O Perfil do Turista que Visita o Algarve – observações críticas

O estudo sobre O Perfil do Turista que Visita o Algarve assenta num inquérito a 4.205 turistas durante dois períodos: Julho e Agosto (2.652 turistas), e Setembro e Outubro de 2016 (1.643 turistas). Analisamos a versão final do “Relatório síntese que espelha a realidade do turismo na região do Algarve por segmentos de turistas, períodos e zonas” (1).

No documento publicado, não há indicação de unidade de investigação ou ensino e de Bibliografia nem lista de instituições e pessoas consultadas. O texto parece ser da responsabilidade exclusiva da Professora Antónia Correia e do Professor Paulo Águas - Equipa responsável da Universidade do Algarve pela coordenação científica e técnica do projecto proposto pela Região de Turismo do Algarve.


1.Objectivos do Estudo, macro quantificação e segmentação

*Objectivos do Estudo

O Relatório Final não inclui um texto da Entidade Regional de Turismo do Algarve que, entre outros, explicite o objectivo que pretende atingir com a elaboração do Estudo. A iniciativa da ERTA é meritória e, em si, justifica elogio.

O Relatório explicita os objectivos do Estudo em três ocasiões:

-Sumário Executivo: “O estudo do perfil do turista que visita o Algarve tem como principal objectivo perceber a essência do turismo na região.” (p.11),

-Metodologia do Estudo, “Este relatório tem como principal objectivo conhecer e compreender características, preferências e comportamentos do turista que visitou o Algarve em 2016. (p.13),

-Ojectivos e diagrama metodológico (Capítulo I – Metodologia) detalha seis “Objectivos específicos” com base em “segmentação de mercado assente em critérios motivacionais, psicográficos, de satisfação e lealdade para com o destino, uma vez que se percepciona uma forte fidelização dos turistas que visitam a região.” (p. 15).

Estes objecttivos são:

-Estipular diferentes variáveis motivacionais, psicográficas, de satisfação e lealdade,

-Identificar diferentes segmentos de mercado a partir de critérios de segmentação definidos, e com base na dicotomia “visitante de primeira vez” e “visitante de repetição”,

-Determinar os níveis de satisfação e fidelização dos diferentes segmentos turísticos identificados,

-Aferir acerca do peso dos diferentes segmentos turísticos identificados pelo estudo em termos da sua importância relativa para a região,

-Traçar as implicações estratégicas dos diferentes segmentos turísticos identificados pelo estudo para o futuro da competitividade do Algarve enquanto destino turístico,

-Caracterizar a interactividade do turista que visita o Algarve com as redes sociais.

Em nossa opinião,

-oprincipal objectivo” ser “perceber a essência do turismo na região” é questionável em si, mas sobretudo é incompatível com as limitações do Inquérito em que o Estudo assenta,

-o objectivo de “conhecer e compreender” é mais do que actual, mas gostaríamos de um mais modesto “contribuir para conhecer e compreender”, porque do Inquérito podemos quando muito esperar um contributo para conhecer e compreender,

-o essencial do estudo parece estar nos seis “objectivos específicos”, mas a segmentação adoptada (dois macro segmentos, seis países de residência e três áreas de destino) pode questionar a amostra ser suficiente e dá origem a excesso de informação que confunde o leitor – quando se trabalha para suporte à decisão, a informação entregue deve ser hierarquizada por importância e não longa e prolixa.

*Macro quantificação existente informação do Inquérito

Com a excepção dos dois inquéritos do INE que nos faltam (2), dispomos de algum acervo estatístico sobre o turismo do Algarve:

-Passageiros desembarcados no aeroporto de Faro por País de origem (ANA)

-Aeroporto de Faro nas Estatísticas de Transportes e Comunicações (INE),

-dois inquéritos nas Estatísticas do Turismo (INE): o agora denominado Inquérito à Permanência de Hóspedes na Hotelaria e Outros Alojamentos e Inquérito às Deslocações dos Residentes.

Em várias situações, a informação quantitativa que o Estudo explicita está ligada à macro informação estatística existente, sem que esta esteja claramente identificada e com possível confusão pelo leitor.

*Segmentação do mercado

Se bem percebemos, a segmentação de mercado que mais interessa aos autores e que para eles diferencia e justifica o Estudo assenta em “critérios motivacionais, psicográficos, de satisfação e lealdade para com o destino, uma vez que se percepciona uma forte fidelização dos turistas que visitam a região.” (p.15).

Dito isto, o Estudo assenta em duas opções que, em nossa opinião, comprometem a apresentação dos resultados:

-segmentação dos turistas em Turistas tradicionais e Turistas residenciais,

-o capítulo fundamental sobre a Visita ao Algarve (p.23) não segmentar a informação por turistas Residentes e Não residentes em Portugal.

Este comprometer dos resultados é reforçado pela omissão da opção do cliente final (personagem mais importante em toda esta história) entre package holiday e independent travel, que é estruturante na formação da procura/oferta de turismo do Algarve (3).


