Ryanair revê em alta a previsão de passageiros no horizonte 2024

A Ryanair fecha o exercício de 2017 a 31 de Março e acaba de apresentar os resultados do primeiro semestre do exercício, a 30 de Outubro de 2016. O indicador que mais directamente nos interessa é o do número de passageiros.

A Ryanair faz a quarta previsão dos últimos três anos para o horizonte 2024.



A previsão de 2014 passar de 180 milhões para 200 milhões de passageiros pode ser sempre encarada com cepticismo.

Diferente é o caso de 2017:

-a previsão para o corrente exercício (a 31 de Março de 2017) passa dos anteriores 113 para 119 milhões,

-o aumento em relação ao real de 106,4 milhões de 2016 é de 12,6 milhões, mais do que a Transavia transporta em um ano.

Para 2017 houve três previsões em crescendo: 106 – 113 -119 milhões. O valor real é de 120 milhões (actualizado em Novembro 2017).

O lucro em 2017 está previsto em €1,350 milhões.

Como explicamos no Relatório sobre Transporte Aéreo e Turismo em Portugal, estes números reforçam o sucesso da reconversão estratégica da Ryanair em 2013. 

A Ryanair é muito diferente do que já foi e os resultados estão à vista.


A Bem da Nação

Lisboa 7 de Novembro de 2016

Sérgio Palma Brito


Os cinco volumes do Relatório estão disponíveis em http: http://www.ciitt.ualg.pt/

ou

I Parte – Da década 1950 à transformação do mercado europeu dos anos noventa

II Parte – Indústrias europeias do transporte aéreo

III Parte – Tráfego aéreo no total dos três aeroportos (Lisboa, Porto e Faro) – continentes, países e empresas

IV Parte – Passageiros nos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro – continentes, países e empresas

V Parte – Procura/oferta de turismo e intervenção pública - Inclui Anexo - Package holiday e independent travel no Algarve (da década de 1990 à actualidade)


Air France KLM creará una aerolínea para competir con las rivales del Golfo

Num fim de tarde de sexta-feira, percorremos os sites habituais e apanhamos esta notícia.

Citamos a introdução …

-“Air France KLM ha lanzado un nuevo plan estratégico para el período 2017-2020 que incluye la creación de una nueva aerolínea para el largo radio que competirá con las rivales del Golfo. Con este ambicioso proyecto, el grupo pretende alcanzar para el año 2020 ingresos de alrededor de 28.000 M € y 100 millones de pasajeros transportados con una flota de 435 aeronaves, excluyendo aviones regionales.”*.

… e o início do texto

El nuevo plan estratégico Trust Together fue presentado este jueves por el presidente y CEO de Air France-KLM, Jean-Marc Janaillac, quien afirmó que con esta nueva hoja de ruta el grupo franco holandés “recupera la ofensiva con un proyecto ambicioso y realista... Estaremos luchando en todos los frentes”.

El objetivo central de volver a una posición de liderazgo en sus distintos mercados, construido alrededor de las principales aerolíneas -Air France y KLM. El grupo busca alcanzar tres grandes desafíos: captar su cuota dentro del crecimiento del transporte aéreo mundial, reforzar la competitividad y la eficiencia operativa del Grupo y mejorar aún más la experiencia del cliente.”.

Analisaremos brevemente o novo plano estratégico do Grupo Air France/KLM. À laia de primeiro comentário, recordamos imagem recente da capitalização bolsista das principais companhias aéreas do Mundo.



Destacamos,

-a liderança incontestável de Delta e Southwest, esta é a histórica LCC,

-Ryanair em terceiro lugar e easyJet em décimo segundo,

-IAG em quinto e Deutsch Lufthansa em décimo terceiro,

-nos dois últimos lugares, Turkish Airlines e o Air France/KLM Group.

A comparação entre IAG, Lufthansa Group e AF/KLM Group e o último lugar deste último dão mais uma imagem da situação em que o grupo está a cair.

