Que se passa com Ryanair? O modelo precisa de ser revisto?


O título do Expresso em 4 de Outubro 2017 de interroga: “Afinal, o que se passa com as low cost?”. O lead é peremptório: “A Monarch faliu, a Air Berlin declarou insolvência e a Ryanair continua a suspender voos (1). O modelo de negócio das companhias aéreas de baixo custo precisa de ser revisto”. A afirmação é genérica, mas é a Ryanair que está em causa. Vamos esmiuçar o caso da Ryanair.

a)Cancelamento de voos/rotas pela Ryanair - incidente menor de consequências maiores

*Incidente que poderia ser classificado de menor

Em 15 Setembro 2017 a Ryanair anuncia o cancelamento de rotas e voos que afectam 315.000 passageiros em curso e 400.000 que viajam entre Novembro/Março (2). Estes 715.000 passageiros representam 0,6% do tráfego previsto a 31 Março 2018, já com a revisão provocada pelos cancelamentos. De facto, estes são incidente operacional com impacte menor numa companhia que então prevê transportar 131 milhões de passageiros no exercício a 31 Março 2018, mais 11 milhões do que no ano a 31 Março 2017 (gráfico 2).

A Ryanair é obrigada a rever a sua previsão de tráfego (gráfico 2): 

-perde dois milhões de passageiros em 2018, de 131m para 129m e quatro milhões em 2019, de 142m para 138m, respectivamente 1,5% e 2,8% da previsão inicial (3).

O efeito imediato do incidente não impede que o tráfego cresça entre Setembro e Novembro 2017:

-em Setembro 2017, o tráfego cresce 10% em relação a 2016 para 11.8 milhões de passageiros, e o load factor cresce 2% para 97%,

-em Outubro o tráfego cresce 8% em relação a 2016 para 11.8 milhões, e o load factor sobe 1% para 95%,

-em Novembro o tráfego cresce 6% em relação a 2016 para 9.3 milhões, e o load factor sobe 1% para 96% (4).

*Consequências importantes de incidente menor

O incidente é menor mas ganha dimensão muito para além destes números. Como veremos a seguir, é a própria Civil Aviation Authority que reconhece: “The mistakes that caused the cancellations are minor”. As cancelations poderão ser minor mas põem em evidência

-problemas muito sérios na gestão de pilotos e regime laboral da Ryanair,

-violação dos direitos dos passageiros e demora em a corrigir,

-ressuscitar corporate culture anterior à nova estratégia de 2013,

-perda de oportunidade de negócio na falência da air berlin.

Estas são as consequências verdadeiramente importantes para a Ryanair, a partir de incidente que poderia ser menor mas que de facto não é.

*Problemas muito sérios na gestão de pilotos e regime laboral

Como vimos em outro post, ser pan-europeia é dos mais importantes factores-que-diferenciam as LCC. A 31 Março 2017, a Ryanair opera frota de 430 Boeing737 em 87 bases dispersas por muitos países. Conciliar direitos dos trabalhadores e exigência de operação low cost implica recurso a regime legal específico, já questionado em países como Dinamarca e França.

A Ryanair tem cerca de 2.500 pilotos. Entre Janeiro/Outubro 2017, a contrata 867 pilotos (5). Este número está em linha com a saída de 700 pilotos, anunciada na comunicação social. Segundo o Irish Air Line Pilots’ Association (Ialpa), “Over 700 pilots left Ryanair in last financial year”. O numero está em linha mas esta rotação de pilotos exige ser melhor conhecida, mas tal está fora do âmbito deste post.

O incidente na origem dos cancelamentos traz à actualidade o estatuto dos pilotos da Ryanair e a capacidade da companhia os reter. A 14 Setembro, um dia antes dos cancelamentos, “Ryanair was dealt a blow in its legal battle to force employees across Europe to take disputes to the Irish courts after European Court of Justice ruled that cabin crew based in other countries could pursue legal claims locally.” (6).

Numa primeira fase, a Ryanair tenta pacificar os pilotos com aumento de salário e benefícios. Os pilotos recusam porque querem reforçar a sua posição negocial. Em 20 Outubro 2017, “Ryanair’s Stanstead pilots have overwhelmingly rejected a higher pay offer from the low-cost carrier’s outspoken founder,  Michael O’Leary […] It follows a similar rejection at Ryanair´s Madrid base earlier this week.”. E conseguem, em 15 Dezembro 2015 e sob ameaça de greves em Itália, Irlanda, Reino Unido, Espanha e Portugal,

-“Ryanair has reversed decades of policy to recognize pilot unions for the first time, in a significant concession aimed at averting strikes next week by cokpit crew at the start of the busy Christmas season.” (7). 

Em 18 Dezembro 2017, a síntese pelo Financial Times:

-“Ryanair’s mess-up over pilot rostering this autumn taught Mr O’Leary the price of a PR disaster, if he didn’t know it before. The bill for cancelling 700,000 bookings, reimbursing passengers and improving pilot’s packages to draw them back to the cockpit will be €125m-plus. That did not shift forecasts of €1.45bn in pre-tax profits this year. Even so Ryanair’s market value fell by more than €1bn in the autumn as well.” (8).

