Centro de Congressos de Lisboa – olhar sobre a concorrência e o futuro


Lemos algures num online uma oposição corporativa à ideia (é do que se trata, por enquanto) de um novo Centro de Congressos de Lisboa – que não era necessário, que os recursos disponíveis podem ir para pequenas obras etc.




A oposição liminar dos hoteleiros de Lisboa ao novo Centro de Congressos deve ser revista à luz do post de 18 e 20 de Novembro:

Do Centro de Congressos que falece à cidade de Lisboa – contexto da sua promoção


 

Antes de mais conversa, comparemos Lisboa com cidades equiparáveis sobre oferta de Centro de Congressos.  

O Centro de Congressos de Lisboa é a antiga FIL, um edifício antigo e reconvertido fatalmente inadequado à actualidade e menos ao futuro, com localização que obriga a transfers custosos em tempo e dinheiro com os hotéis.

Com este Centro de Congressos, Lisboa quando concorre para ganhar um congresso começa a perder por 3-0 com




Com este Centro de Congressos Lisboa ignora o futuro. Ver The Future of Convention Centers em


 

A Bem da Nação

Lisboa 12 e 20 de Novembro de 2014

Sérgio Palma Brito
 
 

Deslocações Turísticas no Modelo de Package Holiday (Notas)


Este é o primeiro de dois posts (segundo) sobre temas transversais do mercado europeu da deslocação de lazer:

-Deslocações de lazer em package holiday (notas),

-Transformação estrutural do mercado europeu da deslocação de lazer e em avião (notas).

O “notas” indica que os documentos são versão embrionária de textos em elaboração, publicados para facilitar a leitura da série de posts sobre Portugal no Mercado de Turismo do Reino Unido – sugerimos a leitura do post de Introdução (I).


O leitor deve estar informado sobre os Princípios Gerais do blogue (Princípios).

O modelo de negócio de package holiday é a inovação que permite, desde 1950, democratizar a deslocação de estadia em avião e formar as Áreas Turísticas da Bacia Turística Alargada do Mediterrâneo [capitulo x de livro].

Até meados da década de 2000, o package holiday domina o turismo receptor em muitos países. A Transformação estrutural do mercado europeu da deslocação de lazer e em particular a Liberalização dos direitos de tráfego aéreo no espaço comunitário (em 1993)

-apoiam o crescimento sustentado das deslocações de tour urbano e cultural,

-reduzem o crescimento da deslocação de estadia,

-levam a industria do package holiday à maturidade/declínio.

Neste embrionário post procuramos dar uma primeira ideia sobre este processo.

As deslocações de package são sempre um subconjunto das deslocações por motivo de lazer e férias (holiday). No presente post apenas analisamos as deslocações de package em transporte aéreo.


1.Modelo de negócio do package holiday em transporte aéreo

*A procura final
A Inglaterra do virar dos anos 40/50 é cadinho onde se fundem os factores que estão na origem da inovação que vai mudar a viagem de estadia para a Europa e depois para outros destinos pelo mundo.

Três destes factores têm a ver com o mercado,

-quase um século de tradição de deslocações de tour urbano e cultural organizadas e com tudo compreendido, de que o ícone são os Thomas Cook Tours,

-dois séculos de tradição de deslocações de estadia para praias, com procura crescente e importante – em 1944 a previsão para o pós guerra é “the English seaside resorts seem likely to remain the back bone of the tourist industry and the mecca of the great majority of holiday makers” (1),

-mais de dois séculos de posicionamento do Mediterrâneo como destino da estadia das classes altas.

Dois outros factores têm a ver com a democratização do transporte aéreo de passageiros:

-fácil reconversão de aviões militares para voos charter de passageiros,

-aeronáutica civil com alguma flexibilidade na regulação de voos charter de deslocações de estadia para as novas áreas turísticas do Mediterrâneo.

*A inovação e os actores
A inovação é simples e poderosa:

-a deslocação turística em package holiday torna as estadias nas praias do Mediterrâneo acessíveis às famílias de classe média e desvia a procura por estadias nos mares do Norte para praias de clima ameno e água quente, em países onde a vida é diferente e barata.

A inovação é operacionalizada por cinco actores, liderados por um do qual tudo depende:

-o operador turístico de package holiday, conhece a procura final, integra todos os componentes do package e é responsável por todo o processo.

De uma maneira ou de outra, o operador turístico controla

-a acessibilidade aérea, elemento crucial da inovação, assegurada em cadeia back to back de voos fretados, com serviço mínimo (no frills), densidade máxima de lugares no avião e load factor elevado,

-a distribuição e venda dos pacotes são asseguradas pela rede de agências de viagens,

-a quantidade de turistas que lhe permite contratar alojamento, alimentação e assistência a preços reduzidos – bebidas, animação e excursões são extras a pagar no destino,

-a relação com regiões e países receptores, tema que não analisamos na presente versão do post.

*O inovador, os entrepreneurs e os institucionais
No terceiro sábado de Maio de 1950, um DC-3 Dakota reconvertido em avião de passageiros, transporta os 32 clientes de package holiday do operador turístico Horizon, no que é a primeira cadeia de voos charter back to back entre Gatwick e Córsega. O vinho local é à discrição e o preço do package 32 libras e 10 xelins. O preço de ida e volta Londres-Nice com a British European Airways é de 70 libras (2). O crédito pela inovação é reconhecido a Vladimir Raitz e o operador turístico é a Horizon.

A inovação não é protegida. Um mercado novo, em crescimento e pouco regulado é terreno fértil para o tempo dos entrepreneurs e falências. Na década de 1960 uma série de falências deixam “holiday makers left stranded abroad when tour operators ran into insurmountable financial difficulties”.