2.Turistas tradicionais e residenciais – questionar e alternativa

*Segmentação por Turistas tradicionais e Turistas residenciais

Da Metodologia do Estudo, citamos:

-Tendo em conta as realidades turísticas da região, abordam-se dois tipos de turistas: o turista tradicional e o turista residencial.

Entende-se por Turista Tradicional aquele que utiliza as formas de alojamento tradicionais. Por sua vez, os Turistas Residenciais são todos os que se alojam em casa própria, casa de familiares e amigos e os que recorrem a arrendamentos privados” (pp. 13/14).

Esta segmentação do mercado corresponde a uma divisão das modalidades de Alojamento Turístico que os turistas escolhem. É o caso quando o texto refere, entre outros, “Os Britânicos alojados em turismo tradicional” (p. 100).

*Segmentação mais adequada à realidade

A segmentação que utilizamos e nos parece ser mais adequada às “realidades turísticas da região” assenta em três procuras de famílias (4).

A procura que mobiliza mais turistas é por estadia em hospedagem mercantil, em estabelecimento hoteleiro ou não, ou unidade dispersa de alojamento em meio urbano, de resort ou rural.

A procura por investimento em casa de férias (para combinação de utilização própria e rendimento, e valorização a prazo na revenda) situa-se na intersecção de investimento imobiliário e financeiro, com utilização turística da residência secundária pelo próprio em hospedagem gratuita ou mercantil quando a residência secundária é arrendada a turistas. Para efeito das deslocações turísticas aos Algarve gera as dos turistas que alojam em “habitação própria”, nos termos do INE, na “holiday home” do mercado e na “imobiliária” da linguagem rasca sobre o turismo do Algarve.

A terceira procura é por Visitas a Familiares e Amigos, tem importância menor mas crescente, por estar ligada à mobilidade de pessoas no espaço europeu (imigrantes no Algarve e emigrantes do Algarve em Portugal e na Europa). Esta procura utiliza sobretudo, mas não só, o Alojamento gratuito por familiares e amigos (5).

Esta segmentação segue o comportamento das pessoas e encaixa nas recomendações internacionais sobre estatísticas de turismo, como definidas por United Nations e UNWTO, New York,2010 e endossadas por Eurostat e OCDE (6). No Inquérito Inquérito às Deslocações dos Residentes o INE utiliza esta tipologia em relação na repartição de todos os turistas por “Meio de alojamento” de que dá a lista: Estabelecimentos hoteleiros e similares, Apartamentos/casas arrendadas, Quartos arrendados em casas particulares, residência secundária (inclui habitação própria) Alojamento fornecido gratuitamente por familiares/amigos e Outro alojamento privado.

*Cadeias valor independentes/interligadas e concorrência/sinergia

Cada uma das procuras da segmentação que utilizamos dá origem a uma cadeia de valor independente mas interligada com as outras duas, em concorrência ou sinergia. O conjunto das três cadeias de valor está na origem da formação da Economia turístico residencial do Algarve.

A procura por estadia em hospedagem mercantil
-está na origem da cadeia de valor da Industria da hotelaria, com as suas 110 mil camas em 2015,

-por via do arrendamento da residência secundária de utilização turística remunera o investimento contribui para a valorização do alojamento adquirido.

A procura por investimento em casa de férias

-gera a cadeia de valor formada pelas actividades da imobiliária turística: promoção e vendas, administração, exploração e revendas,

-financia o investimento na indústria do golfe e das marinas que por sua vez valorizam a casa de férias e atraem o investimento na Hotelaria,

-é a mola real da formação dos grandes espaços do turismo no Algarve, de que são exemplo Vilamoura e Quinta do Lago (7).

Estimamos que, em 2011, haja no Algarve pelo menos 125.000 residências secundárias de utilização turística. Mais residências secundárias do que camas na Hotelaria.


3.A Visita ao Algarve: residentes e não residentes em Portugal

*Um turismo e duas procuras

A procura por turismo do Algarve integra dois grandes segmentos substancialmente diferentes: residente e não residentes em Portugal. Este não foi o entendimento dos autores que

-no capítulo fundamental sobre A visita ao Algarve (capítulo II) amalgamam estas duas realidades,

-remetem os turistas residentes em Portugal para o Capítulo III, a par dos residentes em França, Reino Unido, Irlanda, Alemanha, Espanha e os evitáveis “Outros países”.

A título de exemplo, nas respostas à pergunta sobre Transporte utilizado para chegar ao Algarve (figura 2.8) temos o total de avião e carro próprio, quando a realidade é o avião dominar de muito longe na procura de não residentes e o carro próprio da de residentes. Não entendemos o interesse do número global. Esta avaliação pode ser feita dezenas de vezes ao longo do Estudo.

*Racionalizar evidência e intuição

A segmentação da procura por turismo do Algarve entre residentes e não residentes é evidente e intuitiva.

A racionalização da diferença assenta em factores variados:

-rendimento disponível,

-meio de transporte utilizado,

-distribuição no marketing operacional,

-alojamento utilizado,

-last but not the least, facilidade na deslocação.