Reconhecer os sindicatos nacionais de pilotos altera as relações de trabalho na empresa e pode vir a acontecer também com pessoal de cabine e de terra. A gestão das relações sociais neste novo contexto vai ser importante no futuro da companhia.

Esta é a realidade que desmente o já referido artigo do Expresso, quando fala em “A única solução para a Ryanair é pagar mais aos pilotos e reflectir isso nos preços dos bilhetes”.

*Violação dos direitos dos passageiros e demora em a corrigir

A partir de 15 Setembro 2017, a leitura dos comunicados oficiais da Ryanair mostra preocupação em encontrar soluções para os passageiros afectados pelos cancelamentos (9). Esta preocupação não é suficiente para informar os passageiros sobre direitos legais que a companhia não está a respeitar e mostrar vontade em os respeitar. O regulador do Reino Unido é obrigado a intervir nos termos que descrevemos a seguir. Destacamos os pontos principais com base no Financial Times online.

Em 27 de Setembro, título do FT: “UK regulator accuses Ryanair of misleading passengers after cancelling flights”. No texto,

-“In a letter to Ryanair, the CAA said chief executive Michael O’Leary had wrongly claims that the carrier was not obliged to find seats on alternative Airlines for passengers on cancelled flights. Despite a request last week to correct this inaccurate statement publicly Ryanair had so far not complied the CAA said.” (10).

Em 27 de Setembro e em longo comunicado da Ryanair, o CEO Michael O’Leary já declara: “We sincerely apologise to those customers who have been affected by last week’s flight cancellations” (11). Mas o gesto é tardio e insuficiente.
A 29 Setembro o FT informa sobre primeiro passo para possível acção legal pela CAA:

-“The civil aviation authority on Wednesday said it was expediting enforcement action against the low cost carrier, the first step towards court action if reaches of consumer protection persist.” (12).

Ainda em 29 Setembro, a FT Opinion insiste:

-“The mistakes that caused the cancellations are minor, though, next to the airline’s flagrant attempt to ignore its legal obligations to passengers. Mr O’Leary said openly at first that Ryanair would not pay to book people on to flights with other airlines where necessary, nor would it reimburse expenses incurred as a result of the cancellations. This was inexcusable. As the head of the Civil Aviation Authority put it: “People shouldn´t have to choose between low fares and legal rights.

Ryanair has now recanted, saying on Friday it had met regulators and agreed steps to fulfill its obligations and ensure passengers are aware of their rights. This will probably be enough to avert the CAA’s threat of legal action.” (13).

Nesse mesmo dia 29 o título do FT: “Ryanair bows to regulator pressure over customer rights”. Simples:

-“Ryanair has bowed to pressure from regulators to inform thousands of passengers of their full rights to compensation for cancelled flights.” (14).

A Ryanair demora duas semanas a dar a informação que era suposta ter dado logo dado a 15 Setembro. O dano na reputação da empresa é muito profundo.

*Ressuscitar corporate culture anterior à nova estratégia de 2013

O’Leary faz com que a opinião publica vá ao baú das recriminações de ‘antes da reconversão da Ryanair em 2013’ e passe a mensagem da corporate culture da empresa não ter mudado. A 29 Setembro 2017, uma opinião do FT:

-“Over the yers, its irascible chief executive Michael O’Leary has referred to passagengers as “morons”, insisting that “we don’t want to hear your sob stories.”.

E mais adiante, reconhece o sucesso mas exagera a ameaça sobre a rising trajectory:

-“And yet the carriers keeps growing – from 650.000 passengers in 1991 to a projected 130m this year […] But now that rising trajectory is under threat.”.

A FT Opinion reconhece a evolução da Ryanair desde 2013, mas é redutora da realidade do programa Always Getting Better ao escrever: “The aim was to pitch for more lucrative business passengers, who demand a modicum of comfort and set store by punctuality – and it paid off.”.

Esta opinião não é fair e em boa parte é excessiva – o Always Getting Better vai muito para além dos lucrative business passengers. A opinião alinha com a desconfiança que O’Leary e a Ryanair são tratados pelo FT quando iniciam a transformação do Outono 2013. Fair ou não, é motivo para a colunista terminar a situar o problema ao nível da corporate culture:

-“Yet Mr O’Leary instinctive contempt for customers and employees appears to be intact – and ingrained in Ryanair corporate culture. This ought to be a concern for regulators and shareholders.” (15).

A maneira como a Ryanair começa por tratar os passageiros e como só recua perante ameaça séria da CAA permite a opinião da ‘velha’ corporate culture não ter mudado.

*Perda de oportunidade de negócio na falência da air berlin

O mercado do transporte aéreo na Alemanha é o mais importante da Europa. A taxa de penetração das LCC ainda é baixa (24%, quando no Reino Unido é 44%) e a Ryanair é nº3 em parte de mercado, depois de Lufthansa e air berlin (16). O potencial de crescimento é considerável.

Durante a marcha da air berlin para a insolvência, há dois concorrentes fortes (Lufthansa e o operador TUI Travel) em concorrência para aumentar quota
mercado na Alemanha, mas juntos na luta contra maior penetração de Ryanair eEasyjet. Problemas internos afastam a TUI e a perspectiva é de Ryanair ser o grande concorrente da Lufthansa.