Estas falências contribuem para a criação de um novo componente do package holiday:

-um sistema de garantia que o credibiliza, o ATOL – Air Travel Organizer’s Licence.

Em 1965, a Thomson Holidays anuncia o tempo dos investidores institucionais.

*Um modelo europeu
O package holiday é um modelo europeu da viagem de estadia. Não existe nos EUA e no Japão, nem na China ou outro mercado emergente da actualidade. Tem sucesso na Europa de 1950 porque responde ao contexto histórico e geográfico de um continente, no qual

-em menos de um século, há três guerras e é um patchwork de países, culturas, línguas e moedas;

-o transporte rodoviário é dificultado pela falta de automóveis e estradas, por gasolina cara e múltiplos sistemas de seguros e assistência;

-as companhias aéreas são propriedade do Estado, suas protegidas e, em geral, as entidades reguladoras do tráfego aéreo não são liberais;

-o país mais rico leader das viagens é uma ilha onde se conduz à esquerda,

-duas guerras em quarenta anos destroem fábricas e estradas e atrasam o transporte em automóvel.

Em post futuro explicaremos a diferença dos Estados Unidos e o não haver deslocações de package holiday para Côte d’Azûr.


2.Operador Turístico

2.1.Mais de meio século na evolução dos operadores turísticos

*Quando a Thomson Holidays anuncia o futuro
Em 1965 (3), a Thomsom Holidays é pioneira nas três orientações que o mercado do package vai seguir: 

-investimento institucional, porque é parte da política de diversificação da empresa canadiana Thompson Publications,

-consolidação horizontal, porque resulta da fusão de três operadores,

-integração vertical de companhia charter, a Britannia Airways e na distribuição por rede de agências de vendas a retalho, em 1972 (4).

No mundo que se anuncia, o package holiday é negócio de grandes números e pequenas margens. Em 1988, a Thomson Holidays tem 3,3 milhões de clientes e lucro de uma libra por passageiro (5).

*A década de 1980
A década de 1980 é marcada por desenvolvimentos que marcam o futuro. A aeronáutica civil levanta a restrição do preço do package ser inferior ao do voo por companhia regular para o aeroporto mais próximo, e abre o caminho para

-uma “epic struggle for market share between the major tour operators”,

-estadia em self catering em apartamentos e vivendas, escolha de 25% dos turistas em 1987 e de cerca 50% em meados dos anos 90,

-venda de lugares nos voos fretados em seat only à crescente procura por proprietários de residências secundárias e titulares de semanas de timeshare.

Em 1990 é aprovada a Council Directive “on package travel, package holidays and package tours” (Aqui).

*Alemanha
Em 1988, mercado emissor da Alemanha ultrapassa o do Reino Unido e é “the world biggest spending market (though in per capita expenditure terms they fade behind the Japanese and the Swiss)” (6).

Um segundo factor contribui para o que se vai passar. Em 1990, no Reino Unido um operador pode ter 50% de quota de mercado e controlar 50% da companhia aérea e da rede de distribuição. Na Alemanha, a TUI com menos de 15% de quota não pode consolidar (7). A consolidação horizontal dos operadores turísticos da Alemanha passa pelo estrangeiro.

Em 1992, quando o LTU Group, terceiro operador turístico da Alemanha, compra a agência Thomas Cook, “it seemed a turning point”, porque “Thomas Cook was a symbol of Britishness” (8). O mercado emissor do Reino Unido perde mais de três séculos de liderança.

*Consolidação e integração em 1991
O Quadro 1 dá uma ideia do grau de integração vertical e consolidação horizontal no mercado do Reino Unido em 1991. A indicação do LTU Group exige investigação adicional.

Fonte: Elaboração própria, com base em Travel Trade News, 11 de Junho de 1992

(1)O Operador Turístico Owners Abroad está na origem do First Choice, da fusão com a TUI, em 2007. (2)Monarch group é uma empresa familiar e assim continua até 2014. (3)A indicação da LTU sugere que o Quadro inclui números de 1992, quando o ddd compram a Thomas Cook

*Consolidação e integração em 2000
No ano 2000, quatro operadores turísticos do Reino Unido representam 83% do mercado e integram operação, transporte aéreo e distribuição. Dois já são controlados pelos dois grandes da Alemanha: TUI e Neckerman.


Fonte – George Williams, The Charter Industry Response to the Low Cost Threat, 2001

*A previsão de 2004
Em 2004, o mercado de package holiday no Reino Unido é dominado pelos big four do Quadro 2. Peter Long, CEO da First Choice, prevê um cenário de consolidação global:

-“Cendant and Inter Active Corporation will dominate the market in five years time while the big four will be reduced to two” (9).

Na realidade,

-os big four serão reduzidos a dois, com Peter Long CEO da TUI Travel,

-o projecto da Cendant implode com o spin off puramente financeiros de 2007,

-a Expedia é uma das grandes agências do online travel agency – em 2004 a Booking é uma pequena empresa na Holanda.

*Estagnação do negócio entre 2002/2006
O gráfico 1 mostra como nos antecedentes do culminar da consolidação, os quatro grandes operadores do mercado europeu de package partilham a estagnação do volume total de vendas (10).

Gráfico 1 – Vendas dos quatro maiores operadores turísticos da Europa entre 2002/2006
(€mil milhões)
























Fonte: Elaboração própria com base em Booz Hallen Hamilton

*2007 – o culminar da consolidação e integração
Em 2007 culmina do processo de consolidação horizontal liderado pelos dois  grandes operadores da Alemanha:

 -a TUI AG controla a First Choice Holidays Plc e é criada a TUI Travel Plc,

-o My Travel Group plc é adquirido pelo Thomas Cook Group plc.