*Opção do Office of National Statistics do Reino Unido

Ao longo dos anos, o ONSS publica os Travel Trends que é uma publicação de referência. Nela encontramos uma clara separação entre

-Overseas residents' visits to the UK,

-UK residents' visits abroad.

É evidente que que este e outros argumentos no mesmo sentido não proíbem os autores do Estudo amalgamarem residentes e não residentes em deslocação turística no Algarve. Mas são argumentos de peso para quem, como nós, contesta a opção dos autores por esta diminuir o interesse do Estudo.


4.Package holiday e independent travel – impossível omissão

*Ausência incompreensível e fatal – o package holiday

O modelo de negócio do package holiday

-é determinante para a formação da procura/oferta pelo turismo no Algarve até ao virar do milénio e na formação da Bacia Turística Alargada do Mediterrâneo – não é coisa pouca,

-depois, continua a ser importante porque resiste à afirmação do independent travel com a Transformação estrutural do mercado turístico na Europa iniciada na década de 1990,

-apesar da maior atracção do independent travel junto da procura, parece vir a ser muito relevante no futuro previsível –a maneira como o package holiday recupera a partir de 2010 é um caso sério (8).

Algo é certo

-não compreendemos que o Estudo omita referências ao package holiday,

-esta a omissão do package holiday compromete em muito o “principal objectivo [do Estudo] conhecer e compreender características, preferências e comportamentos do turista que visitou o Algarve em 2016”.

*Separar reserva de alojamento/transporte e omitir pakage holiday

O Estudo separa

-Meio de Reserva de Alojamento (figura 2.8),

-Reserva de Transporte para chegar ao Algarve (figura 2.9).

Esta opção do Estudo assenta no unbundling do package holiday e não avalia a importância da opção de “reserva de package holiday”.

A título de exemplo, o International Passenger Survey do Reino Unido quantifica as deslocações por motivo principal de Holiday (Lazer, recreio e férias do INE) e acrescenta sempre “of wich Inclusive Tour”, com IT a  ser identificado com package holiday.

*Mercado do Reino Unido

No primeiro tema, sobre os “Os Britânicos no Algarve” e da Caracterização da Visita ao Algarve, citamos:

-“A grande maioria reserva online (60%) ou em agências de viagens (25%). As plataformas mais recorrentes são o Booking.com (46%) ou a HomeAway/OwnersDirect (11%) ou outras plataformas (27%).” (p.96).

Não entendemos como é possível

-descrever “reserva” sem explicitar package holiday ou o unbundling de alojamento e avião,

-listar portais de bed banks [o leitor menos atento não deve ler bad bank] e omitir operadores domo TUI, Thomas Cook, Jet2.com e outros,

-no ponto sobre Turista tradicional (p.100) omitir a opção entre package holiday ou independent travel.


5.Nota final

Não pretendemos avaliar Estudo de cujas opções estruturais discordamos e consideramos como não adequadas à realidade da procura/oferta, o que compromete a utilidade que o estudo teria para nós.

Sobre a escolha dos seis objectivos específicos (p.15), não temos formação e informação que permita avaliar

-a sua razoabilidade substancial no caso de uma área turística com a extensão, diversidade e governação como o Algarve,

-o seu interesse para Politica, Administração, Iniciativa Privada e Opinião Pública que parecem ser os destinatários finais do Estudo.


A Bem da Nação

Lisboa 20 de Abril de 2017

Sérgio Palma Brito


Notas

(1)O Relatório é publicado sob a chancela de Turismo do Algarve e Universidade do Algarve, mas é omisso omisso sobre a relação entre as duas instituições que está na sua origem. Disponível nsite institucional: http://www.turismodoalgarve.pt
E acesso direto ao PDF: http://bit.ly/2nksclI

(2) A macro informação estatística da procura/oferta de turismo do Algarve sofre com a supressão, em 2008, de dois inquéritos nacionais que o INE deixa de realizar:

-Inquérito aos Gastos Turísticos Internacionais,

-Inquérito aos Movimentos de Pessoas nas Fronteiras.

(3)Entre outros, ver o recente Relatório sobre Transporte Aéreo e Turismo em Portugal. Os cinco volumes estão disponíveis em http: http://www.ciitt.ualg.pt/

ou

I Parte – Da década 1950 à transformação do mercado europeu dos anos noventa

II Parte – Indústrias europeias do transporte aéreo

III Parte – Tráfego aéreo no total dos três aeroportos (Lisboa, Porto e Faro) – continentes, países e empresas

IV Parte – Passageiros nos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro – continentes, países e empresas

V Parte – Procura/oferta de turismo e intervenção pública - Inclui Anexo - Package holiday e independent travel no Algarve (da década de 1990 à actualidade)

(4)No Blogue http://sergiopalmabrito.blogspot.pt/ há vários posts sobre o assunto

(5)Ver

-ex-residentes no Algarve, emigrados no estrangeiro ou no resto do País,

-Familiares e Amigos de portugueses e estrangeiros que imigraram para o Algarve ou que no Algarve têm Residência Secundária de utilização turística.

