Privatização da TAP – estratégias políticas e empresariais de Salazar à actualidade


O presente post pretende ajudar o cidadão mais curioso a ter uma visão da actividade da TAP ao longo dos últimos setenta anos. Apresentamos

-as estratégias politicas e empresariais que são realmente relevantes e não meras manifestações de ego, boa vontade e incompetência,

-três gráficos síntese sobre cada um dos três grandes períodos em que dividimos a actividade da TAP (1).

Estes três períodos são: 

-1944/1994 – do “ instrumento de soberania nacional” à empresa aérea da guerra colonial, 

-1976/2000 – o da ‘transportadora aérea nacional’, da nacionalização à liberalização europeia de 1993, que em Portugal se arrasta por mais sete anos de inércia,

-2001-2011 – o da ‘gestão profissional’ da TAP, que absorve o incidente politico partidário de 2002/2004.

Apesar de podermos sobrecarregar a exposição, consideramos ainda dois contratempos: 

-1994-2000 – o pós PESEEF que termina em 2000, quando a gestão profissional se instala na TAP,

-2002/2004 – a frustrada tentativa de voltar a politizar e partidarizar a TAP.

Em simultâneo, temos em conta os dois grandes períodos da regulação internacional do transporte aéreo de passageiros na Europa:

-o da regulação pelos estados e pela IATA – dos anos 40 a 1992,

-desregulação e globalização – de 1993 à actualidade.

 

O leitor deve estar informado sobre Princípios Gerais do blogue (Princípios).

 

0.Enquadramento internacional da TAP

*Regulação do transporte aéreo de passageiros – anos 40 a 90
Entre a segunda metade da década de 40 e 31 de Dezembro de 1992, o transporte aéreo de passageiros na Europa assenta num modelo dual: companhias estatais de bandeira de transporte regular, e companhias privadas de voos fretados (charter).

A regulação do transporte regular é fixada na segunda metade da década de 1940 (2) e assenta em

-Direitos de Tráfego Aéreo bilaterais acordados entre estados, que fixam rotas entre grandes centros urbanos ou apenas entre capitais,

-frequências e repartição de receitas acordadas entre as administrações e companhias de bandeira dos países envolvidos e indicadas pelos estados,

-preços fixados e regulamentados pela IATA.

-entre década de 40 e 1993, acordos bilaterais entre estados a fixar rotas e capacidade, operadas por companhias estatais, acordo de não concorrência e preços fixados no quadro da IATA.

Esta é a origem do conceito de companhia aérea de bandeira. Em regra, é estatal e indicada pelo estado para operar as rotas estabelecidas pelos acordos bilaterais.

Neste sistema, a concorrência entre companhias aéreas é minimizada, com modestas excepções nas décadas de 1970 e 1980, antes da desregulação.

*Desregulação e globalização – dos anos 90 à actualidade
O terceiro pacote da Desregulação do Transporte Aéreo no espaço comunitário entra em vigor a 1 de Janeiro de 1993 e tem efeito equivalente ao do Airline Deregulation Act de 1978 nos EUA (3). De uma assentada elimina

-a diferença companhias regulares/charter, substituída pelo licenciamento de companhias aéreas para operar em toda a União,

-o sistema de acordos bilaterais entre Estados para fixar rotas e frequências partilhadas por companhias escolhidas, substituído pela liberdade de operação das companhias aéreas,

-a fixação de preços no quadro da IATA, substituída pelo regime de preços livres e concorrência aberta.

Neste contexto, globalização refere a crescente concorrência nas ligações intercontinentais. Em Portugal há casos tão variados como o dos países da CPLP, EUA, Venezuela e outros em África.

A desregulação e globalização

-tornam obsoleto o conceito caseiro de transportadora aérea nacional, como veremos no ponto2,

-reduzem drasticamente o de companhia de bandeira, pela simples razão as companhias são privadas, e a maioria dos direitos de tráfego são livres.

 

1.De “instrumento de soberania nacional” à guerra colonial  

*Quantificação possível
O Gráfico 1 ilustra a evolução do número de passageiros da TAP, SARL entre 1953 e 1974. O ritmo de crescimento é diferente entre 1954/1960 e entre 1961/1964, em consequência do tráfego de longo curso com as colónias em regime de monopólio. Este tráfego explica a rentabilidade e crescimento da TAP de antes do 25 de Abril.

Gráfico 1 – TAP SARL – número de Passageiros (1954/1974)
(milhares)

 
Fonte: Entrada Transportes Aéreos Portugueses, Dicionário de História de Portugal, coordenação de António Barreto e Maria Filomena Mónica, Livraria Figueirinhas, Porto

*Decisão política em 1944 e 1953
Nas suas Memórias, Humberto Delgado lembra:

-”Quando, em 1944, os americanos convocaram a conferência de Chicago, Salazar estava desesperado, porque éramos a única potência colonial sem um serviço aéreo que nos ligasse aos territórios ultramarinos. Decidiu então criar o Secretariado da Aeronáutica e nomeou-me Director-Geral.” (4).

Em 1953, está em causa “o alargamento da rede da concessionária [a TAP, SARL], designadamente de modo que venham a ficar ligados por via aérea os diversos territórios nacionais e, assim, estreitados os laços entre os portugueses espalhados pelo Mundo.” (5).

*concessão do serviço público de transportes aéreos de passageiros” (1953)
O apoio público à concessionária implica defesa da sua dimensão nacional:

-“Quer a natureza intrinsecamente nacional do serviço concedido, quer os termos dos acordos internacionais sobre transportes aéreos celebrados pelo Estado, exigem que a presente concessão se faça a uma empresa portuguesa constituída essencialmente por capitais portugueses e cujos corpos gerentes sejam formados por uma maioria de nacionais.” (6).

A substância da concessão:

-“Pela presente concessão, a concessionária obriga-se a explorar desde já as linhas actualmente a cargo dos Transportes Aéreos Portugueses (Lisboa-Porto, Lisboa-Funchal, Lisboa-São Tomé-Luanda, Lisboa-Madrid, Lisboa-Paris e Lisboa-Londres) e, logo que estejam realizadas as condições para tal fim, a prolongar a linha de Africa até Lourenço Marques e a iniciar a exploração da linha Lisboa-Rio de Janeiro, pela Ilha do Sal.