Em Setembro de 2008, o terceiro maior operador turístico do Reino Unido abre falência – em 2007, o XL transporta 2.3 milhões de passageiros. Segundo a Reuters:

-“Shares in TUI Travel were 6 percent higher at 234-1/4 pence at 2.30 p.m. while Thomas Cook was up 5 percent to 247p as investors expected them to gain from diminished competition.

-“analysts at investment bank Dresdner Kleinwort reiterated their "buy" recommendations on both stocks” (Aqui).

A descrição de todo este processo está fora do âmbito do presente trabalho. O leitor mais curioso pode consultar as decisões comunitárias sobre o respeito das regras da concorrência, pela descrição dos intervenientes, do mercado e da fundamentação da decisão.


2.2.Operadores turísticos na transformação estrutural do mercado

*Consolidação e maturidade em tempo de transformação estrutural
A fase final da consolidação dos operadores turísticos (2000/2007) coincide com a maturidade do mercado do package holiday e ambas parecem resultar da transformação estrutural do mercado de lazer, em curso desde o início dos anos 90. A TUI Travel considera que os factores de mudança são

-“Low Cost Carriers, Online Hotel Bedbanks, Online Travel Companies e e-commerce” (11).

Em 2007, quando a consolidação e integração se consumam, a recém-criada TUI Travel reconhece terem os quatro factores de mudança

-“called into question the competitive advantages once thought to arise from the vertically-integrated model”,

-“eroded the concept of the package holiday”, e “blurred the distinction between tour operator and travel agent”.

Em síntese,

-“competitors from outside the markets - traditionally defined - not only offer very effective competitive constraints but in fact dictate the strategies which the traditional travel groups must now follow”.

Esta concorrência condicionante está algo falseada porque os novos ‘online travel actors’ não são obrigados a prestar as mesmas garantias que os tradicionais têm de prestar. Segundo a TUI Travel, nos voos de deslocações de lazer à partida do Reino Unido, em 1997 98% estão protegidos pelo ATOL e enquadram-se no âmbito da directiva de 1990, mas em 2007 serão menos de 50%.

De 2007 até à actualidade, Thomas Cook e TUI Travel (em fusão com a TUI AG) adaptam-se à transformação. Já observámos este processo, mas é tema para post futuro. 

*No destino
No destino, os estabelecimentos de alojamento que dependem do package holiday não podem ignorar a estagnação da procura por este modelo de negócio, perdem a facilidade de vender facilmente a sua oferta ao operador turístico, e são desafiados a acrescentar venda directa ao consumidor e proactividade na relação com o operador.

Por outro lado e nas palavras da TUI Travel, “The internet has made holiday suppliers (hotel owners, airlines etc) much less reliant on intermediaries in general, and the traditional tour operator in particular.”.

*Package Holiday no mercado emissor do Reino Unido
O gráfico 2 ilustra a importância das deslocações em package no mercado emissor do Reino Unido em 2013:

-nas 37.507k deslocações de holiday, há o total de 15.465k de package,

-no segmento das deslocações para a Europa em avião, 15.465k deslocações das quais 9.955k em package.

Gráfico 2 – Deslocações package no mercado Reino Unido em 2013
(milhares)



Fonte: Elaboração própria com base em Office of National Statistics – International Passenger Survey

O gráfico 3 ilustra a evolução entre 1999/2013 das deslocações package nas do segmento Europa e avião. Três observações:

-entre 1999/2008, as deslocações por holiday aumentam 74% e as em package 9%, com as deslocações por holiday a beneficiar do crescimento do tour urbano e cultural,

-entre 2008/2013, as deslocações por holiday diminuem 18% e as em package 12,2%,

-a menor descida percentual das deslocações em package parece estar ligada à procura por férias em all inclusive – entre 2010/2012, as deslocações de package representam 67,6% do crescimento das de holiday.

Gráfico 3 – Deslocações holiday e package no mercado Reino Unido
(milhares)

 
Fonte: Elaboração própria com base em Office of National Statistics – International Passenger Survey


3.Das companhias charter às companhias aéreas de após 1993

*Um modelo dual – voos regulares e voos charter
Entre a segunda metade da década de 40 e 31 de Dezembro de 1992, o transporte aéreo de passageiros na Europa assenta num modelo dual: companhias estatais de bandeira de transporte regular, e companhias privadas de voos fretados (charter).

A regulação do transporte regular por companhias estatais de bandeira é fixada na segunda metade da década de 1940 (12) e assenta em

-Direitos de Tráfego Aéreo bilaterais acordados entre Estados, que fixam rotas entre grandes centros urbanos ou apenas a capital,

-frequências e repartição de receitas acordadas entre as companhias de bandeira dos países envolvidos,

-preços fixados e regulamentados pela IATA.

No pós-guerra, o transporte em companhias charter tem regulação nacional e está limitado a eventos especiais ou grupos socioprofissionais, como professores e estudantes – os affinity charters (13).

A partir de 1950, o package holiday abre mercado novo e importante a verdadeiras companhias charter. Apesar da oposição das companhias de bandeira, as cadeias de voos charter são autorizadas, em regulação flexível e algo informal, com base em dois pressupostos:

-voam apenas para as novas áreas turísticas do Mediterrâneo e não concorrem com as rotas das companhias de bandeira,

-deslocações de ida e volta, com alojamento e outros serviços.

Até 1993 e no âmbito do modelo de package holiday, o transporte aéreo por companhia charter é parte do package e a companhias charter mera fornecedora do operador turístico, antes de poderem também ser parte da Integração Vertical.

*Companhias charter na liberalização de 1993
A liberalização de 1993 (14)

-destrói o modelo dual porque elimina a diferença legal entre companhias regulares e de voos charter, que passam a ser companhias aéreas [ver transformacao],

-as novas companhias aéreas do mercado liberalizado mercado são factor decisivo da transformação estrutural que condiciona os operadores turísticos.