Na realidade, os problemas da Ryanair deixam a partilha para Lufthansa que ganha a maior parte dos activos da air berlin e Easyjet que de terceira companhia em Berlin Tegel passa a primeira (17). Este processo arrasta-se até ao final de 2017 com as exigências da Comissão em defesa da concorrência, mas a Ryanair parece estar definitivamente afastada. Não está, mas é tema para outro post.


b)Realidade empresarial impossível de ignorar

Apesar da reconversão estratégica iniciada em 2013 e do seu sucesso no mercado, muitas das intervenções sobre a Ryanair são negativas porque influenciadas pelo historial da empresa na sua relação com passageiros, distribuição e aeroportos. Neste ponto mostramos ser impossível não reconhecer a realidade empresarial da Ryanair e ultrapassar o que já foi ultrapassado. Apesar de, como vimos, ainda haver reacendimentos como em incêndio suposto extinto
 
b.1.Notas sobre o historial da Ryanair

*Número de passageiros e
O número de passageiros da Ryanair cresce de maneira sustentada (gráfico 1). Com exercícios a 31 Março, em 2016 atinge 106,4 milhões, mais 16 milhões do que em 2015. Em 2017 atinge 120 milhões, mais 13.6 milhões do que em 2016 o que é mais do que os 11,7 milhões de passageiros sa TAP em 2016 – comparação é elucidativa mas não é justa porque a TAP tem significativo tráfego de longo-curso.

Gráfico 1 – Passageiros Ryanair: crescimento 1995/2017
 (milhões)

Fonte: Elaboração própria com base em Raynair – Annual Reports e informação Ryanair

*Evolução recente do profit after tax

Gráfico 2 – Ryanair profit after tax (€milhões)


Fonte: Elaboração própria com base nos relatórios anuais da Ryanair

O gráfico 2 e lustra a evolução recente do profit after tax da Ryanair, que aumenta 332% entre 2010 e 2017. Os valores nos três anos (a 31 Março) de 2015 a 2017

-confirmam o sucesso da reconversão estratégica iniciada no Outono 2013, mas reflectem também a influência da baixa do preço do fuel,

-desmentem o simplismo do já referido artigo do Expresso com a teoria segundo a qual o modelo de negócio das LCC está comprometido pela redução dos incentivos pagos por alguns aeroportos.

b.2.Reconversão estratégica de 2013/14 e seu sucesso

*A reconversão estratégica no exercício a 31 Março 2014

No final de 2013, o poeta irlandês poderia cantar ‘cesse quase tudo o que a musa antiga canta que outro valor mais alto se levanta’. A Ryanair inicia uma reconversão estratégica de que o programa 'Always Getting Better é a expressão mais visível. Ao longo do exercício a 31 Março 2014 a actividade da Ryanair é marcada por duas dinâmicas em curso:

-a do modelo de negócio tradicional da Ryanair, no qual o baixo preço do bilhete gera o crescimento do tráfego e os passageiros até podem ser hostilizados,

-factos e decisões que antecipam o novo modelo de negócio do pós-AGM, no qual “Llower fares & Always Gettinng Better Programme drives growth”.

Do Chief Executive‟s Report no relatório anual a 31 Março 2014, citamos:
-“In September 2013, we announced plans to significantly improve our customer experience. For many years, success was defined by having the lowest costs and the lowest fares in every market, which ensured that we grew rapidly establishing enormous price (and cost) leadership over Europe‘s flag carriers, and so called low cost carriers, all of whom charge air fares that are at least 50% higher than Ryanair. As our business matures, and our growth rates slow somewhat, we are committed to improving our customer experience in addition to providing our guests with the lowest fares, the most on-time flights, the fewest lost bags, and the fewest cancellations.” [sublinhados são nossos].

No relatório a 31 Março 2015, o CEO reconhece: “We changed policies which were previously tablets of stone for over two decades.”.

*Sucesso da reconversão estratégica a 31 Março 2016

Com base no exercício que a 31 de Março de 2016, o CAPA afirma:

-“Ryanair's best margin since 2005 illustrates the success of 'Always Getting Better' programme”,

-This was achieved with only a 1% fall in average fares, demonstrating the success of the customer service and network improvements that Ryanair has introduced over the past two years under its 'Always Getting Better' programme.” (18).

O exercício a 31 Março 2016 confirma o sucesso da reconversão estratégica da Ryanair iniciada em 2013 e marcada por revolução no customer service, no sacrossanto respeito pelo CASK mais baixo da Europa e em “levels of profitability not seen for a decade”. O CAPA conclui:

-“The airline's passenger service improvements have reinvigorated the business model over the past two years and returned it to levels of profitability not seen for a decade.”.

Este sucesso não teria acontecido sem a reconversão estratégica da Ryanair iniciada em 2013 e esta não teria tido lugar sem a capacidade de adaptação do CEO Michael O’Leary.