Acresce que o Governo, quando o julgar conveniente, poderá integrar no serviço concedido outras linhas de interesse nacional, designadamente as que assegurem a ligação com os Açores, a Guiné e as províncias ultramarinas do Oriente.

Prevê-se, pois, o alargamento da rede da concessionária, designadamente de modo que venham a ficar ligados por via aérea os diversos territórios nacionais e, assim, estreitados os laços entre os portugueses espalhados pelo Mundo.”.

*”Relevo especial” da linha de África (1962/1973)
Em 1962, os números já mostram a procura que rentabiliza e faz crescer a TAP, SARL:

-“tem um relevo especial a linha de África, quer pelo importante papel que desempenha como instrumento de soberania nacional, quer pelo peso que tem na exploração, dadas as distâncias percorridas” (7).

*Política de não concorrência
Em 1973, o IV Plano de Fomento para 1974/1979 explicita política de não concorrência no transporte aéreo regular:

-“o transporte aéreo regular é uma actividade que não suporta inteiramente a livre concorrência, carecendo de regulamentação que garanta não só a sua viabilidade económica como a satisfação de indispensáveis padrões de segurança […], ratifica-se o principio que o tráfego aéreo regular que se movimenta entre o território português e o de qualquer outro país é considerado reservado às empresas designadas de ambos os países.” (8).

*Soberania nacional e TAP privada
Na sua origem, as companhias estatais de bandeira também são instrumentos de soberania. Em Portugal, o crescimento da TAP durante a guerra colonial mantém uma função de soberania. Em 1974, esta função já está esbatida em muitos países, mas é particularmente relevante no caso da El AL e Israel.

A TAP alimenta uma contradição. É privada e excepção no tempo de companhias estatais. Desde há quase vinte anos, a TAP pública é excepção no tempo de companhias privadas.

 

2.Transportadora Aérea Nacional – o mito que sublima a realidade?

*Resultado líquido da TAP EP e TAP SA entre 1976 e 2000
O Gráfico 2 ilustra o Resultado Líquido da TAP, em milhões de euros actualizados a 2014, entre 1976 e 2000. Sabemos que o indicador é insuficiente e a actualização discutível, mas sabemos que, observados com cautela, estes números ajudam a compreender a evolução da TAP.

A realidade mais evidente é:

-entre 1976/2000, o Resultado Líquido da TAP é consistentemente negativo, com a excepção de 1997 e 1998.

Gráfico 2 – Resultado líquido da TAP EP e TAP SA entre 1976 e 2000
(euros actualizados a 2014)

 
Fonte: Elaboração Própria com base em Relatórios e Contas de TAP, EP (1976/1990), TAP, SA (1991, 2002), Grupo TAP (2003/2011), actualização com base em PORDATA

*Nacionalização da TAP SARL (1975) – continuidade na Revolução
A nacionalização da TAP resulta da conjuntura pós 11 de Março e

-da insegurança perante a inviabilidade da TAP provocada pela perda das linhas de África,

-do custo social de reconversão empresarial para a qual não há capacidade cultural e política (9).

A realidade é conhecida:

-“As dificuldades financeiras da TAP tiveram início em 1974, quando a empresa perdeu o monopólio de transporte nas rotas com destino às antigas colónias portuguesas em África, que se caracterizavam por um tráfego intenso, com elevadas taxas de ocupação e rentabilidade.” (10).

A nacionalização tem duas consequências que ainda hoje condicionam qualquer intervenção politica na TAP

-o que hoje se designa por “uma espécie de condomínio entre o Estado e os sindicatos”, sindicatos fortes e corporativos diga-se, bloqueia a adaptação da TAP às profundas transformações do mercado em que opera,

-garante que uma das funções do Estado é pagar os custos da irresponsabilidade na gestão e nos ‘direitos dos trabalhadores’.

De memória de homem, entre 1975 e hoje não há um só despedimento individual ou colectivo na TAP. Quantas companhias aéreas têm tal palmarés?

*Transportadora aérea nacional
A transportadora aérea nacional é a continuidade da empresa da guerra colonial, adaptada à ruptura política, social e económica do 25 de Abril e da Descolonização. Em 1985 temos uma definição do conceito:

-“A TAP-Air Portugal, EP como companhia de bandeira desempenha uma missão de grande importância económica e de reconhecido mérito cultural, socia e politico ao estabelecer ligações permanentes com as comunidades portuguesas mais significativas e com os países de expressão oficial portuguesa, para além do papel que desempenha como dinamizador da actividade turística nacional.

Sem prejuizo da eficácia das missões que estão confiadas pelo Estado à TAP-Air Portugal, EP, onde sobressai o transporte para as regiões autónomas, entende o governo que a empresa deverá alcançar aequados níveis de rendibilidade e autofinanciamento de modo a desfrutar de uma situação económico-financeira equilibrada.” (11).

*Continuidade do antes do 25 de Abril
Com a evidente excepção das linhas de África, o conceito de transportadora aérea nacional é semelhante ao de instrumento de soberania nacional, de antes do 25 de Abril:

-a politica de não concorrência reconhecida pelo IV Plano de Fomento é uma constante na relação entre a TAP do accionista Estado e a ‘regulação’ pela Direcção Geral da Aviação Civil do Estado regulador,

-haver missões que o Estado pode confiar à TAP-Air Portugal EP, ontem as linhas de África, hoje o transporte para as regiões autónomas,

-os antigos ‘territórios ultramarinos’ mais o lugar especial que o Brasil sempre teve (ver Decreto-Lei de 19539, são os novos Países de Língua Oficial Portuguesa,

-a dinamização da actividade turística nacional é mais evidente, mas é constante desde 1944.