*Modelo diversificado de companhias aéreas – caso de Faro
A classificação das novas companhias aéreas em Low Cost, Charter e Full Service é utilizada na linguagem corrente e serve para arrumar estatísticas. É inadequada à análise da indústria do turismo, aos planos de Marketing & Vendas da iniciativa privada ou à intervenção pública. No caso de uma área turística como o Algarve, a nova realidade do transporte aéreo deve ser analisada com base em Modelo Diversificado de Companhias Aéreas, que compreende

-o clube das full service carriers, com ligação a hub, classe executiva e conforto adicional em classe económica,

-o grupo variado de companhias que asseguram ligações ponto a ponto em serviço no frills.

Este grupo de companhias integra cinco categorias:

-companhias dos dois operadores da integração vertical que se diferenciam pela escala: TUI Travel e Thomas Cook Group,

-companhias de escala e características especificas: Ryanair, Easyjet,

-companhias semelhantes mas de diferente escala: Norwegian, Air Berlin, Vuleling e German Wings,

-companhias hibridas, que vendem seat only e operam charters para operadores turísticos, integrados ou não no grupo a que pertencem: Monarch (Monarch Group), Jet2.com (Dart Group), Transavia Holanda e França (Air France/KLM Group),

-casos especiais como o da Aer Lingus, hibrida no ponto a ponto intra europeu, full service na ligação com os EUA e com rota Nova Iorque/Faro via hub de Dublin (15).


4.Distribuição – da integração vertical ao novo poder do consumidor

*Distribuição no mercado de antes da transformação
No mercado das deslocações de lazer em avião, há duas modalidades de distribuição:

-no caso dominante das deslocações de estadia em package holiday, a distribuição é assegurada por rede de agências de viagens, integrada ou não (caso das ‘independent’) no operador,

-em parte das deslocações de estadia e quase todas as de tour urbano, há agências que apenas vendem e as que organizam deslocações e as vendem directamente e/ou por agencias independentes.

É um mercado muito regulado e com regras legais que protegem as agências de viagens de concorrência exterior.

*Distribuição de package holiday na Transformação Estrutural
No post sobre a transformação estrutural vemos como esta distribuição se integra em toda a cadeia de valor do mercado da deslocação de lazer, num conceito alargado de branding do destino e marketing & vendas da oferta.

Nesta mudança, A distribuição de package holiday pelos grandes operadores integra-se na sua adaptação a ‘online travel actors’. Há duas tendências:

-a intermediação perde quota a favor da venda directa por hotelaria, companhia aéreas e de rent a car,

-no seio dos intermedição, o package holiday perde quota a favor dos novos serviços online.


A Bem da Nação

Lisboa 10 de Novembro de 2014

Sérgio Palma Brito


Notas

(1)Elizabeth Brunner, Holiday Making and the Holiday Trades, Nuffield College, Oxford University Press, London, 1945.

(2)Roger Bray e Vladimir Raitz, Flight to the Sun, Continuum, London and New York, 2000.

(3)No início da década de 1960, a Thomson Publications é proprietária, entre outros, do Sunday Times, The Scotsman, Scotish Television e The Times (Aqui).

(4)Aquisição da Lunn Poly, rede de agências de vendas a retalho, que passa de 30 lojas a 500, em 1990; ver http://en.wikipedia.org/wiki/Lunn_Poly.

(5)Michael East, Is this a promise of worse to come? Travel Trade News, 31 de Agosto de 1989.

(6)Economist Intelligence Unit, Travel & Tourism Analyst, nº 4 1989, Nancy Cockerell, West Germany Outbound, p. 51.

(7)Michael Goble, Excecutive board member, TUI, Plea for equality as frontiers fall, Travel Trade News, 27 de Setembro de 1990.

(8)Roger Bray, obra citada, p. 219.

(9)Peter Long em entrevista ao Travel Weekly de 15 de Outubro de 2004. Declaração: como director do RCI Portugal, do Cendant Group, participámos directamente no projecto ambicioso e realista da Cendant e testemunhámos o seu implodir em frustrado spinoff destinado a gerar shareholders value.

(10)Booz Hallen Hamilton, Take a Trip Into the Future – Technology-based Business Innovation in a Changing Global Travel Distribution Market, 2007.

(11)TUI Travel UK position on the package travel directive, s/d mas elaborado no Segundo semestre de 2007 (Aqui).

(12)Rigas Doganis, Flying of Course, Airline Economics and Mrketing, Fourth Edition, Routledge, London and New York, 2010.

(13)Em cada país, a regulação está a cargo da Administração da Aeronáutica Civil e de acordos bilaterais e pontuais. A título de exemplo didáctico, ver o Decreto-Lei nº 41.815, de 9 de Agosto de 1958 Aprova, para ratificação, o Acordo multilateral relativo aos direitos comerciais dos serviços aéreos não regulares europeus, assinado em Paris em 30 de Abril de 1956.

(14)Entre mil possibilidades, ver Jacob W.F. Sundberg, Airline Deregulation, Legal and Administrative Problems, Stockholm Institute for Scandianvian Law 1957-2009 (Aqui).

(15)Brevemente analisaremos este modelo diversificado no aeroporto de Faro.

Transformação Estrutural do Mercado Europeu da Deslocação de Lazer e em Avião (notas)



Este é o segundo de dois posts (primeiro) sobre temas transversais do mercado europeu da deslocação de lazer:

-Deslocações de lazer em package holiday (notas),

-Transformação estrutural do mercado europeu da deslocação de lazer e em avião (notas).