*Turismo e transporte aéreo em Portugal
Ao leitor que deseje uma informação mais completa sobre este e outros temas recomendamos o Relatório Turismo e Transporte aéreo em Portugal que acabamos de publicar.

Os cinco volumes estão disponíveis em http: http://www.ciitt.ualg.pt/
ou

I Parte – Da década 1950 à transformação do mercado europeu dos anos noventa

II Parte – Indústrias europeias do transporte aéreo

III Parte – Tráfego aéreo no total dos três aeroportos (Lisboa, Porto e Faro) – continentes, países e empresas

IV Parte – Passageiros nos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro – continentes, países e empresas

V Parte – Procura/oferta de turismo e intervenção pública - Inclui Anexo - Package holiday e independent travel no Algarve (da década de 1990 à actualidade)


A Bem da Nação

Lisboa 4 de Novembro de 2016

Sérgio Palma Brito

*Ver Air France KLM creará una aerolínea para competir con las rivales del Golfo


Brexit e Portugal no mercado emissor do Reino Unido

Afinal, o que representa o Brexit para o posicionamento de Portugal no mercado emissor do Reino Unido? Parece possível relacionar a procura com a cotação da libra no antes/depois da decisão de Brexit. Depois explicitamos a exposição dos três aeroportos às consequências do Brexit.

Não alinhamos nos actuais excessos de euforia, culto do sucesso e discurso light sobre turismo, porque perturbam a lucidez na análise do essencial:

-não estamos aqui para estragar a festa em que também participamos,

-estamos para reforçar a onda dos que mantêm os pés na terra e querem conhecer e compreender a realidade em que vivemos

1.Passageiros oriundos do Reino Unido e libra em relação ao euro
*Passageiros do Reino Unido no total dos três aeroportos e em Faro
A cotação da libra em euros é um dos factores que influenciam a formação da procura do mercado do Reino Unido pela oferta do turismo em Portugal. O gráfico 1 ilustra a evolução do número de passageiros oriundos do Reino Unido no total dos três aeroportos.

Gráfico 1 – Passageiros Reino Unido no total de Lisboa, Porto, Faro
(milhares)


Fonte: Elaboração própria com base em Informação ANA

O gráfico 2 ilustra a evolução do número de passageiros oriundos do Reino Unido em Faro, onde este mercado representa cerca de 50% da procura. Os dois gráficos mostram um surto de crescimento a partir de 2013.

Gráfico 2 – Passageiros oriundos do Reino Unido em Faro
(milhares)


Fonte: Elaboração própria com base em Informação ANA

*Evolução da cotação da libra em euros
A figura 1 ilustra a relação entre libra e euro desde 2012. Destacamos:

-a partir de 2013, a fase de desvalorização da libra em relação ao euro coincide com o surto de crescimento identificado pelos gráficos 1 e 2.

Figura 1- Relação entre libra e euro nos últimos cinco anos


Fonte: Bloomberg

A relação entre a moeda da procura e a da oferta é conhecida, mas é bom saber como acontece no Algarve e no total dos três aeroportos, em consequência do peso do Algarve neste total (57,3% do total em 2015).

Em ligação com o que descrevemos, em 30 de Setembro de 2016, depois da libra a descer desde o início do ano, as chegadas do Reino Unido a Faro crescem menos do que as de Alemanha, Holanda e Irlanda (os três mercados mais importantes do Algarve depois do Reino Unido).

Por fim, insistir na nossa responsabilidade:

-a capacidade de atracção de um destino turístico depende do preço, mas esta dependência deve ser fisiológica e não patológica, em imagem que importamos da biologia.

2.Exposição de Lisboa, Porto e Faro ao mercado do Reino Unido
*Passageiros oriundos do Reino Unido em Lisboa, Porto, Faro
O gráfico 3 ilustra, a evolução de passageiros oriundos do Reino Unido em Lisboa, Porto e Faro, e no total destes aeroportos. Destacamos:

-crescimento lento e estabilidade até 2012 e crescimento mais acentuado desde 2013, que coincide com a valorização da libra, como vimos antes,

-crescimento acentuado com base sobretudo na dinâmica de Lisboa.