Em relação ao conceito de antes do 25 de Abril, há duas diferenças:

-a TAP “estabelecer ligações permanentes com as comunidades portuguesas mais significativas”,

-a TAP ser fatal e estruturalmente deficitária, porque a estrutura de capital e de custos, a gestão de base político/partidária e o ‘condomínio entre o Estado e os sindicatos’ impedem a reconversão que a poderia rentabilizar.

*Questionar e racionalizar a transportadora aérea nacional?
Dispomos de informação suficiente para afirmar que

-a transportadora aérea nacional é mito que sublima prejuízos e escamoteia a realidade de uma empresa aérea ineficiente que assim justifica apoio do Estado para o seu prejuizo e regalias para os trabalhadores,

-a sua contribuição para o turismo, comunidades portuguesas e ligações com os países de língua oficial portuguesa não só não é a que diz mas chega a ser contra o desenvolvimento do turismo e o serviço aos emigrantes.

Estamos disponíveis para aprofundar o assunto. 

*Para uma avaliação de dezassete anos de nacionalização
A Decisão da Comissão (12) dá-nos uma avaliação de dezassete anos de nacionalização:

-“A TAP atravessa uma grave crise financeira. […], desde a sua nacionalização em 1975, a TAP tem sido permanentemente deficitária, apresentando resultados operacionais negativos. A TAP é deficitária na maior parte da sua rede. Em 1992, apenas registou lucros em 11 das suas rotas, enquanto que outras 30 registaram perdas que ultrapassaram 50 % das receitas.”,

-“Mesmo tendo em conta a extensão média dos percursos, que é em factor que influencia directamente os rácios de produtividade de uma transportadora aérea, a produtividade da TAP é muito inferior à das suas concorrentes.” (o sublinhado é nosso).

A Comissão conclui:

-“A baixa produtividade da TAP é causada pela sua estrutura de custos elevados, baixos rendimentos. A companhia tem excesso de pessoal, está mal organizada e opera demasiados tipos de aviões.”.

-a empresa ser fatal e estruturalmente deficitária, porque a sua estrutura de Capital, de Custos e de Produtividade, mais a Gestão de base político/partidária, impedem a reconversão que a poderia rentabilizar.

Em 1994, a Comissão autoriza o Estado a aumentar o capital da TAP em 180 mil milhões de escudos portugueses e a dar garantias de empréstimo até ao montante máximo de 169 mil milhões de escudos portugueses:

-em valores actuais, temos cerca de €1.4 mil milhões de aumento de Capital e cerca de €1.3 mil milhões de garantias a empréstimos – não é pouca coisa.

 

3.Período entre 1995/2000 – o equívoco de uma estratégia

*Decisão política pertinente contrariada por estratégia empresarial
Em 1995, o Programa do XIII Governo Constitucional prevê que uma das “grandes prioridades” é:

-“Dispor de uma companhia de bandeira dotada de uma gestão equilibrada e sólida, capaz de concorrer em mercado aberto”.

O Plano Estratégico da TAP para 1997/2000 define estratégia empresarial que contraria a decisão politica:

-“Companhia nacional que “domina” o mercado português, das principais comunidades com fortes vínculos a Portugal espalhadas pelo mundo, e dos turistas estrangeiros individuais viajando para Portugal, através de uma rede que engloba os principais destinos desses clientes, de um serviço simples, rápido e tipicamente português, e da recompensa da lealdade desses clientes à TAP, a um preço em linha com as companhias de bandeira concorrentes.” (13).

Com efeito esta visão estratégica ignora o “concorrer em mercado aberto” e está virada para o mercado das “comunidades com fortes vínculos a Portugal espalhadas pelo mundo” e “dos turistas estrangeiros individuais viajando para Portugal”, com a omissão de passageiros viajando em grupo a contrariar a realidade comercial.

 

4.De 2001 à actualidade – tempo da gestão profissional

*Resultado Líquido do Exercício da TAP SA (2001/2013)
O Gráfico 3 ilustra o Resultado Líquido da TAP entre 2001 e 2013 em milhões de euros correntes. Dois comentários:

-em 2001 o Resultado Líquido ainda é negativo, mas é menos do que em 2000 e inicia uma evolução positiva mas perturbada,

-em 2008 o Resultado Líquido é negativo em valores record, exemplo de ocorrência para a qual os accionistas de companhias aéreas têm de estar preparados.

Gráfico 3 – Resultado Líquido do exercício da TAP SA (2001/2013)
(€milhões, preços correntes)

 
Fonte: Elaboração própria com base em Relatórios anuais de TAP SA (2000, 2001) e Grupo TAP (2003 a 2013)

*Nota sobre resultados da gestão profissional
O período entre 2001/2013 é marcado por uma instabilidade positiva do resultado líquido da TAP SA:

-nos treze anos entre 2001/2013, o Resultado Líquido acumulado da TAP SA é de negativo em €-1,5 milhões a preços correntes,

-a TAP SA beneficia de estranha indulgência que a isenta de remunerar o capital investido e, em 1994, não foi pouco,

-as loas à rentabilidade da TAP SA não têm fundamento,

-o justo reconhecimento da gestão profissional é devido porque o accionista é incapaz e os custos de pessoal são intocáveis – em condições normais seria inaceitável.

*Estratégia empresarial de 2001 
A estratégia de 2001 transforma a TAP de companhia cuja “rede depende ainda, em grande medida, dos mercados tradicionais no interior de Portugal e no estrangeiro” em “companhia aérea internacional” (13).

Citamos a síntese da estratégia que marca a TAP de 2001 à actualidade:

-“A TAP-Air Portugal é uma companhia aérea internacional que opera, ligando a Europa a África e às Américas, a partir da sua base operacional em Lisboa, cidade que, devido ao posicionamento geográfico, constitui uma plataforma de acesso privilegiado aos mercados que a companhia serve.

Na disponibilização do serviço aos seus Clientes, a Empresa mantém a sua forte ligação a Portugal, atitude que corresponde ao nicho de mercado onde a sua posição competitiva é mais sustentada, operando em complementaridade com uma ampla interligação a uma rede global, através de uma boa articulação com as suas parcerias em code-share (voos em código repartido).