Sem falsa modéstia, citamos livro de que somos autor:

-“Em 1981, residem no Algarve 20.590 naturais do Alentejo, 10.896 das Ex-Colónias, 9.855 da Área de Metropolitana de Lisboa e 5.041 do Estrangeiro, (Gaspar, 1987: 37); o Algarve é, depois da área de Lisboa e Setúbal, “a região com menor percentagem de população autóctone (82.5%)” e “ à sua escala, é a única região que tende a evidenciar uma dinâmica positiva, aumentando o saldo positivo dos movimentos internos, a que se vêm juntar quantitativos relativamente importantes de retornados, tanto da Europa como dos países africanos de expressão portuguesa.”. (p.105)”.

Em Sérgio Palma Brito, Território e Turismo no Algarve, Colibri 2009, disponível em

(6) A segmentação que utilizamos encaixa nas International Recommendations for Tourism Statistics 2008, United Nations e UNWTO, New York, 2010 e todo o conjunto de trabalhos em que se inserem.

(7)Ver Território e Turismo no Algarve da Nota (5).


(8)Ver ONS Travel Trends e vários posts no blogue http://sergiopalmabrito.blogspot.pt/

Uma pergunta sobre a greve da vigilância e segurança privada dos aeroportos nacionais

O Sindicato dos Trabalhadores da Aviação Civil (SITAVA) anuncia uma greve “parcial dos trabalhadores de empresas de vigilância e segurança privada dos aeroportos nacionais” para os dias quentes das férias da Páscoa (1).

Para compreender o que está em causa, recuamos à greve que o Sitava anunciou para os dias quentes de Natal e Ano Novo de 2016.

*Setembro 2016: redução de custos até 2020 (€150/200milhões)

Antes, temos de recuar a Outubro 2016, quando a TAP apresenta oProject RISE: Transforming TAP into a more efficient and agile flag airline carrier”. 
Citamos duas orientações:

-“para ser sustentável a longo prazo, a companhia aérea terá de cortar custos em 150 a 200 milhões de euros até 2020.”,

-"Não há uma agenda escondida. Não há despedimentos ou cortes salariais, o que há é crescimento.” (2).

Em 2016 a TAP tem lucro líquido de €33,5milhões, mas economiza 200,5 milhões em combustível (3). Pior, David Neeleman reconhece que a companhia aérea aguenta enquanto o barril de combustível estiver “abaixo de €50”. A TAP está à mercê da subida do preço do petróleo, o que evidencia a importância de diminuir custos (4).

Entre os custos a reduzir estão os de Assistência em Terra, serviços prestados pela Groundforce, desde há anos detida a 50,1% por privados e 49,9% pela TAP. Esta empresa nasce da autonomização de um departamento da TAP, tem historial atribulado, ainda mantém algum do regime de trabalho da TAP, depois de cortes significativos sem os quais não seria viável.

*Natal 2006 – a greve do SITAVA

O Sitava anuncia greve para Natal/Ano Novo de 2016. Segundo o Expresso, “depois de contactos entre o gabinete do primeiro-ministro e a direcção da CGTP, onde está integrado o Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos”.

O sindicato quer que “o contrato que a TAP tem com os serviços de handling prestados pela Groundforce seja renovado em Junho”. Segundo um sindicalista “Assim que assuma o seu lugar como accionista maioritário da TAP poderá faze-lo, e assim dar as garantias de que a empresa continuará com a sua estrutura e com os postos de trabalho” (5). E a greve é desconvocada.

Por outras palavras, uma interferência politica do accionista estado português politico partidário a travar a redução de custos proposto pela Comissão Executiva a agir no quadro do acordo accionista [ver a seguir].

*Informação (possível) sobre o acordo accionista Estado/Atlantic Gateway

É claro que o Sitava já obteve o que queria para proteger a Groundforce da fatal redução de custos e agora volta à carga com a vigilância e segurança privada dos aeroportos nacionais.

Isto até seria normal dentro da anormalidade de greves que fazem reféns os utilizadores de serviços públicos ou equiparados, como é o caso. Acontece que pode haver algo de grave nos bastidores.

Em entrevista recente ao Publituris (6), David Neeleman afirma o que já adivinhávamos:

-”se me perguntar se era o que eu sonhava quando, em conjunto com o meu sócio HP, vencemos a privatização da TAP, a minha resposta sincera é que nunca poderia imaginar tal alteração e não a desejava.
Mas a vida é o que é e temos de nos saber ajustar às suas mudanças” […]

-“Aceitámos negociar e estabelecer um novo modelo com este Governo e, hoje, estamos confortáveis com o acordo a que chegámos”,

-“Na negociação, estabelecemos três pressupostos sem os quais não pretendíamos continuar, mas felizmente foi possível serem satisfeitos.”,

-“Concordámos que o Estado reforçasse a sua participação social desde que a Atlantic Gateway pudesse gerir a TAP sem interferências políticas – a comissão executiva ser exclusivamente privada.”,

-“o plano estratégico definido por nós, e com o qual vencemos a privatização fosse aceite pelo novo Governo”,

-“Os nossos direitos económicos [superiores à percentagem de capital] ficassem salvaguardados.”,

-“o Governo nos ajudasse na melhoria das condições financeiras existentes para a TAP”.