Gráfico 3 – Passageiros Reino Unido em Lisboa, Porto, Faro quantidade
(milhares)


Fonte: Elaboração própria com base em Informação ANA

O gráfico 4 ilustra, a evolução de passageiros oriundos do Reino Unido

-em Lisboa, Porto e Faro em parte do total de cada um dos três aeroportos,

-do total destes aeroportos no tráfego total dos três aeroportos.

Gráfico 4 – Passageiros Reino Unido em Lisboa, Porto, Faro parte do total
(milhares)


Fonte: Elaboração própria com base em Informação ANA

Observemos Algarve, Lisboa e Porto com base nos dois gráficos em conjunto.

O Algarve é o destino regional mais exposto à desvalorização da libra:

-em 2015 são 3.5 milhões de turistas e 54,1% de parte de mercado,

-os operadores turísticos de package holiday representam parte importante da procura (pelo menos 50%),
-há enorme pressão para que Antalya e Sharm el Sheik reabram ao turismo e estão fora do euro.

No caso de Lisboa temos de considerar

-uma quantidade importante de 2.0 milhões de passageiros, mas uma parte de mercado de apenas 5,7%,

-não há operadores de package holiday capazes de desviar tráfego.

O caso do Porto é idêntico a Lisboa na ausência de operadores, mas

-é o inverso de Lisboa, com apenas 636k passageiros mas uma parte do total de 7,9%.

3.Notas finais
*Evolução da cotação da libra em euros
Não mencionamos prognósticos sobre a evolução da libra e não consideramos possíveis consequências de um terramoto Trump. Retemos dois factos:

-se a desvalorização da libra a partir do início de 2013 se mantiver/acentuar, vir a Portugal está cada vez mais caro para os residentes no Reino Unido, e pode haver uma queda da procura,

-no Algarve, o desvio de turistas de Turquia e Egipto pode compensar a queda de turistas gerada pela libra, mas a aumentará a pressão para que os turistas regressem a Antalya e a Shark el Sheik.

*Turismo e transporte aéreo em Portugal
Ao leitor que deseje uma informação mais completa sobre este e outros temas recomendamos o Relatório Turismo e Transporte aéreo em Portugal que acabamos de publicar.

Os cinco volumes estão disponíveis em http: http://www.ciitt.ualg.pt/
ou

I Parte – Da década 1950 à transformação do mercado europeu dos anos noventa

II Parte – Indústrias europeias do transporte aéreo

III Parte – Tráfego aéreo no total dos três aeroportos (Lisboa, Porto e Faro) – continentes, países e empresas

IV Parte – Passageiros nos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro – continentes, países e empresas

V Parte – Procura/oferta de turismo e intervenção pública - Inclui Anexo - Package holiday e independent travel no Algarve (da década de 1990 à actualidade)


A Bem da Nação

Lisboa 2 de Novembro de 2016


Sérgio Palma Brito

O turismo não expulsou habitantes da zona histórica de Lisboa

Facto 1 - Entre 1960 e 2011 a população do concelho de Lisboa diminui 32% - passa de 808 mil a 548 mil habitantes. A população de 17 ‘freguesias turísticas’ diminui 72%, mais do dobro do concelho – passa de 121 mil a 34 mil habitantes.




Facto 2 – Em 2011 e nas 17 ‘freguesias turísticas de Lisboa, há 7.254 alojamentos familiares Vagos e 3.375 ocupados como Residência Secundária. O turismo ocupa sobretudo alojamentos vagos ou já ocupados como residência secundária.




Facto 3 – Quem fala em turismo a expulsar residentes & similares, ou não conhece os números e devia calar-se até os conhecer, ou conhece-os e está a criar fumaça (para ser gentil).