A TAP-Air Portugal tem como principal actividade o transporte de passageiros e carga, mediante a disponibilização de um serviço na linha da tradicional hospitalidade portuguesa, promovendo a fidelidade dos seus clientes. Paralelamente, contribuem para os resultados da Empresa, o desenvolvimento de actividades de serviço a terceiros, através da intervenção nos negócios de Manutenção e de Handling e, ainda, a participação em actividades complementares, visando o controlo da “cadeia de serviço.” (14).

O hub de Lisboa é fundamental para o sucesso desta estratégia porque assegura uma massa critica de ligações de longo curso que é indispensável ao equilíbrio das contas da TAP. Por outras palavras, sem hub de Lisboa não há TAP tal como a conhecemos.

 

5.A frustrada tentativa de politização e partidarização (2002/2003)

*Programa do XV Governo (Abril de 2002)
O Governo de Durão Barroso toma posse a 6 de Abril de 2002 e o seu Programa

-defende o “aproveitamento económico das rotas tradicionais, designadamente de e para os Países de língua portuguesa”, e

-contraria a estratégia definida em 2001 e que sustenta a recuperação da TAP SA.

A 1 de Outubro de 2002, Cardoso e Cunha é nomeado presidente do conselho de administração da TAP. Divergências do presidente do conselho de administração e a gestão profissional vêm a público e é mencionada a ameaça de regresso à politização e partidarização da TAP.

A tradicional Mensagem do Presidente no Relatório Anual é significativa:

-em 2002, a omite qualquer referência à operação do hub de Lisboa e destaca “Transformar a TAP numa empresa aérea sólida no espaço Europeu” e em 2003 é coerente com a de 2002.

*2004: Programa do XVI Governo (Julho 2004)
Em Julho de 2004, o Programa do Governo de Santana Lopes prevê:

-“prossecução da política de privatização da TAP, procurando as parcerias estratégicas que viabilizem a reestruturação empresarial do Grupo TAP, conferindo-lhe condições de sustentabilidade num mercado internacional altamente competitivo;”.

Sabemos que os Programas de Governo não figuram entre as fontes mais fiáveis, mas há uma robusta diferença entre duas visões:

-“rotas tradicionais, designadamente de e para os Países de língua portuguesa”, do Programa de 2002,

-“sustentabilidade num mercado internacional altamente competitivo”, do Programa de 2004.

Na TAP, SGPS, SA, a partir de 4 de Setembro de 2004, Manuel dos Santos Pinto Barbosa é o novo Presidente do Conselho de Administração.

É encerado o incidente que, a ir mais longe, demitiria a gestão profissional.

 

A Bem da Nação

Lisboa 18 de Dezembro de 2014

Sérgio Palma Brito

 

Notas

(1)O presente post assenta em grande parte em post e documento de trabalho de Setembro de 2012:

-Privatização da TAP Air Portugal (1) - de Salazar à Actualidade


Documento de trabalho: TAP Air Portugal – Notas Genealógicas 1944/2012


(2)Rigas Doganis, Flying of Course, Airline Economics and Mrketing, Fourth Edition, Routledge, London and New York, 2010.

(3)De entre milhentas publicações, escolhemos: Jacob W.F. Sundberg, Airline Deregulation, Legal and Administrative Problems, Stockholm Institute for Scandianvian Law 1957-2009 http://www.scandinavianlaw.se/pdf/39-21.pdf

(4)Humberto Delgado, Memórias, Edições Delfos, 1974

(5)Preâmbulo do Decreto-Lei que nº 39188, de 25 de Abril de 1953, que cria a TAP, SARL.

(6)Decreto-Lei nº 39.188, de 25 de Abril de 1953 “Autoriza o Ministro das Comunicações a contratar, nos termos das bases anexas a este diploma, a concessão do serviço público de transportes aéreos de passageiros, carga e correio em determinadas linhas”.

(7)Presidência do Conselho, Plano Intercalar de Fomento para 1965/1967, Lisboa, Imprensa Nacional, 1964, p. 379.

(8)Presidência do Conselho, IV Plano de Fomento, Tomo I, Metrópole.

(9)Decreto-Lei n.º 205-E/75, de 16 de Abril de 1975, Nacionaliza a companhia dos Transportes Aéreos Portugueses, a contar de 15 de Abril de 1975.

(10)Decisão da Comissão de Julho de 1994” é a designação corrente de

94/698/CE: Decisão da Comissão, de 6 de Julho de 1994, relativa ao aumento de capital, garantias de crédito e isenção fiscal existente em favor da TAP


(11)Resolução do Conselho de Ministros n.º 8/85, de 6 de Fevereiro “Aprova a celebração de um contrato-programa entre o Estado e a TAP - Air Portugal, E. P., e autoriza os Ministros das Finanças e do Plano e do Equipamento Social a intervir na celebração desse contrato em representação do Estado”.

(12)Relatório da TAP SA referente a 1997.

(12)Decisão da Comissão Nota (10).

(13)idem.

(14)Relatório da TAP SA referente a 2001, ponto sobre o Perfil [da companhia].

 

Privatização da TAP – erro de António Costa e necessidade do PS fazer a diferença


Citamos o texto do Memorando de Entendimento sobre “Privatizações” que foi também assinado pelo PS (os sublinhados são nossos):

-“3.30. O Governo vai acelerar o seu programa de privatizações. O plano existente, elaborado com horizonte até 2013, cobre as áreas dos transportes (Aeroportos de Portugal, TAP, e o ramo da carga da CP), da energia (GALP, EDP e REN), das comunicações (Correios de Portugal) e seguros (Caixa Seguros), assim como um número de pequenas empresas. O plano tem como objectivo receitas de 5500ME até ao fim do programa, com apenas um desinvestimento parcial para todas as grandes empresas. O governo compromete-se a ir ainda mais além, através do rápido e total desinvestimento das acções do sector público na EDP e REN, tem-se esperança que as condições de mercado permitam a venda destas duas companhias, assim como da TAP, pelo fim de 2011. O governo identificará, a tempo da segunda revisão, duas grandes empresas adicionais para privatização pelo fim de 2012. Um plano actualizado de privatizações será preparado até Março de 2012.”.