*“Lower fares & Always Gettinng Better Programme drives growth”

Gráfico 3 – Average Fare European Airlines


Fonte: Ryanair, H1 Full Year 2018 Results, slide 3 que cita Latest Full Year results/Annual Reports

A Ryanair não fala em serviço premium que justifica preço de venda mais alto. A nova estratégia continua a assentar em baixar tarifas para ganhar clientes e lucro (gráfico 3), mas com igual foco na satisfação do cliente. Na mesma apresentação (slide 9) é reafirmada a estratégia: Lower fares & Always Gettinng Better Programme drives growth (129m).

A estratégia de “lower fares” é mais evidente na mensagem do CEO aos accionistas em sucessivos relatórios anuais:

-2013 “We continue to grow by delivering lower fares, better punctuality,”.

-2014 “As our business matures, and our growth rates slow somewhat, we are committed to improving our customer experience in addition to providing our guests with the lowest fares,”.

-2015 “Our budget next year assumes fares will fall by 2% to 4% as we pass on lower oil prices, and financing to deliver more value for customers”.

-2016 “Our customers can look forward to lower fares and even more experience improvements during year 3 of our AGB program.”.

-2017 “Over the last year we delivered traffic growth of 13%, by cutting fares 13%, and saving our customers over €700m. More importantly, we reduced unit costs by 11% so, even at these lower prices, profit after tax grew by 6% to a new record of €1.316bn, a net margin of 20%.”.

Mais uma vez a realidade desmente o artigo do Expresso quando afirma: “É preciso acabar com os bilhetes de avião a 10 euros. O negócio da aviação nunca foi um grande negócio. Tem custos fixos (tripulação e manutenção) muito elevados e um break even point (ponto de equilíbrio em que o total das receitas é igual ao total dos gastos) altíssimo”.

b.3.Sucesso que gera pressão sobre a gestão da empresa

*Previsões de crescimento de tráfego com ambição crescente

A partir de 2013, a Ryanair faz quatro previsões de crescimento de tráfego, com ambição crescente (gráfico 4). Em Julho 2013 e face ao aumento da procura, a Ryanair aumenta a previsão de 100 milhões de passageiros em 2019 para 110 milhões. É neste contexto que, em 19 Junho 2013, é anunciada a encomenda de 175 Next-Generation 737s (19). O crescimento da procura confirma o sucesso da reconversão estratégica e leva a Ryanair a anunciar mais três previsões de passageiros (gráfico 2), a última das quais é ligeiramente revista no seguimento dos cancelamentos de 15 Setembro 2017.

Gráfico 4 – Previsões de tráfego da Ryanair no horizonte 2024
(milhões)

Fonte: Elaboração própria com base em informação Ryanair

A alteração de objectivos para 2018 e 2019 deve ser situada neste contexto. Entre outros, são estes objectivos que põem enorme pressão sobre os gestores da empresa e fazem com que também precise de voar para aeroportos com potencial de crescimento de tráfego. Como acontece em Lisboa em 2014, está a acontecer no Porto mas não em Faro.

*Gestão obrigada a atingir objectivos ambiciosos

Estes objectivos ambiciosos em crescimento de passageiros e renovação da frota, mais o da remuneração dos accionistas põem o mercado das LCC sob dupla pressão,

- a da Ryanair sob ela própria porque tem de atingir os objectivos fixados,

- a que esta pressão induz sobre LCC habituadas a concorrer com o short-haul de FSC e que passam a enfrentar mais intensa concorrência entre elas.

É neste contexto que se posiciona a capacidade de atracção de rotas LCC pelos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro. O sucesso da LCC passa cada vez mais pela sua capacidade de ganhar passageiros o que as põe também na dependência de voar para destinos que atraiam turistas e assim atingir os objectivos anunciados ao mercado do turismo e de capitais.

c)Ryanair e Portugal

Goste-se ou não, a Ryanair é importante para o turismo e para o País. O mínimo que temos de fazer é conhecer a sua história, corporate culture e ambição. Só assim o ‘interesse’ de Portugal pode negociar com a Ryanair e contribuir para o sucesso das duas partes.

Gráfico 5 – Passageiros Ryanair em Lisboa Porto e Faro (milhões)


Fonte: Elaboração própria com base em informação ANA (até 2013) e do mercado

Gráfico 6 – Passageiros Ryanair em percentagem do total de passageiros

Fonte: Elaboração própria com base em informação ANA (até 2013) e do mercado

A Ryanair é leader nos aeroportos do Porto e Faro nos quais desempenha papel histórico na sua afirmação. É número dois em Lisboa, depois da TAP e muito acima das outras companhias aéreas. Os gráficos 5 e 6 ilustram a presença da Ryanair nos três aeroportos do Continente. No Porto e em Faro, importância quantitativa e crescimento são evidentes, mas a partir de 2011 a parte de mercado da Ryanair conhece variações mínimas e estabiliza entre 2011/2017.


A Bem da Nação

Lisboa 26 de Abril de 2018

Sérgio Palma Brito


Notas

(1)2017.10.04 Expresso, Afinal o que se passa com as low cost? Erro factual. Todos os voos em causa foram suspensos em 15 Setembro 2017.

Ver análise detalhada deste artigo no ponto 7 do Relatório Turismo e Transporte Aéreo em Portugal.

