não ter em consideração a envolvente de moradias.

São exemplos premonitórios do futuro: legislação turística inadequada e incapaz de regular a realidade da procura/oferta, Politica e Serviços de Turismo a ignorar ou hostilizar o turismo residencial e formação de uma Oferta de Turismo fora de um estreito âmbito da sua intervenção.



Þ     Penina: Decisão do Ministro das Obras Públicas

A base da decisão do Ministro das Obras Públicas é uma Informação do Director do Gabinete Técnico do Plano Regional do Algarve, datada de 28 de Novembro de 1963, da qual citamos o essencial [os sublinhados são nossos]:

“parece admissível dar-se satisfação ao que se pretende – lotes de 5.000 m2 pelos seguintes motivos:

·            a construção dum Golfe nesta zona tem de considerar-se como um elemento altamente valorizador da região no aspecto turístico.

·            este elemento é de muito cara construção (alguns milhares de contos) e conservação (centenas de contos anualmente) pelo que raramente surgem iniciativas privadas e muito menos de organismos de carácter público, para o seu estabelecimento.

·            se o plano concebido pela empresa para dotar a região de elemento tão valorizador e tão caro, implica a autorização da construção de moradias, em parte da propriedade, para refinanciamento da operação e se a Sociedade ainda se propõe a desejável construção dum hotel, como já está autorizada, julga-se não se criar qualquer precedente inconveniente ou abrir-se injusta excepção, concedendo-se a referida autorização, em princípio, tendo em vista o interesse público do conjunto das realizações.

·            o facto de se pretender um loteamento de 5.000 m2 dá garantia de se poder projectar uma solução de bom nível, cuja apresentação, no entanto, se aguarda para apreciação e possível aprovação definitiva.”.

Respeitada a via hierárquica do Director Geral da DGSU, o Ministro despacha, em 12 de Dezembro de 1963:

·          “Concordo, sob condição porém de ficar garantida a prioridade de execução dos elementos de interesse turístico – designadamente as instalações hoteleiras e o campo de golfe – para o que a empresa poderá oferecer satisfatória caução a favor da C.M., por exemplo.

·            Como é óbvio constituirá também condicionamento a respeitar a precedência da execução das obras de infra-estruturas – acessos, arruamentos, água, esgotos, electricidade, etc. – para a qual se fixará um prazo que não ultrapassa Dez. 1965. Em princípio estas obras são inteiramente custeadas pela empresa mediante projectos aprovados pela C.M. depois de visados pelo Gabinete do Plano Regional do Algarve.

·            O licenciamento das diferentes construções pela C.M. só poderá ser efectuado uma vez visados e aprovados pela mesma forma os respectivos projectos e verificado o cumprimento das condições prévias que ficam estabelecidas neste despacho.”.



Þ     Vale do Lobo: Decisão do Ministro das Obras Públicas

No caso de Vale do Lobo, o processo é mais curto. A 24 de Fevereiro de 1964, o Ministro das Obras Públicas concorda com a Informação do Director do Gabinete Técnico, datada de 18 do mesmo mês:

“Tal como ficou decidido para um caso semelhante – Hotel do Golf, da Sociedade Penina – julga-se justificável autorizar-se a construção de moradias e manutenção dum Golf. Nestas condições tenho a honra de propor que:

a)seja aprovado a inclusão de moradias nesta zona;

b)que a construção de moradias só possa iniciar-se após a construção do golfe;

c)que os projectos das moradias e sua implantação de conjunto sejam previamente submetidos á aprovação da Direcção Geral.”.



Þ     Sobre a Aplicação das Decisões do Ministro das Obras Públicas

Na Penina,

·          Hotel e Golfe são construídos antes do verdadeiro começo das vendas de moradias, por razões comerciais: aumento de preço,

·          não encontramos traça do respeito das exigências sobre as obras de infra-estruturas,

·          o Alvará de Licença de Loteamento de Setembro de 1968 confirma que a exigência da área mínima de 5.000 m2 não é respeitada.