Facto 4 – A implantação da procura/oferta de turismo na zona histórica de Lisboa (deserta e grande parte em ruína) cria tensões e exige regulação esclarecida e qualificada pelo Município. 

A realidade de 2016 já não é a de 2011e deve ser conhecida. A agitação de dados falsos cria obstáculos adicionais à identificação desta realidade e à regulação da dinâmica do turismo na urbe, que não é fácil.

Esta é a prioridade para o Município e para os cidadãos que gostam da cidade capital do País.


A Bem da Nação

Lisboa 26 de Outubro de 2016

Sérgio Palma Brito


Concentração/dispersão da procura/oferta de Turismo em Portugal Continental

Assistimos ao ruminar permanente de temas como a integração transporte aéreo/turismo ou a concentração/dispersão da procura/oferta de turismo. Na realidade, deviam ser parte de acervo de conhecimento sobre turismo que nos permita olhar para o futuro sem desperdiçar energias com actividade própria de ruminantes. No fundo é o velho menosprezo da escolha do consumidor na base da integração e concentração/dispersão.

É neste contexto que devemos integrar a opção Portela+1 no Montijo [ver a seguir] e intervenções recentes sobre ‘o turismo no interior’ [próximo post].  

*O consumidor compra deslocação turística a destino em Portugal
O consumidor que decide adquirir uma deslocação turística a um destino em Portugal é o actor mais importante na dinâmica da procura/oferta de turismo. Isto era real e evidente no tempo do package holiday de estadia no Algarve (oferta bundled). Hoje continua a ser real mas talvez menos evidente pela possibilidade de separar a aquisição do transporte aéreo e outros serviços (oferta unbundled em tempos de unbundling dominante).

O turismo em Portugal é essencialmente intra-europeu:

-em 2015, os passageiros oriundos da Europa são 88,5% no total dos três aeroportos, 99.9% em Faro, 96,3% no Porto e 81,6% em Lisboa.

O crescimento do turismo em Portugal continental está ligado às duas baixas estruturais no preço do transporte aéreo na Europa:

-desde a década de 1950, com os operadores de package holiday que democratizam o acesso dos povos do Norte da Europa às praias do Sul,

-desde a década de 1990, com as companhias aéreas low cost, filhas directas da liberalização do transporte aéreo, que democratizam as deslocações intra-europeias entre cidades.

Dito isto, o crescimento do turismo em Portugal continental não existiria sem a capacidade de atracção turística do Algarve, na deslocação de estadia de sol, praia e golfe, e de Lisboa e Porto. Isto é cada vez mais verdade porque

-são cada vez menos frequentes os casos em que basta pôr aviões a voar para a procura por deslocações turísticas aumentar e são cada vez mais frequentes os casos em que é a capacidade de atracção de turistas que faz o sucesso desta procura.

É a este nível que se situa a necessidade e importância da concertação publico/privado no destination branding e marketing & vendas da oferta.

Na realidade, a capacidade de atracção de um destino integra a oferta e o transporte aéreo. Só os separámos para melhor compreender a sua integração na escolha do consumidor.

*Zonas de concentração e dispersão da procura/oferta de turismo
As escolhas dos consumidores fazem com que em Portugal Continental haja diferença estrutural entre concentração e dispersão da procura/oferta:

-os aeroportos de Lisboa, Porto e Faro estão na origem das três maiores concentrações da procura/oferta de turismo do País e desde há muito que a tendência é para a concentração da procura nas grandes aglomerações urbanas do mundo moderno e da oferta em cidades e áreas turísticas de estadia,

-estas concentrações da procura/oferta de turismo têm escala, organização e distribuição que as diferencia da procura/oferta estruturalmente mais dispersa nas outras regiões do País: Alentejo e o que se chama Centro e Norte de Portugal – o consumidor escolhe entre a Tuscânia e ... o Centro.