(2)São canceladas as seguintes rotas: Duas domésticas na Polónia, sete de Trapani, três de Tessalónica, cinco de Sofia, três de Chania, três domésticas no Reino Unido, cinco de Hamburgo, uma de Edimburgo e outra de Glasgow, duas de Newcastle (a de Faro é a única em Portugal), três de Chania, uma de Bucareste e uma de Colonia.

(3)Ver Ryanair H1 FY Results, slide 10.

(4)Ver

(5)Ver

Não entramos na apresentação do regime laboral da Ryanair por haver múltiplas informações contraditórias e não dispormos de meios para o fazer. Parece certo a grande maioria dos contratos serem segunda as leis da Irlanda e haver recurso a subcontratação.










(16)Ver
-gráfico 5 em ‘Indústrias europeias do transporte aéreo – de 1993 à actualidade’ http://sergiopalmabrito.blogspot.pt/2017/11/industrias-europeias-do-transporte.html

(17)Ver
-2017.10.13 Contract for the purchase of parts of Air Berlin Group signed
-2017.10.28 Bloomberg EasyJet in Deal to Take Over Air Berlin A320 Plane Leases, Slots

(18)2016.05.24 CAPA Ryanair's best margin since 2005 illustrates the success of 'Always Getting Better' programme

(19)Ver 2013.06.19 Boeingmediaroom, Boeing, Ryanair Finalize Order for 175 Next-Generation 737s

(15)Ver
-‘Factores que diferenciam as companhias Low Cost pan-europeias’ em http://sergiopalmabrito.blogspot.pt/2017/11/factores-que-diferenciam-as-companhias.html
-2016.03.24 CAPA Airlines in Transition. How FSCs can regain short haul share from LCCs Part 1: at the coal face




Ryanair, Monarch, airberlin, Alitalia e Ethiad – afinal, o que se passou?


A origem imediata destas Notas de Trabalho é a notícia do Expresso 10 Outubro 2014). Depois do título “Afinal, o que se passa com as low cost?, o lead é perentório “A Monarch faliu, a Air Berlin declarou insolvência e a Ryanair continua a suspender voos”. Sentimos a necessidade de elaborar explicação fundada em pesquisa sólida.

Ao amalgamar insolvência de Monarch Airways, air berlin e Alitalia mais a crise da Ryanair, título e lead da notícia do Expresso ilustram quão fácil é simplificar excessiva e erradamente realidade complexa.

Por outro lado, estas Notas ilustram quão difícil é pesquizar para apresentar análise sintética e coerente dos factos, necessária à sua compreensão e explicação. É o que fazemos nestas notas, fruto de muitos dias de árduo trabalho.

Não alimentamos ilusões. Sabemos

-quão estimulante é pesquisar e redigir Notas como estas, por adquirir e divulgar conhecimento de modo a ajudar gente que trabalha seriamente na indústria do turismo e no seu conhecimento,

-quão frustrante pode ser esforço como o nosso, porque ‘as pessoas’ querem respostas simplistas para questões complexas e chegam a desdenhar o que fazemos.

As Notas não são destinadas ao mero curioso, mas este ganha informação e saber se as percorrer, à distância de um clique:




A Bem da Nação

Lisboa 26 de Abril de 2018

Sérgio Palma Brito

Quem vai financiar a TAP – o HNA Group? Outro parceiro? Qual?

A informação corporativa da TAP insulta os portugueses e desqualifica acionistas e gestores. Esperamos que Antonoaldo Neves alinhe a TAP segundo as boas práticas da industria. 

Até lá é difícil analisar a TAP, mas há factos inegáveis.
Frustrada a privatização que comprometia os accionistas privados a financiar a empresa, a estratégia empresarial da ‘TAP revertida’ assenta em financiamento pelo HNA Group. Com o seu coração ao pé da boca, David Neeleman chega a falar do “tio rico”.

Os conhecidos problemas do HNA Group comprometem o financiamento. É neste contexto e no da Manutenção Brasil que Humberto Pedrosa fala em ser preciso um novo parceiro. Falta acrescentar, “para injectar €300 milhões” na TAP.

*Comprometido o financiamento da TAP pelo HNA Group
Humberto Pedrosa é empresário sólido, sério e discreto. Em entrevista ao Jornal de Negócios (1) e na indiferença geral, parte a louça, diria baixela, mais valiosa da empresa:

-"Se HNA não investir na TAP será preciso outro parceiro".

E explica:

-“Reduzimos [parte do capital social] para a entrada da HNA. Havia uma vontade da HNA, que aliás queria deter uma participação na ordem dos 20% para lhe dar a possibilidade de consolidar. Eu cedi uma parte e o David Neeleman também cedeu. Neste momento, na Atlantic Gateway tenho 46,5% e o David Neeleman tem 42%, enquanto a HNA tem 11,5%.”,

-“E estava também previsto que a HNA pudesse investir ainda mais na TAP, em termos até de empréstimos, se houvesse dificuldades. Daria uma ajuda bastante valiosa. Não se estava a contar com a situação em que a HNA está hoje. Talvez possa ser uma situação passageira e volte outra vez à normalidade.”.