Em Vale do Lobo, não dispomos de informação sobre o respeito destas exigências. Só uma análise de arquivo permite avaliar até que ponto as exigências não foram respeitadas.

A análise dos processos de licenciamento coevos mostra que muitas das exigências oficiais não eram cumpridas.



Þ     Cinquenta Anos Depois

O conjunto da Penina, apesar de ainda não ter valorizado todo o seu potencial, é uma referência da Oferta de Turismo do Algarve. As Moradias alojam residentes permanentes locais (portugueses e estrangeiros), proprietários em estadias temporárias e turistas, a quem são alugadas como Alojamento Local.

Em Vale do Lobo, os primeiros lotes são vendidos antes do Decreto-Lei sobre Loteamentos Urbanos. Publicada esta legislação, encontramos referência, sem querer ser exaustivos, a Loteamentos datados de 1967-1968-1969-1970-1972-1973-1983-1987-1988.

O empreendimento é classificado como Aldeamento Turístico, no quadro do Decreto Regulamentar de 1978, mas pede a desclassificação, face às exigências excessivas da Lei Hoteleira de 1986. É exemplo da inexistência de Modalidades de Alojamento Turístico susceptíveis de Classificar a Oferta Turística “real”, que o mercado valoriza e do mercado dispensar a Classificação.

Recentemente, é aprovado o “Vale de Lobo III”, exemplo de uma dinâmica de “arredondamento”, de que nos ocuparemos no futuro.



b)Inovar em 2012



Þ     Duas Diferenças

Entre 1962/1964 e 2012, há duas diferenças relevantes. A primeira é fundamental e obriga a uma mais forte decisão política

·          em 1962/1963, é a Europa da Abundância e uma procura em crescimento acelerado, pela transferência de estadias dos «mares do Norte» para o Mediterrâneo e o alargar do acesso às férias no estrangeiro,

·          em 2012, vivemos o Período do Após Crise de 2008/2009, com efeitos estruturantes na formação da procura pela viagem de estadia: menos rendimento disponível e propensão para viajar/comprar casa do tempo livre, incerteza sobre o tempo livre, excesso de oferta e concorrência acrescida.

A segunda diferença consiste

·          no reforço dos Estrangulamentos Culturais (Documento1), sedimentados pela Politica e Serviços de Turismo, ao longo de cinquenta anos, com o apoio de interesses económicos e sociedade civil do turismo,

·          na dificuldade em o Ministério da Economia tomar Decisão Inovadora, à altura da de Eduardo Arantes e Oliveira em 1963,

·          na urgência da Decisão Inovadora, pelo que a Economia “real” do Turismo representa para a Balança de Pagamentos e criação de emprego.



Þ     Qual Decisão Inovadora?

A primeira Decisão é responder a uma pergunta simples: como pode o Governo fomentar a criação de valor, a partir de um largo conjuntos de activos

·          dezenas de empreendimentos turísticos, que, como Penina e Vale do Lobo estão fora do âmbito da Politica e Serviços de Turismo,

·          cerca de 145.000 Fogos de Uso Sazonal, que são investimento de mais de cem mil famílias, que merecem e querem ver valorizado o seu investimento no Turismo do Algarve – a Valorização da Oferta no Villa Rentals é exemplo inquestionável de acção urgente,

·          um número desconhecido de Reformados do Tempo Livre, em residência permanente?

A segunda Decisão é mais estrutural e consiste em o Governos Inovar no fomento de três Novas Dinâmicas da Economia do Turismo:

·          Integração da Cadeia de Valor do Turismo Residencial,

·          Portugal, País Competitivo na Atracção de Reformados Não Residentes,

·          Diversidade e Nova Dimensão da Diáspora Portuguesa.

O explicitar destas Dinâmicas, brevemente em mais um O Algarve à Sexta.

A Bem da Nação

Albufeira 6 de Abril de 2012

Sérgio Palma Brito