-“Com estes pressupostos garantidos e assentes num acordo de accionistas com o Governo que nos protege de alterações e interferências nestes domínios, foi possível continuar este projecto tão aliciante para nós e sobretudo para Portugal.”.

*Perante a falta de informação, a pergunta legítima

Perante a incapacidade do regulador ANAC, a nova estrutura accionista da TAP mantém a política de informação pública parcelar e eufórica do ‘povo’ (sobre rotas, records mensais de passageiros e similares) e de não divulgação sistemática da informação institucional que se exige a uma grande empresa.

O único Relatório 2016 que a TAP publica até agora refere tudo o que há de importante, mas omite o “Project RISE: Transforming TAP into a more efficient and agile flag airline carrier” –

Este é um projecto da Comissão Executiva, a tal que David Neeleman refere como trabalhando sem “interferências políticas” e “ser exclusivamente privada”.

A pergunta legítima é:
-depois do acordo accionista resistir à pressão política de Rui Moreira sobre as rotas que a TAP cancela, está ou não o governo a ir longe demais com as garantias que há meses deu ao Sitava?

Vozes de burro não chegam ao céu, pelo que não teremos resposta a esta pergunta.


A Bem da Nação

Lisboa 12 Abril 2017

Sérgio Palma Brito


Notas

(1)Ver 2017.04.12 Jornal de Negócios Greve de segurança nos aeroportos começou hoje

(2) Ver
-2016.10.04 Fernando Pinto anuncia plano de redução de custos da TAP em 150 milhões de euros
-2016.10.04 Afinal, não era imaginação. TAP quer mesmo cortar 150 milhões em custos

(3)Ver Grupo TAP, TAP – Transportes Aéreos Portugueses, SGPS, S.A., RELATÓRIO DE GESTÃO (PRINCIPAIS FACTOS) E CONTAS DO EXERCÍCIO (Consolidação)

(4)Ver 2016.09.27 TAP quer cortar custos pela eficiência sem despedimentos 27.09.2016 22h46

(5)Ver 2016.12.26 Intervenção do Governo faz cancelar greve nos aeroportos


(6)Publituris (17 Março 2017)

Indústria da hotelaria no Algarve – dualidade de estabelecimentos

No Seminário que a CCDR do Algarve organizou (4 Abril 2017), levantei um aspecto da Economia turístico residencial do Algarve sobre o qual ninguém fala ou apenas fala pejorativamente:

-a dualidade de estabelecimentos na indústria da Hotelaria no Algarve (corresponde ao Alojamento turístico classificado) onde coexistem estabelecimentos competitivos e outros obsoletos, estes com impacte negativo no potencial de criação de valor pela indústria da Hotelaria da Região.

Antes de continuarmos, importa dar uma ideia sobre a evolução e realidade actual dos estabelecimentos da indústria da Hotelaria.

*Industria Hotelaria Algarve – 115k camas e 369 estabelecimentos

Entre 1970/2015 a indústria da Hotelaria do Algarve cresce de maneira sustentada. Desde 2001 ganha 12 estabelecimentos. Em 2015, a industria compreende cerca de 370 estabelecimentos e 115.000 camas (gráfico 1). Com base na informação de que dispomos, há estabelecimentos importantes que não figuram neste total.

Gráfico 1 – Camas dos estabelecimentos da indústria da Hotelaria do Algarve  
(milhares)                                                                   

Fonte: Elaboração própria com base em INE – Estatísticas de Turismo

Estes estabelecimentos repartem-se pelos tipos de Empreendimentos Turísticos definidos pelo Regime Jurídico da Instalação, Exploração e Funcionamento dos Empreendimentos Turísticos de 2008 (gráfico 2): 129 Hotéis, 69 Hotéis Apartamentos, 138 Apartamentos Turísticos e 33 Aldeamentos Turísticos. Constatamos que os Hotéis propriamente ditos representam apenas 33% das camas da indústria da Hotelaria do Algarve em 2015.

Gráfico 2 – Camas por tipo estabelecimento industria Hotelaria Algarve 2015
(milhares)                                                                


Fonte: Elaboração própria com base em INE – Estatísticas de Turismo

*Dois grupos de estabelecimentos da indústria da hotelaria

Com base na nossa observação e muita informação recolhida, no terreno ou por pesquiza, identificamos dois grandes grupos de estabelecimentos:

-o que integra estabelecimentos competitivos, que acompanham as exigências do mercado qualificado, têm sido bem mantidos e renovados e parecem remunerar o capital investido a uma taxa superior à do seu custo,

-outro é de estabelecimentos em estagnação/declínio, procurados por segmentos menos exigentes da procura, não foram mantidos e renovados e estão obsoletos, e as empresas não dispõem de capital humano para os renovar.