À pergunta “Tem já um plano B?” responde “Não tenho, mas vamos ter de encontrar.”. E a “É possível que o grupo chinês saia do capital da Atlantic Gateway?”, a franqueza surpreende pela candura: “Não faço ideia.”.

*Ilusão do “tio Rico” ou quando HNA Group não é Ethiad
Em 29 Setembro 2016 e no entusiasmo da HNA apoiar quatro voos semanais da TAP para a China, David Neeleman referindo-se à HNA Airlines: “É bom ter um tio rico”, cita o Hoje Macau.” (2)É quase anedótico mas significativo, como vemos a seguir na entrevista ao Publituris.

Por esta altura a Etihad Airways continua a financiar a Air Berlin e começa a financiar a Alitalia. Na realidade, a Etihad tira proveito das parcerias mas alimenta vícios que que contribuem pra levar estas duas empresas à falência, politica e temporariamente adiada na Alitalia. Este péssimo exemplo pode ter inspirado DN.

*Capital da TAP não é suficiente e HNA Group financia Março 2017
Em Março 2017 e em entrevista ao Publituris que passa despercebida (3), interrogado sobre “Quanto dinheiro vai ser preciso?”, David Neeleman responde:

-“Muito. Até 300 milhões de euros. […] O capital que colocámos na empresa não será suficiente para fazermos tudo o que temos de fazer para criar uma nova TAP para o futuro.”.

Sobre “Se não é suficiente, como vão ter esse capital?”, DN responde:

-“Temos um sócio, que é a HNA, vamos discutindo com ele a melhor forma de podermos fazer esta restruturação.”.

Ficamos sem saber se esta verba é só para recapitalizar a empresa ou se também é para a renovação da frota, e sem saber se a proposta inicial cai com a reversão da privatização. Fica a ideia que o investidor será a HNA.

*Fernando Pinto alimenta a ilusão Junho 2017
A 14 Junho 2017 no Jornal de Negócios, Fernando Pinto fala de: “capacidade de capital” para “investimentos adicionais”, mais do que do code share com a companhia aérea do parceiro chinês. Declara:

-“Eles têm uma capacidade de capital muito grande e isso para nós é uma tranquilidade. Se for necessário investimentos adicionais eles têm forma de ter acesso a capital. E na parte estratégica nós vamos começar a receber agora os voos a partir de Julho, vamos poder fazer ‘code-share’ e é um mercado totalmente novo para nós.” (4).

*Renovar a frota com leasing e ‘pelo do cão’?
Em 4 Outubro 2016 e em reunião com trabalhadores, Fernando Pinto refere “dificuldade de investimento“, agravada pela “dívida ainda elevada”. A dívida da transportadora ascende a 887 milhões de euros e está actualmente a ser renegociada, o que “limita a capacidade de investimento em novas aeronaves”. (5).

Acrescenta que “A idade média da frota da TAP é 15 anos, face a uma média de oito ou nove anos dos concorrentes. Ao mesmo tempo, as tarifas que a TAP oferece são “pouco competitivas” no que toca à relação preço/serviço, reconheceu Fernando Pinto”.

Sem o financiamento do HNA Group pode a TAP renovar a frota com leasing e o ‘pelo do cão’ (receitas correntes)?

*E em cenário de subida do fuel?
É realista financiar a renovação da frota com leasing e ‘pelo do cão’ (receitas correntes) em cenário de subida do crude oil brent, actualmente a atingir $67, o que cria dependência em relação à desvalorização do dolar? 

Isto quando, em 27 Setembro 2016, David Neeleman fixa o custo aceitável do combustível:

-a companhia aérea aguenta enquanto o barril de combustível estiver “abaixo de 50” euros, mas que a empresa não pode contar com isso para o futuro, porque o preço irá, inevitavelmente, subir mais cedo ou mais tarde, pelo que tem de se reorganizar desde já.” (6).

Até que ponto a politica de crescimento da oferta de lugares marca os últimos tempos é sustentável (como parece ser o crescimento na América do Norte) ou, como parece ser o caso de outras rotas, não é apenas efémero e de consequências gravosas?
Nas palavras de analista so CAPA ao Financial Times, “Some Airlines have kept going longer than they would have and some have put more capacity in as a result of cheaper fuel,” e “Bur there is a self-correcting mechanism here – the capacity glut leads to plummeting unit revenues, and those that don’t have the cost base to survive plummeting unit revenues eventually suffer and dis appear. You almost need that situation to cut the dead wood out.” (7). Estas palavras fazem eco na sede da TAP?


A Bem da Nação

Lisboa 5 Fevereiro 2018

Sérgio Palma Brito


Notas
(1)2018.02.05 Jornal de Negocios, Humberto Pedrosa: "Se HNA não investir na TAP será preciso outro parceiro"

(2)2016.09.20 NewsAvia TAP Começa A Voar Para A China Antes Do Verão Com Quatro Voos Semanais

(3)Publituris de 17 Março 2017.
(4) 2017.07.14 Jornal Negócios Fernando Pinto: “TAP poderá ir para a bolsa e ser um sucesso”

(5)2016.10.04 Jornal Negócios Fernando Pinto anuncia plano de redução de custos da TAP em 150 milhões de euros.