*O Memorando e o “total desinvestimento” na TAP
Factos:

-a privatização da TAP é referida no âmbito do objectivo de €5.5 ml milhões, e não há referência a privatização “parcial” da TAP, mas sim a “desinvestimento parcial para todas as grandes empresas”,

-depois, “o governo compromete-se a ir ainda mais além, através do rápido e total desinvestimento” e isto inclui “assim como a TAP”.

Não há volta a dar:

-o Partido Socialista assinou o memorando que prevê “ir ainda mais além, através do rápido e total desinvestimento” da TAP, no prazo de “pelo fim de 2011” (prazo irrealista, mas isto é outra história).

*Declarações de António Costa no jantar de Natal do PS/Porto
Na sexta-feira dia 12, no jantar de Natal da distrital do PS/Porto, António Costa afirma:

-"Ao contrário do que diz o primeiro-ministro, o que estava no memorando de entendimento com a 'troika' [assinado pelo PS] não era a previsão de uma privatização a 100% da TAP. Não, o que estava no memorando de entendimento era que a TAP só seria privatizada parcialmente e nunca na sua totalidade".

Depois,

- o Expresso escreve “Na opinião do secretário-geral do PS, é tarde para evocar o memorando de entendimento, porque este também dizia que a meta prevista para as privatizações era de 5,5 mil milhões de euros e que, "neste momento, o Estado já privatizou mais de 8 mil milhões de euros, bastante mais do que era a meta prevista no memorando".

Por fim António Costa afirma:

-"Não é necessário privatizar a TAP, porque o objectivo aí previsto já foi alcançado e, por isso, o melhor que tem a fazer é não vender a TAP e manter esse activo estratégico para o país".

*Não havia necessidade de errar e há necessidade de PS fazer a diferença
No presente entusiasmo político de privatização da TAP, o Governo não apresenta uma estratégia condutora e as declarações dispersas de alguns dos seus membros fazem recear o pior e abrem vasto espaço para críticas demolidoras.  

Não havia necessidade do leader do PS enveredar por críticas sem fundamento. Não acreditamos que António Costa tivesse consciência de estar a fazer críticas sem fundamento. Agora deve pedir desculpa e correr com quem lhe preparou o discurso.

Deve fazer isto, porque há necessidade do PS fazer a uma diferença sólida em relação ao Governo.

É perfeitamente legítimo que o PS defenda privatização da TAP a 50% por aumento de capital em bolsa.

Deve fazê-lo independentemente do Memorando que assinou em 2011, da proposta do governo ou de outras considerações.

 

A Bem da Nação

Lisboa 13 de Dezembro de 2014

Sérgio Palma Brito

Privatização da TAP – quando a realidade do mercado contraria o equívoco politico


Não é usual que este blogue comente afirmações pontuais de governantes, altos funcionários, empresários ou opinião pública. Abrimos uma excepção porque a gravidade da situação na TAP obriga-nos a grande esforço de rigor.

Não é todos os dias que vemos a realidade do mercado desmentir o ministro com a tutela da TAP. Com efeito,

-a suspensão da rota Heathrow/Funchal mostra que a TAP serve o turismo apenas enquanto tal for rentável, como aliás deve ser,

-afirma o Ministro que “Voos para a Guiné? Claro que o futuro accionista da TAP tem que garantir”, quando o accionista Estado não os assegura … por falta de rentabilidade da rota e estar já ser operada por empresa privada,

-afirma ainda, “ Voos para as comunidades lusófonas? Faz parte do caderno de encargos", quando o accionista Estado não assegura rotas para Canadá e África do Sul por não serem rentáveis.

 

*Contexto das decisões sobre Londres/Funchal e Lisboa/Bissau
Na abordagem que temos vindo a fazer do recente entusiasmo politico sobre a Privatização da TAP (1), temos destacado dois pontos

-cabe ao governo, qualquer que seja, definir politicas que garantam a acessibilidade aérea competitiva a Portugal (continente e regiões autónomas),

-a TAP, pública ou privada, é uma companhia muito importante desta acessibilidade, mas não é um instrumento directo destas políticas, porque regras comunitárias sobre a concorrência o excluem desde 1993 (liberalização dos direitos de tráfego).

A TAP opera em mercado aberto e com a obrigação de ser rentável, realidade que ainda escapa a governo, sindicatos, interesses empresariais e opinião pública.

Mais concretamente,

-a TAP só liga Portugal a mercados emissores, países da CPLP e emigração se as rotas forem rentáveis para o seu modelo de operação.

*Rota Londres (Heathrow)/Funchal
A 7 de Dezembro, António Trindade, CEO do grupo Porto Bay escreve no Facebook:

 
A 9 de Dezembro Fernando Pinto dá entrevista a Dinheiro Vivo. Da conversa resulta uma informação que o jornalista comunica aos leitores:

-a rota Londres (Heathrow)/Funchal é interrompida no quadro da gestão de tesouraria em tepo de aperto (2).

Simples.

*Rota Bissau/Lisboa suspensa pela TAP

A 14 de Novembro, o título do Notíciasaominuto fala por si (3):

 


Citamos o que é informação da Lusa:

-"Em qualquer caso serão sempre garantidas obrigações de serviço público. Voos para a Guiné? Claro que o futuro accionista da TAP tem que garantir. Voos para os Açores e para a Madeira? Claro que o futuro accionista da TAP tem que garantir. Voos para as comunidades lusófonas? Faz parte do caderno de encargos".

Para sermos precisos, o conceito comunitário e nacional de ‘serviço público’ tem a ver apenas com a Regiões Autónomas e não com a Guiné. Com efeito,

-a rota Lisboa/Bissau é referida peloo equívoco dominante sobre ‘a TAP servir a lusofonia e a emigração’ e sofre com a dura realidade do mercado.

Na entrevista ao i de 9 de Dezembro, o CEO Fernando Pinto informa que, apesar de já ter "a garantia das autoridades que as condições de segurança estão reunidas", os voos da TAP Lisboa/Bissau suspensos desde Dezembro de 2013, não são retomados porque:

-"A razão principal é mercado mesmo. Chegámos a fazer uma pesquisa para ver como estavam as possibilidades, mas temos uma procura muito baixa do mercado".