O “notas” indica que os documentos são versão embrionária de textos em elaboração, publicados para facilitar a leitura da série de posts sobre Portugal no Mercado de Turismo do Reino Unido – sugerimos a leitura do post de Introdução (I).

O leitor deve estar informado sobre os Princípios Gerais do blogue (Princípios).

A história do que hoje designamos por deslocações turísticas conhece períodos bem identificados, como é o caso do que começa com o transporte em caminho-de-ferro (na segunda metade do século XIX) e em avião (desde 1950).

Diferente é o caso do que designamos por Transformação Estrutural do Mercado Europeu da Deslocação de Lazer. Desde a personalização massificada do virar dos anos 80/90 à internet de banda larga de há poucos anos, a transformação demora cerca de vinte anos a consolidar.

Em nossa opinião, identificar esta transformação permite integrar o conhecimento de variadas mudanças no mercado e ser mais eficiente a lidar com o futuro.

 

1.O mercado turístico antes da transformação

*Deslocações turísticas e a análise do presente post
A transformação estrutural

-abrange directamente todas as deslocações turísticas intra europeias por motivo de lazer e em todos os meios de transporte,

-abrange indirectamente as deslocações por motivo de negócio ou de visita a familiares e amigos, também em todos os meios de transporte.

A análise do presente post é limitada ao segmento das deslocações para a Europa, em lazer e transporte em avião.

*Deslocações turísticas para a Europa, por lazer e em avião
Em 1950 o package holiday democratiza as deslocações de estadia

-para as áreas turísticas do Mediterrâneo, em que as rotas charter não concorrem com as das companhias regulares,

-condicionadas por restrições ao licenciamento dos voos charter (alojamento obrigatório, por exemplo) e às que resultam da sua operação em voo semanal.

As deslocações de tour urbano e cultural assentam no transporte entre cidades por companhias regulares e só serão democratizadas de maneira significativa com a transformação estrutural, iniciada na década de 1990.

*Modelo dual de transporte aéreo
Entre a segunda metade da década de 40 e 31 de Dezembro de 1992, o transporte aéreo de passageiros na Europa assenta num modelo dual: companhias estatais de bandeira de transporte regular, e companhias privadas de voos fretados (charter).

A regulação do transporte regular é fixada na segunda metade da década de 1940 (1) e assenta em

-Direitos de Tráfego Aéreo bilaterais acordados entre Estados, que fixam rotas entre grandes centros urbanos ou apenas a capital,

-frequências e repartição de receitas acordadas entre as companhias de bandeira dos países envolvidos,

-preços fixados e regulamentados pela IATA.

No pós-guerra, o transporte em companhias charter tem regulação nacional e está limitado a eventos especiais ou grupos socioprofissionais, como professores e estudantes (affinity charters). O transporte aéreo por estas companhias é a válvula de escape que permite legalizar as cadeias back to back dos voos fretados que integram o package holiday e sem os quais este não existiria.

*Âmbito da transformação
Pela sua qualidade aproveitamos muito de um documento da TUI Travel publicado na segunda metade de 2007 (2). Devemos ter em conta que o documentp está focado no mercado do package holiday e na concorrência desleal por online travel agents que escapam às exigências da Package Travel Directive (3).

*Package Holiday e independent travel no início dos anos 90
Em post anterior analisámos o tema ‘Para Além do Package Holiday: The Independent Traveller’ nos anos 90 (Aqui) . Esta análise está a ser acualizada e será inserida no presente post porque dá uma ideia sobre o mercado das deslocações de lazer pouco antes do início da sua transformação estrutural.

 

2.Notas sobre a transformação estrutural do mercado

A partir de 1950, o modelo de negócio de package holiday dá à deslocação de estadia uma escala e geografia nunca antes imaginadas. Em menos de vinte anos, a transformação estrutural iniciada na década de 1990 dá às deslocações turísticas, de estadia ou de tour urbano, uma escala que poucos imaginariam. Surgem os novos ‘online travel actors’, a Priceline é exemplo sugestivo.

2.1.Factores da transformação externos ao mercado turístico

2.1.1.Factores ligados aos consumidores

*Desejos dos consumidores
A partir do final dos anos 80, há alterações nos desejos e procura dos consumidores:

-a personalização massificada (mass customization) concilia produção de massa com o individualismo dos consumidores,

-para além de serviço de qualidade, o consumidor passa a exigir experiências e autenticidade.

JosephPine II e James Gilmore “view the subjects of Mass Customization, the Experience Economy, and now Authenticity in business as not only interlinked but as flowing one into another to form a single, cohesive view of the economic landscape” (5).

*Demografia
A demografia é factor da transformação estrutural, para além de ser o factor demographics da segmentação no marketing estratégico. O crescimento da procura por package é fruto da procura pelas famílias de baby boomers e, ao longo do tempo, por estes. No Algarve a presença de famílias de avós, pais e filhos é frequente.

Quando os anos 90 chegam, estes turistas estão familiarizados com o destino, muitos já só utilizam o seat only e adaptam-se ao online para escolher voos e alojamento.

A chegada das gerações X e Y ao mercado do turismo aumenta a exigência da procura e uma nova pressão sobre a afectação do tempo e rendimento disponíveis para viajar.

*Branding do destino e marketing & vendas da oferta
A partir dos anos 90 a imagem de marca de país, cidade e destino passam a reforçar o marketing e vendas da oferta, nasce o destination branding de base técnica e profissional, quando a pressão da politics não o condiciona.

Começa a haver uma preocupação com a percepção da mente do turista (no branding e posicionamento), reforçada por todo o processo de personalização massificada, experiência e autenticidade. No posicionamento da offering no mercado, começa também a haver preocupações com psychographics e targeting do marketing estratégico.