(6)2016.09.27 Sic Noticias, TAP quer cortar custos pela eficiência sem despedimentos

(7)2017.10.08 Financial Times, European airlines face more cuts and consolidation
https://www.ft.com/content/b2b79a6e-a9f9-11e7-93c5-648314d2c72c

Indicadores da performance de companhias aéreas e más práticas da TAP

Em Portugal somos levados a pensar que nas companhias aéreas não há indicadores  de performance para além do número de passageiros. No presente post

-apresentamos estes indicadores de maneira acessível e que minimize o impacte inicial de iniciais algo estranhas,

-damos exemplo de boas práticas de informação mensal, semestre e anual por várias companhias aéreas.

Depois, mostramos como a TAP não implementa nenhuma destas boas práticas e, no caso do relatório anual, até piora. Contribuímos para a resposta que a empresa tem de dar a duas perguntas:

-qual é a justificação deste secretismo em empresa onde o Estado detém 50% do capital e qual a explicação para tratar os portugueses como atrasados mentais?

-quando começa a TAP a divulgar resultados anuais, semestrais e mensais equivalentes aos que aqui damos como exemplo?

A TAP só ganha em implementar as boas práticas que aqui propomos e que accionistas e gestores privados conhecem melhor do que nós.


a)Apresentação dos principais indicadores

Para facilitar, seguimos a informação da figura 1 que ilustra, para o ano 2016, a “financial performance at airline level” das companhias que integram o International Airlines Group (IAG).

Figura 1 – IAG 2016 - Financial performance at airline level


*Aer Lingus lease adjusted margin includes an adjustment for the ownership element of wet leases. Fonte: IAG results presentation, Quarter Four 2016, 24thFebruary 2017 slide 14.

*Receitas e custos operacionais, resultado e margem operacional
Assumimos ‘Operating result’ ser o EBIT - Earnings Before Interest and Taxes (Resultados Antes de Juros e Impostos) e a partir daqui temos o Revenue e Cost. Isto assente, o que segue é óbvio:

-operating result é receita operacional menos despesa operacional,

-operating margin é o operating result em percentagem da receita operacional,

-lease adjusted margin não tem em conta os custos de leasing e é superior à operating margin.

*ASK, RPK e Load factor
A avaliação e comparação de companhias aéreas parte da unidade de criação de valor: ‘Seat/Kilometer’ – um lugar que se desloca um quilómetro. Na hotelaria é uma noite num quarto de hotel. Assim temos

-Available Seat/Kilometer – um avião de 150 lugares num voo de 1.000km representa oferta de 150.000 ASK,

-Revenue Passenger/Kilometer – no mesmo avião só voam 120 passageiros pagantes (que geram ‘revenue’) e temos 120.000 RPK,

-Load factor é a percentagem de RPK no ASK, o equivalente da taxa de ocupação da hotelaria.

A figura 1 não indica o Load factor, mas … é só fazer as contas.

*Segment length
Segment é a distância percorrida por um avião entre levantar voo e pousar. O valor médio do Segment é influenciado pela importância da actividade de longo curso. Assim o segment médio é

-mais baixo na Vueling que é LCC do ponto-a-ponto intra-europeu,

-superior no caso da AerLingus porque a empresa combina actividade de FSC no longo-curso a partir do hub de Dublin (para América do Norte) e actividade intra-europeia de LCC,

-maior no caso da BA e Ibéria, dado o peso da actividade de longo-curso destas companhias.

As companhias aéreas contam passageiros embarcados. Um voo entre Europa e Brasil pelo hub da TAP representa dois passageiros TAP à ida (embarque na Europa e em Lisboa) e dois à volta (embarque no Brasil e em Lisboa), quatro no total. Um portuense que visita Lisboa e regressa representa dois passageiros.

*RASK e CASK
Os conceitos são evidentes:

-Revenue per Available Seat/Kilometer (RASK) é o Revenue (receita operacional) dividido pelo ASK – na hotelaria é Revenue per Available Room Available,

-Cost per Available Seat/Kilometer (CASK), também designado por Unit Cost, é o Cost (custo operacional) dividido pelo ASK,

-CASK ex fuel – neste caso o Cost (custo operacional) não tem em conta o custo do fuel,

-Employee per ASK resulta da divisão do custo de pessoal pelo ASK e ajuda a gerir o custo com o pessoal.

Duas notas,

-controlar e reduzir o CASK é obrigação (e não opção) estratégica na gestão de uma companhia aérea,

-CASK ex fuel evita que gestão, accionistas, trabalhadores e público em geral se iludam com uma baixa do CASK que assenta apenas ou em grande parte na baixa do fuel.


b)Boas práticas

*Informação mensal em indicadores operacionais  - boas práticas
Utilizamos a apresentação mensal dos resultados do Lufthansa Group como padrão. Ver a informação referente a Outubro 2017 em investor-relations. As figuras 2 e 3 são recortadas a partir desta informação.

Os valores do Lufthansa Group são detalhados por

-cada uma das Network Airlines (Lufthansa German Airlines, SWISS e Austrian Airlines) e total destas,

-Point-to-Point Airlines (Eurowings e Brussels Airlines),

-o total das Network Airlines é detalhado por Europa, América (Norte e Sul), Asia/Pacífico e Médio Oriente/Africa.