*Rota Bissau/Lisboa operada pela Euroatlantic
Citamos o título do Expresso online de 30 de Outubro de 2014 (4):

 


A realidade é simples e está a ser escamoteada:

-há acessibilidade aérea a Portugal para além da TAP (post).

*Voos para as comunidades lusófonas
Ignoramos que cláusula do caderno de encargos da privatização da TAP permite ao Ministro da Economia afirmar:

-“Voos para as comunidades lusófonas? Faz parte do caderno de encargos".

É público e notório que, entre outros casos, a TAP não voa para Canadá e África do Sul apesar de nesses países haver uma grande comunidade emigrante. E a TAP não voa porque as rotas não são rentáveis.

 

A Bem da Nação

Lisboa 10 de Dezembro de 2014

Sérgio Palma Brito

 

Notas

(1)Ver o post mais recente e o link para os outros: Privatização da TAP – Acessibilidade aérea a Portugal e TAP,


(2)Citamos o Dinheiro Vivo: “Para enviar os constrangimentos de tesouraria registados há dois anos, na última tentativa de privatização, a TAP tomou algumas medidas, nomeadamente a renegociação de acordos com instituições financeiras e alguns ajustes na oferta de destinos, como é o caso da rota Funchal-Londres”.


(3)Lusa, às 12:44 de 14 de Novembro de 2014 e

(4)Ler mais: http://expresso.sapo.pt/ligacoes-aereas-lisboa-bissau-vao-ser-retomadas-atraves-da-euroatlantic-airways=f895985#ixzz3LVpukvLT

Privatização da TAP – Acessibilidade aérea a Portugal e TAP


No presente post apenas observamos a acessibilidade aérea ao Continente, assegurada por companhias aéreas em três aeroportos, cada um com a sua especificidade. A acessibilidade aérea às Regiões Autónomas será objecto de post específico.

Em alternativa a um post demasiado longo, optamos por uma série de posts pontuais. O presente post ganha em ser completado com consulta de posts publicados desde Setembro de 2012 (1) e leitura de três outros:

-Privatização da TAP – Estratégias para a TAP,

-Privatização da TAP e garantias pelo Estado,

-Privatização da TAP – o actual entusiasmo político no tempo (1994/2014).

Como sempre, o leitor deve estar informado sobre os Princípios Gerais do blogue (Princípios).

 

*Politicas para acessibilidade aérea competitiva a Portugal

Portugal precisa de políticas consistentes que criem condições para dispor de acessibilidade aérea (2) competitiva assegurada por operadores privados e regulação pública.

Nesta acessibilidade, a TAP é a companhia aérea mais importante mas não é a única e o conjunto das companhias estrangeiras já transporta mais passageiros.

A TAP e sua privatização devem ser compreendidas e avaliadas no contexto das políticas que estão na base da acessibilidade aérea ao País.

O presente post pretende dar uma base quantificada para a compreensão e avaliação da TAP na acessibilidade aérea a Portugal.

 

1.Companhias nacionais/estrangeiras na acessibilidade aérea a Portugal

*Passageiros desembarcados: quota das companhias aéreas estrangeiras
O Gráfico 1 lustra a evolução entre 1980/2013 da quota das companhias aéreas estrangeiras no total de passageiros desembarcados nos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro. Constatamos que as companhias aéreas estrangeiras

-são a base do desenvolvimento da região turística mais importante do País,

-explicam o desenvolvimento do turismo no Porto desde a década de 2000,

-têm papel menos relevante no desenvolvimento do turismo em Lisboa.

O indicador ‘Lisboa corrigida’ ilustra a quota do total do tráfego das companhias estrangeiras no número de passageiros desembarcados no tráfego internacional, o que mais directamente conta para a acessibilidade aérea a Portugal. O tráfego nacional está relacionado com a coesão nacional.

Os números incluem todas as companhias aéreas nacionais. Com alguma prudência, podemos ter uma ideia da importância da TAP no total dos passageiros desembarcados. 

Gráfico 1 – Quota das companhias aéreas estrangeiras no total de passageiros desembarcados
(percentagem)

 
Fonte – Elaboração própria com base em INE – Estatísticas dos Transportes e Comunicações e Estatísticas dos Transportes

*Total de passageiros desembarcados por companhias nacionais e estrangeiras
O gráfico 2 lustra a evolução entre 1980/2013 do total de passageiros desembarcados por companhias nacionais e estrangeiras nos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro. Duas observações (3):

-o início da maior importância das companhias estrangeiras coincide com a liberalização dos direitos de tráfego aéreo no espaço comunitário em 1993,

-a afirmação da maior importância destas companhias começa em 2006 e coincide com a importância crescente das companhias low cost.

Gráfico 2 – Total de passageiros desembarcados por companhias nacionais e estrangeiras nos aeroportos do Continente
(milhares)

 
Fonte – Elaboração própria com base em INE – Estatísticas dos Transportes e Comunicações e Estatísticas dos Transportes

 

2.TAP e sua privatização no contexto da acessibilidade aérea

*Importância da TAP na acessibilidade aérea a Portugal
Do ponto anterior não concluímos que a TAP não é importante para a acessibilidade aérea a Portugal, mas podemos afirmar que

-a importância da TAP não pode escamotear a das companhias aéreas estrangeiras,

-no segmento das deslocações turísticas de ‘lazer, recreio ou férias’ (4), as companhias aéreas estrangeiras podem ter importância superior à das nacionais,

-a importância da TAP na acessibilidade aérea a Portugal é real, mas mede-se com indicadores como este e outros mais sofisticados, mas não com ilusões, equívocos, interesses e emoções.

Em outro post mostramos como a importância da TAP não resulta do accionista Estado garantir ‘base, hub, marca, emigração, CPLP, economia’. 