Este movimentos têm origem longínqua nos Quatro Ps de 1960 e são completados, mais recentemente pela tomada em conta do algo negligenciado “emotional component of human psyche” e pela atenção ao “spirit of consummers” (6).

 
2.1.2.Factores exógenos

*Liberalização dos direitos de tráfego aéreo no espaço comunitário  
O terceiro pacote da Desregulação do Transporte Aéreo no espaço comunitário entra em vigor a 1 de Janeiro de 1993 e tem efeito equivalente ao do Airline Deregulation Act, de 1978 nos EUA (7). De uma assentada elimina

-a diferença companhias regulares/charter, substituída pelo licenciamento de companhias aéreas para operar em toda a União,

-o sistema de acordos bilaterais entre Estados para fixar rotas e frequências partilhadas por companhias escolhidas, substituído pela liberdade de operação das companhias aéreas,

-a fixação de preços no quadro da IATA, substituída pelo regime de preços livres e concorrência aberta.

É o fim do modelo dual e o início de um modelo diversificado de companhias aéreas, com liberdade de escolher rotas, frequências e preços e de transportar passageiros sem restrição.

A partir de 1 de Janeiro de 1993 a liberalização é implementada a dois tempos. Num primeiro tempo, as companhias charter existentes

-são as primeiras a tirar partido da desregulação porque conhecem o mercado e têm longa experiência de venda de seat-only,

-estão limitadas às rotas das deslocações de estadia para áreas turísticas e ao seu regime semanal fixado pelo package holiday.

Num segundo tempo as novas companhias low cost

-democratizam as deslocações entre centros urbanos, dando origem a importante crescimento da procura por deslocações de tour urbano e cultural,

-nas rotas das deslocações de estadia ultrapassam a rigidez da oferta semanal pelas companhias do packagel.

*Tecnologia de informação/comunicação e internet
O progresso de tecnologias de informação e comunicação e do acesso à Internet altera profundamente a informação e capacidade de decisão do consumidor e o modelo de negócio de companhias aéreas, alojamento e operadores turísticos,

Buzz word ou não, a Web 2.0 de 2004 está na base das comunidades de utilizadores, de que Tripadvisor é percursor e se generalizam

Em 2007, a TUI Travel lembra que “The introduction of broadband has led to a step-change in user-friendliness and speed of access, coupled with reduced usage costs, including flat rates”

No seio desta profunda transformação, a popularização da internet móvel (smartphone, tablets e fablets) acrescenta nova dimensão ao serviço ao utilizador e à concorrência entre operadores.  

 
2.2.Factores ligados à dinâmica do mercado turístico

*A transformação vista pelos operadores de package holiday
A TUI Travel considera que a mudança no mercado turístico é provocada por quatro factores: low cost carriers, online hotel bedbanks, online travel companies e e-commerce. O leitor mais atento já percebeu que a influência destes factores se apoia nas alterações nos desejos dos consumidores, na evolução da demografia e na maneira como branding do destino e marketing & vendas da oferta lidam com a mente, coração e espírito do turista.

Os dois grandes operadores de package holiday do modelo institucional, consolidado e integrado verticalmente (TUI Travel e Thomas Cook) adaptam-se à transformação do mercado e

-passam a ser agentes importantes da transformação por marketing e venda online de pacotes tradicionais e criação de nova oferta online.

*Do package holiday tradicional a um leque de produtos
Para além da venda directa (ver a seguir) e do marketing e vendas online do package tradicional, a TUI Travel define três novos tipos de package:

-dynamic package, where the consumer can choose a holiday or can package the holiday themselves on one website for an inclusive price without leaving the website;

-shopping basket, approach where the consumers are free throughout the entire booking process to choose the separate components which have all got individual prices but can opt to pay for all self selected component with one transaction on one website;

-virtual package, where the consumer buys a flight from one website and then clicks through to another linked ‘partner site’ which supplies accommodation or transfers. This is the growth area for the online market and this is where the largest number of problems will occur as consumers could believe they are buying a package even thought they are not. (8).

Há ainda “separate component transactions, where a customer buys a flight or a hotel room off websites that are not linked or co-branded.”.

*Venda directa
O que a TUI Travel designa por “separate component transactions, where a customer buys a flight or a hotel room off websites that are not linked or co-branded”. Esta designação cobre a maior fatia do mercado online:

-venda directa por hotelaria, companhias de aviação e de rent a car, entre outros,

-caso especial de venda directa pela Internet como componente do modelo de negócio de companhias low cost para além das leaders Ryanair e Easyjet.

Cobre ainda
-intermediação por online hotel bedbanks, como a Booking (da Priceline) e laterooms e asiarooms (TUI Travel).

Este tipo de intermediação mostra que a análise não pode ser superficial. Muita da actividade da Priceline (uma online travel agency) inclui a Booking (uma hotel bedbank). A TUI Travel inclui operadores turísticos de package holiday (entre os quais a Thomson Holidays de 1965), online travel agencies, e hotel bedbanks.

*Intermediação por novos actores do mercado online
A terminologia dos novos actores do mercado online ainda não está consensualizada. Designações como ‘online travel agencies’, ‘market for booking travel online’ e outras têm sempre de ser contextualizadas. Dois tipos de actores são evidentes:

-online travel agencies, como a Expedia,

-online hotel bedbanks, como a Booking.

Dois outros tipos são mais inovadores:

-desde a Internet 2.0 são criadas comunidades de consumidores que avaliam e comentam experiências de alojamento, restauração e outros serviços – o Tripadvisor é o mais conhecido e quase pedagógico pela evolução para a venda,

-portais de meta-search, onde os consumidores “get a quick and relatively comprehensive view of the market”.