Os estabelecimentos obsoletos raramente fecham, arrastam a sua decadência e são procurados peãs franjas menos exigentes do mercado. Salários em atraso, pessoal pago por fora, dívidas a fisco, Segurança Social e fornecedores completam o quadro.

Em alguns casos de empresas familiares esta decadência está ligada a não ter havido uma transferência de gerações na propriedade e exploração. Entre outros factores, são empresas familiares em que a transição de gerações não foi acautelada.

No caso de fábricas das mais diversas indústrias (têxtil, calçado, química, etc.) os estabelecimentos obsoletos fecham rapidamente, são abandonados e, com bastante frequência, os terrenos que ocupam ganham valor com a urbanização.

No caso da indústria da hotelaria, os estabelecimentos obsoletos têm de ser renovados in situ, e com operação de capital intensivo fora do alcance dos proprietários. A negociação entre proprietários que não conseguem renovar o estabelecimento e interessados em investir atrasa ou compromete a sua renovação.

*Intervenção Pública e do mercado

O mercado não elimina os estabelecimentos obsoletos ou fá-lo tarde e a más horas, porque há sempre uma procura menos exigente que aceita aí alojar. A Intervenção Pública no Turismo está consciente da situação, mas não tem sido capaz de intervir.

Esta conjugação de impotências prejudica o País, porque estabelecimentos obsoletos, alguns na primeira linha de praia, não geram o valor que deviam gerar e prejudicam o posicionamento do Algarve no seu todo.

Por outras palavras,

-com um investimento de renovação, o Algarve e o País ganham algumas dezenas de estabelecimentos competitivos onde agora funcionam estabelecimentos obsoletos cuja oferta desqualifica a procura.

*Análise estratégica da indústria da Hotelaria e ímpeto político

Dadas as limitações das Estatísticas de Turismo, compete ao Turismo de Portugal

-promover o equivalente a Análise Estratégica da Industria da hotelaria do Algarve que nos informe sobre sua evolução e os dois (ou mais) grupos em que podemos integrar os cerca de 370 estabelecimentos que a compõem,

-apresentar um programa de acção que permita ao mercado requalificar os estabelecimentos obsoletos.

Na realidade, a Turismo de Portugal só vai intervir se houver determinação política na área de influência do Primeiro-Ministro. Salvo raríssimas excepções, as decisões verdadeiramente estratégicas da política para o turismo são tomadas pelo primeiro-ministro.

Chegados aqui, encontramos o estrangulamento que denunciámos no seminário da CCDRA:

-“Estou feliz com resultados de 2016 e perspectivas para o muito próximo futuro. Receio que euforia pelos resultados, culto fácil do sucesso e falta de quantificação de indicadores fundamentais causem perda de lucidez na análise dos verdadeiros problemas do Algarve.”.

Nenhum primeiro-ministro intervém a contra corrente com a euforia e culto excessivo do sucesso que o turismo atravessa.

*Estatísticas Turismo INE – Hóspedes, Dormidas e Proveitos
O INE quantifica Hóspedes e Dormidas (de Residentes e Não Residentes) e Proveitos (de Alojamento e Não Alojamento), numa série estatística que remonta a 1965.

Estes números são frequentemente identificados como os números “do turismo” e turistas no Algarve reduzidos a Hóspedes. Em outro post vamos quantificar os turistas que escolhem o Alojamento turístico não classificado, as “camas paralelas” da linguagem corrente.

Estes indicadores dão apenas uma ideia geral da performance da indústria da Hotelaria do Algarve. Forçosamente, e sem que possam ser criticados por isso, escamoteiam a dualidade de estabelecimentos que abordamos.

Dos gráficos 3 a 7, destacamos:

-crescimento sustentado do número de hóspedes não residentes a partir de 2009, que em 2016 estão praticamente um milhão acima do número de antes da crise,

-número de hóspedes residentes em Portugal atinge em 2016 o número de antes da crise,

-dormidas com evolução similar à dos hóspedes, mas entre 2009/16 descida de 0.2 noites na estadia média de hóspedes não residentes e estabilidade na dos residentes,

-a preços correntes, os proveitos totais também crescem a partir de 2009, mas a receita média só cresce verdadeiramente a partir de 2014,

-a receita média por dormida é de €50.2 a preços correntes, mas de €32.2 a preços constantes de 1995.

Gráfico 3 – Hospedes estabelecimentos indústria Hotelaria Algarve
(milhares)        


Fonte: Elaboração própria com base em INE – Estatísticas de Turismo

Gráfico 4 – Dormidas estabelecimentos indústria Hotelaria Algarve
(milhares)        


Fonte: Elaboração própria com base em INE – Estatísticas de Turismo

Gráfico 5 – Estadia média estabelecimentos indústria Hotelaria Algarve


Fonte: Elaboração própria com base em INE – Estatísticas de Turismo

Gráfico 6 – Proveitos estabelecimentos indústria Hotelaria Algarve
(€milhares)


Fonte: Elaboração própria com base em INE – Estatísticas de Turismo

Gráfico 7 – Proveito médio por dormida indústria Hotelaria Algarve
(€unidades)


Fonte: Elaboração própria com base em INE – Estatísticas de Turismo


A Bem da Nação

Lisboa 6 Abril 2017


Sérgio Palma Brito

Nota pontual sobre apoio do Turismo de Portugal a rotas aéreas

O título do Publico é bombástico: “Turismo de Portugal já apoiou novas rotas com oito milhões de euros” (1). Na verdade, são €8 milhões em cinco anos, o que dará €1.6 milhões por ano. Este é um de entre vários temas do turismo em Portugal que deve ser analisado numa perspectiva que vai para além da política de turismo tal como a conhecemos e acima da guerrilha politica em cu ou de protagonismos estéreis.