*A política, o pragmatismo e a opinião pública
O actual entusiasmo politico no já longo processo de privatização da TAP surge

-apertado pelo tempo da política e explicado por razões válidas mas enfraquecidas pela falta de integração no contexto que referimos,

-condicionado pela opinião pública, emoção a mais, segundas intenções e os mais variados interesses.

As declarações do presidente da APAVT no recente congresso da associação são de bom senso a registar. A excepção é o dramatismo de afirmar:

-"se [a privatização] for mal feita, tenha consequências irreparáveis para o turismo português" (5).

Face a isto, o editor do Diário de Notícias exagera no título:
Este e muitos outros exemplos similares confirmam a necessidade de quantificação que minimize opiniões inadequadas e dramatismo excessivo.

*Há acessibilidade aérea a Portugal para além da TAP
Declaração prévia:

-defendemos a privatização total da TAP desde há muito e sempre criticámos a estratégia de “transportadora aérea nacional”,

-reconhecemos a grande importância na TAP na acessibilidade aérea a Portugal e o indispensável longo curso assegurado pelo hub de Lisboa,

-em nossa opinião, o ‘accionista Estado português’ tem vindo a pôr em causa a viabilidade da TAP a ponto de a poder levar à insolvência,

-o nosso interesse pela TAP resulta de defendermos “uma companhia aérea internacional que opera, ligando a Europa a África e às Américas, a partir da sua base operacional em Lisboa” (6).

Dito isto, há acessibilidade aérea a Portugal para além da TAP e esta é uma das bases para o debate.

 

A Bem da Nação

Lisboa 8 de Dezembro de 2014

Sérgio Palma Brito

Notas

(1)Lista dos posts sobre a Privatização da TAP, publicados em 2012, 2013 e 2014:

-Privatização da TAP Air Portugal (1) - de Salazar à Actualidade

2012.09.21


Documento de trabalho: TAP Air Portugal – Notas Genealógicas (1944/2012)


-Privatização da TAP (2) – O Sucesso da TAP no Futuro

2013.01.02


Documento de trabalho: Privatização da TAP (2) – O sucesso da TAP no futuro


-Privatização da TAP (3) – A Prioridade a Recuperar


2013.08.25

-Privatização da TAP (4) – Comentário sobre notícias recentes


2013.08.31

*Grupo TAP em curso de privatização – principais resultados 2013


2014.12.03

 

(2)A acessibilidade aérea integra seis áreas: i) geografia física e humana em que Portugal se insere; ii) coesão territorial entre Continente e Regiões Autónomas; iii) turismo receptor numa visão holística de atracção de não residentes; iv) atracção de empresas e actividades económicas, sociais e culturais; v) deslocações ao estrangeiro dos seus residentes; vi) exportações.

(3)Estas observações exigem/valem análise mais profunda, que depende do acesso aos passageiros por companhia aérea em cada um dos aeroportos, informação que o INAC deveria facultar.

(4)Uma deslocação tem um motivo principal e as deslocações são quantificadas segundo quatro motivos, em inglês: holiday, business, visiting friends or relatives e miscellaneous. O INE, utiliza ‘lazer, recreio ou férias’ (holiday) e ‘profissionais ou negócios’ (business).

(5)Ver Diário de Notícias de 7 de Dezembro de 2014


(6)Ver post sobre Privatização da TAP – Estratégias para a TAP (a publicar) e o documento de trabalho de Setembro de 2012: TAP Air Portugal – Notas Genealógicas (1944/2012), pontos 1.2.1 e 2.2.1, em

Grupo TAP em curso de privatização – principais resultados 2013


A privatização do Grupo TAP volta a estar na ordem do dia e, entre muitas, levanta duas questões:

-qual é e como se avalia o contributo da TAP SGPS para o País?

-deve o Estado manter ou não uma participação no capital da TAP SGPS como garantia do contributo para o País?

Este blogue vai ajudar o cidadão interessado a formar opinião própria sobre o actual surto do processo de privatização da TAP, quando nos aproximamos da comemoração do seu vigésimo anivesário.

Este post apresenta os resultados em 2013 do Grupo TAP (a TAP SGPS) no contexto 2003/2013, por 2003 ser o ano da criação da TAP SGPS.

Em anexo, o Quadro 1 sintetiza a evolução do resultado líquido das empresas do Grupo TAP entre 2003/2013 e ilustra o que está em causa.

 

O essencial do presente post pode ser resumido por um dos gráficos que apresentamos a seguir:

 Gráfico 5 – Grupo TAP - Resultado líquido acumulado (2003/2013)
(€ milhões)

 

Fonte – Elaboração própria com base em Grupo TAP – Relatório anual

 

 

*Evolução do resultado líquido das empresas do Grupo TAP

O resultado líquido da TAP SGPS (gráfico 1) resulta dos das empresas que integra. Nele devemos considerar

-os prejuízos da Manutenção Brasil e SPdH, tantas vezes denunciados pelos sindicatos do pessoal da TAP,

-mas também o resultado negativo da TAP em 2008.

Gráfico 1 – TAP SGPS - Resultado líquido exercício
(€ milhões)

 
Fonte – Elaboração própria com base em Grupo TAP – Relatório anual

O resultado líquido da TAP SA é a grande bandeira dos sindicatos do pessoal da TAP, quando insistem em a TAP SA ser uma empresa excelente e só não o parecer por estar integrada na TAP SGPS. Na realidade, a evolução do resultado líquido da TAP SA evidencia duas realidades:

-o accionista tem de estar preparado para suportar um resultado negativo atípico como o de 2008,

-a evolução 2003/2013 do resultado líquido não é brilhante e só ser possível com um accionista público e muito pouco exigente.