-no caso das Point-to-Point Airlines, há detalhe por short-haul e long-haul.

Figura 2 – Lufthansa Group Network Airlines October 2017

Fonte: Figura recortada a partir da informação mensal.

Figura 3 – Lufthansa Point-to-Point Airlines October 2017

Fonte: Figura recortada a partir da informação mensal.

A inclusão da Brussels Airlines nas Point-to-Point Airlines é explicada em post futuro sobre o Lufthansa Group.

*Informação semestral e anual – boas práticas
No actual estado de falta de informação sobre a actividade da TAP, não nos parece necessário apresentar informação por trimestre, mas todas as companhias cotadas em bolsa o fazem. Também não apresentamos as apresentações que companhias cotadas fazem em Investors days & similares.

No que toca a informação semestral e a título de exemplo, o leitor pode ceder à corporate information da Easyjet e consultar apresentações sobre 1º semestre 2017 e ano 2017 (exercício a 30 Setembro 2017):

-2017 half year results analyst presentation em 16 Maio 2017

-2017 full year results analyst presentation em 21 Novembro 2017 

A full year results analyst presentation é complemento aos relatórios anuais.

Ver toda a informação em http://corporate.easyjet.com/


c)Informação Semestre e Ano – más práticas da TAP

*Resultados semestrais – como empresa cotada em bolsa
No actual estado de falta de informação sobre a actividade da TAP, não nos parece necessário apresentar informação por trimestre.

Já a informação semestral e anual sobre a TAP deve ser obrigatória e, no mínimo, equivalente à que as empresas cotadas em bolsa divulgam.

Os portugueses não merecem menos consideração pela TAP do que as empresas cotadas têm pelos seus accionitas e publico em geral.

*Informação anual da TAP – de mau a pior
No caso da informação anual sobre a TAP, passámos de mau a pior

A figura 4 dá uma ideia do desastre que é a informação empresarial (corporate information) da TAP, que

-não publica resultas mensais profissionais, como os do Lufthansa Group, e inunda-nos de informação parcelar, que nada permite avaliar e sempre positiva,

-não publica informação semestral,

-em 2016, diminui a informação anual como a figura 4 ilustra.

Figura 4 – Relatórios anuais do Grupo TAP em 2016 e antes de 2016




*A inaceitável cena dos resultados do primeiro semestre 2017
Em Outubro 2017 há grande reboliço comunicacional sobre a triste cena dos €444milhões de prejuízo no primeiro semestre de 2017, referidos no Relatório Semestral da Parpublica – reconhecemos não ter encontrado esta informação mas por erro nosso.

Segundo o Público ‘fonte oficial da TAP’ afirma o agravamento ser “absolutamente imaterial na proporção dos valores movimentados pelo grupo”. 

Em simultâneo, a mesma fonte diz que os indicadores operacionais e financeiros “têm sido até à data bastante favoráveis”, e que “o facto de os resultados do primeiro semestre se encontrarem em linha com os do ano passado é particularmente encorajador para a expectativa de resultados do ano, atendendo ao previsto para o semestre”.

O pior vem depois. Ainda segundo o Publico,
-“Questionada pelo PÚBLICO sobre os resultados operacionais e explicação para os prejuízos (a informação não consta do relatório da Parpública), a TAP não respondeu.” (1).

d)Companhias aéreas - segmentar para analisar

*Comparar/segmentar empresas “unit cost and average sector length
Para comparar e segmentar as indústrias europeias do transporte aéreo seguimos o padrão de análise mais corrente, ilustrado aqui pela figura 5. O CASK é no eixo vertical e average sector length no horizontal. Os números são de cerca de 2012 e devem ser lidos com prudência

A título de exemplo, uma primeira observação mostra:

-as LCC com CASK e average sector length baixos e as FSC com CASK e average sector length elevados.

-os custos unitários da Germanwings que explicam o não ter sido a LCC do Lufthansa Group e da air berlin, que explicam em parte a insolvência,

-os ultrabaixos custos unitários de Ryanair e WIZZ Air, mesmo em relação às outras LCC.

A TAP apresenta custos unitários abaixo de outras FSC mas muito acima das LCC com as quais concorre em muitas das rotas intra-europeias.

Figura 5 – Unit costs and average sector length for selected European legacy and low-cost carriers 2012*


Fonte: CAPA analysis of company accounts and traffic data, CAPA, Germanwings: can a premium strategy sustain an LCC? Lufthansa would like to think so, Outubro 2013.


A Bem da Nação

Lisboa 16 Janeiro 2018

Sérgio Palma Brito


Se acede ao blogue pela primeira vez, sugerimos que percorra os Princípios Gerais do Blogue a Nota Biográfica em http://sergiopalmabrito.blogspot.pt/p/apresentacao.html


Nota

(1)2017.10.03 Publico, TAP regista prejuízo de 52 milhões no primeiro semestre  - Valor representa um ligeiro agravamento de 3,2% face a idêntico período de 2016, com os proveitos a subirem 11,3% para 1254 milhões.