*Capacidade do destino atrair turistas e apoio público 

A tradição de dar subsídios contribui para esquecermos dois factos:

-a capacidade de atracção do destino turístico é o factor decisivo para que turistas o desejem visitar e comprem uma estadia à distribuição – o transporte aéreo é parte integrante da estadia desejada.

-a prioridade das instituições públicas é contribuir para que o destino reforce a sua capacidade de atracção – em condições normais, o mercado faz o resto,

A recente operação da Ryanair em Lisboa ilustra esta realidade:

-em 2014, sem qualquer apoio público e apenas no âmbito do marketing aeroportuário da ANA, a Ryanair começa a operar para Lisboa e atinge 2.6 milhões de passageiros em 2016.

Se Porto e Faro são destinos que ainda carecem de apoio público para atrair turistas,

-o apoio não pode ser uma droga que cria dependência e tem rendimento decrescente, mas sim instrumento para suprir disfunção temporária na capacidade de atrair turistas por estes destinos.

Captar companhias aéreas o Terminal Montijo ilustra realidade nova:

-Lisboa, Porto e Faro dependem de companhias low cost para crescer, mas estas também precisam de voar para Porto e Faro para atingir os objectivos que se fixam em mercado cada vez mais competitivo.

Em qualquer dos casos, o apoio público a companhias aéreas em Porto e Faro deve ser dado

-no âmbito de incentivos ao crescimento do tráfego com objectivos plurianuais e não em apoio a fundo perdido a criação/reforço de rotas,

-e avaliação profissional do grau de dependência das companhias aéreas em relação a Porto e Faro.

*Turismo transporte aéreo e distribuição

A negociação de rotas aéreas é função do marketing aeroportuário da empresa concessionária da exploração dos aeroportos, porque é quem tem profissionais, informação e instrumentos para lidar com grandes companhias aéreas contractos de milhões de passageiros por ano.

Nesta negociação, a ANA trabalha em rede com Turismo de Portugal e ambos com a Iniciativa Privada da oferta e distribuição para

-apoiar criação ou reforço de rotas com programas de marketing & vendas em ligação com a distribuição na área de influência do aeroporto de partida,

-nas áreas de influência dos aeroportos de partida (macro segmentação geográfica).ter o marketing & vendas apoiado pelo branding do destino, em função do que o mercado exija e possa remunerar.

É responsabilidade do Turismo de Portugal dispor de recursos humanos profissionais que, em concertação estratégica e contratualização operacional com Iniciativa Privada e destinos regionais,

*Flexibilidade gestão de rotas de companhias low cost

De entre características estruturantes das companhias low cost destacamos duas que nos interessam directamente:

-rede pan-europeia de bases operacionais e flexibilidade na gestão das rotas, em função de avaliação de riscos e resultados.

O gráfico 1 ilustra o número de rotas criadas por companhias aéreas na Europa em 2015 e 2016. No caso de Ryanair e Easyjet, o número de rotas suprimidas não é explicitado mas é importante.

Destacamos os números em causa e a sua correlação com o dinamismo das companhias low cost já referido em outros posts:

-Ryanair em 2016, o que está na base do crescimento esperado de 11.8 milhões de passageiros a 31 de Março de 2017,

-em 2016, Transavia tem aumento atípico de passageiros,

-Jet2.com salta dos aeroportos do centro de Inglaterra e instala base em Stanstead, covil da Ryanair,

-crescimento da WIZZ e alguma calma na Vueling que não evita os problemas do Verão de 2016,

-expansão da Jet2.com que deixa de operar apenas no centro de Inglaterra e instala base em Stanstead, base forte da Ryanair e presença significativa da Easyjet.

Gráfico 1 – Rotas criadas por companhias aéreas 2015-2016 (unidades)


Fonte: Elaboração própria com base em anna.aero – ver Nota (2)

*Apoio a criação/reforço de rotas pelo Turismo de Portugal

Se bem percebemos, o Turismo de Portugal opera um programa de apoio a rotas de companhias aéreas low cost e full service. No item anterior mostramos os motivos que devem levar o TdeP a deixar de apoiar rotas intra-europeias de companhias low cost.

Dada a escala da operação e o valor do subsidio, não faz sentido que o TdeP subsidie criação de rotas por companhias full service, como a da TAP para Moscovo e da Emirates para o Dubai (3). O projecto da HNA pode justificar programa de incentivo mas não subsídio a fundo perdido.