Depois, a segunda diferença estrutural resulta da especialização das áreas de concentração da procura/oferta entre

-Algarve, Área Turística da Bacia Alargada do Mediterrâneo, fruto da procura oferta por deslocações de estadia desde a década de 1950 com os operadores de package holiday, com procura crescente por residência prolongada ou permanente de reformados não residentes,

-cidades de Lisboa e Porto, e urbes adjacentes, fruto da procura/oferta por deslocações de tour urbano e cultural, tornadas acessíveis pela recente barateza do transporte aéreo entre cidades e pela capacidade de atracção de turistas do após transformação da década de 1990.

A este nível, a política de turismo ainda não foi capaz de tratar de maneira diferente o que é diferente:

-zonas de concentração e dispersão da oferta exigem abordagem diferente pela concertação pública/privado no destination branding e marketing & vendas da oferta.

*O Montijo na concentração da procura/oferta de turismo
A competitividade do aeroporto é elemento decisivo da competitividade do acesso aéreo ao destino. Em Faro e Porto estão em causa investimentos na infra-estrutura existente.

Em Lisboa, a expansão da capacidade do aeroporto Humberto Delgado entrou na espiral do Novo Aeroporto de Lisboa ligado à privatização da ANA (1), e ainda hoje não conseguimos recuperar completamente o bom senso:

-a proximidade do aeroporto Humberto Delgado é factor decisivo na competitividade da oferta turística pelo que só em situação extrema deve ser deslocalizado,

-nunca foi avaliado o cenário de não deslocar o aeroporto (cenário zero), quando esta é a primeira regra na avaliação de um investimento deste tipo,

-Ota e mesmo Alcochete teriam custo elevado de investimento e sobretudo acessos muito caros em dinheiro e tempo.

Com a ajuda da crise, voltamos ao cenário zero, por onde deveríamos ter começado. Se o tivéssemos feito, teríamos hoje um aeroporto de duas pistas e não a Alta de Lisboa.

Desde 2007/08 que, a título pessoal e profissional (Director-Geral da Confederação do Turismo Português e essa era a posição da CTP), defendemos o Portela+1 no Montijo. Passamos sobre as razões da escolha porque hoje é um facto.

A escolha do Montijo é feita sem debate público, um erro em si e pelo que envenena o debate. Esta falta de abertura contribui para escamotear as maiores dificuldades do projecto:

-revisão drástica das servidões militares em redor de Lisboa e deslocalização das bases aéreas suburbanas para Beja ou equivalente,

-corte limitado na Zona de Protecção Exclusiva (Rede Natura) em que o aeroporto se insere) e outros custos ambientais,

-alteração do PDM do Montijo para responder à procura de habitação e espaços vários, com medidas para travar a especulação imobiliária.


*Recuperar o tempo perdido
Apesar de denodados esforços de muitas pessoas, associações e CTP, o turismo nunca foi tido em conta durante o processo do aeroporto de Lisboa. Também não foi tido em conta na privatização da ANA, que surge ligada ao NAL, mas aqui por ausência – os nossos posts não tiveram eco nas forças vivas do turismo (2).

Portela+1 vai ser decidido sob pressão, necessariamente pior do que decidido em devido tempo, e não vai evitar tempos muito duros no aeroporto Humberto Delgado. Eventualmente, perderemos frequências.

Em 2008, a opção Portela+1 era óbvia.



A Bem da Nação

Lisboa 25 de Outubro de 2016

Sérgio Palma Brito


Notas

(1)Na realidade, recuperou e reforçou uma espiral iniciada ainda antes do 25 de Abril.

(2)Ver o post Participação activa e crítica na privatização da ANA SA em 2012
http://sergiopalmabrito.blogspot.pt/2016/10/participacao-activa-e-critica-na.html

Participação activa e crítica na privatização da ANA SA em 2012

Ao longo de 2012 acompanhámos o processo de privatização da ANA. Reunimos todos os posts para facilitar a consulta por quem se interesse por este assunto.