Gráfico 2 – TAP SA - Resultado líquido exercício
(€ milhões)

 
Fonte – Elaboração própria com base em Grupo TAP – Relatório anual

A SPdH é a empresa de serviços de assistência em terra (ground handling), conhecida pela marca Groundforce. Depois de período atribulado, em 2011 a TAP SGPS vende 50.1% do capital ao Grupo Urbanos. A melhoria do resultado líquido tem significado de que ninguém fala mas vai falar:

-o regime laboral e a rigidez do sindicato filiado na CGTP levaram ao encerramento da base de Faro (400 despedimentos) e teriam provocado a falência da SPdH, por incapacidade de satisfazer obrigação legal – face a este perigo real o sindicato aceita a alteração do regime laboral,

-esta evolução só é possível porque, a quando da formação do Grupo TAP, o departamento interno da TAP de serviços de assistência em terra foi autonomizado em empresa – se tal não tem acontecido, a ‘escudo estatal’ que protege a TAP SA continuaria a proteger o seu departamento interno.

O observador mais atento e curioso põe a questão: quantas SPdH existem ainda no seio da TAP SA?

Gráfico 3 – SPdH - Resultado líquido do exercício
(€ milhões)

 
Fonte – Elaboração própria com base em Grupo TAP – Relatório anual

A Manutenção Brasil integra o Grupo TAP desde 2008 e tem influenciado negativamente os resultados do Grupo TAP. Não comentamos por tal exigir investigação e espaço adicionais.   

Gráfico 4 – Manutenção Brasil - Resultado Liquido do exercício
(€ milhões)


 
Fonte – Elaboração própria com base em Grupo TAP – Relatório anual

O resultado líquido acumulado de cada uma das empresas (gráfico 5) mostra a contribuição de cada uma para o desastre da TAP SGPS:

-do lado gravemente negativo, está arrumado o problema SPdH mas ainda temos a Manutenção Brasil,

-do lado negativo, a TAP SA com um resultado líquido acumulado de €46.1 milhões continua a ser um problema que não justifica qualquer transigência.

Neste cenário só uma enorme falta de exigência pode ver aspectos positivos. Como afirmámos antes (aqui),

-a TAP SA beneficia do privilégio de não remunerar o Capital, devendo apenas satisfazer a exigência de “não receber dinheiro do Estado”.

Gráfico 5 – Grupo TAP - Resultado líquido acumulado (2003/2013)
(€ milhões)

 

Fonte – Elaboração própria com base em Grupo TAP – Relatório anual

Acrescentamos a evolução do Capital Próprio de TAP SGPS e TAP SA (gráfico 6 a gráfico 8). Em síntese e de um ângulo muito específico, é isto que está em vias de privatização.

Gráfico 6 – Capital Próprio da TAP SGPS       
(€ milhões)

 
Fonte – Elaboração própria com base em Grupo TAP – Relatório anual

Gráfico 7 – Capital Próprio da TAP SA  
€ milhões)

 
Fonte – Elaboração própria com base em Grupo TAP – Relatório anual

Gráfico 8 – Capital Próprio da TAP SGPS e TAP SA
(€ milhões)

 
Fonte – Elaboração própria com base em Grupo TAP – Relatório anual

 

A Bem da Nação

Lisboa 3 de Dezembro de 2014

Sérgio Palma Brito

 

 

Anexo – Resultado Líquido de Empresas do Grupo TAP

 


Fonte: Elaboração própria com base em Grupo TAP – Relatório anual

Notas:

(1)Resultado Líquido Consolidado com os Interesses Minoritários do Exercício

(2)De 2004 a 2007, Resultado Líquido

(3)Resultado Líquido do Período Consolidado

(4)De 2009 a 2011, Resultado Líquido dos detentores do capital da empresa-mãe

(5)Todos os Relatórios mencionam Resultado Líquido

(6)Valores que figuram no Relatório de 2005

(7)Resultado Líquido da Reaching Force, SGPS, SA

(8)Resultado Líquido da Aero LB, Participações, SA

(9)Resultado Líquido da TAP-Manutenção e Engenharia Brasil, SA

(10)As Notas 7 a 9 explicam a designação genérica de “Manutenção Brasil”

 

Nota

O presente post apenas acrescenta os números de 2013 à análise anterior:

*Privatização da TAP Air Portugal (1) - de Salazar à Actualidade



*Privatização da TAP (2) – O Sucesso da TAP no Futuro


*Privatização da TAP (3) – A Prioridade a Recuperar


*Privatização da TAP (4) – Comentário sobre notícias recentes

Portugal no Mercado de Turismo do Reino Unido – Síntese


Publicámos uma série de oito (I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII) sobre a Procura pela Oferta de Turismo de Portugal no Mercado Emissor do Reino Unido com base no International Passenger Survey (Aqui).

 

Agora disponibilizamos a versão PDF de uma Síntese aqui .

 

Para suscitar o interesse do leitor mais distraído, apresentamos três dos gráficos que figuram na Síntese.

O gráfico 1 ilustra a evolução entre 1999/2013do número de residentes no Reino Unido que visitam Portugal, em três casos:

-total de deslocações, por todos os motivos e em todos os meios de transporte,

-deslocações por motivo de holiday e, no seio destas, as que são em package holiday.

Gráfico 1 – Deslocações de residentes no Reino Unido para Portugal

(milhares)


Fonte: Elaboração própria com base em Office of National Statistics – International Passenger Survey

O gráfico 2 ilustra a evolução entre 1999/2013 da quota das deslocações para Portugal em três casos:

-na totalidade do mercado

-no segmento da intersecção das deslocações para Europa, por motivo holiday e em avião,

-no seio deste segmento, as feitas em package holiday.

Gráfico 2 – Quota de deslocações para Portugal no mercado e segmentos

(percentagem)

 
Fonte: Elaboração própria com base em Office of National Statistics – International Passenger Survey

O gráfico 3 ilustra a evolução entre 1999/2013 da quota das deslocações Package em Deslocações Holiday para Portugal, Grécia, Turquia. Basicamente, quanto menor é a quota, maior é a independência do destino em relação aos operadores de package. No caso de Portugal, o package só é importante no Algarve e relevante na Madeira.

Gráfico 3 – Quota de Deslocações Package em Deslocações Holiday para Portugal, Grécia, Turquia

(percentagem)
 
Fonte: Elaboração própria com base em Office of National Statistics – International Passenger Survey

Para saber mais, percorrer ou ler a síntese.

 

A Bem da Nação

Lisboa 1 de Dezembro de 2014

Sérgio Palma Brito