Sobre estes últimos, “The year 2014 will be highlighted by hyper metasearch expansion as companies spread their reach way beyond their home-market comfort zones.” (10).

*Consolidação e maturidade (?) do market for booking travel online
Em 21 de Junho de 2014, o Economist analisa “The market for booking travel online” e a sua rápida consolidação (Aqui). Com base em números do Euromonitor faz caixa com as

-“Biggest travel retailers worlwide (Expedia, Carlson Wagonlit, Priceline, TUI e American Express)”

Depois e com base na PhoCusWright reconhece  “when it comes to reserving flights, hotel rooms and rented cars for holidaymakers, the online-travel market looks quite mature in many rich countries”. Com efeito, “online booking now accounts for 43% of total travel sales in America and 45% in Europe”.

Sobre consolidação “the smaller OTAs will find it increasingly hard to compete with the big two. Online travel is an industry in which size counts.”.

*Tripadvisor e Google – da meta-pesquisa a vendas
A possível entrada da Tripadvisor e da Google no mercado das OTA está na ordem do dia. No caso da Tripadvisor, assistimos à convergência de dois modelos:

-os sites Hotels.com e Booking.com, respectivamente da Expedia e Priceline, estão a divulgar informação dos utilizadores em base de comunidade,

-o Tripadvisor promove a venda de alojamento.

A 9 de Agosto de 2014, o Economist volta ao assunto (Aqui):

-“TripAdvisor’s boss, Stephen Kaufer, denies he wants to take on the big two. “We are a media site,” he says. “I want Expedia and Priceline to thrive because they are my clients.” But soon, holidaymakers will be able to book their entire trips without leaving the TripAdvisor app”. Neste texto, Expedia e Priceline são as “big two” online travel agencies. O que está em causa é:

-“The introduction of Instant Booking in TripAdvisor’s hotel-metasearch product on mobile is extremely important as TripAdvisor believes it will greatly increase monetisation. That’s because users won’t find themselves lost in the handoff to third-party hotel or online travel agency sites in order to book the stay(skift em 6.5.2014).

O caso da Google é diferente. Em 21 de Maio de 2014, o Economist (Aqui) refere a sua capacidade de meta pesquisa, completada com a divulgação de comentários e avaliações, em concorrência com Tripadvisor. Para a Google entrar na venda directa tem de criar a intendência necessária e pode perder receita publicitária de OTAs e hotelaria. O Economist sintetiza:

-“Many industry experts seem to think the biggest threat to online travel agents comes from Tripadvisor, particularly as it has started publishing price data alongside its reviews. Whether it or Google is ultimately successful depends on which model—meta search or direct selling—triumphs with consumers. If it is the former, then don’t bet against either.”. 

*Avaliação do mercado pela União Europeia em 2011
O gráfico 1 ilustra a estimativa da repartição das deslocações turísticas de lazer na União Europeia em 2011 entre

-independent travel arrangements,

-traditional, prearranged packages,

-combined travel arrangements.

Estes últimos “include travel arrangements which display features which travellers typically associate with packages as well as arrangements where a trader offering travel services merely facilitates the separate booking of another travel service”.

Gráfico 1 – Repartição das deslocações do holiday market por venda directa e modalidades de intermediação (2011)
(milhões e percentagem)

 
Fonte: Elaboração própria com base em, European Commission, COM(2013) 513 final

É neste contexto que em 2013, a Comissão propõe a “Directive on package travel and assisted travel arrangements, amending Regulation (EC) No2006/2004, Directive 2011/83/EU and repealing Council Directive”. Sinal dos tempos, a directiva de 1990 é sobre package holiday e esta alarga o âmbito aos “assisted travel arrangements”.

 

2.3.Novos ‘online travel actors’

*Booking/Priceline – a nova escala da operação turística
A Booking é uma hotel bedbank criada em 1996, adquirida em 2005 pela OTA americana Priceline (9). Booking/Priceline serão objecto do primeiro post de uma série sobre os novos ‘online travel actors’.

A partir de alguma insignificância em 2005, em 2013

-a Priceline faz $6,79B de revenue (29,13% acima de 2012) e $2,56B de EBIDTA (33,17% acima de 2012)e comercializa 270 milhões de dormidas,

-as acções da Priceline chegam a valer $1,198.75 ($7, em 2000, quando rebenta a ‘dot-bomb’).

*Outros ‘online travel actors’
Para dar uma ideia do que está em causa, editamos o ponto sobre Concorrência, do relatório da Priceline Inc referente a 2013:

-Expedia, Hotels.com, Hotwire, Elong, CarRentals.com and Venere, which are owned by Expedia;

-Travelocity and lastminute.com, which are owned by the Sabre Group;

-Orbitz.com, Cheaptickets, ebookers, HotelClub and RatesToGo, which are owned by Orbitz Worldwide;

-Hotel Reservation Service and hotel.de, which are owned by Hotel Reservation Service;

-AutoEurope, Car Trawler, Ctrip, HomeAway, MakeMyTrip, Webjet, Rakuten, Jalan, Hotel Urbano, ViajaNet, Submarino Viagens, Despegar/Decolar, 17u.com, Bookit.com, CheapOair, Mr. and Mrs. Smith, ODIGEO and Wotif;

-grandes portais online de networking, compras emgrupo e pesquisa como Google, Yahoo! (inclui Yahoo! Travel), Facebook, Groupon e Living Social;

-agências de viagens tradicionais (organizadoras e vendedoras) e operadores turísticos, que combinam venda em loja, por telefone e online: Carlson Wagonlit, American Express, Thomas Cook e Tui Travel, assim como milhares de agências de viagens em todo o mundo.

-serviços online de procura de ofertas e comparação de preços (serviços de "meta-search") como trivago (detido maioritariamente pela Expedia), TripAdvisor, Qunar, Skyscanner and HotelsCombined.