Foi um esforço individual e solitário. Não conseguimos sensibilizar os mais variados actores do turismo para a importância da privatização e para o inevitável agravar de erros que vinham do passado [ver post sobre atribuição de slots] quando

-a privatização da ANA não só continua a ignorar o turismo mas também passa a ser instrumento da relação entre o ministério das Finanças e a troika e o que conta é o montante a encaixar.

Republicamos os textos conforme o original de 2012. O leitor terá em conta os erros dos textos e má qualidade dos gráficos … matéria em que progredimos.

Eis os posts e documentos de trabalho, quando existem, por ordem do mais recente para trás:

Privatização da ANA: Contrato de Concessão entre o Estado e a ANA

Privatização da ANA (4) – Leitura Crítica do “Quadro Jurídico Geral”

Privatização da ANA (3) – Primeiros Factos Oficiais

Privatização da ANA (2): Quinze Anos de Privatização e Dois Para Vender

Privatização da ANA (1): Turismo, Transporte Aéreo e Grupo ANA

Privatização da ANA (1): Turismo, Transporte Aéreo e Grupo ANA – Documento Trabalho

Portela 2012 – Imparcialidade, Transparência e Não Descriminação na Atribuição de Slots

Portela 2012 – Imparcialidade, Transparência e Não Descriminação na Atribuição de Slots –Documento de trabalho


A Bem da Nação

Lisboa 25 de Outubro de 2016


Sérgio Palma Brito

Turismo e transporte aéreo em Portugal

Acabo de terminar um trabalho de pesquisa sobre a relação entre Turismo Transporte Aéreo em Portugal. 

Disponibilizo um Relatório que é instrumento de informação e consulta, útil para quem queira ou precise conhecer o turismo transporte e o aéreo, para além do que é superficial e imediato. 

Na realidade é uma acção de voluntariado a bem da Pátria e Humanidade.

Permitam que a apresentação do Relatório seja feita num tom pessoal nunca utilizado antes neste blogue.

*“sem companhias aéreas não há aeroportos” …
A visão dominante da política de transporte aéreo é limitada a ‘residentes em mercados emissores onde utilizam uma companhia aérea que aterra num aeroporto do Continente e depois embarcam num voo de regresso’.

Em meados de 2008, um dos consórcios que concorreria ao frustrado Novo Aeroporto de Lisboa organiza um colóquio presidido pelo ex-ministro Jorge Coelho. Fala o Professor Nunes da Silva do IST e pouca atenção merece. As coisas sérias começam com a intervenção do Presidente da ANA SA, então estatal. Depois é a vez de falar o CEO da TAP, Fernando Pinto, no auge da sua glória e a defender um terminal exclusivo da TAP no NAL – cá fora seria alvo exclusivo da atenção da comunicação social. Jorge Coelho apresenta-o, começando por um afirmativo

-“sem companhias aéreas não há aeroportos”.

*… “sem turistas não há passageiros nem companhias aéreas nem em aeroportos”
Depois, falo eu, então Director Geral da Confederação do Turismo Português que defendia, contra tudo e contra todos, o Portela+1 … no Montijo. Para muita gente, eu era marginal e irrelevante.

Lembro-me que comecei com qualquer coisa como

-“salvo o devido respeito, estão todos a esquecer que sem procura de turistas, não há passageiros, nem companhias aéreas nem em aeroportos”.

Quando chego à defesa de Portela+1 que era a posição da CTP (o aeroporto tem de ser low cost), vejo na plateia alguns quadros superiores da ANA a gozar com o pratinho. Acho que me excedi ao disparar:

-“Vejo a tecnoestrutura da ANA e rir-se do que eu digo. E eu digo-lhes que só um burro não muda de opinião. E eles vão ter de mudar”.

A ideia do Relatório de que vos apresento nasce neste dia. Depois, foi ‘só’ ter tempo para o elaborar.