Em nossa opinião, o Turismo de Portugal, desperdiça recursos quando subsidia a fundo perdido rotas, de companhias low cost ou outras, em contante variação.

*Cinco perguntas sem resposta

Por fim, o artigo do Publico suscita perguntas importantes sobre o apoio a rotas aéreas pelo Turismo de Portugal:

-os €8 milhões apenas apoiam rotas aéreas ou apoiam também os incentivos concedidos a companhias aéreas em função de objectivos de tráfego,

-se são só para apoiar rotas, qual o montante para financiar os incentivos,

-estes €8 milhões são o total dos fundos públicos a apoiar rotas e ou incentivos ou há ainda verba equivalente das Agências Regionais de Promoção Turística?

-qual a participação da ANA no apoio a rotas e ou incentivos e qual é o trabalho em rede entre ANA, Turismo de Portugal e Iniciativa Privada?

-no caso em apreço do apoio a rotas aéreas, como são fixados objectivos, como é verificado se são atingidos e como é avaliado o programa no seu conjunto?

Defendemos desde há largos anos que

-deve haver maior difusão da informação, de modo a podermos avaliar programas de acção e desempenho das equipas,

-por princípio e salvo raras excepções, todos os subsídios e ajudas públicas, directas ou indirectas, devem ser publicitadas em portal especializado.


A Bem da Nação

Lisboa 6 de Março de 2017

Sérgio Palma Brito


Anexo – Arqueologia do actual sistema de incentivos/rotas

O pioneirismo é da ANA. Entre 2003 um relatório interno à ANA informa sobre a importância e potencial das LCC. Em 2003, é organizado o Marketing Aviação na ANA que, está na base de “um sistema de apoios de Marketing que pretende apoiar as companhias aéreas no lançamento de novas rotas e no reforço das ligações já existentes.” (4).

Em 2004, há um acordo com a Ryanair no Porto e no final do ano são “preparados novos modelos de sistemas de incentivos para os Aeroportos de Lisboa e Faro”. Em 2005, a EasyJet opera em Lisboa, Porto e Faro.

Em 2005, Instituto de Turismo de Portugal e a ANA concebem o Fundo de Desenvolvimento de Rotas.

Em 2007, “Fruto da consolidação da parceria denominada IDRAIT (Iniciativa de Desenvolvimento de Rotas Aéreas de Interesse Turístico) entre o Grupo ANA e o Instituto de Turismo de Portugal (ITP), alcançámos resultados que nos estimulam […].”.

Em 2008, na mensagem do Presidente da ANA, “Uma nota também para o programa Iniciative.pt, exemplo da bem-sucedida parceria com o Turismo de Portugal e com as Associações Regionais de promoção turística para o desenvolvimento de rotas e para a promoção dos nossos destinos turísticos nos mercados internacionais.”.

No virar de 2008/2009, o Governo decide implementar um conjunto de medidas extraordinárias para minimizar efeitos da Crise de 2008/2009. Duas destas medidas são a Captação e desenvolvimento de rotas aéreas e Acções de Promoção Externa. Estas medidas são paralelas ao Initiative.pt.

A instalação/expansão de companhias low cost em Portugal foram apoiadas por contractos de incentivos que se revelaram muito positivos. Em 1 Março 2012, o programa Initiative.PT 2.0 é apresentado na BTL:

-“São 15 milhões de euros para três anos de contratação, cujo protocolo é estendido para os sete anos no que respeita a vigência para acompanhamento das rotas. Deste valor, 50% advém dos cofres do Turismo, sendo 60% do Turismo de Portugal e 40% das Regiões de Turismo; e 50% dos aeroportos. São estes os números da nova versão do Iniciativa.pt 2.0, que tem em vista apoiar 50 rotas aéreas, das quais metade no âmbito da criação e o restante no aumento de capacidade em linhas já existentes. No final deste período é esperado um apoio a mais 1,5 milhões de passageiros desembarcados nos aeroportos portugueses.” (5).

Em Agosto de 2012, o Turismo de Portugal é autorizado a assumir “encargos decorrentes do protocolo a celebrar com a ANA-Aeroportos de Portugal SA e ANAM-Aeroportos e Navegação Aérea da Madeira até ao montante máximo de €4.5 milhões” (6). Esta verba é repartida entre 2013 (€ 1.5 milhões) e 2018 (€250 mil).

Qual apoio público? As verbas afectas a contractos de incentivos e as afectas a subsídios a rotas não são devidamente descriminadas e apoios públicos a companhias aéreas devem ser divulgados por sistema user friendly.

Notas

(1)Ver 2017.03.04 Publico, Turismo de Portugal já apoiou novas rotas com oito milhões de euros


(3)No final de 2008, no Congresso da APAVT em Macau um administrador da TAP provocou risada ao falar sobre ter recebido um sunsidio por criar uma rota.

(4)Informação e citações têm como fonte os relatórios anuais da ANA.

(5)2012.03.01 Publituris


(6)Turismo de Portugal, IP, Despacho nº 11207/2012, Diário da Republica 2ª série, nº 159 de 17 Agosto 2012.