 
3.Consequências da transformação estrutural do mercado

*Transferência de poder para o consumidor
A evolução da formação dos desejos e a demografia dos consumidores são factores da transformação.Por seu lado, a transformação

-“offered a wealth of holiday choice and information to today’s consumer, who is generally more adventurous, better informed, more independent minded and no less price sensitive than his / her counterpart of the 1990s”, nas palavras da TUI Travel,

-faz com que a “wealth of holiday choice and information” e as comunidades de comentário e avaliação aumentem a transparência de toda a cadeia de valor e provoquem colossal transferência de poder dos agentes económicos para o consumidor. 

*Liberalização dos direitos de tráfego aéreo
Em 1993, a liberalização dos direitos de tráfego aéreo no espaço comunitário é factor determinante para afirmar a transformação já em curso. Sem exagerar podemos dizer que na ausência desta medida, teríamos um mercado turístico atrofiado e cortado. 

A Civil Aviation Authority sintetiza as duas vias abertas pela liberalização dos direitos de tráfego aéreo. A primeira tem a ver com as companhias de voos charter existentes:

-“it made little difference in terms of regulatory treatment as to whether a flight was classified as scheduled or chartered”, ou Segundo a TUI Travel os factores de mudança

-removed the distinction between low cost carriers, scheduled and charter airline in the European Union.

A segunda via torna possível o progresso futuro e tem muito maior impacte:  

-“more importantly, the opening up of the EU airline market created new opportunities that could be exploited by new entrant airlines” (11).

-torna possível a Ryanair e Easyjet (respectivamente 82 e 61milhões de passageiros) e todas a companhias do modelo diversificado que ilustramos no caso do aeroporto de Faro [em post a publicar].

*Branding do destino e marketing & vendas da oferta
A transformação estrutural do mercado é alimentada e reforça a alteração profunda na implementação do branding do destino e do marketing & vendas da oferta. Sem querer ser exaustivos, lembramos três aspectos:

-crescimento em quantidade e quota de mercado da venda directa por alojamento, transporte aéreo e rent a car,

-integração da nova variedade de canais de distribuição a toda a cadeia de valor do mercado,

-transparência de preços pelos agentes da meta-pesquiza e informação sobre a oferta pelas comunidades de utilizadores,

-posicionamento da oferta local dispersa em mercado que nunca alcançaria.

Em 2006, um relatório da Mintel já assinala:

-“the rise of the internet has had “considerable impact on travel distribution, facilitating the shift towards independent bookings as consumers become their own travel agents, shopping around for the best deals on all their holiday components.” (12).

*Operadores turísticos de package holiday
No post sobre o package holiday (primeiro) mostramos como os grandes operadores turísticos culminam a consolidação em 2007 e se adaptam à transformação do mercado.

Neste ponto, importa sublinhar que estes operadores perdem importância nas Áreas Turísticas do Mediterrâneo e a que ganham em destinos intercontinentais não evitam a perda de liderança que tiveram.

 

A Bem da Nação

Lisboa 10 de Novembro de 2014

Sérgio Palma Brito

Notas

(1)Rigas Doganis, Flying of Course, Airline Economics and Mrketing, Fourth Edition, Routledge, London and New York, 2010.

(2)Documento da TUI Travel refere TUI Travel UK position on the package travel directive, s/d mas elaborado no Segundo semestre de 2007 (Aqui).

(3)O leitor que desconheça o assunto encontra uma explicação útil no comunicado de imprenda da Comissão europeia de 12 de Março de 2014: Stress-free holidays for 120 million consumers – European Parliament backs new rules on package travel (Aqui).

(4)O documento da União Europeia (Aqui) é  Communication from the Comission to the European Parliament, the Council, The European Economic and Social Committee and the Committee of the regions , Bringing the EU package travel rules into the digital age, Bruxelas 9 de Julho de 2013. O documento cita uma fonte que está inacessível, mas confiamos no documento: http://www.newmediatrendwatch.com/regional-overview/103-europe?start=2

(5)James H. Gilmore, B. Joseph Pine II, Authenticity, what consummers really want, Harvard Business School Press, 2007. Dos mesmos autores, ver Mass Customization: the new FRontier in Business Competition, The Experience Economy

(6)Sobre destination branding, ver Simon Anholt, Competitive Identity – The new brand management for nations, cities and regions (Palmgrave, 2007) e Places – identity, image and reputation (Palgrave, 2010). Sobre marketing, ver Philip Kotler, marketing 3.0, (Wiley 2010). Os quatro Ps são o produto, distribuição (place), prelo e promoção do hoje chamado marketing operacional.

(7)De entre milhentas publicações, escolhemos esta e alterámos a apresentação do texto citado: Jacob W.F. Sundberg, Airline Deregulation, Legal and Administrative Problems, Stockholm Institute for Scandianvian Law 1957-2009 http://www.scandinavianlaw.se/pdf/39-21.pdf

(8)Completamos a citação: “This is technically not a package as the suppliers are two separate entities even though they could be ‘partner or co-branded sites’. This is the area where clear and specific information as to customer’s rights should be available to customers prior to purchase”.

(9)Entre outros, ver How Jeffery Boyd took Priceline from dot-bomb to highflier, Fortune de 24 de Setembro de 2012 (Aqui).

(10)SKIFT, The 14 Trends That Will Define Travel In 2014 (Aqui).

(11)Ver Civil Aviation Authority, No-frills Carriers: Revolution or Evolution? A Study by the Civil Aviation Authority CAP 770, 2006 http://www.caa.co.uk/docs/33/CAP770.pdf

(12)Holiday Booking Process, Leisure Intelligence, Mintel, August 2006.