*Transporte aéreo no marketing & vendas da deslocação turística
Na origem de tudo está o consumidor que adquire uma deslocação turística a Portugal. Para esta pessoa, a mais importante que há na nossa actividade, a realidade é simples:

-num país com a localização de Portugal, o transporte aéreo é elemento do ‘produto’ (do marketing operacional), a tal deslocação turística que ele compra.

‘Isto’ é evidente para o consumidor e é para muitos de entre nós, como evidente ainda não é para muitos e pior de tudo é ainda ‘disto’ não tirarmos as devidas consequências.

No marketing operacional e para além de elemento do produto,
-o transporte aéreo está, directa ou indirectamente, ligado à distribuição e as vendas ganham se for integrado com a promoção.

No marketing estratégico é instrumento decisivo na segmentação geográfica e tem alguma influência da psicográfica.

O essencial da relação entre transporte aéreo e turismo reside nesta síntese. Depois, é pôr em prática, obter resultados e ser reconhecido ou ser sancionado por não os obter. Não o fazer, é discurso light sobre turismo.

*Uma visão holística
O Relatório resulta de uma visão holística da realidade e tem cinco partes:

-na então Europa Ocidental, o turismo da década de 1950 à transformação do mercado europeu na década de 1990, durante o qual modelo de negócio do package holiday cria as Áreas Turísticas da Bacia Alargada do Mediterrâneo, de que o Algarve é exemplo (I Parte),

-companhias aéreas que integram as indústrias europeias de transporte aéreo: Full Service Carriers, Low Cost Carriers e Leisure Low Cost Carriers – conhecer as suas políticas e estratégias é indispensável a compreender a relação que estabelecem com Portugal (II Parte),

-a partir destes dois pilares, podemos abordar o tráfego aéreo no total dos três aeroportos do Continente por continente e país emissor e por companhia aérea (III Parte),

-chegados aqui, podemos observar e analisar o tráfego aéreo nos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro por continente e país emissor e por companhia aérea (IV Parte).

-terminamos com notas sobre Procura/oferta de turismo e a intervenção pública e como as duas se relacionam com a gestora aeroportuária (V Parte).

O impacte da transformação dos anos noventa no turismo do Algarve obriga a completar o capítulo do aeroporto de Faro com o anexo Relatório “Package holiday e independent travel - o Algarve no contexto europeu”.

*Como aceder ao Relatório?
Os cinco volumes estão disponíveis em http: http://www.ciitt.ualg.pt/

ou

I Parte – Da década 1950 à transformação do mercado europeu dos anos noventa

II Parte – Indústrias europeias do transporte aéreo

III Parte – Tráfego aéreo no total dos três aeroportos (Lisboa, Porto e Faro) – continentes, países e empresas

IV Parte – Passageiros nos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro – continentes, países e empresas

V Parte – Procura/oferta de turismo e intervenção pública - Inclui Anexo - Package holiday e independent travel no Algarve (da década de 1990 à actualidade)

*Boa utilização do Relatório
São quinhentas páginas de texto, muitas figuras e ainda mais gráficos. Poucos as lerão de fio-a-pavio. O Relatório pode ser lido por partes ou capítulos e pode sobretudo ser consultado.

Dentro de poucas semanas sai uma actualização porque parece ter havido uma conspiração contra o texto – desde a sua finalização até hoje houve uma série de transformações importantes em companhias aéreas que são importantes para Portugal.

Dentro de alguns meses, é publicada uma actualização. Insisto em que comentários, correcções, críticas e sugestões sejam enviadas para o email disponibilizado: spalmabrito@gmail.com.

O leitor que contribua para a divulgação do Relatório terá a minha gratidão e terá feito uma boa acção: divulgar uma fonte de conhecimento.


A Bem da Nação

Lisboa 24 de Outubro de 2016


Sérgio Palma Brito



PS – Não refiro a posição da política de Turismo sobre transporte aéreo nem a posição da iniciativa privada. Salvo o devido respeito, há muito a debater até consensualizarmos orientações politicas para além da “importância do transporte aéreo para o turismo”.